salamundo 2013 – encontro internacional de educação

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Nos dias 06 e 07/08, cerca de dois mil educadores, professores e gestores de ensino discutiram sobre a evolução da relação professor-aluno e o universo da sala de aula, durante a edição 2013 do SalaMundo, Encontro Internacional de Educação, no auditório do Teatro Positivo, em Curitiba/PR.

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, abriu o evento fazendo uma saudação especial aos professores, ressaltando a importância destes profissionais para o desenvolvimento do país. Segundo o ministro, é preciso que os professores sejam motivados, valorizados e reconhecidos para que possa haver avanço na educação. Em seguida falou sobre o papel destacado que a educação teve no aumento do IDH brasileiro nos últimos 20 anos.

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Os economistas adoram o PIB, mas o IDH avança na avaliação do que é a qualidade do desenvolvimento. Você mede 3 questões básicas neste indicador: longevidade, renda e educação. Em 1991, 85,8% dos municípios brasileiros estavam numa situação de muito baixo IDH, e 13,4% em situação de baixo. Só 0,8% dos municípios estavam numa situação regular.

O que acontece 20 anos depois, em 2010? Nos temos só 0,6% dos municípios na situação de muito baixo, 24,6% na situação de baixo e 74% dos municípios de regular para muito bom. Foi uma das mais aceleradas evoluções do IDH a nível internacional.

Eu vi algumas publicações, alguns jornais, dizendo que quem travou o IDH foi a educação. Eu quero demonstrar para vocês que é exatamente o contrário. O que explica essa evolução histórica no IDH nos últimos 20 anos foi justamente o avanço da educação. A longevidade avançou 23,2%, a renda 14,2%, e a média de avanço do IDH foi de 47,2%. Portanto, o que pode explicar a média se a longevidade e a renda estão abaixo da media? Só a educação. A educação cresceu 128,3%. Ela foi o carro chefe da mudança!

Num estudo do IPEA, fazendo um cálculo geométrico de cada uma das contribuições, a longevidade explicou 18%, a renda 11% e a educação explicou 71% da melhora do IDH no Brasil nos últimos 20 anos. Ela foi o fator absolutamente decisivo para o resultado que nós tivemos. São dados quantitativos e não tem discussão sobre esta questão. O que nós podemos discutir, e é importante que se discuta, é que partimos de um patamar da educação muito baixo. Muito mais baixo de onde estava o patamar da renda e o da longevidade. Apesar de todo este crescimento a educação ainda não está no patamar que nós queremos.

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O ministro referiu os avanços que devem acontecer nos próximos 10 anos segundo as metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Educação e citou o exemplo da educação infantil. Para esta etapa do ensino, até 2016, todas as crianças até 4 anos deverão estar na escola e 50% nas creches. Destacou também o Programa Mais Educação, que amplia a jornada escolar no ensino médio, e a necessidade de um foco maior nas disciplinas de português, matemática e ciências, essenciais para o desenvolvimento científico e tecnológico do país.

Nestes últimos 20 anos, nós colocamos 5 milhões de alunos a mais na sala de aula. Foi uma inclusão muito grande e uma sobrecarga muito grande nas Secretarias Estaduais de Educação, que é quem suporta prioritariamente esta rede. A rede estadual representa 86% do ensino médio, a rede federal 1%, a rede municipal menos de 1% e os 12% complementares é a rede privada. Por isso nós precisamos de uma parceria muito mais forte com os secretários estaduais de Educação.

Este ano fizemos uma iniciativa muito importante. Estamos distribuindo 600 mil tablets para todos os professores do ensino médio, um tablet que tem conteúdo pedagógico, e demos um projetor digital wi-fi onde você pode baixar os conteúdos do tablet e preparar uma boa aula. Estamos colocando os livros didáticos todos em pdf, todas as disciplinas que o professor dá, estão lá disponibilizados, tem o portal do professor, os objetos pedagógicos, cerca de 2 mil. Corpo humano, atlas, mapas, tudo isso. Você usa o projetor digital e cria um ambiente de internet na sala de aula. Os alunos são digitais, nós somos analógicos e o estado brasileiro é cartorial. Então, nós precisamos avançar e temos que começar com o professor. É ele que tem que ter a liderança deste processo.

É preciso ter mais tecnologia da informação na sala de aula. Isto é um processo que o mundo inteiro está vivendo e nós vamos ter que estimular no Brasil. Mais T.I. em sala de aula, mais software pedagógico e mais criatividade no processo de formação.

Aloízio Mercadante

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Para o deputado Angelo Vanhoni, relator do Plano Nacional de Educação na Câmara Federal, presente na abertura do encontro, “o discurso do ministro Mercadante confirma o entendimento de que a evolução educacional no Brasil acontecerá a partir de dois pontos fundamentais: a valorização do magistério e o ensino integral”.

Fotos: Gilson Camargo

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