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minha casa, minha vida – irati/pr

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A solenidade de entrega das moradias do Conjunto Habitacional Joaquim Zarpelon, em Irati, aconteceu nesta sexta-feira, 30/09/2011. As casas foram construídas através do Programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal em parceria com a prefeitura municipal, que viabilizou a edificação das unidades habitacionais. São 296 casas para famílias com renda de até 3 salários mínimos, com prestação mínima mensal de R$ 50 por mês, durante 10 anos.

O município doou a área onde foram construídas as moradias e realizou os projetos necessários para a criação do loteamento, além de parcerias para infraestrutura de água, luz e saneamento. O Governo Federal, através da Caixa Econômica financiou a edificação das habitações, com maior subsídio para as casas de 36 , consideradas de interesse social. As famílias beneficiadas pelo programa foram selecionadas através de cadastros da Secretaria Municipal de Bem Estar Social – Departamento de Habitação.

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Estiveram presentes na cerimônia o prefeito de Irati, Sérgio Stoklos, o superintendente regional da Caixa Econômica Federal, Arielson Bittencourt, o presidente da Associação dos Municípios do Centro-Sul do Paraná e prefeito de Inácio Martins, Junior Benato, os prefeitos Luiz Everaldo Zak, Ivanor Muller e Nei Schuck, o proprietário da Construtora Sedro, Antônio Carlos Duda, o deputado estadual Cesar Silvestri Filho, o deputado federal Eduardo Sciarra e o deputado federal Angelo Vanhoni.

Uma das necessidades fundamentais do ser humano é ter um lugar para morar, para construir a sua vida, casar, ter um emprego e poder educar os seus filhos. Sem a segurança de um lar com dignidade não é possível realizar este sonho, e o Brasil passou muito tempo sem perspectivas nesta direção. Precisou o presidente Lula chegar ao governo, comprometido com o conjunto do povo brasileiro, para chamar a Caixa Econômica, reunir os empresários, convocar os prefeitos do Brasil inteiro e dar início a um grande programa para aquele que não tem onde morar e para o trabalhador que não possui renda suficiente para acessar as linhas de financiamento. O exemplo de Irati, as trezentas casas que estamos inaugurando hoje fazem parte de um projeto de mais de um milhão de moradias que o presidente Lula iniciou e que a presidente Dilma está dando continuidade em todo o território nacional.

Mas, não é só a moradia que é importante para a realização humana. Tem quatro aspectos fundamentais que não podemos esquecer nunca. A moradia, o emprego, e principalmente a saúde e a educação. Estamos trazendo para esta cidade um Instituto Federal Tecnológico, que vai cuidar da educação, e se tem alguma coisa que muda a vida dos nossos filhos e muda a nossa vida é o conhecimento. Por isso todo o pai e toda a mãe quer que a sua criança vá aprender a ler e a escrever, porque sabe que o futuro está no conhecimento e em aprender uma profissão, e nós não tínhamos isso no Brasil! A maioria dos nossos jovens, quando chegam aos 17 anos de idade, não podem ir a uma faculdade para aprender uma profissão porque não tem dinheiro para pagar um curso técnico ou uma faculdade. Por isso estamos abrindo no Brasil as Escolas Técnicas Federais, para que os  nossos jovens possam aprender uma profissão.

As crianças que estão aqui hoje com 5 ou 6 anos e que vão entrar no ensino fundamental, quando tiverem 14 anos poderão entrar na escola técnica, que agora tem aqui em Irati, e fazer um curso de eletrônica, aprender informática ou outro curso profissionalizante, encontrar emprego na cidade ou na região, dar conta de suas vidas e ter um salário melhor, com mais dignidade.

Angelo Vanhoni

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Além de melhorar o setor de habitação do município, o programa do Governo Federal trouxe um grande impulso na cadeia produtiva da construção civil e, por consequência, no aquecimento da economia local. Calcula-se que mil e duzentas pessoas vão morar nas 296 casas construídas pela Sedro. A empresa, que tem sede em Irati, empregou aproximadamente 250 pessoas durante a realização da obra. As unidades deste conjunto medem em média 36 m² e possuem uma cozinha, uma sala, um banheiro e dois quartos.

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Fotos: Gilson Camargo

debate sobre o plano nacional de educação – colombo/pr

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Realizou-se no município de Colombo, nesta segunda feira, 19/09/2011, debate sobre o Plano Nacional de Educação. Compuseram a mesa de abertura, da esquerda para a direita: o chefe do Núcleo Regional de Educação Área Metropolitana Norte, Sérgio Ferraz, a secretária da Educação, Cultura e Esporte de Colombo, Dirlei Ribeiro Elias, o deputado federal Angelo Vanhoni, o vereador Onéias Ribeiro e a presidente da APP-Sindicato, Marlei Fernandes de Carvalho.

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Vou falar rapidamente sobre os desafios que o Brasil tem do ponto de vista da educação e o que estamos discutindo no Congresso Nacional. Nós temos 2 milhões e 300 mil professores e temos perto de 60 milhões de matrículas de alunos do ciclo básico no Brasil inteiro, que vai desde a creche até o final do ensino médio. Há gravíssimos problemas dentro do sistema e a dívida que o Brasil tem com as crianças do nosso país é imensa.

Primeiro; creche de 0 a 3 anos, nosso atendimento é muito limitado. Segundo; pré escola de 4 a 6 anos, nosso atendimento é muito limitado no Brasil inteiro. O ex-presidente Lula mandou um projeto para a Câmara dos Deputados, nós discutimos o projeto e fizemos uma emenda na Constituição tornando obrigatório o ensino não mais de 6 a 14 anos, mas de 4 a 17 anos de idade. Isso a partir de 2016, que é o prazo para que os estados e municípios façam sua adequação orçamentaria e o seu planejamento, e que em 2016, todas as crianças de 4 anos de idade estejam numa sala de aula, e também todo o jovem até 17 anos de idade. E o jovem que não estiver na escola, o pai ou o gestor público poderão ser responsabilizados, como pode hoje pela nossa Constituição.

Esta medida tem por finalidade garantir a extensão da educação para a pré escola porque no Brasil – e vocês que atuam aqui no município no ensino fundamental sabem da realidade de Colombo, que é próxima a uma capital de um estado rico como o Paraná, imaginem então os problemas da pré escola e da educação infantil no resto do Brasil – a maior parte das crianças está fora da escola, e isto é uma injustiça muito grande, porque as crianças que frequentam a pré escola tem muito mais condições de continuar estudando, de realizar o ciclo de alfabetização a partir dos seis anos e completar com tranquilidade o ensino médio.

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A grande maioria, filhos de trabalhadores que não tem dinheiro para pagar uma creche, uma pré escola, ficam com uma desvantagem muito grande em relação àqueles que são filhos de uma família da classe media, que tem recursos para pagar a pré escola. A criança que tem acesso a educação nesta idade começa a desenvolver-se na linguagem, do ponto de vista cognitivo, e quando entra no processo de alfabetização tem mais condições de aprender e completar as etapas do sistema educacional. O Brasil pratica uma injustiça terrível e transfere para a educação a mesma divisão que existe na sociedade brasileira.

Nós vamos perceber o mesmo problema no ensino médio. Temos hoje 8 milhões de jovens entre 15 e 17 anos de idade fequentando a escola, mas, apenas 2 milhões concluem o curso. Vejam a gravidade! E depois, sabemos o esforço que a sociedade tem que fazer para trazer de volta este jovem com 19, 20, 25 anos ou mais para o sistema educacional, para que ele possa completar o ensino médio e ter acesso a uma profissionalização.

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O ensino médio que oferecemos para 90% dos jovens no Brasil é um ensino acadêmico, não é profissionalizante, e esta é uma das principais razões da grande evasão no ensino médio. Porque a nossa juventude não percebe o sentido desta formação.

Para vocês terem uma idéia, nós temos hoje 35 milhões de brasileiros entre 18 e 24 anos de idade, justamente no período de entrar numa universidade, e quantas vagas temos em nossas universidades públicas ofertadas anualmente? Temos 1 milhão e 200 mil vagas. Ou seja, são 33 milhões de jovens que não podem entrar no ensino superior a não ser que paguem 900 reais ou mais de mensalidade numa universidade particular, e que ainda assim são poucas. Este é o sistema que nós temos hoje.

O que vem sendo feito nos ultimos anos? O governo vem investindo na criação de universidades, vem ampliando as vagas, criou o Prouni, onde o jovem de uma família de baixa renda, que ganha até 1.500 reais por mês, que fizer o ENEM, tiver nota e entrar numa escola particular, o governo paga os estudos durante os 4 anos para este jovem, integralmente. Começou pagando 50% e hoje paga 100%.

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Nós formamos no mês de julho do ano passado a primeira turma de médicos através do Prouni. Foram 465 médicos e estamos ampliando o número de vagas. Hoje temos perto de 900 mil jovens estudando em escolas particulares de nível superior para os quais o governo federal paga integralmente as suas mensalidades. E o governo fez também um programa de financiamento. O jovem que entrar numa faculdade particular e tiver renda maior pode financiar, com juros de praticamente zero, e depois este aluno tem dois anos de carência para começar a pagar. Se o jovem fizer uma licenciatura, como o governo quer estimular a formação de professores, ele não precisa pagar. Se for posteriormente trabalhar na rede pública, vai pagar com dias de aula, e se for trabalhar no ensino particular, também poderá abater o financiamento.

O Plano Nacional de Educação prevê, até 2020, que 50% das crianças do Brasil possam estar numa creche. Prevê ainda, até 2020, 100% das crianças nas escolas para a educação infantil. Hoje nós temos 8 milhões de jovens no ensino médio e estamos formando apenas 2 milhões. Queremos, até 2020, estar formando 85% dos jovens no ensino médio.

Nós temos hoje 6 milhões de jovens nas universidades. Queremos chegar, pelo plano, a 13 milhões de jovens nas universidades em 2020, ou seja, duplicar este número. Além disso temos um conjunto de metas que prevê a qualificação da educação, e a qualidade do nosso sistema educacional está muito debilitada. O Ideb, que é um instrumento de avaliação para que a gente possa planejar a educação em nosso país, revela que a média do Brasil é um pouco superior a 4, enquanto a média mínima nos países desenvolvidos é 6. Então, há um conjunto de iniciativas para que, até 2020 a média do Brasil esteja, também, pelo menos neste patamar.

Angelo Vanhoni

debate sobre o plano nacional de educação – pinhais/pr

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O município de Pinhais sediou debate sobre o Plano Nacional de Educação nesta sexta feira, 16/09/2011. Participaram da mesa de abertura o prefeito de Pinhais, Luizão Goulart, a presidente da Câmara Municipal de Pinhais, Ivone Carvalho dos Santos, o vereador Edson Ribeiro, a secretária de Educação de Pinhais, Rosa Maria de Jesus Colombo, a secretária municipal de Educação de Piraquara, Loireci Dalmolim de Oliveira e a vice-prefeita de Pinhais, Marli Paulino.

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Luizão Goulart referiu as inciativas do município para melhorar a qualidade da educação, como a escola em tempo integral e os preparativos para sediar um centro de estudos tecnológicos. O prefeito porém ressaltou a dependência da chegada de novos recursos do governo federal.

Podemos inovar e melhorar com o que a gente tem hoje, mas, não podemos ir muito além se não tivermos mais recursos para a educação. Em Pinhais estamos implantando gradativamente a escola em tempo integral, fizemos eleições diretas em nossas escolas e um trabalho inovador na educação especial. Pinhais vai ter a oportunidade de sediar um Centro de Estudos Tecnológicos e nosso grande desafio é aperfeiçoar cada vez mais a educação básica. Nós esperamos que saia do Congresso Nacional um Plano de Educação que venha acompanhado de recursos novos, senão estaremos apenas remediando o que a gente tem. Nós precisamos de repasse de recursos novos, da União principalmente.

Luizão Goulart

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O deputado Angelo Vanhoni defendeu o aumento da dotação orçamentaria do PIB para a educação. A proposta enviada pelo governo é de 7% e a idéia é lutar pela ampliação deste patamar. O relator citou a última avaliação do Enem como um demonstrativo da necessidade de maior financiamento à educação e lembrou que o investimento por aluno, no caso das escolas particulares é muito superior ao do ensino público, assim como a remuneração dos professores.

Das 100 escolas que tiraram as melhores notas no Enem, a grande maioria particulares, a média salarial passa de 5.000 reais por professor. Tem escola que cobra 7.000 reais por aluno! Quem paga menos está pagando na faixa de 900 reais de mensalidade. Se vocês somarem isso dá quase 12.000 reais por ano! O investimento por aluno na escola particular é muito maior do que na escola pública. Na escola pública estamos pagando 2.300 reais por aluno/ano. As opções mais baratas na inciativa privada pagam 12.000, e algumas chegam a pagar de 30 até 35 mil reais por ano!

Não dá para comparar o nivel de investimento no ensino particular com o do ensino público no Brasil. Não tem 20 anos que universalizamos o acesso ao ensino básico. E também não dá para comparar o ensino no Brasil com o ensino na Europa. Muitas vezes vemos a imprensa dizer, “o problema da educação no Brasil não é de dinheiro, é de gestão”, daí eles mostram uma escola na periferia, onde as famílas, muitas delas estão desorganizadas, o ambiente em casa é muito dificil, o pai e a mãe nao se preocupam com os filhos, o ambiente na escola é violento, etc… e dizem que este problema é apenas de gestão. Argumentam que o Brasil já investe 5% do PIB em educação enquanto a Alemanha investe 5,5%. O PIB da Alemanha, porém, é duas vezes maior do que o nosso e a populaçao é de 80 milhões, enquanto no Brasil é de 190 milhões.

Angelo Vanhoni

dia nacional da comunidade ucraniana no brasil – conversa com meroslawa krevey, diretora do museu do milênio, prudentópolis/pr

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O deputado Angelo Vanhoni esteve em Prudentópolis durante as comemorações do aniversário da cidade e reuniu-se com a diretora do Museu do Milênio, Meroslawa Krevey, que desde 1995 mantém em atividade um importante acervo da história da colonização ucraniana com mais de 900 objetos catalogados, sendo diversos deles coleções. O museu reúne também grande número de documentos e fotografias e é referência para trabalhos acadêmicos e pesquisas que abordam a temática da imigração eslava no Brasil.

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O encontro aconteceu na igreja da Paróquia de São Josafat, construída entre 1922 e 1932 em estilo bizantino (imagem acima), edifício de relevância museológica para a comunidade ucraniana e uma das principais atrações turísticas da cidade.

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A professora Meroslawa Krevey tem reconhecida atuação na luta pela conservação da cultura dos imigrantes ucranianos e foi recentemente homenageada com a Comenda da Ordem de Honra ao Mérito do 3º Grau, conferida pelo presidente da Ucrânia, pelo importante trabalho na preservação dos traços culturais ucranianos fora deste país. Entre os assuntos tratados durante a visita estiveram as comemorações dos 120 anos da imigração ucraniana no Brasil, a conclusão das obras de restauro da igreja de São Miguel Arcanjo, em Mallet, que já tem data marcada para sua reinauguração, no dia 6 de novembro de 2011, e o Museu do Milênio, com a perspectiva da criação de um primeiro museu federal no Paraná, relacionado à imigração, e que deverá incorporar também, segundo José do Nascimento Junior, presidente do Instituto Brasileiro de Museus, elementos das diversas culturas que integram a formação histórica da região.

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Angelo Vanhoni em visita à Igreja de São Josafat, com Meroslawa Krevey e o empresário Junior Durski.

No ano de 1985 a comunidade da Paróquia São Josafat constituiu o Comitê Pró-Construção do monumento ao poeta Tarás Chevtchenko e ao Milênio do Cristianismo na Ucrânia, e propôs a construção de um complexo arquitetônico na esquina das ruas São Josafat e Cândido de Abreu, em Prudentópolis – hoje praça Ucrânia – para abrigar o monumento ao poeta e no subsolo um espaço para fins culturais. O monumento a Tarás Chevtchenko, poeta maior da Ucrânia, em forma de estátua em bronze, foi obra do escultor Leo Moll, do Canadá e o complexo arquitetônico do arquiteto Myroslau Nimciw, dos EUA e Jonel Iurk, do Brasil.

O Museu do Milênio foi inaugurado em 1995. Seu acervo reúne objetos de trabalho e do cotidiano dos imigrantes ucranianos e descendentes radicados em Prudentópolis a partir do final do século XIX. Retrata aspectos históricos da colonização, vida e costumes do povo ucraniano e também conta com uma sala dedicada ao poeta Tarás Chevtchenko.

Temos no museu a parte da igreja e alguns objetos, com materiais do início da colonização, alguns mapas da divisão de lotes com os locais onde se estabeleceram as primeiras famílias, um tear completo, indumentária e quadros, além de um grande número de fotografias e documentos. O museu tem também uma sala dedicada à agroindústria. A agricultura familiar é acentuada aqui em Prudentópolis, temos mais de 8 mil pequenos produtores rurais. Isso se deve muito à maioria dos imigrantes terem vindo trabalhar no campo. Aqui ainda se vê agricultor com arado e carro de boi. Meroslawa Krevey

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Campanário da Igreja de São Josafat, instalado em 1946.

A cidade de Prudentópolis esteve em festa para comemorar o Dia Nacional da Comunidade Ucraniana no Brasil e os 120 anos da imigração. A data para esta celebração, 24 de agosto, foi criada atendendo a reivindicação da grande comunidade que vive, em sua grande maioria no Paraná – Prudentópolis tem 70% de sua população com descendência ucraniana – e passou a fazer parte do calendário oficial de comemorações do Brasil, a partir de Projeto de Lei de autoria do deputado Angelo Vanhoni, sancionado pelo ex-presidente Lula, em janeiro de 2010.

Em 24 de agosto de 1991 o parlamento ucraniano declarou a Independência da Ucrânia. As comemorações dos 120 anos da imigração ucraniana no Brasil se iniciaram em 13 de novembro de 2010 e se estendem até novembro de 2011.

Fotos: Gilson Camargo

visita à igreja de são miguel arcanjo – mallet/pr

Mallet 19-08

O deputado Angelo Vanhoni esteve na cidade de Mallet/PR na última sexta feira 19/08, em companhia do presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC), José do Nascimento Júnior, para encontro com a comunidade ucraniana e acompanhamento das obras de restauro da Igreja de São Miguel Arcanjo que está em fase de conclusão. Construída no início do século XX pelos imigrantes ucranianos, a igreja será reinaugurada no dia 6 de novembro deste ano.

Vanhoni tem apoiado diversas iniciativas em benefício da preservação da memória da imigração no Paraná, como o restauro das igrejas de São Miguel Arcanjo, em Mallet, da igreja da Imaculada Conceição, em Antonio Olinto e de São José, em Água Branca, São Mateus do Sul. O deputado foi também autor do Projeto de Lei que inscreve o dia 24 de agosto dentro do calendário oficial de comemorações do país como o Dia Nacional da Imigração Ucraniana.

Outra ação prevista para a região é a construção de um museu federal na cidade de Prudentópolis, relacionado a imigração, que irá aproveitar acervos já existentes na cidade, além de buscar materiais em municípios do entorno. A proposta é do Instituto Brasileiro de Museus e faz parte das ações previstas pela Política Nacional de Museus. Há perspectivas do museu ser instalado em um terreno nas vizinhanças do Clube 12 de Novembro, que está em processo de doação pela Eletrobrás. José do Nascimento Junior, presidente do Ibram, afirmou que o museu não deve se concentrar apenas na cultura e colonização ucraniana, mas, estará em diálogo com a diversidade de imigrantes da região.

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Igreja de São Miguel Arcanjo durante as obras de restauro, no primeiro semestre de 2011. Foto: Jussara Valentini (Instituto Arquibrasil).

fórum municipal de desenvolvimento de colombo/pr – josé do nascimento junior, presidente do instituto brasileiro de museus (ibram)

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O presidente do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), José do Nascimento Junior, participou do I Fórum Municipal de Desenvolvimento de Colombo, nesta sexta feira, 19/08/2011. O evento contou com palestras do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo e do diretor de Desenvolvimento Urbano e Regional do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), professor Francisco A. Costa. O Fórum, que aconteceu nos dias 18 e 19 de agosto por iniciativa da prefeitura do município, foi composto por diversos painéis abordando temas como: Políticas Públicas de Abrangência Social; Programas Governamentais e o município de Colombo; Geração de emprego e renda; Desafios do desenvolvimento sustentável em um território de preservação ambiental, dentre outros.

Em sua palestra, “Cultura e Expressão Artistica” José do Nascimento discorreu sobre a importância da memória nas politícas culturais, a expansão do campo museológico brasileiro, a cidade como expressão simbólica coletiva, o entendimento da cultura como fator de desenvolvimento econômico, e ressaltou a influência da Convenção da UNESCO sobre Promoção e Proteção da Diversidade das Expressões Culturais no Plano Nacional de Cultura. A Convenção, aprovada em 2006, favorece a reafirmação do direito soberano dos Estados de implementarem políticas necessárias à proteção e promoção de suas expressões culturais e a necessidade de se estabelecer medidas de proteção às expressões culturais vulneráveis e ameaçadas.

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É importante primeiro contextualizar o papel da cultura no desenvolvimento das cidades. Entender que a cidade é um fenômeno cultural. Partir desse pressuposto de que nela cada elemento é uma expressão das pessoas, de suas açôes, das marcas que as diferentes identidades imprimem em seu entorno e que constroem a cidade através do tempo. A cidade é uma síntese de várias culturas, de vários olhares, ela é o resultado deste processo.

Neste Fórum estamos falando de desenvolvimento econômico e a cultura está tradicionalmente vinculada à área social. Mas, este entendimento está mudando em nossas politicas públicas e a cultura a cada dia tem saído mais do campo do social e vem sendo percebida como vetor essencial para o desenvolvimento econômico, integrando o planejamento das nossas cidades. A cultura é um campo que gera mais empregos do que diversos setores produtivos e com menor investimento.

José do Nascimento Junior

2ª festa nacional do feijão preto – prudentópolis/pr – 14/08/11

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A 2ª Festa Nacional do Feijão Preto (FENAFEP), em Prudentópolis/PR, reuniu mais de 50 mil pessoas nos quatro dias de festividades em comemoração ao aniversário da cidade, que completou 105 anos na última sexta-feira, 12/08. Além das atrações culturais, artísticas e gastronômicas como parque de diversões, exposição agroindustrial, torneio leiteiro, feira de sabores e a maior feijoada do Brasil, o evento contou com palestras direcionadas a produtores, técnicos e empresários onde foram abordados temas relacionados à cultura do feijão e aos avanços tecnológicos na produção agrícola.

Prudentóplis concentra um dos maiores núcleos de minifúndios da Região Sul, com quase 8 mil produtores rurais baseados especialmente na agricultura familiar. O município é responsável por quase 10% da produção nacional de feijão preto, chegando a produzir 50 mil toneladas por ano.

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Vanhoni visitou a festa em companhia do empresário Junior Durski e do prefeito Gilvan Agibert (ao centro na foto).

Na Feira de Sabores, os visitantes tiveram a oportunidade de provar doces e vários produtos do artesanato local como, pães, bolos, bolachas, conservas, massas, comidas típicas, embutidos, defumados e bebidas. A idéia da feira é ampliar a comercialização da produção local de alimentos, que é fortemente influenciada pela cultura dos imigrantes ucranianos e poloneses. No Concurso Gastronômico, foram servidos pratos a base de feijão, como feijão tropeiro e perohê de feijão. O evento contou com apresentações de duplas locais, grupos tradicionalistas gaúchos e do Festival de Música das Escolas Municipais (Femuem).

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O deputado acompanhou a apresentação dos alunos da rede pública municipal de ensino no Femuem e em sua fala reafirmou o compromisso do governo federal com o financiamento da educação em todo o Brasil e com a valorização do magistério através das metas previstas no PNE, sendo uma delas, a equiparação do salário dos professores da rede de ensino público aos demais profissionais com formação semelhante em outras áreas de conhecimento.

É uma alegria muito grande poder estar aqui no aniversário de Prudentópolis e acompanhar o Festival de Música das Escolas Municipais. Há três anos atrás, em 2009, aprovamos na Câmara dos Deputados uma mudança no curriculum de todas as escolas do Brasil, que coloca a obrigatoriedade do ensino da música. Isto representa um grande avanço, porque inscreve em nossas prioridades educacionais o compromisso de cultivar e desenvolver a sensibilidade do ser humano através da música e das artes.

Neste ano, no mês de outubro, nós teremos um desafio ainda maior, que é discutir e aprovar o Plano Nacional de Educação para o próximo decênio, e dentre as metas do PNE que se referem à qualidade da educação, uma delas diz respeito especificamente à valorização do magistério. Aqui temos uma boa notícia para os professores. Nós queremos, e este é o entendimento do governo federal, que nos próximos dez anos, o salário médio do professor do ciclo básico esteja equiparado aos vencimentos de outros profissionais brasileiros com a mesma qualificação.

Angelo Vanhoni

debate sobre o pne – são josé dos pinhais/pr

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A Câmara Municipal de São José dos Pinhais realizou nesta sexta-feira, 12/08, debate sobre o Plano Nacional de Educação, que contou com a presença de professores, representantes de organizações sociais do setor educacional, líderes sindicais e secretários de educação da região metropolitana de Curitiba e municípios vizinhos. Participaram da mesa (da esquerda para a direita na imagem acima), o professor da UFPR doutor em Ciências Geodésicas, Hideo Arakia, o vereador Onildo Francisco dos Santos, a secretária Municipal de Educação, Tania Maria Galvão Perez Centeno, o deputado federal Angelo Vanhoni, relator do projeto de lei que cria o Plano Nacional de Educação na Câmara dos Deputados e o presidente do Conselho Estadual de Educação, Romeu Gomes de Miranda.

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O deputado Vanhoni ressaltou que o Congresso Nacional avançou na área da educação nos últimos anos ao aprovar leis que ampliaram os investimentos do governo federal no ensino básico e médio, que antes estavam somente a encargo dos estados e municípios. O PNE estende ainda mais o compromisso da esfera pública com a educação e estabelece as metas e diretrizes do setor para o decênio 2011/2020.

Somos 190 milhões de brasileiros e hoje, perto de 60 milhões estão sendo beneficiados pelo Fundeb, que é o fundo que organiza e distribui os recursos para a educação em todos os estados e cidades do Brasil. Enquanto o custo aluno no Paraná estava em R$ 2.300,00, o custo aluno do Maranhão e do Piauí não chegava a R$ 1.300,00. Com o Fundeb o custo aluno dos estados do Nordeste e de outras regiões do Brasil começou a ser elevado para chegar aos patamares mínimos dos estados da Região Sul e Sudeste. Nós queremos, em nosso projeto para o Brasil, que toda a criança, no Amazonas, em são José dos Pinhais ou em qualquer outra cidade brasileira, possa ter uma educação de qualidade. Para isso precisamos  pensar um sistema que distribua recursos, que remunere os professores, que possibilite a construção de escolas, a construção de bibliotecas, que ofereça merenda escolar e que reúna as condições para que a produção de conhecimento aconteça. Todo o objetivo desse esforço em torno do PNE é fazer com que cada brasileiro possa desenvolver a sua capacidade de aprender.

Angelo Vanhoni

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O debate contou com tradução simultânea para libras. O deputado reiterou ainda que o Plano Nacional tem uma meta que trata exatamente da educação especial. “Nós consolidamos o entendimento de orientar, através do plano, a possibilidade de absorver a contribuição que o setor educacional das escolas de ensino especial no Brasil inteiro estão sugerindo à Comissão. No caso dos surdos há uma especificidade porque trata-se de uma língua. A primeira língua dos surdos é a libras e temos que dar também a estes jovens a garantia de acesso a escolas bilíngues.”

Fotos: Gilson Camargo

restauro da igreja de são josé – água branca, são mateus do sul/pr – lançamento do projeto

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Neste sábado, 06/08/2011, estivemos em São Mateus do Sul/PR para o lançamento do projeto de restauração da igreja de São José, na comunidade de Água Branca, um dos principais marcos da colonização polonesa na região. Além da presença de diversos membros da comunidade, o deputado Angelo Vanhoni foi recebido pelo prefeito da cidade, Luiz Adyr Gonçalves Pereira, pelo padre Ermildo Krasovski e pelo presidente da irmandade São José, Joelson Falkoski.

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O início das obras depende da aprovação da complementação de recursos dentro do projeto cultural do Instituto Arquibrasil, responsável pelo restauro, que conta com o apoio da Petrobrás através da Lei Rouanet. Após o término do diagnóstico da estrutura do edifício e detalhamento da planilha orçamentária, cuja finalização está prevista para dezembro, o projeto será analisado pela equipe técnica do IPHAN e reencaminhado ao Pronac. Essa tramitação pode levar de dois a três meses e a estimativa é de que vencidas estas etapas, incluindo a captação de recursos, a restauração possa ser concluída no prazo de um ano.

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Há pouco mais de três anos tive a oportunidade de conhecer melhor a região de São Mateus do Sul, que se destaca economicamente no cenário nacional pela sua produção industrial, e perceber a importância da cidade no processo migratório polonês, que integra a alma profunda do povo brasileiro e tem uma influência ainda mais expressiva na formação cultural do Paraná, o estado que recebeu o maior número de imigrantes poloneses em nosso país.

Com o objetivo de valorizar o legado das tradições culturais do Paraná e percebendo que os marcos arquitetônicos e turísticos da imigração eslava eram praticamente desconhecidos no resto do Brasil, em 2009 convidei o ministro da Cultura e o presidente do IPHAN para visitarem o interior do estado e conhecerem de perto estas comunidades. Estivemos naquela ocasião em Mallet, Prudentóplis e Irati.

De lá para cá estamos fazendo um trabalho conjunto com o Ministério da Cultura para restaurar alguns destes edifícios. Assim aconteceu com as igrejas da Imaculada Conceição, em Antônio Olinto e a de São Miguel Arcanjo, em Mallet. Agora estamos trazendo a mesma perspectiva para São Mateus do Sul, neste projeto que em sua fase inicial conta com o apoio da Petrobrás através da Lei Rouanet.

A restauração da igreja de São José, em Água Branca, é motivo de orgulho não só para a cidade de São Mateus, mas para todo o Brasil, para as diversas tradições e culturas que compõe a nossa identidade, no sentido de que elas, todas, possam se beneficiar de políticas públicas e iniciativas que visem a preservação de sua memória.
Angelo Vanhoni

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Segundo a arquiteta Jussara Valentini, do Instituto Arquibrasil (ao centro na imagem acima), quando foi criado em 1935 o IPHAN tinha como foco prioritário o patrimônio histórico nacional mais antigo, como a arquitetura luso brasileira, as casas grandes e as senzalas, e só recentemente houve uma valorização maior da diversidade cultural do país, da presença dos imigrantes e, no caso do Paraná, da cultura eslava.

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A Igreja de São José, em Água Branca, é um dos maiores legados deixados pelos imigrantes poloneses a partir dos anos de 1890 e 1892. Projetada em forma de cruz e concluída no ano de 1900, toda a madeira utilizada na construção foi serrada e sepilhada manualmente. Nas laterais existem 4 altares, todos trabalhados em madeira. Por sobre o altar principal, vê-se uma inscrição em polonês: “Wr. 1900 Jezus Chrystus, Bóg-Czlowiek zyje, króluje, panuje”. Traduzindo: “Desde o ano de 1900 Jesus Cristo, Deus-Homem vive, reina, impera”. A pintura interna foi feita em 1923 por Ewaldo Ducat, de Irati. Os quadros da via sacra e dos santos vieram da Polônia e da Bélgica. Localiza-se na Colônia de Água Branca, distante da sede do município aproximadamente 14 km.

Os primeiros imigrantes poloneses passaram por dificuldades quando chegaram ao Brasil. Vieram em grande parte contratados pelas autoridades do império, que prometiam alguns benefícios, mas, com o advento da república eles ficaram abandonados à propria sorte. As primeiras levas desembarcaram em 1841, no Espírito Santo, e este processo se estendeu por mais de um século. Estima-se que aproximadamente 600.000 poloneses tenham vindo para o Brasil; 60% dos quais estabeleceram-se no Paraná. Fundaram as cidades de Mallet, Castro, Ponta Grossa, Cruz Machado, São Mateus do Sul, Irati, Apucarana e União da Vitória, entre outras. Muitos descendentes falam o idioma polonês como língua materna. Curitiba é a segunda cidade fora da Polônia com o maior número de habitantes de origem polonesa.

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Fotografia: Gilson Camargo

plano nacional de educação – metas com maior concentração de emendas

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Na sessão desta quarta feira, 03/08/2011, da Comissão Especial do Plano Nacional de Educação na Câmara Federal, a primeira após o recesso parlamentar, o deputado Angelo Vanhoni, relator do projeto, apresentou a primeira nota técnica sobre as emendas ao PNE. Foram 2.906 emendas encaminhadas por 14 partidos. Entre as que mais receberam emendas estão a meta 1, que trata da educação infantil, com 253 emendas, a meta 20, que trata do financiamento, com 216, a meta 12, que trata do acesso ao ensino superior, com 212, e a meta 7, que trata do Ideb, com 205 emendas ao texto.

A maioria das emendas estão concentradas nos temas referentes à educação especial, educação de jovens e adultos, educação profissional, gestão democrática, avaliação e qualidade da educação, a questão do Ideb, a valorização dos profissionais e por fim o financiamento da educação que recebe um conjunto de emendas, todas propondo a elevação da dotação orçamentária a 10% do PIB.

link para a íntegra dos vídeos das sessões da Comissão Especial do PNE na Câmara Federal
link para a íntegra das emendas ao PNE na página da Câmara Federal

Ouvimos o professor Angelo Ricardo de Souza, doutor em Políticas Educacionais e membro do Núcleo de Pesquisa em Políticas Educacionais da Universidade Federal do Paraná, a respeito dos pontos mais polêmicos nesta primeira avalição das emendas ao PNE.

Blog Vanhoni – Qual o cenário de debates que se desenha nesta primeira avaliação das quase 3 mil emendas encaminhadas ao PNE?

Angelo Souza – Olhando para o conjuto de emendas ao PNE podemos observar os 6 pontos mais tensos no plano, onde a disputa está mais acirrada, tomando por base também o que a gente tem ouvido nas audiências públicas.

1- A primeira delas tem a ver com a educação especial. As posições aí estão divididas em três lados. Tem a proposta do governo, que é a de manter a política atual para a educação especial coordenada pelo poder público, porém, com participação da sociedade civil organizada via instituições como as Apaes. Ou seja, a idéia do governo é manter a política de convênio, mas trazer uma maior participação pública.

De outro lado tem a Federação das Apaes. Estas instituições são contrárias à participação do Estado, defendem a idéia de que o Estado seja financiador, porém, quem detém o conhecimento sobre a educação especial são as Apaes. E tem ainda um outro movimento da sociedade civil que defende uma estatização do sistema, que é de progressivamente ir diminuindo os repasses e canalizar estes recursos para a construção de escolas públicas para alunos especiais.

Juntamente com esta polêmica se inscreve também a questão da educação para surdos. Existe uma proposta de criar uma meta específica para a educação dos surdos. Eles pleiteam, adequadamente, que apesar de não terem a língua portuguesa como primeira língua, eles podem, afora isso, ter uma aula absolutamente normal, desde que haja um tradutor para libras e por isso querem escolas e turmas especiais para surdos. O fato de eles não falarem português gera uma outra categoria no ensino que é a cultura linguística dos surdos.

2- O Segundo ponto tem a ver com a meta 7, vinculada à qualidade de ensino e avaliação. Ela na verdade é uma meta de avaliação e não uma meta sobre qualidade, pois apenas traduz a noção de indicadores avaliativos como conquista de qualidade. Aqui temos o governo federal somado ao empresariado em geral, ao Conselho dos Secretários de Educação, à Undime, ao Movimento Todos pela Educação, Instituto Ayrton Senna, enfim, este segmento.

De outro lado você tem a Campanha Nacional pelo Direito à Educação e muito mais especialmente a ANPEd, que é a entidade mais representativa da produção de conhecimento em educação no Brasil. A ANPEd inclusive radicalizou e propôs uma emenda de exclusão dessa meta, uma emenda supressiva, porque entende que a noção de qualidade, tem que ser traduzida na idéia de condição de qualidade e ela está lá na valorização profissional, na condição de acesso, na incorporação da educação especial, na ampliação do ensino superior, etc…

Eu avalio que vai ser muito difícil alterar substancialmente esta meta, mas é possivel melhorar o texto. Tem deputado que é favoravel ao IdeB e todas estas métricas avaliativas, porém, no corpo do texto da meta 7 há uma tabela com os números do IdeB. Isto não pode acontecer porque o IdeB não é uma política de estado, é uma política de governo e que, a depender do governante, pode desaparecer. Então, nesse sentido é possivel que o texto da meta se modifique.

Eu tenho impressão que vai ter alteração para melhorar o texto, mas não haverá alteração da substância da meta. Depende, isto está em disputa. Nós temos uma audiência pública programada para agosto que é justamente para discutir isso.

3- O terceiro ponto tem a ver com a educação profissional, que é a meta 11. De um lado tem o Sistema S e os empresários, de outro o governo federal e um terceiro grupo que é a ANPED e a Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

O MEC já reconheceu a fragilidade da Meta 11, que propõe apenas dobrar o número de vagas existentes, mas basta manter a política atual que isso já vai acontecer antes dos dez anos. A meta é portanto muito singela e deverá ser revista para cima.

Temos, de um lado o Sistema S e os empresários que pensam a educação profissional de uma maneira bastante instrumental para o mercado de trabalho e emprego, mas que tem expertise e portanto um conhecimento acumulado com uma prática eficiente na formação técnico profissional e que é financiado com recurso público. De outro lado tem entidades defendendo uma diminuição de repasse de recursos para o sistema S. O Ministério já comprou essa briga há 4 anos atrás e perdeu. São mais de 10 bilhões de reais que o governo federal manda para o Sistema S. É um sistema muito eficiente, mas muito caro. O que ele dá de retorno é muito pouco perto do que ele recebe. Talvez o estado poderia fazer melhor. Mas eu avalio que isso vai se manter mais ou menos como está hoje. A saída aqui vai ser o Pronatec. O financiamento público de demanda dentro do segmento privado, como é o ProUni, com uma ampliação da oferta pública via Institutos Federais de Educação Tecnológica, escolas estaduais profissionalizantes, etc…

4- Um quarto aspecto de polêmica e o que mais envolve recursos é o ensino superior, que é o grande “business” da educação.

Temos aí toda a gama de empresários que investem em educação, além do segmento da sociedade que historicamente se organizou no ensino superior, como a Fundação Getulio Vargas, a Cesgranrio e as confessionais: os Católicos, Presbiterianos, Luteranos, etc… alguns representantes deste setor tem por objetivo reduzir as metas em seu favor. Por exemplo: Tem uma disposição no texto do PNE que é para os centros universitários privados. Eles querem alterar o texto da meta 13, que diz assim: “elevar a qualidade da educação superior pela ampliação de atuação de mestres e doutores nas instituições de educação superior”, que portanto serve para faculdades isoladas, centros universitários e universidades, “para 75% no minimo do corpo docente em efetivo exercício e do total, pelo menos 35% de doutores.” Eles estão propondo uma alteração do texto para manter esta regra somente para as universidades e reduzí-la drasticamente para os centros universitários e faculdades isoladas, que é onde eles ganham mais dinheiro. Por isso estão pressionando neste ponto e nas estratégias pelo afrouxamento da regulação.

O MEC está apostando na idéia de que vale a pena uma regulação sobre o sistema privado. Já as instituições privadas querem diminuir a regulação e ampliar a participação do financiamento público nas suas instituições, não por demanda, mas por oferta. Ou seja, se uma universidade tem 30 alunos em sala de aula e 40 cadeiras, o estado paga as outras 10 e trata de arrumar os alunos que faltam.

5- O quinto ponto é a meta 20, que é o ponto mais complexo. A questão do financiamento. Todas as 41 emendas querem ampliar o índice orçamentário para 10% do PIB. Significa dobrar o investimento público em 10 anos. Isto é possivel? O governo federal diz que não. Tem divergências entre os próprios deputados que defendem os 10%. Este aumento de investimento pode ajudar desde que melhore a sua gestão. A questão não é só a de investir mais, porém de investir melhor. O governo federal certamente vai cumprir com os 7%. Talvez consigamos até mais 1.5% em negociação. Para cima disso, só com recurso estadual e municipal. Na minha visão acho possível chegarmos até no máximo 8.5%.

6- Não existe uma meta específica sobre gestão democrática, a meta 19 do plano fala da forma de escolha de diretores de escola. Ela tem uma positividade, que é de ao cabo, em 10 anos o Brasil não ter mais esta figura arcaica, patrimonialista, que é a de indicação política para os cargos de direção das nossas escolas.

Não tem nenhuma emenda defendendo a indicação. Há um consenso construído de que a indicação política para estes cargos é ruim. Mas tem dois grupos, de um lado MEC o Consed, a mídia, os empresários que atuam na educação, as instituições como Todos Pela Educação e o Instituto Ayrton Senna, que defendem que o sujeito para ser dirigente escolar tem que ter avaliação de mérito e tem que provar domínio técnico da função.

O texto da meta diz que a escolha dos dirigentes deve passar por avaliação de mérito e pela participação da comunidade, que é a eleição. Um modelo misto do que já existe, na verdade. As emendas sugerem outra coisa. Ou só concurso público ou o contrário, suprimir a avaliação de mérito e manter apenas o aspecto eletivo.




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