reunião com prefeitos das cidades históricas do paraná

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Por iniciativa da Prefeitura da Lapa, prefeitos de diversas cidades paranaenses se reuniram no Theatro São João, na quinta-feira (05/03), e foram convidados para unir forças, criar novos projetos e buscar a formulação de políticas públicas que destinem verbas para a preservação histórica e cultural.

Estiveram presente prefeitos e representantes das cidades de Antonina, Castro, Guaratuba, Irati, Rio Negro e Tijucas do Sul, além de representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), da Coordenação do Patrimônio Cultural do Estado do Paraná, da Fundação Cultural de Curitiba e do gabinete da vice-governadora do Paraná. Todos assumiram o compromisso de dar continuidade ao debate e formular propostas que contribuam para a preservação e conservação do patrimônio histórico e cultural das cidades do Paraná.

“Os municípios, os estados e o país, precisam de novas políticas públicas para a preservação do patrimônio histórico e cultural”, esta frase do ex-deputado federal Angelo Vanhoni resume um pouco do que foi debatido no encontro.

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Nós brasileiros, diferentemente de outros povos, não temos ainda essa noção de memória, de patrimônio histórico estruturada como valor na nossa consciência coletiva. Daí a revolução a ser feita com políticas publicas ao introduzir o direito à cidadania cultural, à memória, ao estudo de bens patrimoniais, para que a gente possa resgatar um direito e exercer a construção de uma cidadania plena.

As políticas de patrimônio histórico no nosso país são passivas, elas praticamente inexistem porque não tem dinheiro, não se alocam recursos. É só olhar em volta. Não é apenas o governo atual, isso tem acontecido em todos os governos. E em todas as esferas. Em nível municipal, estadual, e no governo federal é a mesmíssima coisa!

Recursos para fazer política de preservação? Vamos dizer assim, apenas como um exemplo de proporção: é como se tivessemos 100 mil quando precisaríamos de 5 milhões! E aí, se nós não temos dinheiro e o Brasil não prioriza uma política de memória, não é apenas a memória física que está em jogo, porque a memória do patrimônio físico está diretamente ligada à memória do patrimônio imaterial, que está diretamente ligada à constituição da individualidade e ao exercício da cidadania.

É importante registrar que o governo federal criou há alguns anos um bom programa chamado Projeto Monumenta, que a presidente Dilma desdobrou recentemente no PAC Cidades Históricas. Então, pela primeira vez houve um olhar de que precisamos ter uma política para as cidades históricas do nosso país. O dinheiro é pouquíssimo, dá pra fazer pouca coisa, mas diante do que não tinha antes a gente tem que comemorar. Só que essa comemoração não pode ser indutora de a gente ficar satisfeito, porque falta recurso mesmo.

Se você não tem, do ponto de vista democrático, a concepção de que na formação da cidadania, na formação do ser humano, no processo educacional e cultural é fundamental que a criança se construa, se consolide com a capacidade de se referenciar individual e coletivamente na sua identidade, você não vai criar cidadãos com capacidade de pensar, de agir sobre a sociedade, sobre a vida e sobre si mesmos.

Daí a importância da educação para a preservação da memória, a importância da educação artística. Para que o teatro seja valorizado, para que as pessoas conheçam a experiência dos músicos daqui da Lapa do século passado, saibam que aqui houve pessoas que escreveram peças musicais e que contribuíram para a formação musical do estado do Paraná. Conheçam a poesia que foi publicada, os valores daqui da comunidade. Isso vale para cada cidade, para cada bairro, para cada lugar.

Para isso nós temos que ter um conjunto de políticas que se sobreponham, que possam construir aquilo que a gente sabe que é verdadeiramente o desenvolvimento da mente humana e das potencialidades de cada um. E o Brasil ainda está tateando nestas políticas públicas de construção de memória. Por isso a importância deste encontro. Isso tem valor para ontem, para amanhã e para qualquer tempo.

Hoje, modernamente, com a hiperconexão e a crescente dependência dos aparatos tecnológicos, a educação aponta para um desafio ainda maior: a criança deve ter contato com a vida da cidade. As escolas e os currículos escolares deveriam utilizar a cidade. Eu vou usar como exemplo a Lapa e Guaratuba, que estão aqui presentes.

Em Guaratuba, por exemplo, as crianças podem ser levadas pela escola municipal lá onde tem a colônia de pesca. Então, elas vão conhecer como é o barco, como é a rede, como é que a mulher faz a rede, como é que os pescadores saem, quanto ganham com aquilo, como é que trabalham, como voltam da pesca. As crianças vão ter contato com a vida da cidade e a partir daquela experiência elas podem criar os conteúdos educacionais que dizem respeito ao seu desenvolvimento. Ali você pode aprender a matemática, pode aprender a geografia, a história, pode aprender uma porção de matérias ligadas àquela atividade produtiva.

Aqui na Lapa tem uma boa produção agrícola. Então as crianças não vão ficar apenas na pequena horta da escola. Elas podem ir lá na roça, presenciar e aprender o plantio do feijão, a colheita do milho, como se faz o milho virar fubá, ao mesmo tempo em que podem conhecer a fábrica de automóveis em Curitiba. As crianças terão assim a escola como palco para o desenvolvimento de determinados conteúdos e a cidade como ambiente de vida, de trabalho, como espaço de construção de conhecimento, fazendo com que desde o início deem valor para a calçada, para a limpeza, para a vida em cidadania. Tudo isso se desenvolve e se apreende no espaço cívico da cidade!

Como é que eu vou dar valor ao Theatro São João se a minha cultura e a minha vida cotidiana não passam mais pelo Theatro São João?

Angelo Vanhoni

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Fotos: Gilson Camargo

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