entrevista com angelo vanhoni – gazeta do povo/pr, 03/01/12

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“Continuo com a mesma visão: humanizar Curitiba, fazer dela uma cidade preocupada com as pessoas. E continuo com o mesmo diagnóstico porque o modo de governar a cidade continua igual”. Foto: Henry Milleo

Entrevista concedida à jornalista Caroline Olinda, publicada na Gazeta do Povo/PR, em 03/01/12

Ao ser informado de que a entrevista trataria da eleição para a prefeitura de Curitiba, o deputado federal Angelo Vanhoni (PT) hesitou. Relator do Plano Nacional de Educação na Câmara dos Deputados, disse que ainda estava muito envolvido com o projeto e a cabeça longe das discussões locais. Depois de alguma insistência da reportagem, aceitou falar.

Vanhoni mostrou que não está disposto a entrar numa briga interna para defender uma candidatura própria do PT. “Nenhuma candidatura pode ser obstáculo para a possibilidade de uma aliança. Mesmo porque eu acredito que todos os aliados têm propostas semelhantes”, disse.

Angelo Vanhoni (PT/PR) cumpre o segundo mandato como deputado federal, nasceu em Paranaguá em 1955 e foi candidato à prefeitura de Curitiba em 1996, 2000 e 2004. Nas duas últimas, chegou a disputar o segundo turno.

Integrante da ala majoritária do PT, o parlamentar foi lançado como pré-candidato em julho, depois que o deputado federal Dr. Rosinha e o deputado estadual Tadeu Veneri – das alas mais à esquerda – expuseram a vontade de disputar a prefeitura.

O PT quer só um candidato da base da presidente Dilma Rous­­­seff em cada capital. Como isso afeta Curitiba?
Antes de conversar sobre união, nós temos de expressar para a cidade um conjunto de propostas, ter um programa para Curitiba. O nosso partido acumulou uma visão da cidade e os seus principais problemas. Trataremos de precisar um diagnóstico sobre a cidade e as iniciativas que precisam ser tomadas.

A sua candidatura é irrevogável?

Nenhuma candidatura pode ser obstáculo para a possibilidade de uma aliança. Podemos conversar para ter uma unidade. Mesmo porque eu acredito que todos os aliados têm propostas semelhantes.

O senhor, então, não descarta a possibilidade de uma aliança?
Os partidos que têm proposta em comum podem discutir sobre a possibilidade de estarem juntos. Caso isso não aconteça, cada um se coloca e conversamos no segundo turno.

Quais lições o senhor aprendeu das três vezes que disputou a prefeitura de Curitiba?
Aprendi muito, a respeito de tudo. Cada campanha teve um momento. Em 1996 era uma candidatura frágil, em 2000 perdemos por um conjunto de fatores. Mas continuo com a mesma visão: humanizar Curitiba, fazer dela uma cidade preocupada com as pessoas. Em 1996, [o tema foi] Humana Curitiba. Na segunda eleição, o mesmo tema: A cidade quer ser gente. E continuo com o mesmo diagnóstico, porque o modo de governar a cidade continua igual.

Curitiba é uma cidade marcada por inovações, o senhor pensa em alguma inovação para a cidade?
Resgatar a energia intelectual que a cidade perdeu. Seja do ponto de vista social, seja da perspectiva da força urbana. Quero que a cidade se renove e inove fazendo uma relação com o seus valores.

O que o senhor mudaria em Curitiba?
A forma de governar. A cidade não participa das discussões.

O que mais o irrita no trânsito da cidade?
A forma desumana como são transportados os trabalhadores.

Mas ao senhor pessoalmente?
Os congestionamentos.

E tem como mudar ou, pelo menos, amenizar esse problema?
Não existe uma única solução. É preciso tomar iniciativas urbanísticas e de engenharia de tráfego. No transporte coletivo, eu acredito que a saída é o metrô.

Curitiba precisa de pedágio urbano?
Curitiba ainda não precisa disso. Precisa repensar o centro da cidade e tomar algumas iniciativas.

Do que o senhor mais gosta em Curitiba?
Do acolhimento. A cidade possui tudo que uma grande metrópole tem, mas preserva o acolhimento de uma pequena cidade.

E do que menos gosta?
Dos problemas sociais. A cidade cresceu muito nesses últimos anos e a administração municipal poderia estar muito mais presente nos bairros.

Qual o seu lugar preferido de Curitiba?
A Universidade Federal.

Quem é o curitibano?
Um cidadão que é fruto de um entrelaçamento de várias etnias, que traz consigo toda uma tradição histórica, da construção, cultura e valores da cidade. E que nesses últimos anos tem um relacionamento muito intenso com um novo processo de migração.

O curitibano é fechado ou tímido?
Acho que o curitibano é normal, como o paulista, como o mineiro. Tem características próprias por causa da sua história e dos seus valores. Mas de uma maneira geral é um cidadão comum.

E como definir Curitiba?
É uma cidade que tem uma boa organização do ponto de vista da mobilidade, que foi projetada desde a década de 1970. Mas hoje os desafios da cidade são outros. Curitiba é uma cidade metropolitana, e é preciso que o gestor da capital possa trabalhar todas as questões que dizem respeito à vida do homem e da mulher de maneira mais integrada. Não apenas na integração de políticas para o desenvolvimento urbano, mas também no que diz respeito ao projeto de cidade para consolidação do futuro. Qual a vocação de Curitiba? É uma cidade com perfil industrial que nós vamos consolidar para os próximos anos? É na área de serviços, de alta tecnologia? Existe um conjunto de iniciativas e vocações que a capital tem o dever de abrir o diálogo de integração e liderar esse processo.

Quando Curitiba é mais bonita?
Gosto muito na primavera, com o colorido dos ipês e dos buganvílias.

O senhor tem alguma lembrança de uma Curitiba que não existe mais?
O antigo Bar Pasquale, no Passeio Público.

Alguma lembrança de infância?
O que eu gostava de fazer era andar a cavalo no bairro. Morava no Água Verde e o leite ainda era entregue de carroça. Também vendiam hortifrúti, pães… Na redondeza sempre existiam muitos cavalos soltos. Pegávamos um e levávamos para um terreno baldio. Ficávamos andando, até que o dono fosse buscar. Isso há 46 anos, para ver por quantas mudanças Curitiba passou nas últimas décadas.

Do que o senhor sente falta quando está fora da cidade?
Dos meus amigos.

Existe alguma ideia de outra cidade que o senhor adaptaria a Curitiba?
Uma das principais transformações que vamos fazer é a do grande modal do transporte de passageiros.

Inspirado no modelo de qual cidade?
Estou falando do metrô, que não é de nenhuma cidade específica. Sempre fui um defensor de que o metrô já deveria estar instalado na nossa cidade.

Então o senhor concorda com esse projeto de metrô que deverá ser implantado?
Não só concordo, como sou defensor.

O senhor usa ônibus em Curitiba?
Não.

Algum personagem histórico de Curitiba que o senhor destaca?
Paulo Leminski.

E da atualidade?
Não.

Qual é seu parque favorito?
O Barigui.

Frequenta alguma feira?
Gosto muito da feira do Juvevê, que é próxima à minha casa. Serve como um ponto de encontro.

Onde o senhor estudou na infância?
Estudei no Lysimaco Ferreira da Costa, no Batista Ribas e no Bom Jesus. Ao longo desses anos, eu retornei às minhas escolas e já encontrei amigos e conhecidos da época.

Como o senhor se define?
Eu me defino como um político. Mas ser político não resume e não define à exaustão a minha personalidade e vida.

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