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cultura popular – entrevista com itaercio rocha – curitiba/pr

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Itaercio Rocha, músico, bonequeiro, carnavalesco e saci dos Garibaldis, nasceu em Humberto de Campos (MA), cidade que possui o maior bumba-meu-boi do Brasil. Foi sempre um estudioso das manifestações populares brasileiras e morou nas cidades de Olinda (PE), São Luis (MA), Campo Grande (MS), Rio de Janeiro e Maringá (PR) antes de se estabelecer em Curitiba a partir de 1996. Através de sua atividade artística e iniciativa, fomentou na cidade de Curitiba um bloco pré carnavalesco de grande expressão, que hoje reúne milhares de pessoas em suas apresentações no Largo da Ordem. Itaércio é presidente da Associação dos Amigos do Garibaldis & Sacis e nos concedeu essa entrevista em sua residência, neste sábado, 11/02, véspera da última apresentação do bloco no pré carnaval de 2012.

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Blog Vanhoni: Onde você nasceu e qual foi a sua trajetória antes de chegar em Curitiba?

Itaercio Rocha: Na verdade eu já tenho muito mais tempo de Paraná do que o resto da minha vida nos outros lugares. Eu me sinto mais paranaense, mas guardo a referência da minha infância e adolescência no Maranhão, em São José do Ribamar. Eu visitei no ano passado a vila onde nasci; Pedras, no município de Humberto de Campos, no Maranhão, onde só se chega de barco. Não tem luz elétrica nem água encanada. Construíram, ano passado, um posto médico para atender os casos mais sérios. Meu pai, minha mãe e meus irmãos nasceram lá. Depois a gente se mudou para São José de Ribamar, onde morreu meu pai, depois minha mãe, e eu fui para o Rio de Janeiro morar com meus tios. Em 1975 mudei para Campo Grande e em 1977 voltei para o Maranhão. Desta vez fui morar na capital, em São Luis, até 1982. Sempre fui apaixonado por São Luís e vivi intensamente esta cidade. Apaixonado de querer beijar as pedras!

Blog Vanhoni: E o teu interesse pela cultura popular, de onde vem?

Itaercio Rocha: Eu não tenho outro viés, não tenho outro caminho. Meu pai era músico de bumba boi, tocava cordas e era músico prático no interior do interior do Brasil, para acompanhar ladaínha, para acompanhar procissão, acompanhar bumba boi. Minha avó botava uma brincadeira de bumba boi, minha mãe botava pastoril. O meu entendimento estético é bumba boi e carnaval na veia.

Sempre tive o desejo de ser artista e trabalhar com arte educação. Com 12 anos cantei num festival no interior do Maranhão e depois fui cantar na capital. Eu fazia teatro na escola, acompanhava todas as atividades artísticas da minha mãe nas Festas de Nossa Senhora, na Festa de São Sebastião e na Festa de São Pedro, que ela trabalhava. Minha mãe visitava todas as festas de terreiro da cidade, as festas de Tambor de Minas, e as festas do Divino Espírito Santo. Ela era uma grande diretora de cena.

Quando saí do Maranhão, em 1982, morei 11 meses em Olinda e fui fazer teatro de bonecos lá. Fui estudar frevo, capoeira, caboclinho, mas eu já fazia bonecos no Maranhão. Lembro de ter assistido a dois espetáculos que me influenciaram muito. Um deles era chamado “Tempo de Espera” do Aldo Leites, que fez muito sucesso no Brasil e na Europa, e o outro se chamava “Cavaleiro do Destino”, que tinha bonecos gigantes, bonecos de vara. Eu me apaixonei e disse para mim mesmo: “é isso que eu quero fazer!”. Era um espetáculo todo na linguagem popular. Eu caí de cabeça nessa coisa de teatro de bonecos, que ligava teatro, dança e música, especialmente embasado na cultura popular do Maranhão daquela época. De lá para cá todo o tempo que eu moro na capital eu faço isso. Quando vou à Olinda vou fazer isso, no Paraná faço isso, volto pro Rio e faço isso.

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Blog Vanhoni: Como foi o início do bloco Garibaldis & Sacis e qual é o seu repertório atual?

Itaercio Rocha: Quando começamos o repertório surgiu das marchinhas de carnaval. Na verdade iniciou com as rodas de cacuriá que eu fazia no Largo da Ordem desde que cheguei em Curitiba, em 1984. Eu tinha um caso de amor pro lado de cá, era bonequeiro e a gente fazia umas rodas de cacuriá no Largo da Ordem. Em 1992 voltei para Maringá e fui depois morar no Rio de Janeiro, mas continuei frequentando Curitiba. Em 1996 vim morar aqui definitivamente, período em que cursei a FAP. Naquela época eu ouvi num programa de rádio alguém falar que o carnaval de Curitiba não era legal, algo como “parece que Curitiba não tem batuque”. Eu fiquei indignado. É impossível que se fale assim do carnaval de uma cidade no Brasil! Eu já tinha ido a terreiros de candomblé na cidade, frequentado o carnaval de Curitiba e percebido coisas incríveis. O desfile de rua aqui é aberto por um grupo de afoxé! Eu achei isso tão legal e ao mesmo tempo surreal. Isso é tão afro, tão bacana de se fazer, e acontece aqui em Curitiba! O carnaval do Rio não abre com um grupo de afoxé. O afoxé passa sem comenda, ele passa para abrir, ele vem limpando, consagrando o espaço onde vai acontecer o desfile. Eu achei isso muito bom.

Em 1998, quando morava no São Lourenço, liguei para alguns amigos e disse assim: Nós vamos fazer um grito de carnaval aqui em casa. A gente precisa fazer alguma coisa. Acho que até hoje ainda tem confete naquela casa. Na ocasião veio um pessoal do teatro de bonecos, a Olga Romero e alguns amigos da FAP, dentre eles o Ariosvaldo, que é o compositor do hino do bloco, e a Iara, e a gente começou a pensar ali em como arquitetar uma preparação para o carnaval. Eu fiquei pensando: se as pessoas falam que o carnaval não é legal é porque não tem uma preparação. O pessoal diz por aí que carnaval é uma coisa espontânea. Mas nada do humano é espontâneo. Não é como uma semente que o vento levou e ela nasceu em outro lugar sem a interferência de ninguém. O carnaval é um produto construído, elaborado, ensaiado. As pessoas se convocam, elas pensam a música, pensam a fantasia; é uma organização. Eu li em alguns livros um tanto sérios que dizem que o carnaval não é apenas uma inversão da condição social, ou de “status”, do não trabalho ou da folga. É como o Baktin coloca: “um espaço do grotesco e do popular para vencer o medo, o medo do feio e do triste do poder”.

Então voltando ao repertório, a gente gostava de cantar as marchinhas antigas, e fomos pesquisando. Queríamos cantar as marchinhas inteiras, não só o refrão, nós tinhamos o sentido de resgatar estas letras. Mas, sempre no final a cantoria inspirava uma roda de coco, ciranda ou cacuriá. Aos poucos foi vindo o afoxé e fomos incorporando também canções populares. A gente está cantando “Gralha Azul” do professor Inami Custódio Pinto e temos feito canções como “Flor do Cafezal”. Um outro detalhe é que a gente foi compondo especialmente para o bloco, não só marchinhas como funks, o que dá uma sonoridade completamente curitibana. Tem marchinhas e canções de compositores daqui, tanto que ano passado e neste ano a gente teve um concurso de marchinhas. Amanhã vamos declarar as vencedoras! Tem na internet, no facebook do Garibaldis & Sacis, o edital para o concurso.

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Público presente em 12/02/2012, última saída do bloco no pré carnaval deste ano, no Largo da Ordem.

Blog Vanhoni: Quem participa do Garibaldis & Sacis e quantas pessoas as apresentações tem reunido?

Itaercio Rocha: São profissionais de diversas áreas. Da iluminação, da música, das artes, da arquitetura. Tem professores, artistas e todos aqueles que acharam um jeito de uma vez por ano fazer uma atividade para gozo próprio. Isso já acontece há 13 anos.

No segundo encontro este ano, aqui em Curitiba, tinha mais de 20 mil pessoas no Largo da Ordem. Ano passado já tinha umas 15 mil pessoas ou mais. Pouca gente sabe que já há 10 anos a gente faz também o “Arraial da Anita” que é uma extensão do grupo. É uma festa junina fora de época, que começa em julho e agosto. Fazemos também o “Sarau do Saci” em setembro e outubro, que é uma coisa mais lírica, com contos de fadas e literatura, e agora temos o desejo de fazer um evento na semana santa e outro no natal.

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Itaercio, Melina Mulazani e Gerson Guerra, puxando o Garibaldis e Sacis na tarde de ontem, 12/02.

Blog Vanhoni: Quais são os próximos desafios para o grupo?

Itaercio Rocha: Precisamos nos organizar internamente para planejar as ações de forma ainda mais adequada. Para isso criamos no ano passado a Associação dos Amigos do Garibaldis & Sacis. Porque precisamos de patrocínio e financiamento, mas, acima de tudo a gente precisa proteger a cidade, proteger o folião, abrir um campo de conversa entre todos os poderes, entre o povo da Saúde, o povo da Cultura… a imprensa tem que assumir sua parte, a policia tem que assumir a sua parte. É um fato novo na cidade, gerador de novos conhecimentos. Precisamos ter a guarda abaixada e poder dialogar com todos, vivemos um momento de compartilhar as responsabilidades porque esta festa diz respeito a todos nós. Não se trata apenas de uma questão de policiamento ou segurança, mas da possibilidade de expressão da arte e da cultura em nossa cidade.

Blog Vanhoni: Amanhã a apresentação do bloco tem um sentido especial. Em função do episódio de violência policial ocorrido na semana passada, o grupo pediu aos foliões que se vistam de branco em sinal de paz. Como você está vendo isso tudo?

Itaercio Rocha: Olha, essa semana muita gente me perguntou isso. Vai ter, nao vai ter? Tá confirmado, não tá confirmado? Como vai ser? A gente nunca sabe, sempre dá um friozinho na barriga. E se o som não funcionar? Meu deus do céu, o dinheiro não vai dar pra pagar as contas! As camisetas que a gente não conseguiu vender esse ano vão ficar encalhadas? E se o surdo furar, se alguém faltar, se a bateria não chegar na hora? Porque é tudo tão frágil… a gente foi crescendo, crescendo, mas tem uma precariedade no fundo disso tudo, e aí a gente olha pra trás e pensa: poxa, está ótimo, antes era no gogó! Depois passou a ter um megafone que a pilha não dava até a metade do desfile e aí era no gogó de novo. A gente depois colocou um pequeno sistema de som com uma corneta, que era o que dava com o dinheiro que a gente tinha pra comprar, mas aquilo queimava trepidando em cima de um carrinho de supermercado. Dois anos depois veio uma Kombi que sempre deixava a gente na mão no meio da história. Esse ano estamos um pouco melhor, mas não temos ainda a aparelhagem que achamos necessária. Eu acredito que o desejo da gente de se livrar desta carga, de limpar o espírito, de lavar aquelas pedras do Largo da Ordem com alegria é muito grande e a aceitação da comunidade curitibana foi uma resposta muito imediata, muito precisa, que me deixou emocionado.

A coisa está dando certo porque existe um desejo latente de provar que nós somos a cidade sorriso. Nós não somos sisudos. A partir deste evento não tem mais o que discutir! Não cabe mais a pergunta se a gente tem carnaval ou não. Nós somos humanos como qualquer um, somos europeus como qualquer um pode ser, somos coloridos como o Brasil inteiro e gostamos de um balanço, adoramos uma música e adoramos cantar marchinhas.

Porque o que ficou em risco não é o Garibaldis & Sacis, é a prática da cultura! O que está em jogo, na verdade, é como é que a gente vai fazer arte nessa cidade? Como é que os artistas vão ser tratados? Como é que os eventos culturais vão ser tratados? Por que é que alguns eventos culturais são bem tratados e outros nem tanto? Qual é o espaço da cultura popular dentro da cidade? Por que é que tem que ser pensado como algo de fora? Por que é que tem que ser pensado sempre como algo novo, como se não existisse nada antes… Itaercio Rocha, 11/02/2012

Fotos: Gilson Camargo

entrevista com angelo vanhoni – gazeta do povo/pr, 03/01/12

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“Continuo com a mesma visão: humanizar Curitiba, fazer dela uma cidade preocupada com as pessoas. E continuo com o mesmo diagnóstico porque o modo de governar a cidade continua igual”. Foto: Henry Milleo

Entrevista concedida à jornalista Caroline Olinda, publicada na Gazeta do Povo/PR, em 03/01/12

Ao ser informado de que a entrevista trataria da eleição para a prefeitura de Curitiba, o deputado federal Angelo Vanhoni (PT) hesitou. Relator do Plano Nacional de Educação na Câmara dos Deputados, disse que ainda estava muito envolvido com o projeto e a cabeça longe das discussões locais. Depois de alguma insistência da reportagem, aceitou falar.

Vanhoni mostrou que não está disposto a entrar numa briga interna para defender uma candidatura própria do PT. “Nenhuma candidatura pode ser obstáculo para a possibilidade de uma aliança. Mesmo porque eu acredito que todos os aliados têm propostas semelhantes”, disse.

Angelo Vanhoni (PT/PR) cumpre o segundo mandato como deputado federal, nasceu em Paranaguá em 1955 e foi candidato à prefeitura de Curitiba em 1996, 2000 e 2004. Nas duas últimas, chegou a disputar o segundo turno.

Integrante da ala majoritária do PT, o parlamentar foi lançado como pré-candidato em julho, depois que o deputado federal Dr. Rosinha e o deputado estadual Tadeu Veneri – das alas mais à esquerda – expuseram a vontade de disputar a prefeitura.

O PT quer só um candidato da base da presidente Dilma Rous­­­seff em cada capital. Como isso afeta Curitiba?
Antes de conversar sobre união, nós temos de expressar para a cidade um conjunto de propostas, ter um programa para Curitiba. O nosso partido acumulou uma visão da cidade e os seus principais problemas. Trataremos de precisar um diagnóstico sobre a cidade e as iniciativas que precisam ser tomadas.

A sua candidatura é irrevogável?

Nenhuma candidatura pode ser obstáculo para a possibilidade de uma aliança. Podemos conversar para ter uma unidade. Mesmo porque eu acredito que todos os aliados têm propostas semelhantes.

O senhor, então, não descarta a possibilidade de uma aliança?
Os partidos que têm proposta em comum podem discutir sobre a possibilidade de estarem juntos. Caso isso não aconteça, cada um se coloca e conversamos no segundo turno.

Quais lições o senhor aprendeu das três vezes que disputou a prefeitura de Curitiba?
Aprendi muito, a respeito de tudo. Cada campanha teve um momento. Em 1996 era uma candidatura frágil, em 2000 perdemos por um conjunto de fatores. Mas continuo com a mesma visão: humanizar Curitiba, fazer dela uma cidade preocupada com as pessoas. Em 1996, [o tema foi] Humana Curitiba. Na segunda eleição, o mesmo tema: A cidade quer ser gente. E continuo com o mesmo diagnóstico, porque o modo de governar a cidade continua igual.

Curitiba é uma cidade marcada por inovações, o senhor pensa em alguma inovação para a cidade?
Resgatar a energia intelectual que a cidade perdeu. Seja do ponto de vista social, seja da perspectiva da força urbana. Quero que a cidade se renove e inove fazendo uma relação com o seus valores.

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exposição inaugural do museu de periferia do sítio cercado (mupe) – curitiba/pr

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Dentre os objetos que compõem a mostra estão utensílios e ferramentas utilizadas pelos moradores durante o período das ocupações irregulares nas décadas de 1980 e 90.

O Museu de Periferia do Sítio Cercado (MUPE) realizou sua exposição inaugural, intitulada “Memória e Sonhos do Sítio Cercado”, na última sexta feira, 16/12. A sede do museu fica na rua Francisco José Lobo, 213, no Xapinhal, em espaço compartilhado com a Associação de Moradores Nossa Senhora da Luta. A mostra estará aberta a visitação até o dia 23 de dezembro. Após este período as visitas podem ser agendadas para 2012. O MUPE conta com a consultoria técnica do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) através do Programa Pontos de Memória, do Ministério da Cultura.

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O artista plástico Claudinei Silvestre Pereira, residente no Bairro Novo e membro da Associação Família e Solidariedade, grafitou o muro do museu durante a abertura da exposição.

O processo de instalação do museu, que contou com o apoio do mandato do deputado Angelo Vanhoni, teve inicio em março de 2009 através de um intercâmbio entre integrantes do Museu da Maré e do (MUF) Museu de Favela (RJ) com moradores do Xapinhal, no Sítio Cercado, Curitiba. Após este contato a comunidade se organizou para solicitar as oficinas de museologia do IBRAM que ocorreram durante os anos de 2009 a 2011. O primeiro conselho gestor da entidade foi constituído em 22 de maio de 2010 com a presença dos consultores do IBRAM e de diversas lideranças comunitárias. A Assembléia de Fundação do Museu de Periferia do Sítio Cercado ocorreu na sede da Prefeitura Regional do Bairro Novo, no dia 15/04/2011.

Neste período o MUPE vem organizando ações de sensibilização para a memória viva do Sítio Cercado em escolas públicas, a exemplo do projeto “Como você vê o seu bairro?” realizado em parceria com a Escola Guilherme Lacerda Braga Sobrinho (CAIC), e também através dos diversos “Cafés da Memória“, identificando moradores antigos e reunindo as comunidades em torno do resgate de seus relatos da construção do bairro de maior adensamento populacional da cidade.

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Na imagem, da direita para a esquerda: Inês Gouveia, consultora do IBRAM, Marcelo Rocha, coordenador do MUPE, Palmira de Oliveira, conselheira e coordenadora do MUPE, José Paiva, fotógrafo, e Marcelo Vieira, cenógrafo. A abertura da exposição contou ainda com a apresentação artística do grupo de dança Ka-Naombo, da Associação Cultural de Negritude e Ação Popular (ACNAP).

Após um longo período de pesquisa e identificação de acervos documentais e fotográficos existentes no bairro, a montagem da exposição “Memórias e Sonhos do Sítio Cercado” foi concebida pelos integrantes do museu durante a oficina de expografia ministrada pelo artista plástico e cenógrafo carioca Marcelo Vieira, um dos pioneiros da museologia social no Brasil, Vieira realizou também a cenografia da primeira exposição do Museu da Maré no Rio de Janeiro, inaugurado em 2006.

A mostra conta com três momentos em sua dramaturgia: O periodo de formação do bairro, desde os primeiros moradores até os imigrantes pioneiros, as ocupações de terra a partir da década de 80 e a luta social por moradia, e o bairro nos dias de hoje, com seus avanços em infraestrutura e os diversos problemas decorrentes do grande adensamento populacional e dos altos índices de violência.

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O nome do atual bairro Sítio Cercado encontra a sua origem no passado de um sítio de 175 alqueires com o mesmo nome. Cercado pelas águas dos arroios do Padilha, Cercado e Boa Vista. O seu proprietário era o Sr. Laurindo Ferreira da Cruz, nascido em 1862, e casado com Maria Pereira de Andrade. Com a morte do Sr. Laurindo em 1932, o sítio foi dividido entre os seus 3 filhos: Júlia, Sezinando e Isaac. Isaac ficou com a casa paterna e a área de frente do sítio hoje formada pela vilas Rio Negro e Santa Celeste. Isaac casou-se com dona Magdalena Claudino da Cruz que lhe deu 3 filhos: Deusita, Eurides e Isaíde. Em 1947, após a morte precoce de sua filha Isaíde, o Sr Isaac abandonou o sítio e se mudou para o Pinheirinho. O sítio foi entregue aos cuidados de seu agregado José Gonçalves e sua esposa Ana. A partir de 1953 o Sr. Isaac, que já havia vendido 10 alqueires de terra, vende o restante da herança e o antigo sítio passa a ser dividido em loteamentos.

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É a partir dos anos 70, forçadas pelo êxodo rural, que milhares de famílias vindo inicialmente de Santa Catarina, depois do Norte do Paraná, vão ocupando os novos loteamentos. Nesta época surgem os loteamentos da Vila Americana (1968), Vila Nossa Senhora de Lourdes, Santa Joana, Jardim Tranquilo, Jardim Irati (1974), e outros. Mais tarde em 1978, a Vila Nova Aurora. Em 1985, a partir das desapropriações feitas pela prefeitura municipal para assentamento de famílias surgem as moradias Olinda e Del Rey. Em 1987, esta parte do Sítio Cercado contava com mais de 6.000 famílias ou aproximadamente 24.000 pessoas.

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Xapinhal, durante a ocupação em 1988 – acervo MUPE.

A grande explosão demográfica do bairro, no entanto, começou a acontecer a partir da década de 1980. Um dos marcos deste período é a ocupação do Xapinhal, palco do maior movimento social por moradia em região urbana da história brasileira. Em outubro de 1988, ocorreu a ocupação da área conhecida por Xapinhal, fruto de um trabalho organizado por 16 entidades comunitárias dos bairros Xaxim, Pinheirinho, Sítio Cercado e Alto Boqueirão. O movimento levou dois anos para se concretizar; teve início em 1986, e seu objetivo central era resolver o problema de moradia para a população desses bairros.

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O momento da conjuntura política e econômica nacional era o do início dos planos econômicos. O Plano Cruzado, criado em fevereiro de 1986, começou a desmoronar no final desse mesmo ano e início de 1987: os preços, inclusive dos aluguéis, descongelaram e os salários não acompanharam o ritmo, sofrendo perdas. Em junho de 1987, foi substituído pelo Plano Bresser, que registrou uma inflação inicial de 3,05% em julho de 1987, mas terminou, em janeiro de 1989, com a inflação na casa de 37%.

Diante desse quadro de desesperança, em 1988, ocorreu a primeira ocupação numa área particular, denominada Sítio Cercado. Nessa ocupação, os números finais apontaram a participação de 16 associações de moradores, 3.200 famílias e mais de 10 mil pessoas.

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Xapinhal 1988 – acervo MUPE.

O afluxo de famílias para a área atingiu uma dimensão tal que extrapolou em muito as expectativas daqueles que se prepararam longamente para o acontecimento. No total, foram oito levas de ocupação, chegando a ocupar a totalidade da área de 441.000 m2. Outras áreas do bairro foram ocupadas de forma semelhante na década de 90, dentre elas, a Vila 23 de Agosto e o Campo Serrado.

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Os Pontos de Memória têm por concepção reconstruir e fortalecer a memória social e coletiva de comunidades, a partir do cidadão e de suas origens, histórias e valores. Com metodologia participativa e dialógica, trabalham a memória de forma viva e dinâmica, como ferramenta de transformação social. Em estágio pleno de desenvolvimento, os Pontos de Memória são capazes de promover a melhoria da qualidade de vida da população e fortalecer as tradições locais e os laços de pertencimento, além de impulsionar o turismo e a economia local, contribuindo positivamente na redução da pobreza e violência.

Também são considerados espaços de referência nos territórios, por estarem associados a locais de riqueza histórica e cultural. Além disso, os pontos valorizam o protagonismo popular e concebem o museu como instrumento de mudança social e desenvolvimento sustentável. Ademais, entendem a memória como resultado de interações sociais e processos comunicacionais, os quais elegem aspectos do passado de acordo com as identidades e interesses dos componentes do grupo. Ainda por considerarem o patrimônio cultural como um processo social afirmativo de identidade coletiva e cidadania.

No momento estão em desenvolvimento 12 Pontos de Memória, situados em comunidades populares nas seguintes cidades: Belém/PA (Comunidade de Terra Firme); Belo Horizonte/MG (Comunidade do Taquaril); Brasília/DF (Comunidade da Estrutural); Curitiba/PR (Comunidade do Sítio Cercado); Fortaleza/CE (Comunidade Grande Bom Jardim); Maceió (Comunidade do Jacintinho); Porto Alegre/RS (Comunidade da Lomba do Pinheiro); Recife/PE (Comunidade do Coque); Rio de Janeiro/RJ (Comunidades do Pavão-Pavãozinho-Cantagalo); São Paulo/SP (Comunidade da Brasilândia); Salvador/BA (Comunidade do Beiru) e Vitória/ES (Comunidade do São Pedro).

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Contato para agendamento de visitas:
MUPE – Rua Francisco José Lobo, 213. Xapinhal, Curitiba, PR
- Telefone (41) 9678 1380

- email: museudeperiferia.mupe@gmail.com
- blog: mupesitiocercado.blogspot.com

Fotos: Gilson Camargo

encontro com a militância petista – análise de conjuntura para as eleições municipais 2012 – curitiba/pr

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A corrente interna do Partido dos Trabalhadores, Construindo um Novo Brasil, se reuniu neste sábado, 17/12 para fazer uma análise da conjuntura política para o pleito de 2012. Um dos assuntos da pauta, além do diagnóstico dos municípios onde há perspectivas de vitória do partido no Paraná, foi o encaminhamento da proposta da política de alianças para as eleições municipais do ano que vem. Segundo a presidente do PT de Curitiba, Roseli Isidoro, o encontro de sábado teve por objetivo abrir esta discussão na ala majoritária do partido, contudo, as definições e decisões finais sobre o rumo que o PT adotará ano que vem no tocante às eleições majoritária e proporcional serão definidas oficialmente apenas no encontro municipal que ocorrerá em abril de 2012.

Estiveram presentes ao debate os ministros Paulo Bernardo e Gleisi Hoffmann, o deputado federal Angelo Vanhoni, o deputado estadual Péricles de Mello, o prefeito de Pinhais, Luizão Goulart e vereadores das cidades de Curitiba, Pinhais e São José dos Pinhais.

O ministro Paulo Bernardo, ao discursar sobre a conjuntura nacional, salientou o desempenho da presidente Dilma, que alcançou aprovação de 72% na última pesquisa, índice recorde para um primeiro ano de mandato. Dilma conseguiu dar continuidade aos principais programas do governo Lula e enfrentou a crise internacional que vem abalando diversos países da Europa, com crescimento econômico e resgate social.

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Eu considero que este primeiro ano em que a presidente Dilma excerceu o governo foi um primeiro ano vitorioso. Nós tivemos em 2010 uma situação quase apoteótica. O presidente Lula saiu como o presidente mais bem avaliado da história deste país, fizemos uma belíssima campanha com uma candidata que dois anos antes era desconhecida, nunca tinha pedido voto e nunca tinha disputado uma eleição. Foi uma excelente candidata e se saiu muito bem. Foi eleita e assumiu para substituir uma pessoa que saiu do governo com 87% de aprovação. É evidente que a presidenta Dilma entrou já com uma sombra. Será que ela vai conseguir fazer como ele? Será que vai ter a mesma sensibilidade para olhar as questões sociais? Será que vai ter a mesma preocupação de fazer crescer e desenvolver o país?

Além disso nós entramos este ano com uma preocupação grande na área econômica. Por um lado, nós entramos com a inflação do crescimento. Isso é um problema enorme. Quando bate a inflação cria um problema para o governo, cria um problema para as empresas e normalmente a conta da inflação vai bater no assalariado que não tem como repassar para ninguém, que continua com o seu salário desvalorizado e vai ter que pagar as contas do supermercado e o aluguel com a inflação. Essa era uma preocupação grande e o governo adotou medidas fortes. Tivemos que contingenciar o orçamento, tivemos que mexer na nossa política fiscal, a política do Banco Central fez uma inflexão para olhar estas questões todas e acho que hoje podemos dizer que fomos vitoriosos nesta questão.

A outra preocupação na área economica, tão grande ou talvez maior do que essa é a questão da crise internacional. Esta crise vem desde 2007, atingiu um ponto muito alto nos Estados Unidos em 2008, nos afetou e causou milhares e milhares de demissões. Eu lembro que de dezembro para janeiro de 2009 nós tivemos quase 650 mil demissões, principalmente na indústria brasileira. O governo na época agiu forte e conseguimos nos recuperar. O ano passado crescemos 7,5%, mas a crise continua lá fora, e neste ano de 2011 ela continua forte, especialmente na Europa. A Europa tem uma moeda única, que é o euro, mas as condições de desenvolvimento nos paises são desiguais. Então os paises da periferia deste continente não estão aguentando os efeitos da crise. Divida altíssima e juros altos.

O Brasil sempre foi considerado campeão em taxas de juros. A Itália está pagando juro igual ao do Brasil sendo que nós devemos 37% do nosso PIB e a Itália deve 120% do PIB! Então você imagine que situação! A Grécia quase quebrou, a Espanha está com desemprego de 22% a 24%. A Itália está com grandes dificuldades e isso pressiona o conjunto da economia européia com um problema para nós também. A Europa, se considerarmos todos os paises, é o maior comprador do Brasil. As nossas exportações, consideradas em conjunto, tem a Europa como maior destino. Essa é uma crise muito difícil de resolver. Do nosso ponto de vista, no Brasil, temos que fazer a mesma política que fizemos em 2008, baixar juros, diminuir as amarras fiscais e liberar crédito para a economia.

Esta crise é o segundo grande desafio e, apesar de todos os problemas lá fora, nós vamos ter um crescimento na ordem de 3,5%. Não vai ser um ano exuberante como o ano passado, mas, nós vamos salvar o ano e com um detalhe: o desemprego não aumentou. Vamos nos manter na faixa de 5,9%, um índice historicamente muito baixo para o Brasil e com ganho salarial para muitas categorias.

Na área política o governo conseguiu aprovar projetos importantes no Congresso. Lançamos o Plano Brasil Sem Miséria. Foram beneficiadas mais de 400 mil famílias que viviam na miséria e que não tinham qualquer assistência por parte do Estado, que sequer eram identificadas, em municípios quase sem estrutura, onde a pessoa não faz cadastro, não consegue receber o Bolsa Família, não consegue ser atendido na rede do SUS, não consegue colocar as crianças na escola, então este programa está fazendo uma busca. Em vez da gente ficar esperando as pessoas procurarem o Estado, o Estado está procurando e identificando as famílias mais necessitadas.

O programa de habitação do governo federal Minha Casa Minha Vida é um sucesso e uma consagração total. Aqui no Paraná nós tinhamos reservado para o estado 44 mil habitações e fechamos o ano com 53 mil habitações sendo construídas.

Paulo Bernardo

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Um partido como o nosso, ao longo destes últimos 20 anos, foi consolidando a sua relação com o povo e os movimentos sociais em cima de suas teses, em cima de suas idéias. E nós tivemos êxito, nós estamos governando o país. Agora não são só as idéias do PT. As idéias do PT estão dentro das políticas de governo do Brasil!

Devemos olhar o quadro geral e apontar perspectivas de futuro para a cidade de Curitiba com vistas ao governo do Paraná, olhando a Região Metropolitana e o que vai acontecer em 2014. Não estamos em período de construção partidária ou apenas de marcar posição. Se é possivel a gente fazer uma ampla aliança com os partidos da base do governo, eu acho que a gente deve fazer e tentar definir esta eleição já no primeiro turno.

Angelo Vanhoni

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A gente está comemorando muito este final de ano com a presidenta Dilma. Ela está com 72% de aprovação, fato inédito para um governante em primeiro ano de mandato, e o governo com 56%! O pessoal pergunta aí fora. Como ela conseguiu isso? É muito simples. É por que as pessoas julgam pelo que elas sentem no dia a dia, pelo que elas vem de mudança em sua vida, e a vida do povo brasileiro melhorou. Com toda esta crise internacional nós não tivemos problema de emprego no país. Eu estava agora na prefeitura por conta da Hora da Copa. O governo federal está colocando 181 milhões de reais aqui para fazer obras de mobilidade urbana para a copa do mundo. Eu fui até lá. O prefeito ía assinar a ordem de serviço para fazer as licitações e estava falando que Curitiba tinha diminuido a miséria e a pobreza. O nível de desemprego aqui é menor que 5%! Deve ser 4,2%, ou 4,3%. Falta gente qualificada e preparada para trabalhar. Claro que tem os méritos locais, mas, com certeza, o que faz esta diferença é a gestão da macro economia.

Eu queria dar um depoimento que foi muito emocionante. Há duas semanas atrás nos visitou no Palácio do Planalto a Christine Lagarde, que é responsável pelo Fundo Monetário Internacional. Foi a primeira vez que alguém do Fundo Monetário Internacional visita o Brasil para pedir dinheiro para ajudar os outros países. Isto é histórico! Eu não achei que ia ver isso, porque a gente lembra daquela figura do FMI com a bolsinha vir aqui ditando regras do que a gente tinha que fazer. Nós tinhamos que cortar salários, tinhamos que cortar investimentos, acabar com os Programas e era isso que ia melhorar, e quando nós começamos a fazer o inverso do que o Fundo pregava é que nós melhoramos a situação do país. E a Europa está fazendo exatamente o que o Fundo está dizendo e vai ser muito difícil para os europeus sairem do buraco em que estão. Nós estamos nos dispondo, junto com outros países sul-americanos a ajudar o Fundo Monetário Internacional.

Quando as pessoas colocam que o Brasil está bem, que a presidenta está bem, estão falando disso. Esse vai ser um dos natais que nós vamos ter com o maior índice de compras. As pessoas estão com recursos, nós estamos conseguindo fazer a distribuição de renda. Ontem a ministra Teresa Campello fez um balanço do País Sem Miséria. Nós já conseguimos ultrapassar a meta de inclusão do Bolsa Família com a Busca Ativa. Um país com busca ativa não espera a pessoa que está com dificuldade vir buscar o Estado, ele vai atrás da pessoa. Nós incluímos 407 mil famílias. Isso é muito significativo! Nós vamos cumprir a meta da inclusão total das pessoas que estão na linha da miséria.

Em 2014 o Brasil não vai mais ter população miserável. São muito poucos os países do mundo que tem isso! O mundo está olhando o Brasil de forma diferente. Quando a presidenta vai na ONU fazer um pronunciamento e todo mundo assiste é por isso. Porque há um respeito internacional pelo Brasil! É por isso que a presidenta tem 72 % de aprovação e que o governo tem 56% de aprovação. É um orgulho para nós e um orgulho para o Partido dos Trabalhadores.

Gleisi Hoffmann

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pac 2 mobilidade – metrô de curitiba – dilma rousseff anuncia investimentos do governo federal

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A presidente Dilma Rousseff, o vice-governador do Paraná, Flávio Arns, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann e o governador do Paraná, Beto Richa, durante a solenidade realizada ontem (13/10) no Salão de Atos do Parque Barigui, em Curitiba.

A presidente Dilma Rousseff anunciou nesta quinta-feira a liberação de 1 bilhão de reais para a primeira fase das obras de implantação do metrô curitibano, prevista para 2016, e de R$ 750 milhões em financiamentos à prefeitura e ao governo do estado. A participação do governo federal com recursos a fundo perdido e empréstimos representa 77% do custo total da obra, orçada em 2,25 bilhões. Em seu discurso, Dilma ressaltou que a construção do metrô será fundamental para possibilitar a integração dos diferentes modais de transporte já existentes na cidade. A presidente afirmou também que o governo federal vai investir cerca de R$ 30 bilhões em mobilidade urbana nas cidades brasileiras até 2014.

A primeira etapa do metrô terá 14 quilômetros de extensão, interligando o bairro da Cidade Industrial, na região sul de Curitiba, com o Centro. Estima-se um número de usuários de aproximadamente 400 mil pessoas por dia. Uma vez implantado, o metrô deverá substituir os 110 ônibus que atualmente realizam o trajeto.

Nas grandes cidades brasileiras, a importância do transporte de massa é um elemento chave. Nós queremos que a população brasileira continue tendo automóveis, que ela compre seu carro, mas, nós queremos que esse carro não seja o principal meio de transporte no cotidiano das populações. Nós não podemos ser um país que segrega o transporte público, limitando-o aos segmentos populares, e o transporte privado, o automóvel, para os mais ricos e para as classes médias. No mundo inteiro o metrô é um instrumento de democratização do espaço urbano.

Dilma Rousseff

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Quero agradecer a presidenta Dilma Rousseff pela liberação de 1,75 bilhão de reais para a construção do metrô de Curitiba. Após 25 anos de espera a cidade conquista mais essa vitória graças a sensibilidade e apoio do Governo Federal. O metrô não será importante apenas para os usuários da linha Norte-Sul. O metrô abre uma nova perspectiva de desenvolvimento urbano para Curitiba, trazendo melhorias para a cidade e seu planejamento do ponto de vista da qualidade de vida de seus habitantes.

Angelo Vanhoni

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Fotos: Gilson Camargo

encontro com a militância petista – curitiba/pr – 28/07/2011

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O campo majoritário do Partido do Trabalhadores, Construindo um Novo Brasil (CNB), promoveu encontro em Curitiba nesta quinta feira, 28/07, reunindo mais de 200 pessoas para debater a conjuntura política local, os problemas e alternativas para a cidade e preparar-se para o pleito eleitoral de 2012. O debate contou com a presença de militantes do partido, representantes das zonais dos bairros, da região metropolitana de Curitiba, do deputado federal Angelo Vanhoni e do presidente da Itaipu Binacional, Jorge Samek, além dos deputados estaduais Toninho Wandscheer e Péricles de Mello, do ex-vereador André Passos, do prefeito de Pinhais, Luizão Goulart, do presidente da CUT/PR, Roni Barbosa, do cientista político Ricardo Oliveira e da presidente do PT Curitiba, Roseli Isidoro.

Um dos pontos principais do debate é o aprofundamento do diagnóstico da conjutura politica municipal. Segundo o deputado Angelo Vanhoni o objetivo do encontro não é definir nomes para a disputa da prefeitura em 2012, mas, a consolidação de um plano de governo para a cidade de Curitiba.

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Eu quero cumprimentar a militância do PT que comparece à esta reunião de forma expressiva com diversos setores do nosso partido aqui representados. A política depende fundamentalmente de compartilhamento. Se nós não tivermos laços de confiança e não compartilharmos as decisões não construiremos aquele partido que nós queremos, que seja propulsor de mudanças sociais, um partido que lá na base da estrutura social, ao administrar o governo, faça transformações profundas na sociedade. Esse é o projeto do PT.

Nós estamos chegando a um momento de decisão na cidade de Curitiba e em todas as cidades do Brasil. No ano que vem teremos eleições municipais e precisamos avaliar a conjuntura nacional para fazermos um diagnóstico dos problemas e alternativas para a nossa cidade. Estamos vivendo um processo riquíssimo de experiências, o governo do presidente Lula foi um governo de sucesso, soube combinar o desenvovimento econômico com distribuição de renda. Isso não é facil! É uma coisa fantástica o que aconteceu nestes últimos anos. Perto de 30 milhões de brasileiros mudaram de classe social, passaram a ter mais renda e acessaram benefícios essenciais na perspectiva de conquista da cidadania.

Eu estive no Maranhão, um estado pobre em relação a outros estados brasileiros e que tem uma população de 7 milhões de pessoas. Nós temos 900 mil bolsas família neste estado. Significa que aproximadamente 3 milhões de pessoas sobrevivem com o salário do Bolsa Família. Esta é a realidade que nós encontramos quando chegamos no governo, e é também a realidade que encontramos nas periferias das grandes cidades e nas regiões metropolitanas do Brasil inteiro. Mas, o governo federal tem investido. Hoje numa cidade de 300 mil habitantes como Imperatriz, no Maranhão, só no projeto Minha Casa Minha Vida, 10.000 unidades estão sendo construídas e mais 8.000 unidades do sistema habitacional para financiamento de moradia.

Isso mostra o que? Que aquele primeiro momento, o de ajudar as pessoas mais pobres para que elas pudesssem conquistrar ao menos a dignidade de estarem vivendo, e no momento seguinte, se colocarem no mercado de trabalho através de uma política correta da macro economia, com distribuiçao de renda, fez com que o Maranhão hoje apresente – e o nordeste como um todo – um dos maiores índices de crescimento do país, chegando à níveis de crescimento do PIB da ordem de 10% ao ano. Um crescimento maior do que todas as outras regiões do Brasil!

Se tomarmos apenas o exemplo do que está acontecendo no nordeste, para um partido de esquerda que quer transformar o Brasil, que quer trazer dignidade para o povo, só com estes dados sobre as transformações nas regiões mais pobres e no conjunto do tecido social brasileiro, onde 30 milhões de pessoas mudaram de classe social, o governo do presidente Lula já foi um sucesso. Mas não para aí, temos muito o que conquistar, o Brasil ainda tem muitos problemas.

No entanto, estamos vivendo um momento mágico em nossa economia. Saiu ontem no jornal uma notícia sobre os índices de investimento nos diversos países do mundo. Os Estados Unidos foi o que mais recebeu dinheiro, 140 bilhões de dólares em investimentos, em seguida a China, com 120 bilhões de dólares, depois Taiwan, um país territorialmente minúsculo, mas que é um tigre asiático, de alta tecnologia, e em quarto outro pais pequeno da Europa, também de alta tecnologia, a Bélgica. O Brasil é o quinto país que mais recebeu investimentos no mundo, foram 58 bilhões de dólares! Nós resolvemos o problema da macro economia. O professor Ricardo Oliveira mencionou ainda a pouco o exemplo da Italia, Portugal e Grécia. A dívida da Grécia é de 160% do PIB. A de Portugal 90% do PIB. A dívida da Itália é de 147% do PIB. O jornalista da Rede Globo, ao descrever o problema da Europa, que pode ir a falência com a sua moeda se os bancos alemães e franceses não socorrerem a Grécia e estancarem o problema em Portugal e na Irlanda, falou assim: “Estamos vendo a Grécia com um endividamento de 160% do PIB, a Itália com 147%, e nós aqui no Brasil temos uma dívida de 38% do PIB, a qual podemos pagar integralmente com as nossas reservas e ainda sobra dinheiro”. Nós temos que dar parabéns para o Brasil!

Esta é a nossa realidade macro econômica no cenário internacional. Com um partido governando com este princípio de emancipação, de priorizar os mais pobres. Colocando as perspectivas que estão abertas, por exemplo: nós temos o maior rebanho de gado do planeta, somos o maior fornecedor de proteína animal, só perdemos na agricultura para os Estados Unidos, descobrimos uma riqueza fantástica que é o petróleo de uma forma como não sonhavamos. Os números da reserva do Pre- sal hoje, a nível mais baixo, mais pessimista, é de 40 bilhões de barris de reserva. Ao preço de 120 dolares o barril, a receita de exploração desta reserva pode chegar a 4 trilhões de dólares. Uma vez e meia o PIB do Brasil! Sendo que as reservas estão estimadas por alguns especialistas em 80 bilhões de barris.

As perspectivas de desenvolvimento da nação e de distribuição de renda através de políticas sociais emancipadoras fazem com que a gente tenha a possibilidade de resolver os problemas crônicos do nosso país em um curto espaço de tempo. Para isto precisamos ter decisão política para combinar desenvolvimento econômico com distribuição de renda, invesimento em educação, investimento em politicas para as mulheres, com investimento em políticas para educação infantil, para incorporar as crianças de 0 a 3 anos em creches, para fazer com que as crianças de 4 a 6 anos estejam em escola pública de boa qualidade. A Europa ja faz isso desde o fim da segunda guerra mundial. Aumentar o tempo de aprendizagem da criança no ambiente escolar, para que ela tenha condições de concluir o ciclo de ensino e ser um cidadão mais pleno, com acesso à formação em todas as etapas, para isso o Brasil precisa continuar a ser governado sob este binômio: transformação econômica com democracia e distribuição de renda.

Nós estamos reunidos aqui, o PT está representado oficialmente pela sua executiva estadual e pela sua executiva municipal, para definir grupos de trabalho com o objetivo de consolidar um projeto para Curitiba e fazer um diagnóstico do que está acontecendo no mundo, do que está acontecendo em nosso país, olhar para a alma profunda de Curitiba, olhar para os bairros, para a nossa região metropolitana com atenção para os diversos estratos sociais, lembrando que esta cidade tem história, tem densidade do ponto de vista de sua cultura, de sua formação, da sua ancestralidade indígena marcada já pelo seu nome, da chegada aqui dos portugueses, dos italianos, dos afrodescendentes, dos diversos ciclos de imigração de ucranianos, poloneses, alemães e japoneses no século passado, das migrações internas em nosso país e em nosso estado e dos diversos povos e culturas que constituem a nossa identidade.

Temos a tarefa de propor para a cidade um projeto que combine desenvolvimento urbano com desenvolvimento humano e que dialogue com todos os setores da sociedade. Vamos reunir o partido, discutir o plano de governo, chamar todas as forças para conversar; o Tadeu, o Rosinha e, mais adiante, com o acúmulo e as diretrizes advindas deste processo, escolher o candidato que irá disputar as eleições municipais em Curitiba.

Angelo Vanhoni

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Jorge Samek, presidente da Itaipu Binacional, Angelo Vanhoni e Luizão Goulart, prefeito de Pinhais.

Fotos: Gilson Camargo

assembléia de fundação do museu de periferia do sítio cercado (mupe) – curitiba/pr

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Moradores do bairro Sítio Cercado em Curitiba se reuniram nesta sexta feira, 15 de abril, na sede da Prefeitura Regional do Bairro Novo para realizar a Assembléia de Fundação do Museu de Periferia do Sítio Cercado (MUPE). A ata de fundação contou com mais de 30 assinaturas. Dentre os presentes estavam membros de Associações de Moradores envolvidos com o projeto “Pontos de Memória”, artistas residentes no bairro, representantes da prefeitura e da Fundação Cultural de Curitiba.

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A assembléia deu posse à diretoria do MUPE, formada por (da esquerda para a direita):
Pedro Divino na coordenação financeira, Marcelo Souza Rocha na coordenação geral e Daniel Kravicz como tesoureiro.

O coordenador geral do MUPE, Marcelo Rocha, fez um relato dos principais momentos que consolidaram o processo de instalação do museu. Sua fala foi ilustrada por imagens e textos disponíveis na internet contendo documentação das oficinas de museologia oferecidas aos moradores e da participação de membros do MUPE nos 3 encontros nacionais Teia da Memória” promovidos pelo Instituto Brasileiro de Museus .

link para a página do MUPE

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A Fundação do MUPE confere aos moradores do bairro o instrumento jurídico necessário para a chegada de recursos do governo federal garantindo autonomia administrativa para o primeiro Ponto de Memória da cidade. O processo de sensibilização teve inicio em 2009 através de intercâmbio cultural realizado entre moradores de comunidades do Rio de Janeiro, contadores de histórias dos Museus da Maré e do Museu de Favela e moradores do Sitio Cercado em evento realizado na Associação Nossa Senhora da Luta, no Xapinhal.

Desde então um conjunto de oficinas de museologia vem sendo ministradas periódicamente, sendo que a primeira delas “museu, memória e cidadania” contou com a presença de Mário Chagas, atual Coordenador de Processos Museais do IBRAM. Em  2010 o MUPE promoveu uma série de encontros visando integrar ao Conselho Gestor da instituição representantes das diversas localidades que compõe o Sitio Cercado como: Vila Rio Negro, Coqueiros, Xapinhal, Vila Americana, Campo Serrado, Sambaqui, Bairro Novo A, B e C, Vila Osternack, 23 de Agosto e Parigot de Souza, além de promover atividades para estimular a pesquisa sobre a memória viva do bairro entre os alunos da rede pública de ensino.

Leia a íntegra da entrevista com Mário de Souza Chagas concedida ao Blog Vanhoni em agosto de 2009.

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O evento contou  com uma mostra de acervo do MUPE, organizada por Palmira de Oliveira e Frederico Pinheiro, reunindo imagens coletadas junto aos moradores mais antigos, além de exposições de artistas residentes no bairro, como as pinturas e paisagens do Sr. Paulo e as fotografias de José Paiva, tematizando flores de frutas e verduras que se encontram nas redondezas.

PRINCÍPIOS E OBJETIVOS SOCIAIS DO MUPE:

a) a promoção da cidadania;
b) o cumprimento da função social;
c) a valorização e preservação do patrimônio cultural e ambiental;
d) a valorização da dignidade humana e o respeito aos direitos universais;
e) a universalidade do acesso, o respeito e a valorização à diversidade cultural;
f) repúdio aos preconceitos e discriminações de qualquer natureza, conforme definidos em lei;
g) o intercâmbio institucional;
h) legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade e a eficiência;
i) respeito à Constituição Federal Brasileira, unidade e soberania do Brasil.

Fotos: Gilson Camargo

a pedreira é nossa – curitiba/pr

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Público no show “30 em 300″, com Titãs, Barão Vermelho e Os Paralamas do Sucesso, em 1993.

O palco da Pedreira, em Curitiba, foi inaugurado em 1990 como homenagem póstuma ao poeta paranaense Paulo Leminski. O espaço, que passou a ser utilizado por artistas locais para a realização de shows, abrigou também espetáculos internacionais, como os do tenor José Carreras, Paul McCartney, David Bowie, Ramones e AC/DC. A atividade cultural da Pedreira ao longo destes anos trouxe grandes benefícios para a região, revitalizando uma área que convivia com diversos problemas de degradação e abandono.

Desde julho de 2008, a realização de grandes eventos no local foi proibida devido a uma liminar em Ação Civil Pública interposta pelo Ministério Público do Paraná.

Link para o manifesto da campanha A Pedreira é Nossa!

“Há alguns anos atrás houve uma solução urbanística encetada pelo Ippuc e pela gestão da prefeitura à época que trouxe grandes benefícios para a cidade, constituindo a Pedreira no maior e mais bonito espaço de fruição cultural de Curitiba e do Estado do Paraná. Diversas bandas de música e grandes artistas do Brasil já se apresentaram no palco da Pedreira Paulo Leminski, e os nossos grupos de música também se apresentaram aqui, ganhando a possibilidade de se expressar em nível local e ganhando espaço em nível nacional.”

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“Agora, nestes últimos dias, eu e o vereador Jonny Stica (imagem acima, durante visita ao Parque das Pedreiras) estivemos junto com a secretária de Cultura aqui da nossa cidade, a presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Maria Cristina de Andrade Vieira, e falta muito pouco para chegarmos a uma solução definitiva para a Pedreira. A secretária está interessada na reabertura, vai chamar as associaçôes de moradores, vai chamar o Ministério Público, a Procuradoria do município e, tão logo esta perícia esteja finalizada nós vamos fazer o Termo de Ajuste de Conduta para a reabertura deste importante espaço de fruição cultural, que é o segundo espaço em visitação de turistas aqui da capital, ficando atrás apenas do Jardim Botânico. Esta região, que tem a Ópera de Arame e a Pedreira se valorizaram muito e levaram o nome de Curitiba e dos nossos artistas para o resto do Brasil”.

… por isso é muito importante a campanha que estamos fazendo. A Pedreira é Nossa! Vamos reabrir a Pedreira Paulo Leminski e o “Pilarzinho do Mundo” vai continuar sendo o “Pilarzinho da cultura e da arte”, como dizia o velho Paulo.
Angelo Vanhoni

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Platéia no show de Caetano Veloso e Marisa Monte na Pedreira Paulo Leminski, em 03/12/1998.

cultura popular – A HISTÓRIA DO BLOCO PRÉ CARNAVALESCO GARIBALDIS & SACIS – curitiba/pr

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Itaércio Rocha, fundador do bloco, durante a folia de 2002.

O Bloco Pré Carnavalesco Garibaldis & Sacis teve início em 1998 a partir de uma provocação que o artista maranhense Itaércio Rocha – hoje presidente da Associação Recreativa Cultural Amigos do Garibaldis & Sacis – fez no programa “Samba De Bamba”, apresentando pelo jornalista Rodrigo Browne, na Rádio Educativa do Paraná, convidando as pessoas a se reunir nos domingos pré carnaval para brincar a folia. Isso bastou para motivar um grupo de amigos a planejar a festa para o ano seguinte.

Em 1999, artistas ligados à Faculdade de Artes do Paraná (FAP), ao Conservatório de Música Popular Brasileira, ao Teatro de Bonecos e ao Grupo Mundaréu, encontraram-se rotineiramente nos domingos de janeiro no Saccy Bar, centro histórico de Curitiba, para discutir a organização da festa. Numa destas reuniões foi eleito o nome do bloco, “Garibaldis & Sacis”, em alusão e homenagem ao itinerário idealizado. O ponto de partida seria o Saccy Bar e o ponto final do trajeto a Praça Garibaldi. Desta forma, o bloco desfilaria pelas ruas convidando as pessoas a participar, além de buscar o resgate dos antigos carnavais de rua.

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Olga Romero. Atriz, bonequeira e foliã.

Na concentração em frente ao Conservatório de MPB, os participantes criavam e apresentavam novas marchinhas enquanto confeccionavam as máscaras e adereços. Nos primeiros anos esta concentração era realizada na casa de alguns dos integrantes do bloco, que depois se dirigiam para o Largo da Ordem fantasiados, improvisando cantigas, cantando, tocando e brincando o pré carnaval com música e diversão.

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Gerson Guerra e Alexandre Nero, puxando o bloco em frente ao Conservatório de MPB.

Ao longo dos seus 12 anos de existência o Garibaldis & Sacis sofreu várias transformações – a começar pela questão do som – que o ajudaram a construir e organizar uma estrutura capaz de acolher os foliões e seguidores que aumentavam a cada domingo.

No primeiro ano as marchinhas foram cantadas no gogó mesmo, na garganta. A primeira evolução foi um megafone trazido por Gerson Guerra, seguida pela “Charanga do Rosinha”, um carrinho de supermercado improvisado, adaptado com alto falantes que garantiam a distribuição do som na festa. Essa parafernália logo recebeu uma plataforma com um som mecânico alimentado por bateria e dois microfones, transformado de improviso em uma máquina de som e alegria. Aos poucos, o bloco desfilava nas ruas e despertava a atenção dos populares que se divertiam e seguiam cada vez em maior número aquele cortejo animado.

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Paralelo ao crescimento do bloco, o aparato de som também se desenvolveu. O músico Ricardo “ô Rosinha”, mesmo criador do invento com o carrinho de supermercado, levou para as ruas um Fiat Fiorino com o som que ajudou a fazer a festa até 2008. Nos anos seguintes, financiado pelos próprios foliões, o bloco contratou uma Kombi que funciona como mini trio elétrico.

Inicialmente o desfile começava por volta das 13 horas, na tentativa de aproveitar o público que se dirigia até o Largo da Ordem para fazer compras ou passear pela Feira de Domingo e terminava com um grande Cacuriá, em que todos participavam. Com o aumento do número de pessoas que o seguiam e um entrave referente ao horário da missa de domingo na Igreja de São Francisco da Ordem, que coincidia com o horário de saída do bloco, o início da festa foi adiada para às 15h30 e o ponto de partida alterado para a frente do Memorial da Cidade, também no Largo da Ordem.


Em 2010, o Garibaldis & Sacis reuniu cerca de 6 mil pessoas a cada domingo em que saiu às ruas.

Nos últimos anos o bloco e seus foliões realizaram, periodicamente, sambas de mesa em frente ao Conservatório de MPB, no bar do Cícero, hoje conhecido como bar Brasileirinho. Além dos sambas, os encontros resultaram em outras duas festas populares que agora ocorrem anualmente: O “Arraial da Anita”, uma festa com temática junina (quadrilha, batuques e fandangos) fora de época, realizado de maneira comunitária e o “Sarau do Saci”, evento em que artistas da cidade apresentam poesias, músicas, histórias e contos em frente ao Relógio das Flores. Uma celebração de primavera aberta ao grande público, com forte foco na infância, pois, nela são homenageados o Dia de Cosme e Damião, o Dia das Crianças e o Dia da Padroeira, Nossa Senhora Aparecida.

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Através do Garibaldis & Sacis, Curitiba exibe suas diferenças e peculiaridades em uma festa que resgata o carnaval de rua e se revela como referência de arte e cultura. Um pré carnaval de misturas, em que a celebração das diferenças toma, ano a ano, as ruas do centro histórico da cidade.

Fontes: Bina Zanette e Wilson Lirou
Fotos: Gilson Camargo. Fevereiro /2002

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A partir da esquerda: Rogério Guiraud, Elisete Iunskovski, Leandro Leal, Marcel Cruz, Bina Zanette, Angelo Vanhoni, Itaércio Rocha, Luiz Nobre e Marcia Rodrigues. Foto: Eduarda Prata

Integrantes do bloco pré carnavalesco Garibaldis & Sacis estiveram no gabinete do deputado Angelo Vanhoni, em Curitiba, solicitando apoio para a requalificação das áreas utilizadas no evento, que já conta com 12 anos de existência e se constitui numa festa importante da cidade. As principais necessidades do grupo dizem respeito à segurança pública durante a passagem dos foliões, a instalação de banheiros químicos e a reserva de espaço no final da Feira do Largo da Ordem nos dias em que o bloco sai às ruas, assim como de locais adequados para guardar os instrumentos.

O deputado ressaltou o reconhecimento que a cultura popular vem recebendo das instituições públicas brasileiras por sua relevância no conjunto de manifestações culturais do país, e se comprometeu em encaminhar o pedido do grupo à Secretaria Estadual de Cultura e aos orgãos da Prefeitura encarregados de organizar os eventos de grande porte na cidade. Ainda na mesma reunião o deputado sugeriu que o bloco entrasse com uma solicitação de alvará de utilidade pública, visando garantir a presença do carro de som nas próximas saídas do bloco.

audiência pública sobre a criação do conselho estadual de cultura do paraná

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Da esquerda para a direita: Paulino Viapiana, Péricles de Holleben Mello, Oswaldo Aranha, e Rosina Parchen.

A Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa do Paraná promoveu nesta quarta-feira (17/11), no plenarinho da casa, audiência pública para debater o Projeto de Lei 421/2010 que prevê a implantação do Conselho Estadual de Cultura do Paraná (Consec). De autoria do Governo do Estado, a proposta já recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

link para o Projeto de Lei 421/2010

De acordo com a proposta do governo, o Consec funcionará como órgão colegiado e consultivo, inte­grante da estrutura da Secretaria de Estado da Cultura. O objetivo é prestar assessoramento na formulação de políticas públicas de cultura, promovendo a articulação e o debate nos diferen­tes níveis de governo e na sociedade civil organizada, para preservar, desenvolver, fomentar e divulgar as atividades culturais do Paraná. O Conselho será cons­tituído paritariamente por representantes indicados pela Secretaria de Estado da Cultura e por entidades civis de natureza cultural.

O deputado estadual Péricles de Mello, presidente da Comissão de Educação e Cultura e propositor da audiência, quis ouvir opiniões de representantes do setor no estado sobre as diretrizes da proposta antes de encaminhá-la para votação em plenário.

“A instituição de Conselhos Estaduais é imprescindível para que os estados tenham acesso ao Sistema Nacional de Cultura e sejam contemplados com recursos federais destinados à pasta. Levamos ao governador Pessuti a urgência dessa demanda, já que o Paraná é um dos poucos estados sem Conselho constituído.”
Péricles de Mello

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Segundo o coordenador geral do Fórum das Entidades Culturais do Paraná, Oswaldo Aranha, o texto original deve seguir a estrutura do Conselho Nacional quanto à sua composição. Ele sugere que Artes Cênicas, uma das áreas de conhecimento, seja dividida em Teatro, Dança e Circo; e a área Música seja subdividida em Erudita e Popular, além de contemplar a cultura indígena e as manifestações culturais afro-descendentes. Em defesa de um trabalho mais democrático, Aranha acredita ser desnecessária a formação de uma lista tríplice para a composição do conselho e a exigência de CNPJ das entidades participantes.

link para íntegra do documento encaminhado pelo Fórum de Entidades Culturais

A chefe da Coordenadoria do Patrimônio Cultural do Paraná, Rosina Parchen, destacou que o trabalho deve ser integrado entre as entidades participantes para que as ações estabelecidas tenham um resultado efetivo. A criação de um Fundo Estadual para a Cultura e a proposta de Lei Estadual de Incentivo à Cultura  (Lei Vanhoni) também foram debatidas pelos participantes.

Entre as principais reivindicações, destacam-se a ampliação da responsabilidade do Conselho, além da função consultiva. Marila Veloso, do Fórum da Dança, defendeu que ele seja também deliberativo e principalmente fiscalizador. “O Conselho, por natureza tem independência dos outros poderes e por isso a atribuição de fiscalização deve ser a mais importante”. Na mesma linha, a presidente do Sindicato dos Arquitetos, Ana Carmen disse que é preciso aprovar uma lei que dê realmente independência ao Conselho para que não se corra o risco dele existir somente no papel. “Temos algumas experiências de “conselhos no papel”, que são mera figuração apenas para assinar o que os governos determinam. Temos que ter consciência de que um Conselho pressupõe democracia.”

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O presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Paulino Viapiana, disse que a proposta de criação do Conselho Estadual de Cultura não entra em conflito com o plano elaborado pelo governador eleito Beto Richa e reforçou o compromisso do novo governo em criar uma Lei de Incentivo à Cultura em diálogo com a classe artística, a exemplo do Procultura no âmbito federal. Viapiana, que integra a equipe de transição do novo governo, destacou ainda a importância do Conselho para a integração do Paraná ao Sistema Nacional de Cultura, o qual  possibilitará a chegada de recursos do governo federal. Com relação à estrutura regimental, Viapiana contestou a formação da lista tríplice, buscando garantir a autonomia de indicação de representantes pela sociedade civil.

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A audiência aprovou a formação de uma comissão especial que vai se reunir no dia 23/11, com o objetivo de formatar as contribuições apresentadas para serem incluídas no projeto, de comum acordo com as entidades presentes. O deputado Péricles de Mello pretende levar o projeto à votação ainda este ano.

Lista dos integrantes da Comissão Especial aprovada durante esta audiência pública:
1. Oswaldo Aranha, Waltraud Sekula e Ana Carmem – Fórum das Entidades Culturais,
2. Thiago Douglas Moreira – Secretaria de Cultura do PT/PR,
3. Andre Alves Wolddarczyk – Fórum Paranaense de Música,
4. Marila Veloso – Forum de Dança de Curitiba e Movimento Pró Conselho Estadual de Cultura/PR,
5. Pio Aparecido de Santana – Associação de Compositores do Paraná,
6. Wilson Guimarães – Sindicato dos Artesãos,
7. Fernando Tupan – Cooperativa de Música do PR,
8. Marcelo Miguel – Capital Brasileira da Cultura,
9. Márcia Sielski – Associação Germânica e Conselho Municipal de Cultura de Ponta Grossa,
10. Paulino Viapiana – Fundação Cultural de Curitiba,
11. Roberto Mistrorigo Barbosa – Comissão de Educação, Cultura, Ciência, Esporte e Tecnologia/ALEP.

Fotos: Gilson Camargo




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