
A discussão em torno da idade de matrícula no ensino fundamental ganhou novos rumos na manhã desta quinta-feira (20/05) em debate proposto pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal. A comissão ouviu estudiosos e representantes de diversas entidades sobre o Projeto de Lei 6755/10, originário do Senado, que torna obrigatória a matrícula no ensino fundamental aos cinco anos e não mais aos seis. O deputado Joaquim Beltrão (PMDB/AL), afirmou que apresentará susbstitutivo determinando que a idade para matrícula permaneça aos seis anos. A audiência resultou no consenso com as entidades presentes, que se posicionaram contrárias à redução da idade de matrícula.
A polêmica decorre de divergências na interpretação da Emenda Constitucional 53, que não deixa claro o corte etário de transição entre a educação infantil e o ensino fundamental. Esta situação já motivou decisões judiciais em alguns estados permitindo a matrícula de crianças com cinco anos no ensino fundamental, embora a lei 11.114/05 determine que a matrícula no ensino fundamental seja aos seis anos.

Compuseram a mesa nesta reunião: Carlos Eduardo Sanches, presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME), deputado Joaquim Ribeiro, autor do requerimento, Angelo Vanhoni, presidente da CEC e Carlos Artexes Simões, da Diretoria de Concepções e Orientações Curriculares para a Educação Básica do Ministério da Educação (MEC).
Carlos Artexes Simões, diretor de Concepções e Orientações Curriculares para Educação Básica, representante do Ministério da Educação na audiência, afirmou que o corte deve estar explícito na lei para evitar novas confusões, mas, posicionou-se favorável ao estabelecido pelo Conselho Nacional de Educação, que determina a matrícula apenas aos seis anos completos ou a completar até o dia 31 de março do ano em curso. O presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) também defendeu que sejam respeitadam as determinações do CNE, alegando que o ingresso aos cinco anos pode corroborar para o fracasso do aprendizado da criança.
Segundo Vital Didonet, representante da Rede Nacional Primeira Infância, estudos comprovam que a criança que ingressa no ensino fundamental com cinco anos tem rendimento inferior às crianças matriculadas aos seis. Gizele Souza, representante do Movimento Interforuns de Educação, acrescentou que “a Educação Infantil está pedagogicamente preparada para receber as crianças dessa faixa etária”.

Vanhoni presidiu a reunião e opinou sobre o impasse na legislação: “Não faz muito tempo que a educação infantil se tornou objeto de preocupação da sociedade e dos educadores do país. Como política de Estado isso é muito recente. Por isso, é natural encontrar problemas como essa brecha na legislação”. O deputado destacou a relevância dos participantes presentes na audiência “Hoje, aqui, estamos fazendo uma lei ao entrar no consenso de um substitutivo. De forma transparente vamos queimar etapas para diminuir as brechas na lei, nesse momento em que o Brasil está consolidando uma política de Estado para a educação infantil”.
Também estiveram presentes os deputados Fátima Bezerra (PT/RN), Ivan Valente (PSOL/SP), José Genoíno (PT/SP), Nilmar Ruiz (PR/TO), Pedro Wilson (PT/GO) e Wilson Picler (PDT/PR).
Texto: Vanessa Vieira – Comunicação CEC, 20/05/10
Fotos: Saulo Cruz