entrevista com sérgio mamberti – presidente da funarte

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Em 2009, o ator Sérgio Mamberti assumiu a presidência da Fundação Nacional de Artes (Funarte) com o objetivo de comandar a reestruturação do órgão e reafirmar sua relevância no cenário artístico brasileiro. Um dos papéis fundamentais da Funarte é zelar pela memória cultural do país, por meio da identificação, recuperação,  preservação e guarda de acervos. Este trabalho é realizado pelo Centro de Documentação e Informação em Arte e pelo Centro de Conservação e Preservação Fotográfica.
Saiba mais: http://www.funarte.gov.br/portal/

Mamberti tem 70 anos e nasceu em Santos. Formado pela Escola de Artes Dramáticas de SP, já atuou em 38 filmes, 26 novelas e em mais de 70 espetáculos teatrais. No Governo Lula ocupou os cargos de diretor da Secretaria de Artes Cênicas, diretor da Secretaria de Música e foi secretário da Identidade e Diversidade Cultural. Nesta entrevista, concedida ao Blog Vanhoni durante a II Conferência Nacional de Cultura realizada em Brasília, ele falou sobre as expectativas a respeito dos trabalhos da Comissão de Educação e Cultura. Um dos projetos que estará sendo analisado pela Comissão trata da reestruturação da FUNARTE. Para Mamberti, reestruturá-la pressupõe desde a qualificação dos servidores até o estabelecimento de uma nova dinâmica de fomento às linguagens artísticas, como o teatro, a dança e o circo.

Qual a sua expectativa para o trabalho do Legislativo em 2010 no que se refere a área da cultura?

Sérgio Mamberti: Nós temos hoje no Congresso uma pauta de cultura realmente extensa, revolucionária e institucional. Trata-se da consolidação e do avanço de processos que a gente vem lutando e trabalhando nestes últimos anos. Temos a PEC 150 que é importante no sentido de que a cultura tenha os dois por cento garantidos pela constituição. Passando então pela nova lei de incentivo, passando pelo Sistema Nacional de Cultura, o Plano Nacional de Cultura, o Vale Cultura e, não posso deixar de destacar, algo que deve estar chegando ao Congresso que é a reestruturação da Funarte. Eu agora a presido e sei o quanto é fundamental termos uma Funarte reestruturada para que ela realmente se fortaleça e passe a ocupar o papel importante que lhe cabe.

Diante destas circunstâncias que estamos vivendo, diante das boas respostas que o legislativo tem nos dado, é um prazer estar comemorando a chegada do Vanhoni à presidência da Comissão de Educação e Cultura. Um grande companheiro que tem sua vida e seu mandato muito ligados a esta visão de cultura que a gente hoje defende, constrói e que o seu conceito amplo se expressa por exemplo nesta Conferência. Um momento muito oportuno e feliz de termos uma pessoa como o Angelo à frente da Comissão. Com o Vanhoni, uma bela equipe lá na Comissão de Educação e Cultura e a continuação desta relação afinada entre o Ministério e o poder legislativo, eu prevejo grandes vitórias e conquistas.

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Gostaria que você  falasse um pouco mais sobre a expectativa quanto à reestruturação da Funarte.

Sérgio Mamberti: A Funarte foi criada no período da ditadura e sempre teve um papel extraordinário na vida cultural brasileira. Até hoje é lembrada pelo trabalho de aprofundamento que sempre realizou. Quando nós passamos a ser Ministério em 1985, há 25 anos atrás, a cultura viveu uma fase inicial de empobrecimento, sendo já um período bastante difícil, pois, o Ministério da Cultura tinha recursos bastante exíguos. Para piorar esta situação vem o Governo Collor e praticamente extingue todos os mecanismos de cultura, o Ministério se estrutura todo como uma Secretaria e a Funarte fecha as portas. No Governo Itamar Franco se reconstitui o Ministério formalmente, mas, não realmente. Com o Governo Fernando Henrique este Ministério se estrutura a partir de uma visão do mercado e ausência do Estado e a Funarte foi sofrendo toda esta desestruturação. Quando nós chegamos, o Ministério da Cultura estava em coma e a Funarte combalida. O nosso primeiro presidente da Funarte, o Antônio Grassi, tomou diversas iniciativas para tirá-la deste estado. Algumas bastante simbólicas, como reestruturar o Projeto Pixinguinha e, eu cheguei na Funarte há dois anos de final de gestão com a missão de estabelecer esta nova dinâmica e a reestruturação. Neste quase um ano e meio que estou à frente, conseguimos avanços consideráveis: repactuamos a relação com os servidores e restauramos e dobramos os valores para  todos os editais. Neste ano, ao todo serão 50 milhões de reais para os editais. Acredito que o mais importante é perseguir a sustentabilidade da cultura, que é fundamental  para que os três eixos; cidadania, produção simbólica e economia criativa estejam presentes. Precisamos fomentar e aprofundar as propostas para as linguagens artísticas com que atuamos mais de perto, como o teatro, a dança e o circo, fazer com que a cultura ocupe seu lugar. Certamente o Estado tem o seu papel de fomentador e é preciso investir, mas, é preciso pensar também que as diferentes áreas artísticas tenham lá sua sustentabilidade para que não fiquem eternamente dependentes. Acho, enfim, que está tudo florescendo e para isso precisamos de uma Funarte equipada deste ponto de vista da qualificação do servidor, desde o seu plano de cargos e salários à sua especialização. A Funarte cada vez mais precisa de quadros que estejam qualificados e preparados para os novos desafios.

Ao falar em dar sustentabilidade para a cultura, você  que esteve a frente da Secretaria da Identidade e Diversidade Cultural, como vislumbra as alterações da Lei Rouanet para que a mesma alcance as diferentes manifestações artísticas brasileiras?

Sérgio Mamberti: A Secretaria de Identidade e Diversidade Cultural  foi criada para chegar aos que não eram contemplados com as políticas de cultura. Foi um presente para mim, pois, é uma grande satisfação trabalhar com os povos indígenas, com as culturas populares, saúde mental, LGBT. E cada vez se amplia mais este horizonte, as diversidades culturais são abrangentes, as diferentes linguagens artísticas tem um papel bastante importante porque começamos a ter a visão de que não existe hierarquia e que não existe divisão entre cultura popular e erudita. Tanto que a Convenção da Diversidade é para proteção das expressões culturais, uma sugestão feita pelo próprio Ministério para que não se permita nenhum tipo de diferenciação ou privilegiamento e as mudanças na Lei Rouanet são fundamentais neste sentido, porque os fundos previstos vão estabelecer direcionamentos, criando uma possibilidade real de que cada uma destas áreas tenham sua identidade afirmada.

Entrevista: Ana Carolina Caldas
Fotos: Gilson Camargo

1 Comentário

  1. brunoalves amorim
    21 de novembro de 2010

    sergio mamberti vc e um gordinho muinto lindo e gostoso

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