ensino médio – depoimento de alayde digiovani, superintendente da secretaria de estado da educação do paraná

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Alayde Digiovani é formada em Psicologia pela Universidade Tuiuti do Paraná (1981) e mestra em Educação pela Universidade Federal do Paraná (2005). É professora assistente da Universidade Estadual do Centro-Oeste, Campus Irati, cedida, a partir de maio de 2007 para assumir a Diretoria de Políticas e Programas Educacionais da Secretaria de Estado da Educação do Paraná. Em julho de 2008, passou a exercer o cargo de Superintende da Educação na mesma Secretaria.

“A CONAE pautou como prioridade a retomada e a implantação em todo o país do ensino profissionalizante. O Paraná, considero que já fez a tarefa para os próximos 10 anos. Quanto ao ensino profissionalizante o estado do Paraná é muito diferente. No Paraná temos 285 escolas profissionais, fora as federais, os Ifets. Nós no Paraná decidimos pela retomada do ensino profissionalizante em 2003 e o MEC veio na mesma linha.  Inclusive conseguimos no “Brasil Profissionalizado”. entre todos os estados o maior financiamento federal porque tínhamos projeto.

Em relação ao ensino médio como um todo, porém, existe um grande desafio para os próximos dez anos que tem a ver com a universalização. O primeiro é a rede física e a estruturação da mesma. Acho que o que não apareceu na Conferência na intensidade que deveria aparecer é que atualmente a rede não absorve, não tem estrutura física para absorver o contingente de alunos que estão fora da escola pública nesta faixa etária. Se forem todos amanhã e chegarem nas escolas aqui do Paraná pedindo matrícula, muitos voltarão para a casa. Por este motivo estamos neste momento trabalhando no geoprocessamento para desenhar o mapa das demandas e indicar a necessidade de novas escolas e a adequação das já existentes.  Então, a expansão do ensino médio não é só aumentar as matriculas, é pensar em toda esta estrutura.

O outro problema que levantamos pelo Paraná durante os debates da CONAE foi sobre a correção de fluxo. Ou seja, alunos com idade errada. A grande maioria das escolas em todo o Brasil oferece mais vagas no período noturno, o que afasta muitas vezes o grupo de 15 a 17 anos de freqüentar as aulas. Através de um levantamento feito pela nossa Secretaria, verificou-se que quando conseguimos equilibrar a oferta para o ensino médio no período diurno, equilibramos o fluxo de alunos desta faixa etária (dos 15 aos 17 anos), deixando para o noturno a educação dos adultos e trabalhadores. Em nossos dados temos também que a oferta de matriculas no diurno de 2000 até agora passou de 40% para 58,5%. Em 2000 tínhamos 138 mil alunos de 15 a 17 anos, agora alcançamos 282 mil. Para corrigir este fluxo não defendemos o alijeiramento, mas, acredito que para fazer o enfrentamento continuo temos que ter planejamento e ampliação da rede junto com o financiamento federal.  Esta é uma questão que foi  abordada na CONAE, mas, que precisa ser aprofundada, quem sabe pelo Legislativo.

Acredito que todas estas discussões e as metas aprovadas na CONAE só darão certo se estiverem coadunadas com planejamento e financiamento por metas. Acho que estamos avançando muito nisso, temos agora um planejamento que é resultado das avaliações nos estados e municípios com dados concretos que são subsídios para que os sistemas de educação se organizem.”

Foto: Gilson Camargo

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