lançamento do fórum da cultura digital brasileira

forumculturadigitalTela da interface de acesso ao Fórum da Cultura Digital Brasileira durante transmissão ao vivo do debate inaugural em São Paulo.

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, abriu os trabalhos do Fórum da Cultura Digital Brasileira. O evento, realizado em parceria com a Rede Nacional de Pesquisa, aconteceu no dia 31/07/2009 em São Paulo e inaugura um debate com a sociedade e com as comunidades ativas na internet sobre o futuro das políticas da comunicação digital no Brasil. O Mandato do deputado Angelo Vanhoni acompanhou o evento “on-line” e transcreveu momentos da fala do ministro. Esta iniciativa do MinC traz  um importante incentivo ao acesso participativo da sociedade nas discussões públicas através das novas bases informacionais. O encontro foi transmitido em tempo real e o vídeo pode ser acessado na íntegra no site do Fórum da Cultura Digital Brasileira.

A proposta de debate partiu das seguintes considerações:

* A adoção dos novos aparatos tecnológicos de transferência e depósito da informação influencia cada vez mais os fenômenos culturais contemporâneos.
* A digitalização representa uma profunda alteração nos processos de produção, reprodução, distribuição e armazenamento dos conteúdos simbólicos.
* A mudança do paradigma impacta direta ou indiretamente os modos de organização das cadeias econômicas que circundam as expressões culturais e os valores estéticos.
* A era digital da cultura passa a exigir políticas integradas que possam reverberar nos distintos domínios dos saberes e das práticas.

O Fórum visa, entre outras frentes, construir uma Carta de Princípios sobre a liberdade na rede e o direito à comunicação digital como ponto de partida para as discussões da Conferência Nacional de Comunicação, no início de dezembro. As discussões sobre as políticas culturais e sua implementação são nucleares para o desenvolvimento das politicas públicas de comunicação e devem estar presentes e atuantes nas resoluções sobre o futuro das novas bases informacionais, da internet e dos veículos midiáticos em geral.

jucaferreiraweb

“Boa tarde à todos e à todas. Eu queria entortar um pouco a proposta inicial aqui feita pelo Júnior. Primeiro, esta não é uma conversa com o ministro, mas, é uma conversa com o Ministério. Muitas das questões, eles (a equipe técnica) podem responder melhor do que eu, pois são eles que operam, e dentro do Ministério funciona com uma razoável autonomia esta parte que está construindo as políticas digitais. Obviamente a gente está sempre retomando o fio da meada, conectando com as outras políticas, mas a velocidade que esssas coisas exigem, e a melhor maneira de trabalhar não seria fortalecer a dimensão hierárquica, mas, sim a capacidade autônoma das partes do Ministerio em desenvolver suas políticas em cada área. Então, eles aqui são até mais do que eu, e vocês vão perceber rapidamente isso, os que formulam e levam à prática esta relação que o Ministerio está procurando ter com toda a cultura digital, com todas essas dimensões, não só no sentido de assimilar as novas tecnologias, mas também de estimular que a sociedade assimile, de levar para dentro do governo esta discussão e criar a possibilidade para os artistas e para os que se expressam através desta base, que tenham apoio e estímulo por parte do Ministério e de toda a estrutura de fomento.

Eu primeiro queria dizer que agradeço o debate que foi feito pelos blogs sobre a reforma da Lei Rouanet. Se não existisse a internet e os blogs certamente nós teríamos sido “cercados” no início do debate. A grande mídia veio para cima tentando caracterizar a proposta como uma proposta de dirigismo cultural, como uma proposta que ameaçava a política de patrocínio, e que seria um retrocesso. A primeira iniciativa foi de tentar desenvolver o medo seguindo um pouco uma experiência anterior que tinham desenvolvido e na qual conseguiram isolar o Ministério numa outra tentativa, a de criar uma regulação para a economia do audiovisual.

O problema é que desta vez nós estavamos preparados para o enfrentamento, mas, o que decidiu mesmo foi uma segunda capilaridade de comunicação que não foi a grande mídia. Nós começamos a dialogar pela internet com todas as regiões do Brasil. Percebemos que o debate foi para dentro da rede, os blogs repercutiram, muitos desfavoráveis à proposta do Ministério, mas o mais importante não era que fosse favorável ou contra, mas sim a força que criou de um sistema de debates mais aberto com possibilidade de intervenções dos artistas e de vários protagonistas que tem relação com o tema, e isso foi dando a tônica envolvendo uma quantidade de pessoas bem maior do que aquelas envolvidas a partir da leitura da grande midia, ou até mesmo da televisão, e isso foi possibilitando o debate evoluir.

Evidentemente que o Ministério também organizou debates presenciais em todo o Brasil. Passamos em torno de vinte estados no país. Tem quase cinco meses que eu só faço viajar e debater com mil, com quinhentas pessoas, com setecentas, com duas mil pessoas. Esse debate presencial também teve uma importância grande, mas, foi enriquecido pelo debate que já estava constituído pelos blogs, pelo conjunto das intervenções na rede que acabaram acontecendo. Então, eu senti na prática, na condução de um debate importante na cultura brasileira, em ultima instância, a necessidade de democratizar o acesso aos recursos, bens e serviços que o Ministério disponibiliza. O nível de concentração é excessivo, e a rede demonstrou uma eficiência comunicacional impressionante. Inclusive os jornais regionais pararam de reproduzir a grande imprensa e passaram a ter outras fontes de informação importantes que alimentaram estes orgãos da imprensa escrita e de radio e de televisão, e muitos citavam os blogs que estavam de alguma maneira reverberando e discutindo e criando um sistema paralelo.

Para nós foi muito importante construir uma política pública utilizando o potencial que a rede cria. Foi importantíssimo! Criou uma possibilidade de a gente ir mais longe. Hoje as distorções já estão hiper consolidadas, já ficou claro no debate que se tratava de fato de uma proposta de democratização. Inclusive a fragilidade do Ministério na prestação de serviços surgiu de uma forma bastante intensa. Nós assimilamos que o Ministério tem um dever de casa neste processo. Isso foi bem caracterizado neste debate. A nececessidade de uma distribuição mais justa dos recursos e dos bens e serviços do Ministério, as carências da estrutura cultural do Brasil. Mais de 90% dos municípios brasileiros não tem um cinema sequer, não tem um teatro, não tem acesso à informação a não ser através da TV aberta. A demanda de acesso é generalizada e de alguma maneira esse debate potencializou esta percepção.

Eu queria registrar isso como uma experiência importante que nós tivemos recentemente, e percebemos no contato com produtores culturais de assentamentos e alguns ligados a tribos indígenas que eles também se conectam à rede, que se informam, formam opinião e que participam destes debates. Então me parece que esta já é uma realidade importante, e é preciso compreendê-la.

No Governo Federal, o Ministério da Cultura não está isolado. O Ministério de Ciências e Tecnologia vem fazendo um esforço importante, e também o Ministerio da Educação. O Gabinete da Presidência vem coordenando um trabalho de fortalecimento da cultura digital. O presidente tem idéia de extender a conexão banda larga para todas as escolas do Brasil. Está tendo um problema jurídico importante e a opção que o governo fez está tendo um emperramento mas, a expectativa é a de resolver isso rapidamente. Existe uma consciência da necessidade de desenvolver esse tipo de comunicação num plano muito mais intenso, mais profundo e mais ágil.

Para nós, do Ministério da Cultura é essencial não só como um terrritório de comunicação, mas de expressão cultural. Uma parte dos artistas brasileiros hoje estão migrando para a expressão em base digital ou para o uso das novas tecnologias. É preciso apoiar este processo. Este processo tem uma capilaridade internacional muito grande que coloca o Brasil dialogando diretamente com redes de museus, estruturas de comunicação e de expressão cultural do mundo inteiro, e o Ministério está atento à isso.

Acabamos de fechar aqui uma parceria. Nós vamos levar o evento da cultura digital para as comemorações de Brasília. O aniversário de Brasília, que vai ser uma celebração internacional pelo que ele significa de sonho tecnológico e de grandeza do Brasil. É importante atualizar esta comemoração para que a gente não se volte para o passado apenas num determinado momento e acabe fazendo uma comemoração saudosista. Talvez esta seja a renovação do sonho de Brasília, desta singularidade brasileira dialogando com o mundo inteiro, e as artes digitais podem cumprir um papel importante nesta conexão atualizada do Brasil. “

Juca Ferreira – ministro da Cultura.

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  1. […] lançamento do fórum da cultura digital brasileira Por vanhoni Leave a Comment Categorias: Uncategorized Tags: brasil, cultura digital, forum O conteúdo deste post encontra- se em http://www.vanhoni.com.br/2009/08/lancamento-do-forum-da-cultura-digital-brasileira/ […]

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