entrevista para a tv educativa de ponta grossa/pr

Entrevista concedida a Ana Cláudia Gambassi, no Programa Alto Estilo, em Ponta Grossa/PR, por ocasião da realização dos debates sobre o Plano Nacional de Educação.

Ana Gambassi – Deputado, a ideia é terminar o relatorio do PNE nos próximos dias?

Angelo Vanhoni – “Nós recebemos o projeto no final do ano passado e a Câmara dos Deputados decidiu constituir uma Comissão Especial para analizar este projeto. A votação será feita por esta Comissão que tem 25 deputados. Ele teria que passar normalmente por outras Comissões mas diante da importância do projeto o regimento prevê esta possibilidade. Estamos realizando Audiências Públicas e debates em todo o Brasil. O Projeto de Lei trata do Plano Decenal da Educação em todo o país, agora a Constituição prevê que o Plano de Educação seja decenal e nele dever constar o percentual do PIB a ser alocado como recurso para o cumprimento das metas educacionais.”

Angelo Vanhoni – “Para você ter uma ideia, nós gastamos em educação no Brasil hoje, somando todos os Estados, Municípios e a União, em torno de 180 bilhões de reais por ano. Isso dá 5% do PIB. O governo brasileiro mandou o projeto do PNE estipulando que 7% do PIB devem ser gastos com a educação até 2020. O debate com a sociedade está em torno deste diagnóstico e a respeito de quanto será necessário para que o Brasil enfrente os problemas educacionais nos próximos 10 anos. Tem algumas entidades educacionais dizendo que 7% não será suficiente e defendem um percentual de 10% do PIB. Este é um ponto de muito polêmica e debate, diante dos desafios e de uma dívida que o Brasil tem com a educação ainda, pois nós precisamos incluir no sistema educacional as crianças de 4 a 6 anos, ampliar a educação integral, fazer as escolas profissionalizantes no ensino médio, ampliar as matrículas também no ensino superior que é um grande funil, poucos jovens conseguem entrar na universidade porque há poucas vagas.”

Ana Gambassi – “Falavamos sobre a valorização dos professores, do magistério e das diferenças salariais, esse acaba sendo também um grande desafio para se pensar a educação no Brasil?”

Angelo Vanhoni – “Para melhorar a qualidade da educação, alem da valorização do magistério, através de carreira, piso salarial, formação continuada, o professor tem que ter um desenvolvimento intelectual permanente enquanto está no exercício da sua profissão, tem que ter condições de se aperfeiçoar continuamente. O enfoque sobre o conhecimento muda e as técnicas para favorecer a aprendizagem também evoluem. Há um investimento na formação dos professores que precisa ser feito em todo o território nacional. Pra você ter uma idéia da gravidade do problema, nós temos professores em diversos estados que ainda não concluíram o ensino médio, e outro grave problema da educação no Brasil é que nossas crianças não estão conseguindo ler e realizar as operações mais simples da matemática.

Nos últimos anos o Ministério da Educação construíu um sistema de avaliação da produção intelectual das crianças no Brasil inteiro. Hoje podemos acompanhar a qualidade da educação em matemática e português em nossas escolas. Esse exame é praticado em todos os países desenvolvidos do mundo. Agora temos uma ferramenta para desenvolver um diagnóstico e planejar ações para melhorar a qualidade da educação.”

Publicar um comentário

Seu e-mail nunca será publicado. Campos com * são obrigatórios

*
*

Preencha os campos corretamente!