conferência municipal de cultura – curitiba/pr, 2013

A IV Conferência Municipal de Cultura de Curitiba teve seu início ontem, sexta feira, dia 26/07, no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O encontro, que se estenderá pelos dias 27 e 28 de julho, tem por objetivo preparar as demandas e discussões sobre a Implementação do Sistema Nacional de Cultura bem como escolher os representantes que participarão da III Conferência Estadual de Cultura, e posteriormente, da III Conferência Nacional de Cultura, em Brasília.

O deputado Angelo Vanhoni esteve presente na abertura da conferência e fez um alerta sobre as políticas de financiamento a cultura no Brasil, que já tiveram maior destaque no Congresso Nacional. O deputado referiu o Procultura (que trata da reformulação da Lei Rouanet) e a PEC-150 (que estabelece 2% do PIB de investimento no setor cultural), ambos já aprovados pela Câmara dos Deputados, e ressaltou a urgência da mobilização da sociedade em torno destas iniciativas.

Assista no vídeo acima a fala do deputado Angelo Vanhoni e a intervenção musical do compositor curitibano Ademir Plá.

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Espero que esta conferência sirva de espaço para se fazer uma reflexão sobre a gravidade que existe hoje no nosso país em relação à cultura. A conferência é um momento privilegiado que nós vamos ter, até o final desse ano, para tentar dar um rumo para cultura no nosso pais.

Eu estou atônito com o que está acontecendo na política cultural brasileira. Não tem um grande programa de cultura sendo desenvolvido no nosso país. O Sistema Nacional isoladamente não vai resolver o problema da política cultural pública do país. O Congresso Nacional não debate um centavo a mais para cultura no país. A Lei Rouanet continua do mesmo jeito, carregando 90% do dinheiro para Rio e São Paulo. E a gente dizer que cultura é importante e tem que ser política de estado e não fazer absolutamente nada, isso ficar no discurso apenas?

O Brasil é outro depois do mês de junho! O que estava nas ruas é o desejo, é a força viva da nação! A força viva da nação quer se expressar, quer arte, quer valores, e eu não estou vendo a priorização da cultura como direito social, e não estou assistindo esse debate no Congresso Nacional. Pelo contrário, o debate decaiu e decaiu muito!

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Então, o papel histórico que essa conferência tem é o de refletir sobre a gravidade do momento e da nova conjuntura que nós estamos enfrentando. Não tem mais política de museus, não tem política na Funarte. O Vale Cultura? O Vale Cultura é a expressão da política nacional que nós queremos para formar os jovens e as crianças, para que desenvolvam a sua sensibilidade, para que possam cantar, para que possam sentir o prazer e se expressar através da pintura, da dança? É isso que nós queremos? É o Vale Cultura? Nós queremos uma sociedade de consumo, de consumo, de consumo? Ou a garotada e as pessoas que apoiaram, que foi a maioria, foi para rua exatamente para dizer que esse tipo de vida que a gente leva não leva a lugar nenhum?

Desculpem o meu desabafo, mas eu estou vendo que tem um outro país, que está exatamente lutando, brigando, dizendo aquilo que quando eu tinha 15, 17, 18, 19 anos de idade, mesmo sob uma ditadura militar a gente estava dizendo nas ruas. Que quer um país diferente, quer novas relações, quer um novo mundo. E quem tem que expressar isso é a política cultural do país, com a diversidade que o Brasil tem.

A avaliação que eu trago hoje não é pessimista, mas, é um chamado para a luta. A conferência tem que se alertar. Não tem política cultural hoje no Brasil! As grandes causas que nós lutávamos há 4, 5 anos atrás, os avanços, no meu ponto de vista estão em suspensão. Ou nós vamos achar que tá tudo legal, que isso basta? É assim que nós queremos a vida? É com esse dinheirinho que nos queremos fazer política cultural? É com 1% do orçamento, seja da capital, seja do governo federal?

Nós não vamos fazer com que os jovens mudem a cabeça se a gente não tiver política de cultura de verdade, se não tiver uma política de educação de verdade, se não mudar o Brasil de verdade! A rua é o espaço de mudança e quem não enxergar isso está fora da realidade.

Angelo Vanhoni

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Em Curitiba nascem menos crianças por mês, que carros.
Em Curitiba, eu quero ver, a ciclofaixa aparecer!

Ademir Plá

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