seminário “educação acima de tudo” – ufpr – curitiba/pr

seminario_pne_ufpr_foto_gilsoncamargo_03_03_2012curitiba1

A Fundação Leonel Brizola/Alberto Pasqualini e o Mandato do Deputado Federal Angelo Vanhoni, realizaram no sábado (03/03), em Curitiba, o Seminário “EDUCAÇÃO ACIMA DE TUDO”. Participaram como debatedores o senador Cristovam Buarque e o deputado federal Angelo Vanhoni, com a mediação do professor Angelo Souza, da UFPR. A mesa contou também com a participação do reitor da Universidade Federal do Paraná, Zaki Akel Sobrinho, do deputado federal Wilson Pickler e do deputado estadual Professor Lemos.

Vanhoni atualizou as informações sobre a tramitação da proposta na Comissão Especial da Câmara e apresentou as metas e diretrizes contidas no plano que visam diminuir a dívida histórica que o país tem com a educação. O deputado salientou também que a aprovação do PNE no Congresso é essencial para que estados e municípios possam avançar em suas políticas educacionais.

O senador Cristovam Buarque manifestou seu apoio para que o Plano Nacional de Educação seja aprovado e ressaltou que o país necessita de um esforço ainda maior para chegar a patamares equivalentes aos países desenvolvidos. Para Buarque, o Brasil precisa de uma revolução educacional porque não há como superar as desigualdades sociais a não ser através de uma educação igual para todos.

seminario_pne_ufpr_foto_gilsoncamargo_03_03_2012curitiba12

Gostaria de cumprimentar o nosso querido senador Cristovam Buarque. Todos nós conhecemos a sua dedicação, o conhecimento que tem e a miltância que faz em prol da educação em nosso país. Já o fez como ministro da educação e tem a sua vida toda dedicada a esta tarefa importante e emancipadora do ser humano: a distribuição e aquisição dos instrumentos fundamentais para que cada um de nós possa exercer plenamente as suas potencialidades humanas e o desenvolvimento da razão crítica.

Compreendendo a educação de 0 a 3 anos, e de 4 a 6 até a formação de doutores no nosso país, passando pela universidade, pelo ensino médio, por todo o ciclo do ensino fundamental, pela educação de jovens e adultos, pela inclusão de políticas compensatórias que possam diminuir os gravíssimos problemas sociais que nós temos na sociedade brasileira, como a discriminação das mulheres, como a discriminação terrível contra os afrodescendentes, como o descaso que ainda temos com as populações indígenas no nosso país, com as nossas crianças e os nossos jovens que por terem tido desvios de conduta ainda estão nos presídios do nosso país. Então, o Plano Nacional tem um conjunto de metas que se relaciona e dialoga com estes fundamentais problemas da nação brasileira. No meu ponto de vista o plano tem dois eixos: primeiro incluir quem está de fora do sistema educacional e, mais do que incluir, políticas e diretrizes que possam fazer com que as nossas crianças permaneçam e concluam a sua educação.

Nós estamos com o seguinte cronograma, Cristovam. O texto recebeu 447 emendas no mês de dezembro. Terminou o prazo. Passou janeiro, fevereiro eu comecei a analisar, a ideia é de que nós terminemos esta análise no mês de março e então nós vamos proceder a votação na Comissão. São 25 deputados que vão decidir a respeito do Plano Nacional de Educacão. Se esta Comissão não tiver nenhum recurso, a decisão da Comissão é final. O texto depois será encaminhado para o Senado Federal. O senador Cristovam e os demais senadores vão analisar o texto da Câmara, poderão fazer mudanças neste texto, com certeza o farão, e posteriormente o texto volta para a Câmara para ter uma decisão final a respeito do plano.

Eu particularmente acho que vai ter recurso no plenário. Há uma demanda da sociedade civil. Há uma bandeira em relação a um ponto do Plano Nacional de Educação no que diz respeito ao financiamento. Vocês conhecem esta reivindicação de que o país faça um esforço para resgatar uma dívida histórica, uma dívida social que o Brasil tem com o conjunto de seu povo e nesse momento faça esse esforço consignando neste texto 10% do PIB para ser investido em educação na próxima década. No entanto, não será este percentual que deverá ser apreciado pela Comissão. Sendo assim, se a Comissão votar um percentual menor do que 10% alguns partidos vão requerer que este texto seja discutido no conjunto da Câmara, e nós acreditamos que isto deva acontecer. Então nossa perspectiva de aprovação na Câmara, se correr tudo bem, eu acredito que no final de abril, começo de maio, o texto estará terminado para votação na Câmara dos Deputados.

Angelo Vanhoni

seminario_pne_ufpr_foto_gilsoncamargo_03_03_2012curitiba21

É uma satisfação estar aqui. Não só pela cidade, que eu gosto muito, mas também porque num sábado de manhã reunir um grupo tão grande para debater educação e todos chegando na hora é algo surpreendente! Isso mostra uma diferença que está acontecendo, e para discutir o segundo PNE, que foi fruto do trabalho de milhares de pessoas e trouxe um documento extremamente dificil, que o Vanhoni com a sua competência e dedicação está transformando num documento bastante completo e coerente, e eu o parabenizo, tanto que vai ser dificil depois no Senado a gente mudar muita coisa. Por isso vou falar do terceiro plano nacional de educação. Vou falar da revolução educacional que a gente precisa. É um processo muito mais longo e muito mais dificil e que depende da mobilização da sociedade brasileira.

No dia em que a escola do rico for igual a do pobre, os filhos dos ricos vão ter dificuldades, porque eles vâo concorrer com todos. Eu não conheço um filho de rico na seleção brasileira de futebol, porque a bola é redonda pra todos. Porque todos jogam dos 4 até os 17 anos, mas na escola tem umas redondinhas, e a maioria é quadrada. Tem uns que entram aos 4, ou até menos, aos 2 anos de idade e outros que só entram aos 7 ou 6. Tem uns que ficam até os 26 anos e tem outros que saem aos 14. É assim que a elite intelectual brasileira se formou. Excluindo! E ainda tem gente que é contra cotas para negros. Se todos que estudamos na universidade nos beneficiamos da cota de exclusão dos pobres. Cota pra negros é uma cota de inclusão para pagar uma divida racial que o Brasil tem. E a gente reclama, eu acho que tem ser temporária, porque tem que ser escola boa pra todos, e aí não tem que ter cota. Mas cada um de nós entrou na universidade porque seis ficaram de fora do ensino médio e não puderam competir.

Cristovam Buarque

seminario_pne_ufpr_foto_gilsoncamargo_03_03_2012curitiba14

O seminário, que tratou dos desafios do novo Plano Nacional de Educação, reuniu mais de 300 profissionais, gestores e estudiosos do tema, lotando o auditório Ulisses de Campos, no Campus Jardim Botânico, da Universidade Federal do Paraná.

Fotografia: Gilson Camargo

Publicar um comentário

Seu e-mail nunca será publicado. Campos com * são obrigatórios

*
*

Preencha os campos corretamente!