entrevista com roseli isidoro, secretária municipal da mulher – curitiba/pr

Blog Vanhoni: Roseli, você destacou três pontos em seu discurso de posse como secretária da mulher: a qualificação e formação de pessoal, a institucionalização da Secretaria da Mulher e a campanha de informação que será feita pela Prefeitura. Quais são os planos neste sentido?

Roseli Isidoro: A questão da qualificação e formação continuada que apontamos tem muito a ver com a necessidade da humanização nas relações de trabalho. É preciso que nossos gestores públicos estejam preparados e com um olhar diferente para a questão da mulher enquanto gênero. O governo federal lançou em 2007 o Programa Nacional de Equidade de Gênero e vem trabalhando pela igualdade na relação entre homens e mulheres. Logo que chegamos à prefeitura percebemos em nosso diagnóstico esta falta de informação em diversos setores. Existe ainda muito preconceito e uma disputa acirrada pela acensão profissional e pelas oportunidades. Por isso a capacitação não vai ser pontual, com foco em um único tema, será uma meta a ser perseguida continuamente para diminuir essa competitividade que existe também no setor público e em relação às mulheres na sociedade.

Sobre a questão da institucionalização das políticas para as mulheres, nós precisamos estruturar a nossa Secretaria. Ela nasce por decreto como uma Secretaria Extraordinária que neste ano ainda não tem orçamento. Mas, nos tranquiliza a clareza com que vamos conduzir este primeiro ano em que estamos nos organizando. Como a maioria das ações da Secretaria da Mulher passa pelo elemento da transversalidade, a nossa chegada está sendo muito bem aceita. Não é possivel falar em saúde da mulher sem dialogar com a Secretaria de Saúde, assim como Trabalho e Educação. O nosso diálogo vai ser cotidiano quase com todas as Secretarias da Prefeitura.

Já a campanha informativa vai priorizar o tema da violência contra as mulheres, que é uma das diretrizes do nosso Plano Municipal de Políticas para Mulheres, tanto em função do mapeamento da violência que foi publicado em nível nacional como pelos episódios que ocorreram este ano em nossa cidade, mas ela pautará também outros temas. Será uma campanha falando sobre os direitos da mulher, dizendo para a sociedade porque a Secretaria foi criada, porque o gestor público tem que ter uma atenção às especificidades e às demandas próprias das mulheres. A informação é essencial para que a mulher possa se aperceber da importância que tem no contexto da sociedade, da cidade, e em que momento surge a Secretaria da Mulher.

O papel da Secretaria da Mulher é se traduzir num mecanismo de articulação, de monitoramento e de acompanhamento de todos os programas e serviços que a cidade oferece às mulheres, cobrando agilidade, efetividade e, ao final, resultado. Há muita queixa em relação a àrea da saúde em algumas consultas e especialidades, na educação tem a questão das creches, na área da Secretaria do Trabalho a qualificação de mulheres que querem voltar para o mercado do trabalho, ou para aquelas que já tem alguma habilidade, o que o poder público municipal vai fazer para dar oportunidades para esta mulher criar o seu próprio negócio? Esses são temas que a Secretaria vai acompanhar, vai propôr também, obviamente, mas nós estaremos exigindo que haja resposta para as mulheres e para a cidade.

Blog Vanhoni: A quem a mulher que é vítima de violência em Curitiba recorre hoje em dia?

Roseli Isidoro: Ela bate em várias portas. É um equivoco tão grande que ela acaba se cansando. Todos os depoimentos que nós ouvimos apontam para a necessidade urgente de definir uma única porta de entrada para a mulher ter acesso a todos estes serviços. No mês de março, a presidenta Dilma lançou o programa Mulher: Viver Sem Violência. Ele estabelce varias ações dentre as quais a construção de 27 unidades que vão abrigar todos estes serviços. Curitiba já manifestou adesão a este programa do governo federal e teremos uma Casa da Mulher Brasileira na cidade. A construção está prevista para o início de setembro.

A Casa da Mulher será localizada nas proximidades do Teatro Paiol – a prefeitura já sinalizou com um terreno – e terá em torno de 2800 metros quadrados de área construída. Dentro, haverá uma Delegacia da Mulher, um Juizado Especial que trata apenas dos crimes contra a mulher, a unidade do Ministério Público, a Defensoria Pública, todo o atendimento psico-social que hoje é ofertado pelos Cras e Creas, ou seja, nossos centros de referência vão estar alojados ali. Não dá para garantir a segurança da mulher apenas tirando ela de casa e mantendo-a distante do agressor enquanto o processo criminal tramita na justiça. É preciso que a gente faça um esforço para emancipar esta mulher, e para isso ela tem que ter autonomia econômica, do contrário ela poderá continuar sendo vítima de agressão.

Nós vamos agir em parceria com a Secretaria do Trabalho para incentivar a qualificação profissional desta mulher, identificar suas habilidades para que ela possa viabilizar um pequeno negócio como alternativa de renda. A prefeitura vai dar orientação no acesso aos microcréditos ofertados pelos programas do governo federal e vai atuar na qualificação para reinserir esta mulher no mercado de trabalho. Está previsto também, nestas casas, um espaço de convivência para que as mulheres possam trazer os seus filhos.

Conheça detalhes sobre o projeto Casa da Mulher Brasileira

Blog Vanhoni: Como vem se desenvolvendo as políticas para a mulher no Brasil?

Roseli Isidoro: A nossa luta é anterior a qualquer governo, mas a localização do nosso espaço, o reconhecimento institucional das questões relacionadas à mulher se deu no governo do presidente Lula. Nasceu primeiramente vinculada ao Ministério da Justiça, e no ano de 2007, efetivamente, foi criada a Secretaria de Políticas para as Mulheres, com o status de um ministério. Para você ter uma idéia da efetividade destas políticas em âmbito nacional, basta olhar estes índices: para 98% dos beneficiários do Minha Casa Minha Vida a titularidade é da mulher, no Bolsa Familia, quase 99% de quem acessa são mulheres. O êxito destes programas, que são referências mundiais, se deve também a esta percepção.

Blog Vanhoni: Fale um pouco sobre você e sua trajetória política.

Roseli Isidoro: Minha história política começou em 1981 na Universidade Federal do Paraná. Em 1982, eu trabalhava no Bamerindus, na Vila Hauer, quando fiz minha filiação ao Partido dos Trabalhadores. Ali eu conheci a Zélia Passos e o Edésio Passos e fui muito motivada e inspirada pela forma como eles faziam política. Depois fiz curso de formação em Porto Alegre, fui candidata a vereadora em 2002, fiquei na segunda suplência, e em 2003 assumi. Fui candidata novamente e quadripliquei meus votos em 2004. Fui avaliada como vereadora nota 10 pelo Movimento Ética na Política por dois anos. Fui também, mais recentemente, presidente municipal do Partido dos Trabalhadores, em Curitiba.


Roseli na varanda do Palacete Wolf, no Largo da Ordem, Centro Histórico de Curitiba, sede da Secretaria Municipal da Mulher.

Entrevista: Octavio Camargo
Fotos: Gilson Camargo

1 Comentário

  1. rose
    24 de abril de 2013

    Parabéns Roseli
    Uma bela entrevista, orgulho, siga em frente bjs
    Meri

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