construindo os planos municipais de educação – visita a união da vitória/pr

A Secretaria Municipal de Educação de União da Vitória apresentou, no Cine Ópera, na sexta-feira (15/05), a proposta para o Plano Municipal de Educação elaborado ao longo do ano de 2014 e 2015, atendendo ao requisito proposto no Plano Nacional de Educação (PNE). A atividade contou com a presença do relator do PNE na Câmara Federal, Angelo Vanhoni, de autoridades locais, regionais, sindicatos e representantes de classe, além dos professores e servidores do município.

Para um auditório lotado, o prefeito Pedro Ivo Ilkiv relatou as ações desenvolvidas e salientou a importância da educação, bem como o reconhecimento e a valorização profissional. “É área prioritária em nossa gestão. Estamos investindo em novas escolas, contratando profissionais e trabalhando para dar aos professores todas as condições necessárias para que desenvolvam suas aulas com qualidade”.

Em sua palestra Vanhoni apresentou dados sobre a educação no país. Os números demonstram a necessidade de investimentos, tanto em infraestrutura quanto na valorização profissional. “Fizemos uma lei que estabelece o piso nacional no Brasil, temos condições de matricular todas as crianças no ensino fundamental, mas falta encontrarmos soluções efetivas quanto à educação infantil, até 5 anos”.

Leia abaixo as perguntas realizadas pelos participantes durante o encontro.

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Bom dia Vanhoni, é sempre muito bom te ouvir. Represento a Secretaria Municipal de São Mateus do Sul e acredito que a grande preocupação, tanto minha quanto da grande maioria dos professores e secretários que aqui estão é em relação à escola em tempo integral.

No nosso município nós colocamos a porcentagem de 50% das escolas em tempo integral até o final do plano, conforme sugere o plano nacional. Nós temos em nossa cidade, assim como acontece em grande parte da região, escolas em dualidade com o Estado, é uma situação bem complicada – porque graças a deus nós temos um grande número de crianças jovens nas escolas – e a grande preocupação é essa: será que teremos nesses 10 anos um investimento grande o suficiente do Governo Federal para que nós possamos ampliar as estruturas físicas das nossas escolas e, principalmente, para a construção de novas escolas?

Eu também me preocupo com o plano estadual, porque no plano estadual foi colocado 65% das escolas em tempo integral, então será que nós vamos ter como realizar? Porque 10 anos passam rápido né… pela burocracia que é, enfim… principalmente a questão da construção, o volume de verbas do Governo Federal, embora vindo, ainda assim é muito inferior ao que realmente nós necessitamos. É isso. Obrigada.

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Bom dia. Falar sobre a importância dos professores e o atendimento às crianças é muito importante, mas, aqui nós temos vários auxiliares de educação, zeladores, cozinheiras, inclusive eu sou zeladora de uma escola municipal. Então, eu gostaria de saber sua opinião também sobre a valorização do profissional auxiliar da educação.

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Bom dia. Além de ser professora da rede municipal eu trabalho na UNESPAR, na comissão do vestibular. Todos os nossos cursos são de licenciatura, a grande maioria dos professores aqui presentes devem ser formados pela antiga FAFIUV, hoje UNESPAR, e quando a gente sai para divulgar o vestibular é bastante triste. Aquilo que o senhor falou a respeito da falta de interesse dos alunos do ensino médio nos cursos de licenciatura a gente confirma aqui no dia a dia da divulgação.

Quando você chega numa sala do ensino médio e diz que todos os nossos cursos são de licenciatura o aluno já abaixa a cabeça, dois ou três no máximo numa turma é que demonstram interesse. E depois, lá no corredor, vem alguém de cabeça baixa dizer assim: “olha eu tenho interesse num curso de licenciatura”, porque ele tem até vergonha de falar isso na frente dos outros alunos.

Então, a minha não é uma pergunta, é só uma colocação a respeito do seu comentário, pra dizer que isso acontece muito aqui na nossa cidade.

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Essa fala da professora é bem interessante porque eu sou uma das professoras formadas pela FAFIUV e, infelizmente, historicamente a FAFIUV não tem o hábito de formar protagonistas, pelo excesso de conservadorismo no seu ensino. Então, quando você sai de lá você não sabe de nada, você vai pra escola e aí você toma contato com a realidade do que é a escola.

Agora tem os PIBIDs (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência) que trabalham nas escolas, mas na minha época, quando eu me formei em 1987, você saía de lá sabendo como dar aula, como ensinar Língua Portuguesa, que é o meu caso, mas não aprendia nada sobre o papel político do professor, porque o professor tem um papel de protagonista, de ensinar a tomar atitudes, e isso não é ensinado na faculdade, é ensinado também pelas leituras que você faz, pelos ambientes que você frequenta.

Então, não é uma responsabilidade só da faculdade, mas eu acho que existe uma coisa muito grande a ser conquistada nas licenciaturas, que é uma mudança na forma de ensinar. Muito obrigada.

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Bom dia. Minha pergunta é com relação a leitura, porque eu também sou uma apaixonada pela leitura e quero me posicionar com relação à biblioteca. A nossa biblioteca aqui da cidade é frustrante! Então, eu gostaria saber se há investimento, se tem possibilidade de se fornecer isso também. Como a Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba, que é um referencial, se aqui também haveria a possibilidade de trazer recursos para melhorar a nossa biblioteca.

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“Nesta cartilha estão as 20 metas do Plano Nacional de Educação. Na parte verde temos a situação do Paraná e as metas que propusemos em proporção às do PNE, nesta parte mais clara está a situação atual e na parte mais escura está a meta de quanto que a gente quer chegar – link para sugestão para o Plano Estadual de Educação do Paraná.

O Paraná tem 564 mil crianças e só tem 160 mil frequentando uma escolinha. São mais de 300 mil crianças de 0 a 3 anos que vão ficar de fora da escola, sem educação infantil. E são estas as crianças que vão ter mais dificuldade para se alfabetizar, que vão se alfabetizar aos 9, aos 10 anos. Nós queremos pelo menos 50% dessas crianças na escola até 2024. É um desafio para nós, não é fácil realizar isso. Envolve estrutura, programa e formação de profissionais dentro de uma perspectiva educacional. Mas, o dinheiro para construir escolas não é o maior problema, representa 9% do custo da educação. O grande problema está em a gente garantir o dinheiro para ter professor qualificado, auxiliar com formação para cuidar das crianças na educação infantil, na educação especial.

Sobre a questão dos auxiliares, o plano nacional prevê que seja descrito nos planos municipais o plano de carreira para os profissionais de educação. Há um capítulo com estratégias para isso, inclusive incentivando a titulação e a formação continuada. O que estamos garantindo para o professor no magistério nós desdobramos também para o profissional da educação, e isso deve ser tema debatido também nos planos municipais.

Quanto ao estímulo para a licenciatura, isso passa por duas questões: uma é a valorização do magistério. Experimente pagar um salário inicial de 4 mil reais para os professores e você vai ver se um grande número de jovens que estão hoje no ensino médio não vai querer ser professor. Ele vai pensar, poxa, eu sou bom em matemática, eu gosto de fazer contas, eu vou fazer uma licenciatura e vou ser professor. Porque é uma profissão nobre, eu posso me realizar e posso garantir minha existência. Façamos isso pra gente ver se não muda! E o outro ponto é a formação nas universidades; os professores muitas vezes saem das universidades sem o mínimo de didática, sem condições de compreender a realidade da escola e o universo cultural dos alunos. Não tem diálogo. Então, na base curricular das universidades tem que haver uma mudança muito grande, para que os novos professores tenham uma melhor e mais completa formação.

Por fim, uma boa iniciativa nesta questão do livro é criar oficinas de incentivo a leitura nas empresas, nas fábricas e em outros locais de trabalho – e o MEC tem programas para isso. Esta ideia complementa a questão das bibliotecas porque leva o interesse pelo livro para os locais onde as pessoas estão vivendo, e a biblioteca fica sendo a retaguarda do acervo. Assim você cria uma corrente de leitores que naturalmente exigirá melhores condições de estrutura e circulação.

Dito isso eu deixo a vocês um abraço. Parabéns pelo encontro que vocês estão realizando. A gente está aqui para ajudar.”

Fonte: http://uniaodavitoria.pr.gov.br/noticias/uniao-da-vitoria-apresenta-plano-municipal-da-educacao-para-sociedade/
Fotos: Gilson Camargo

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