visita ao planetário do colégio estadual do paraná – palestra “a lenda da estrela de belém”

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O Planetário do Colégio Estadual do Paraná foi inaugurado em 1978, instalado num prédio em forma de tronco de pirâmide, de base quadrangular. Com capacidade para 62 espectadores, oferece aulas expositivas com projeção do céu noturno, atingindo todos os níveis de ensino, desde o pré-escolar até cursos de pós-graduação. Professores, comunidade e turistas do Brasil e do exterior o tem frequentado, com um público total estimado em mais de 1,2 milhão de espectadores.

O planetário é um cinema, um teatro e uma escola ao mesmo tempo, onde o palco é o firmamento e os astros são os atores. Ele pode projetar em detalhes o céu do presente do passado e do futuro até 29 mil anos para frente e para trás da presente data, cobrindo um intervalo de tempo de 58 mil anos. 

Confira a programação completa, datas e horários das sessões na página do OACEP

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O deputado Angelo Vanhoni visitou o Planetário em Curitiba, no dia 15/12, e assistiu a palestra do professor José Manoel Luíz da Silva intitulada “A Lenda da Estrela de Belém”. O espaço está comemorando seu 35º ano de funcionamento e ali já foram realizadas mais de 13 mil apresentações públicas desde a sua inauguração.

A atividade do OACEP, que tem como equipamentos o Planetário (na sede do Colégio Estadual do Paraná, em Curitiba) e o Observatório Astronômico (no município de Campo Magro, na região metropolitana da capital) proporciona um grande incentivo ao estudo das ciências exatas, da astronomia, da mitologia e da história. Além de sua utilização como ferramenta de pesquisa avançada em astronomia o Planetário cumpre uma importante função didática, estimulando pessoas de todas as idades a olhar para o céu e desvendar os seus mistérios.

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O professor José Manoel Luíz da Silva iniciou sua exposição apresentando as divergências entre a data consagrada ao nascimento de Cristo, em 25/12, e as evidências históricas. Devido às diferenças entre o calendário romano e o gregoriano, estabelecido apenas em 1582, calcula-se que Cristo tenha nascido no ano 7 A.C.

Na antiguidade romana o dia de 25 de dezembro era consagrado à celebração das saturnais, uma festividade pagã celebrada nas proximidades do solstício de inverno. Segundo o professor, a adoção desta data foi um sincretismo da igreja romana para incorporar no culto cristão estas festas populares. O filho de Maria haveria nascido no verão, entre agosto e setembro, e a data de 25/12 foi adotada apenas no ano 350, por decreto do papa Julio I.

Para o estudioso, a hipótese mais aceitável é a de que a estrela de Belém tenha sido um cometa. O professor lembra que no evangelho de Mateus é dito que uma estrela foi se movendo e, precedendo os reis magos os conduziu até o menino Jesus. O único objeto celeste que condiz com esta descrição é um cometa. Referiu também às hipóteses de uma super-nova, ou ainda, de uma conjunção cerrada de planetas.

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Inicialmente um bom dia para todos os irmãos em Cristo aqui presentes. Sou um cientista temente a Deus.

Eu gostaria de aproveitar a oportunidade para destacar a presença de um amigo do povo que está aqui conosco, que é o deputado Angelo Vanhoni. Espero que sua visita seja um marco para nós. O Planetário está completando hoje 35 anos de funcionamento, sempre encerrando o ano com esta palestra sobre a estrela que guiou os três reis magos, que já é uma tradição aqui. O céu que nós vamos ver hoje é o céu de Belém daquela época, do nascimento de Cristo.

Contam as sagradas escrituras que quando Jesus nasceu uma estrela surgiu no horizonte anunciando o seu nascimento e os 3 magos, Baltazar, Belchior e Gaspar, seguiram sua luz brilhante até Belém. Era a estrela de Belém um cometa? Era uma nova estrela que surgira repentinamente ou uma notável reunião chamada de conjunção de planetas? Teria sido algum fenômeno periódico? Seria a aparição de um novo astro? No catálogo de cometas antigos de astrônomo japonês Yamamoto figura a aparição de um cometa muito grande e brilhante em agosto do ano 7 antes de Cristo.

Existe a chamada conjunção cerrada, onde os planetas alinhados parecem pular um sobre os outros dando a impressão, por algum tempo, de serem um único astro. No natal de 1603, Keppler observou uma conjunção dos planetas Júpiter, Saturno e Marte. Uma conjunção cerrada, na qual os astros apareciam juntos na constelação de Peixes. Ele fez uma série de cálculos e disse que uma conjunção como essa ocorreu no ano 6 antes de Cristo, também na constelação de Peixes.

Desde tempos imemoriais registram-se aparições de novas estrelas no céu, as chamadas super-novas. Uma dessas aparições se deu a 4 de julho do ano 1054 da nossa era, na constelação de Touro, e durante quase 2 anos foi visível à luz do dia. Segundo relatos o brilho foi tão intenso que superou até o da lua cheia. Hoje, nós astrônomos pesquisamos o que sobrou desta estrela, que é a nebulosa do caranguejo. Estrelas deste tipo aparecem repentinamente, causando surpresa, e ela poderia ter durado tempo suficiente para guiar os reis magos até Belém.

José Manoel Luíz Ungaretti da Silva, astrônomo, diretor do OACEP 

Fotografia: Gilson Camargo

1 Comentário

  1. Ana Caldas
    24 de dezembro de 2013

    Que post, que noticia e que visita especiais! Parabéns!

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