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2ª festa nacional do feijão preto – prudentópolis/pr – 14/08/11

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A 2ª Festa Nacional do Feijão Preto (FENAFEP), em Prudentópolis/PR, reuniu mais de 50 mil pessoas nos quatro dias de festividades em comemoração ao aniversário da cidade, que completou 105 anos na última sexta-feira, 12/08. Além das atrações culturais, artísticas e gastronômicas como parque de diversões, exposição agroindustrial, torneio leiteiro, feira de sabores e a maior feijoada do Brasil, o evento contou com palestras direcionadas a produtores, técnicos e empresários onde foram abordados temas relacionados à cultura do feijão e aos avanços tecnológicos na produção agrícola.

Prudentóplis concentra um dos maiores núcleos de minifúndios da Região Sul, com quase 8 mil produtores rurais baseados especialmente na agricultura familiar. O município é responsável por quase 10% da produção nacional de feijão preto, chegando a produzir 50 mil toneladas por ano.

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Vanhoni visitou a festa em companhia do empresário Junior Durski e do prefeito Gilvan Agibert (ao centro na foto).

Na Feira de Sabores, os visitantes tiveram a oportunidade de provar doces e vários produtos do artesanato local como, pães, bolos, bolachas, conservas, massas, comidas típicas, embutidos, defumados e bebidas. A idéia da feira é ampliar a comercialização da produção local de alimentos, que é fortemente influenciada pela cultura dos imigrantes ucranianos e poloneses. No Concurso Gastronômico, foram servidos pratos a base de feijão, como feijão tropeiro e perohê de feijão. O evento contou com apresentações de duplas locais, grupos tradicionalistas gaúchos e do Festival de Música das Escolas Municipais (Femuem).

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O deputado acompanhou a apresentação dos alunos da rede pública municipal de ensino no Femuem e em sua fala reafirmou o compromisso do governo federal com o financiamento da educação em todo o Brasil e com a valorização do magistério através das metas previstas no PNE, sendo uma delas, a equiparação do salário dos professores da rede de ensino público aos demais profissionais com formação semelhante em outras áreas de conhecimento.

É uma alegria muito grande poder estar aqui no aniversário de Prudentópolis e acompanhar o Festival de Música das Escolas Municipais. Há três anos atrás, em 2009, aprovamos na Câmara dos Deputados uma mudança no curriculum de todas as escolas do Brasil, que coloca a obrigatoriedade do ensino da música. Isto representa um grande avanço, porque inscreve em nossas prioridades educacionais o compromisso de cultivar e desenvolver a sensibilidade do ser humano através da música e das artes.

Neste ano, no mês de outubro, nós teremos um desafio ainda maior, que é discutir e aprovar o Plano Nacional de Educação para o próximo decênio, e dentre as metas do PNE que se referem à qualidade da educação, uma delas diz respeito especificamente à valorização do magistério. Aqui temos uma boa notícia para os professores. Nós queremos, e este é o entendimento do governo federal, que nos próximos dez anos, o salário médio do professor do ciclo básico esteja equiparado aos vencimentos de outros profissionais brasileiros com a mesma qualificação.

Angelo Vanhoni

debate sobre o pne – são josé dos pinhais/pr

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A Câmara Municipal de São José dos Pinhais realizou nesta sexta-feira, 12/08, debate sobre o Plano Nacional de Educação, que contou com a presença de professores, representantes de organizações sociais do setor educacional, líderes sindicais e secretários de educação da região metropolitana de Curitiba e municípios vizinhos. Participaram da mesa (da esquerda para a direita na imagem acima), o professor da UFPR doutor em Ciências Geodésicas, Hideo Arakia, o vereador Onildo Francisco dos Santos, a secretária Municipal de Educação, Tania Maria Galvão Perez Centeno, o deputado federal Angelo Vanhoni, relator do projeto de lei que cria o Plano Nacional de Educação na Câmara dos Deputados e o presidente do Conselho Estadual de Educação, Romeu Gomes de Miranda.

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O deputado Vanhoni ressaltou que o Congresso Nacional avançou na área da educação nos últimos anos ao aprovar leis que ampliaram os investimentos do governo federal no ensino básico e médio, que antes estavam somente a encargo dos estados e municípios. O PNE estende ainda mais o compromisso da esfera pública com a educação e estabelece as metas e diretrizes do setor para o decênio 2011/2020.

Somos 190 milhões de brasileiros e hoje, perto de 60 milhões estão sendo beneficiados pelo Fundeb, que é o fundo que organiza e distribui os recursos para a educação em todos os estados e cidades do Brasil. Enquanto o custo aluno no Paraná estava em R$ 2.300,00, o custo aluno do Maranhão e do Piauí não chegava a R$ 1.300,00. Com o Fundeb o custo aluno dos estados do Nordeste e de outras regiões do Brasil começou a ser elevado para chegar aos patamares mínimos dos estados da Região Sul e Sudeste. Nós queremos, em nosso projeto para o Brasil, que toda a criança, no Amazonas, em são José dos Pinhais ou em qualquer outra cidade brasileira, possa ter uma educação de qualidade. Para isso precisamos  pensar um sistema que distribua recursos, que remunere os professores, que possibilite a construção de escolas, a construção de bibliotecas, que ofereça merenda escolar e que reúna as condições para que a produção de conhecimento aconteça. Todo o objetivo desse esforço em torno do PNE é fazer com que cada brasileiro possa desenvolver a sua capacidade de aprender.

Angelo Vanhoni

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O debate contou com tradução simultânea para libras. O deputado reiterou ainda que o Plano Nacional tem uma meta que trata exatamente da educação especial. “Nós consolidamos o entendimento de orientar, através do plano, a possibilidade de absorver a contribuição que o setor educacional das escolas de ensino especial no Brasil inteiro estão sugerindo à Comissão. No caso dos surdos há uma especificidade porque trata-se de uma língua. A primeira língua dos surdos é a libras e temos que dar também a estes jovens a garantia de acesso a escolas bilíngues.”

Fotos: Gilson Camargo

restauro da igreja de são josé – água branca, são mateus do sul/pr – lançamento do projeto

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Neste sábado, 06/08/2011, estivemos em São Mateus do Sul/PR para o lançamento do projeto de restauração da igreja de São José, na comunidade de Água Branca, um dos principais marcos da colonização polonesa na região. Além da presença de diversos membros da comunidade, o deputado Angelo Vanhoni foi recebido pelo prefeito da cidade, Luiz Adyr Gonçalves Pereira, pelo padre Ermildo Krasovski e pelo presidente da irmandade São José, Joelson Falkoski.

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O início das obras depende da aprovação da complementação de recursos dentro do projeto cultural do Instituto Arquibrasil, responsável pelo restauro, que conta com o apoio da Petrobrás através da Lei Rouanet. Após o término do diagnóstico da estrutura do edifício e detalhamento da planilha orçamentária, cuja finalização está prevista para dezembro, o projeto será analisado pela equipe técnica do IPHAN e reencaminhado ao Pronac. Essa tramitação pode levar de dois a três meses e a estimativa é de que vencidas estas etapas, incluindo a captação de recursos, a restauração possa ser concluída no prazo de um ano.

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Há pouco mais de três anos tive a oportunidade de conhecer melhor a região de São Mateus do Sul, que se destaca economicamente no cenário nacional pela sua produção industrial, e perceber a importância da cidade no processo migratório polonês, que integra a alma profunda do povo brasileiro e tem uma influência ainda mais expressiva na formação cultural do Paraná, o estado que recebeu o maior número de imigrantes poloneses em nosso país.

Com o objetivo de valorizar o legado das tradições culturais do Paraná e percebendo que os marcos arquitetônicos e turísticos da imigração eslava eram praticamente desconhecidos no resto do Brasil, em 2009 convidei o ministro da Cultura e o presidente do IPHAN para visitarem o interior do estado e conhecerem de perto estas comunidades. Estivemos naquela ocasião em Mallet, Prudentóplis e Irati.

De lá para cá estamos fazendo um trabalho conjunto com o Ministério da Cultura para restaurar alguns destes edifícios. Assim aconteceu com as igrejas da Imaculada Conceição, em Antônio Olinto e a de São Miguel Arcanjo, em Mallet. Agora estamos trazendo a mesma perspectiva para São Mateus do Sul, neste projeto que em sua fase inicial conta com o apoio da Petrobrás através da Lei Rouanet.

A restauração da igreja de São José, em Água Branca, é motivo de orgulho não só para a cidade de São Mateus, mas para todo o Brasil, para as diversas tradições e culturas que compõe a nossa identidade, no sentido de que elas, todas, possam se beneficiar de políticas públicas e iniciativas que visem a preservação de sua memória.
Angelo Vanhoni

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Segundo a arquiteta Jussara Valentini, do Instituto Arquibrasil (ao centro na imagem acima), quando foi criado em 1935 o IPHAN tinha como foco prioritário o patrimônio histórico nacional mais antigo, como a arquitetura luso brasileira, as casas grandes e as senzalas, e só recentemente houve uma valorização maior da diversidade cultural do país, da presença dos imigrantes e, no caso do Paraná, da cultura eslava.

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A Igreja de São José, em Água Branca, é um dos maiores legados deixados pelos imigrantes poloneses a partir dos anos de 1890 e 1892. Projetada em forma de cruz e concluída no ano de 1900, toda a madeira utilizada na construção foi serrada e sepilhada manualmente. Nas laterais existem 4 altares, todos trabalhados em madeira. Por sobre o altar principal, vê-se uma inscrição em polonês: “Wr. 1900 Jezus Chrystus, Bóg-Czlowiek zyje, króluje, panuje”. Traduzindo: “Desde o ano de 1900 Jesus Cristo, Deus-Homem vive, reina, impera”. A pintura interna foi feita em 1923 por Ewaldo Ducat, de Irati. Os quadros da via sacra e dos santos vieram da Polônia e da Bélgica. Localiza-se na Colônia de Água Branca, distante da sede do município aproximadamente 14 km.

Os primeiros imigrantes poloneses passaram por dificuldades quando chegaram ao Brasil. Vieram em grande parte contratados pelas autoridades do império, que prometiam alguns benefícios, mas, com o advento da república eles ficaram abandonados à propria sorte. As primeiras levas desembarcaram em 1841, no Espírito Santo, e este processo se estendeu por mais de um século. Estima-se que aproximadamente 600.000 poloneses tenham vindo para o Brasil; 60% dos quais estabeleceram-se no Paraná. Fundaram as cidades de Mallet, Castro, Ponta Grossa, Cruz Machado, São Mateus do Sul, Irati, Apucarana e União da Vitória, entre outras. Muitos descendentes falam o idioma polonês como língua materna. Curitiba é a segunda cidade fora da Polônia com o maior número de habitantes de origem polonesa.

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Fotografia: Gilson Camargo

plano nacional de educação – metas com maior concentração de emendas

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Na sessão desta quarta feira, 03/08/2011, da Comissão Especial do Plano Nacional de Educação na Câmara Federal, a primeira após o recesso parlamentar, o deputado Angelo Vanhoni, relator do projeto, apresentou a primeira nota técnica sobre as emendas ao PNE. Foram 2.906 emendas encaminhadas por 14 partidos. Entre as que mais receberam emendas estão a meta 1, que trata da educação infantil, com 253 emendas, a meta 20, que trata do financiamento, com 216, a meta 12, que trata do acesso ao ensino superior, com 212, e a meta 7, que trata do Ideb, com 205 emendas ao texto.

A maioria das emendas estão concentradas nos temas referentes à educação especial, educação de jovens e adultos, educação profissional, gestão democrática, avaliação e qualidade da educação, a questão do Ideb, a valorização dos profissionais e por fim o financiamento da educação que recebe um conjunto de emendas, todas propondo a elevação da dotação orçamentária a 10% do PIB.

link para a íntegra dos vídeos das sessões da Comissão Especial do PNE na Câmara Federal
link para a íntegra das emendas ao PNE na página da Câmara Federal

Ouvimos o professor Angelo Ricardo de Souza, doutor em Políticas Educacionais e membro do Núcleo de Pesquisa em Políticas Educacionais da Universidade Federal do Paraná, a respeito dos pontos mais polêmicos nesta primeira avalição das emendas ao PNE.

Blog Vanhoni – Qual o cenário de debates que se desenha nesta primeira avaliação das quase 3 mil emendas encaminhadas ao PNE?

Angelo Souza – Olhando para o conjuto de emendas ao PNE podemos observar os 6 pontos mais tensos no plano, onde a disputa está mais acirrada, tomando por base também o que a gente tem ouvido nas audiências públicas.

1- A primeira delas tem a ver com a educação especial. As posições aí estão divididas em três lados. Tem a proposta do governo, que é a de manter a política atual para a educação especial coordenada pelo poder público, porém, com participação da sociedade civil organizada via instituições como as Apaes. Ou seja, a idéia do governo é manter a política de convênio, mas trazer uma maior participação pública.

De outro lado tem a Federação das Apaes. Estas instituições são contrárias à participação do Estado, defendem a idéia de que o Estado seja financiador, porém, quem detém o conhecimento sobre a educação especial são as Apaes. E tem ainda um outro movimento da sociedade civil que defende uma estatização do sistema, que é de progressivamente ir diminuindo os repasses e canalizar estes recursos para a construção de escolas públicas para alunos especiais.

Juntamente com esta polêmica se inscreve também a questão da educação para surdos. Existe uma proposta de criar uma meta específica para a educação dos surdos. Eles pleiteam, adequadamente, que apesar de não terem a língua portuguesa como primeira língua, eles podem, afora isso, ter uma aula absolutamente normal, desde que haja um tradutor para libras e por isso querem escolas e turmas especiais para surdos. O fato de eles não falarem português gera uma outra categoria no ensino que é a cultura linguística dos surdos.

2- O Segundo ponto tem a ver com a meta 7, vinculada à qualidade de ensino e avaliação. Ela na verdade é uma meta de avaliação e não uma meta sobre qualidade, pois apenas traduz a noção de indicadores avaliativos como conquista de qualidade. Aqui temos o governo federal somado ao empresariado em geral, ao Conselho dos Secretários de Educação, à Undime, ao Movimento Todos pela Educação, Instituto Ayrton Senna, enfim, este segmento.

De outro lado você tem a Campanha Nacional pelo Direito à Educação e muito mais especialmente a ANPEd, que é a entidade mais representativa da produção de conhecimento em educação no Brasil. A ANPEd inclusive radicalizou e propôs uma emenda de exclusão dessa meta, uma emenda supressiva, porque entende que a noção de qualidade, tem que ser traduzida na idéia de condição de qualidade e ela está lá na valorização profissional, na condição de acesso, na incorporação da educação especial, na ampliação do ensino superior, etc…

Eu avalio que vai ser muito difícil alterar substancialmente esta meta, mas é possivel melhorar o texto. Tem deputado que é favoravel ao IdeB e todas estas métricas avaliativas, porém, no corpo do texto da meta 7 há uma tabela com os números do IdeB. Isto não pode acontecer porque o IdeB não é uma política de estado, é uma política de governo e que, a depender do governante, pode desaparecer. Então, nesse sentido é possivel que o texto da meta se modifique.

Eu tenho impressão que vai ter alteração para melhorar o texto, mas não haverá alteração da substância da meta. Depende, isto está em disputa. Nós temos uma audiência pública programada para agosto que é justamente para discutir isso.

3- O terceiro ponto tem a ver com a educação profissional, que é a meta 11. De um lado tem o Sistema S e os empresários, de outro o governo federal e um terceiro grupo que é a ANPED e a Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

O MEC já reconheceu a fragilidade da Meta 11, que propõe apenas dobrar o número de vagas existentes, mas basta manter a política atual que isso já vai acontecer antes dos dez anos. A meta é portanto muito singela e deverá ser revista para cima.

Temos, de um lado o Sistema S e os empresários que pensam a educação profissional de uma maneira bastante instrumental para o mercado de trabalho e emprego, mas que tem expertise e portanto um conhecimento acumulado com uma prática eficiente na formação técnico profissional e que é financiado com recurso público. De outro lado tem entidades defendendo uma diminuição de repasse de recursos para o sistema S. O Ministério já comprou essa briga há 4 anos atrás e perdeu. São mais de 10 bilhões de reais que o governo federal manda para o Sistema S. É um sistema muito eficiente, mas muito caro. O que ele dá de retorno é muito pouco perto do que ele recebe. Talvez o estado poderia fazer melhor. Mas eu avalio que isso vai se manter mais ou menos como está hoje. A saída aqui vai ser o Pronatec. O financiamento público de demanda dentro do segmento privado, como é o ProUni, com uma ampliação da oferta pública via Institutos Federais de Educação Tecnológica, escolas estaduais profissionalizantes, etc…

4- Um quarto aspecto de polêmica e o que mais envolve recursos é o ensino superior, que é o grande “business” da educação.

Temos aí toda a gama de empresários que investem em educação, além do segmento da sociedade que historicamente se organizou no ensino superior, como a Fundação Getulio Vargas, a Cesgranrio e as confessionais: os Católicos, Presbiterianos, Luteranos, etc… alguns representantes deste setor tem por objetivo reduzir as metas em seu favor. Por exemplo: Tem uma disposição no texto do PNE que é para os centros universitários privados. Eles querem alterar o texto da meta 13, que diz assim: “elevar a qualidade da educação superior pela ampliação de atuação de mestres e doutores nas instituições de educação superior”, que portanto serve para faculdades isoladas, centros universitários e universidades, “para 75% no minimo do corpo docente em efetivo exercício e do total, pelo menos 35% de doutores.” Eles estão propondo uma alteração do texto para manter esta regra somente para as universidades e reduzí-la drasticamente para os centros universitários e faculdades isoladas, que é onde eles ganham mais dinheiro. Por isso estão pressionando neste ponto e nas estratégias pelo afrouxamento da regulação.

O MEC está apostando na idéia de que vale a pena uma regulação sobre o sistema privado. Já as instituições privadas querem diminuir a regulação e ampliar a participação do financiamento público nas suas instituições, não por demanda, mas por oferta. Ou seja, se uma universidade tem 30 alunos em sala de aula e 40 cadeiras, o estado paga as outras 10 e trata de arrumar os alunos que faltam.

5- O quinto ponto é a meta 20, que é o ponto mais complexo. A questão do financiamento. Todas as 41 emendas querem ampliar o índice orçamentário para 10% do PIB. Significa dobrar o investimento público em 10 anos. Isto é possivel? O governo federal diz que não. Tem divergências entre os próprios deputados que defendem os 10%. Este aumento de investimento pode ajudar desde que melhore a sua gestão. A questão não é só a de investir mais, porém de investir melhor. O governo federal certamente vai cumprir com os 7%. Talvez consigamos até mais 1.5% em negociação. Para cima disso, só com recurso estadual e municipal. Na minha visão acho possível chegarmos até no máximo 8.5%.

6- Não existe uma meta específica sobre gestão democrática, a meta 19 do plano fala da forma de escolha de diretores de escola. Ela tem uma positividade, que é de ao cabo, em 10 anos o Brasil não ter mais esta figura arcaica, patrimonialista, que é a de indicação política para os cargos de direção das nossas escolas.

Não tem nenhuma emenda defendendo a indicação. Há um consenso construído de que a indicação política para estes cargos é ruim. Mas tem dois grupos, de um lado MEC o Consed, a mídia, os empresários que atuam na educação, as instituições como Todos Pela Educação e o Instituto Ayrton Senna, que defendem que o sujeito para ser dirigente escolar tem que ter avaliação de mérito e tem que provar domínio técnico da função.

O texto da meta diz que a escolha dos dirigentes deve passar por avaliação de mérito e pela participação da comunidade, que é a eleição. Um modelo misto do que já existe, na verdade. As emendas sugerem outra coisa. Ou só concurso público ou o contrário, suprimir a avaliação de mérito e manter apenas o aspecto eletivo.

plano nacional de educação – entrega do relatório com as contribuições do paraná ao relator do projeto

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A cerimônia de encerramento dos debates sobre o Plano Nacional de Educação (PNE) 2011/2020 e entrega do relatório com as contribuições do Paraná ao relator do projeto, deputado Angelo Vanhoni, realizada na sexta feira, 29/07/2011 em Curitiba, contou com a presença de reitores, professores, diversas lideranças do setor educacional, da sociedade civil organizada, de representantes públicos e autoridades, do vice governador e secretário estadual de Educação, Flávio Arns, do reitor da Universidade Federal do Paraná, Zaki Akel Sobrinho, do presidente da Itaipú Binacional, Jorge Samek, do senador Sérgio Souza e dos deputados federais Dr. Rosinha e Angelo Vanhoni.

O relatório produzido por esta iniciativa representa um momento significativo do processo de debates organizado pelo Fórum Estadual de Educação do Paraná, constituido em 06 de maio de 2011 com o objetivo de conduzir os debates sobre o PNE e articular as discussões que subsidiarão a elaboração do Plano Estadual, dos Planos Municipais e das Conferências Estaduais de Educação. O trabalho desenvolvido em todas as 10 regiões do estado envolveu milhares de trabalhadores da educação, gestores públicos, parlamentares, entidades e instituições da sociedade civil, estudantes e comunidade, resultando na publicação de um relatório em dois volumes contendo análises, proposições e emendas ao conjunto de metas e estratégias do projeto de lei que estabelecerá o novo PNE para o decênio 2011/2020.

Apesar do número recorde de emendas para um projeto de lei – quase 3 mil – a expectativa do deputado Angelo Vanhoni é a de encaminhar o PNE para votação na Comissão Especial da Câmara Federal em setembro deste ano.

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Eu gostaria, em nome do governador do estado, a quem eu também represento nessa oportunidade, de destacar três aspectos. Eu tenho a impressão, deputado Vanhoni, que não há contribuição mais consistente no Brasil do que os dois volumes que lhe serão entregues no dia de hoje. Eles representam o esforço de todos a favor da educação. A educação é uma responsabilidade de todos, da família, da sociedade e do governo, como a nossa Constituição fala. Vamos superar as distinções de aluno municipal, aluno estadual e criar uma metodologia que seja para toda a caminhada do ser humano pela vida. O plano tem que representar também as pessoas com algum tipo de deficiência, como a comunidade dos surdos aqui presentes, que se mobilizou. Os anseios e necessidades de todas as pessoas devem ser contemplados por este documento.

O segundo ponto é que o Fórum Estadual de Educação continue, porque nós temos a grande tarefa de elaborar, depois do Plano Nacional, o Plano Estadual e os Planos Municipais de Educação e, que este Fórum possa ser, professor Akel, o instrumento para realizar este grande debate no Paraná, com a participáção de todos e dizer que educação é prioridade absoluta. Vamos aproveitar a caminhada para não termos que recomeçar todo o processo.

O terceiro aspecto que a gente tem que enfatizar sempre, eu já enfatizei quando o Fórum foi anunciado a dois meses atrás, é que nós temos a honra de termos o deputado Angelo Vanhoni, do nosso estado, como relator do Plano Nacional de Educação. Isto é uma honra para o Paraná em primeiro lugar. Estou, como vice governador do Estado do Paraná e como secretário de Educação, muito feliz de você estar recebendo este material e tenho certeza que será um belo subsídio para a elaboração do relatório final.

Vamos convergir para aquilo que é mais fundamental: educação boa de qualidade, emancipadora, transformadora, construtora de cidadania, de participação para todos os paranaenses e para todos os brasileiros. Que bom que estamos aqui. Parabéns!

Flavio Arns

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Quando cheguei aqui um grupo de professores veio falar comigo e perguntou a respeito de um projeto que está tramitando no Congresso sobre a data de admissão das crianças no ensino fundamental. Haverá uma audiência pública no começo de agosto para discutir este projeto e mais amplamente a questão da educação infantil.

Aí a gente percebe a importância do Plano Nacional de Educação, porque há dez anos atrás a educação básica não era tema de discussão no Congresso Nacional. Era um problema das mães, dos pais, não havia uma política pública. Quem tivesse recurso colocava os filhos numa escola particular. Algumas prefeituras tinham convênios, mas não havia uma política de educação infantil no Brasil, não se entendia a educação infantil como um direito da criança.

O Plano Nacional vem consolidar uma política que pretende, até 2016, universalizar o acesso ao ensino a partir dos 4 anos de idade em todo o território nacional. Isto implica em preparar recursos, preparar os governos municipais, planejar o Brasil com o objetivo de garantir este direito.

Nestes últimos anos um novo entendimento da educação vem se consolidando. Em primeiro lugar foi a criação em nossa Constituição do FUNDEB, que é um fundo que distribui recursos para educação e que incorpora a educação infantil, a educação especial, a educação de jovens e adultos e o ensino médio. Com o FUNDEB nós ampliamos e criamos um fundo que tem a responsabilidade de repartir e distribuir os recursos para todo o sistema educacional brasileiro. A União passa a contribuir não apenas no ensino superior, como antigamente. O governo brasileiro percebeu que ele não pode ficar de fora do sistema educacional, mesmo sabendo que as definições constitucionais responsabilizam apenas os municipios e estados por determinadas etapas da educação em nosso país.

Angelo Vanhoni

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O deputado federal Angelo Vanhoni, relator do Projeto de Lei 8035/10 – PNE 2011-2020, recebeu das mãos do reitor da UFPR, Zaki Akel Sobrinho, o relatório com as 1.424 emendas propostas por representantes da educação de todo o Paraná.

É uma grande alegria hoje estarmos nesta solenidade de entrega de um trabalho coletivo. Este fórum é de todos, é um espaço republicano de discussão. Nós recriamos um espaço em que a sociedade paranaense vai pautar a educação como seu tema principal. O Paraná falou forte, está sendo ouvido nas instâncias de poder deste país, está sendo ouvido nos locais onde se decide o destino de nossa nação. A educação volta a ser uma pauta central na sociedade brasileira. Nós não estamos fazendo um debate para iniciados, circunscrito à academia ou que prioriza determinados temas ou determindas áreas. Nós fomos capazes de produzir, pela força e articulação de todos os que estão nesta mesa e pela força e trabalho de todos os que estão nesta plenária ou que participaram durante estes dois meses, que arregaçaram a manga e puseram a mão na massa em sentar, discutir, debater, propor, olhar para o diferente, compreender esta diversidade e perceber que estamos num momento ampliado. É a oportunidade de falarmos de financiamento, de carreira docente, da centralidade do papel do educador, falar de que país nós queremos ter para os nosso filhos e netos, pois, é a partir desta visão que vamos desenhar a educação que vai nos conduzir a este país. Eu tenho certeza que este Plano Nacional de Educação, após tanto debate, após uma profunda reflexão da sociedade, vai ter lá no Congresso o tratamento que merece. Para orgulho nosso estamos entregando hoje ao deputado federal Angelo Vanhoni, relator deste projeto na Comissão Especial, o trabalho de todos nós.

Zaki Akel Sobrinho

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A cerimônia foi realizada integralmente com tradução simultânea para libras. Houveram manifestações em defesa de escolas e classes bilingues para surdos na qual se use libras como lingua de instrução (primeira língua) e o português escrito como segunda língua. O movimento reivindica para o ensino brasileiro um direito assegurado em marco internacional em 2006, na Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, da ONU. Na primeira quinzena de agosto haverá audiencia pública no estado do Rio de Janeiro, tematizando a educação especial no PNE.

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Na abertura da solenidade, a poeta surda Rosani Suzin interpretou o Hino Nacional Brasileiro.

Fotos: Gilson Camargo

encontro com a militância petista – curitiba/pr – 28/07/2011

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O campo majoritário do Partido do Trabalhadores, Construindo um Novo Brasil (CNB), promoveu encontro em Curitiba nesta quinta feira, 28/07, reunindo mais de 200 pessoas para debater a conjuntura política local, os problemas e alternativas para a cidade e preparar-se para o pleito eleitoral de 2012. O debate contou com a presença de militantes do partido, representantes das zonais dos bairros, da região metropolitana de Curitiba, do deputado federal Angelo Vanhoni e do presidente da Itaipu Binacional, Jorge Samek, além dos deputados estaduais Toninho Wandscheer e Péricles de Mello, do ex-vereador André Passos, do prefeito de Pinhais, Luizão Goulart, do presidente da CUT/PR, Roni Barbosa, do cientista político Ricardo Oliveira e da presidente do PT Curitiba, Roseli Isidoro.

Um dos pontos principais do debate é o aprofundamento do diagnóstico da conjutura politica municipal. Segundo o deputado Angelo Vanhoni o objetivo do encontro não é definir nomes para a disputa da prefeitura em 2012, mas, a consolidação de um plano de governo para a cidade de Curitiba.

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Eu quero cumprimentar a militância do PT que comparece à esta reunião de forma expressiva com diversos setores do nosso partido aqui representados. A política depende fundamentalmente de compartilhamento. Se nós não tivermos laços de confiança e não compartilharmos as decisões não construiremos aquele partido que nós queremos, que seja propulsor de mudanças sociais, um partido que lá na base da estrutura social, ao administrar o governo, faça transformações profundas na sociedade. Esse é o projeto do PT.

Nós estamos chegando a um momento de decisão na cidade de Curitiba e em todas as cidades do Brasil. No ano que vem teremos eleições municipais e precisamos avaliar a conjuntura nacional para fazermos um diagnóstico dos problemas e alternativas para a nossa cidade. Estamos vivendo um processo riquíssimo de experiências, o governo do presidente Lula foi um governo de sucesso, soube combinar o desenvovimento econômico com distribuição de renda. Isso não é facil! É uma coisa fantástica o que aconteceu nestes últimos anos. Perto de 30 milhões de brasileiros mudaram de classe social, passaram a ter mais renda e acessaram benefícios essenciais na perspectiva de conquista da cidadania.

Eu estive no Maranhão, um estado pobre em relação a outros estados brasileiros e que tem uma população de 7 milhões de pessoas. Nós temos 900 mil bolsas família neste estado. Significa que aproximadamente 3 milhões de pessoas sobrevivem com o salário do Bolsa Família. Esta é a realidade que nós encontramos quando chegamos no governo, e é também a realidade que encontramos nas periferias das grandes cidades e nas regiões metropolitanas do Brasil inteiro. Mas, o governo federal tem investido. Hoje numa cidade de 300 mil habitantes como Imperatriz, no Maranhão, só no projeto Minha Casa Minha Vida, 10.000 unidades estão sendo construídas e mais 8.000 unidades do sistema habitacional para financiamento de moradia.

Isso mostra o que? Que aquele primeiro momento, o de ajudar as pessoas mais pobres para que elas pudesssem conquistrar ao menos a dignidade de estarem vivendo, e no momento seguinte, se colocarem no mercado de trabalho através de uma política correta da macro economia, com distribuiçao de renda, fez com que o Maranhão hoje apresente – e o nordeste como um todo – um dos maiores índices de crescimento do país, chegando à níveis de crescimento do PIB da ordem de 10% ao ano. Um crescimento maior do que todas as outras regiões do Brasil!

Se tomarmos apenas o exemplo do que está acontecendo no nordeste, para um partido de esquerda que quer transformar o Brasil, que quer trazer dignidade para o povo, só com estes dados sobre as transformações nas regiões mais pobres e no conjunto do tecido social brasileiro, onde 30 milhões de pessoas mudaram de classe social, o governo do presidente Lula já foi um sucesso. Mas não para aí, temos muito o que conquistar, o Brasil ainda tem muitos problemas.

No entanto, estamos vivendo um momento mágico em nossa economia. Saiu ontem no jornal uma notícia sobre os índices de investimento nos diversos países do mundo. Os Estados Unidos foi o que mais recebeu dinheiro, 140 bilhões de dólares em investimentos, em seguida a China, com 120 bilhões de dólares, depois Taiwan, um país territorialmente minúsculo, mas que é um tigre asiático, de alta tecnologia, e em quarto outro pais pequeno da Europa, também de alta tecnologia, a Bélgica. O Brasil é o quinto país que mais recebeu investimentos no mundo, foram 58 bilhões de dólares! Nós resolvemos o problema da macro economia. O professor Ricardo Oliveira mencionou ainda a pouco o exemplo da Italia, Portugal e Grécia. A dívida da Grécia é de 160% do PIB. A de Portugal 90% do PIB. A dívida da Itália é de 147% do PIB. O jornalista da Rede Globo, ao descrever o problema da Europa, que pode ir a falência com a sua moeda se os bancos alemães e franceses não socorrerem a Grécia e estancarem o problema em Portugal e na Irlanda, falou assim: “Estamos vendo a Grécia com um endividamento de 160% do PIB, a Itália com 147%, e nós aqui no Brasil temos uma dívida de 38% do PIB, a qual podemos pagar integralmente com as nossas reservas e ainda sobra dinheiro”. Nós temos que dar parabéns para o Brasil!

Esta é a nossa realidade macro econômica no cenário internacional. Com um partido governando com este princípio de emancipação, de priorizar os mais pobres. Colocando as perspectivas que estão abertas, por exemplo: nós temos o maior rebanho de gado do planeta, somos o maior fornecedor de proteína animal, só perdemos na agricultura para os Estados Unidos, descobrimos uma riqueza fantástica que é o petróleo de uma forma como não sonhavamos. Os números da reserva do Pre- sal hoje, a nível mais baixo, mais pessimista, é de 40 bilhões de barris de reserva. Ao preço de 120 dolares o barril, a receita de exploração desta reserva pode chegar a 4 trilhões de dólares. Uma vez e meia o PIB do Brasil! Sendo que as reservas estão estimadas por alguns especialistas em 80 bilhões de barris.

As perspectivas de desenvolvimento da nação e de distribuição de renda através de políticas sociais emancipadoras fazem com que a gente tenha a possibilidade de resolver os problemas crônicos do nosso país em um curto espaço de tempo. Para isto precisamos ter decisão política para combinar desenvolvimento econômico com distribuição de renda, invesimento em educação, investimento em politicas para as mulheres, com investimento em políticas para educação infantil, para incorporar as crianças de 0 a 3 anos em creches, para fazer com que as crianças de 4 a 6 anos estejam em escola pública de boa qualidade. A Europa ja faz isso desde o fim da segunda guerra mundial. Aumentar o tempo de aprendizagem da criança no ambiente escolar, para que ela tenha condições de concluir o ciclo de ensino e ser um cidadão mais pleno, com acesso à formação em todas as etapas, para isso o Brasil precisa continuar a ser governado sob este binômio: transformação econômica com democracia e distribuição de renda.

Nós estamos reunidos aqui, o PT está representado oficialmente pela sua executiva estadual e pela sua executiva municipal, para definir grupos de trabalho com o objetivo de consolidar um projeto para Curitiba e fazer um diagnóstico do que está acontecendo no mundo, do que está acontecendo em nosso país, olhar para a alma profunda de Curitiba, olhar para os bairros, para a nossa região metropolitana com atenção para os diversos estratos sociais, lembrando que esta cidade tem história, tem densidade do ponto de vista de sua cultura, de sua formação, da sua ancestralidade indígena marcada já pelo seu nome, da chegada aqui dos portugueses, dos italianos, dos afrodescendentes, dos diversos ciclos de imigração de ucranianos, poloneses, alemães e japoneses no século passado, das migrações internas em nosso país e em nosso estado e dos diversos povos e culturas que constituem a nossa identidade.

Temos a tarefa de propor para a cidade um projeto que combine desenvolvimento urbano com desenvolvimento humano e que dialogue com todos os setores da sociedade. Vamos reunir o partido, discutir o plano de governo, chamar todas as forças para conversar; o Tadeu, o Rosinha e, mais adiante, com o acúmulo e as diretrizes advindas deste processo, escolher o candidato que irá disputar as eleições municipais em Curitiba.

Angelo Vanhoni

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Jorge Samek, presidente da Itaipu Binacional, Angelo Vanhoni e Luizão Goulart, prefeito de Pinhais.

Fotos: Gilson Camargo

entrevista com o professor angelo souza – ufpr

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Entrevistamos esta semana o professor Angelo Souza, doutor em políticas educacionais e membro fundador do Núcleo de Pesquisa em Políticas Educacionais da UFPR. Angelo Souza, assim como outros professores que integram o Núcleo, estão prestando consultoria ao deputado Angelo Vanhoni na classificação e organização das quase três mil emendas encaminhadas ao texto do Plano Nacional de Educação (PNE) que deverá entrar em votação ainda este ano.

Blog Vanhoni – Houve um Plano Nacional de Educação aprovado na Câmara e no Senado em 2001, por que não entrou em vigência? Qual o contexto do PNE nos dias de hoje? Quais são as diferenças em relação ao primeiro plano? Corremos o risco de acontecer a mesma coisa?

Angelo Souza – A dificuldade de implantação do plano de 2001 se deve, a meu ver, a três fatores: o primeiro tem a ver com o processo de elaboração do plano. Naquela ocasião houve uma espécie de concorrência entre dois Projetos de Lei. A Constituição do Brasil já previa, desde 1988, a necessidade de um Plano Decenal de Educação. Isso ficou congelado por um tempo, até 1996 e, com a Lei de Diretrizes Básicas da Educação essa mesma exigência foi reposta. O MEC, ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso, pouco se mobilizou. A partir daí a sociedade civil, por sua vez, se organizou. Sindicatos de professores, a CNTE, os partidos políticos de oposição na época, centrais sindicais, enfim, realizaram um conjunto de eventos com vistas à elaboração de um projeto de Plano Nacional de Educação. Foram os chamados CONEDs, Congresso Nacional de Educação, e foram realizados três nos anos 90. Isto resultou num Projeto de Lei, que subscrito por vários deputados, foi apresentado ao Congresso Nacional e o Ministério da Educação simultaneamente apresentou uma outra proposta.

Mais do que um esforço coletivo na busca de um plano unificador, houve nesta época uma concorrência entre oposição e governo na defesa de um projeto próprio. O resultado foi uma colcha de retalhos juntando estes dois projetos, predominando a visão do governo mas com varias contribuições da sociedade civil, principalmente no que diz respeito ao financiamento.

Aí chegamos ao segundo fator que tem a ver com o financiamento à educação. O projeto foi aprovado na Câmara, depois no Senado e seguiu diretamente para sanção do presidente Fernando Henrique Cardoso. O presidente vetou nove metas do texto, e destas, sete  faziam menção ao financiamento da educação e garantiam recursos para cumprir as outras metas. Com este veto o plano se descaracterizou e passou a ser apenas uma carta de intenções sem alocação de recursos para a sua realização.

O terceiro fator é a participação popular. No começo de 2003, na mudança de governo, houve um impacto muito grande sobre a sociedade civil organizada. Uma boa parte deste setor virou governo, e a vanguarda constituída neste movimento, direta ou indiretamente, foi trabalhar no governo ou para o governo. Então, aquelas pessoas que poderiam fazer a vigilância do plano acabaram se tornando os executores de um plano herdado do governo anterior e subtraído dos recursos necessários para a sua implantação.

O contexto que encontramos hoje é outro, principalmente no que diz respeito à mobilização e a perspectiva de controle social. O processo de construção do PNE, desta vez, foi bem diferente. Seja pelas Audiências Públicas que o Congresso está realizando e que estão coroando um processo que começou a dois anos atrás, e principalmente, pela inciativa do Ministério da Educação de convocar a Conferência Nacional de Educação, a Conae, em 2009. Ali iniciou-se um processo de participação popular que envolveu praticamente um milhão de pessoas em Conferências Municipais e Estaduais e na Conferência Nacional. Este processo culminou na elaboração de um documento orientador e o compromisso do Ministério era desenvolver um projeto de plano a partir deste documento.

A crítica que tem sido feita, coerente por sinal, é que aquela resolução da Conferência Nacional de Educação, que ocorreu em março do ano passado, para o atual projeto de lei tem uma lacuna enorme. O Projeto de Lei não contempla de maneira ampla e absoluta o documento da Conae e por isso o MEC está sendo cobrado. Uma das tarefas árduas que o deputado Angelo Vanhoni tem enfrentado agora é de como, a partir de um Projeto de Lei elaborado pelo Ministério, incorporar demandas da sociedade que já estavam presentes no documento da Conferência Nacional de Educação.

Mas eu diria que nós temos hoje um grau de vigilância pública e de controle social maior. A sociedade civil teve um aprendizado e desenvolveu condições de cobrar mais. A lição do plano anterior, o processo de participação que foi ampliado e incentivado durante o governo Lula, a Conae e agora a experiência de elaboração do PNE estão se traduzindo na forma de um maior amadurecimento político da sociedade.

O aspecto que deverá contribuir para que o insucesso do plano de 2001 não se repita é a meta 20, justamente a meta que trata do financiamento da educação. Esta meta seguramente não vai ser vetada e o que tem se construído como aparente consenso é a necessidade de se vincular pelo menos 10% do PIB como investimento público em educação ao longo de 10 anos. Pode ser que o texto não contemple integralmente esta expectiva, mas seguramente será algo entre 7% e 10%.

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Blog Vanhoni – Será possível financiar a educação no Brasil com os percentuais previstos no plano? Você é otimista em relação a esta perspectiva?

Angelo Souza – Eu sou otimista. A sociedade está mais amadurecida, tem uma mobilização nacional e o governo federal está empenhado. Dificilmente isto não resultará em algo positivo.

Em relação ao percentual, o problema não é colocar 10% do PIB no texto do PNE. Das quase 3.000 emendas que foram encaminhadas à Comissão Especial há um número muito grande, próximo de 80%, em que todas, sem exceção, propõem mudar o texto de 7% para 10%. Isso é consensual, haja visto que estas emendas provém de quase todos os partidos políticos brasileiros. Difícil porém é executar esta meta.

Apresento aqui uma estimativa dentro do que acho factível. Atualmente o governo investe 5% do PIB em educação. Por que o MEC propõe 7%? Porque propõe pagar com recursos federais estes dois bilhões que representam os 2% a mais no orçamento. Então, qualquer coisa acima dos 7% teria que vir de outra fonte além do governo federal. Se os municípios e os estados tivessem a possibilidade de ampliar o seu investimento educacional nós teriamos mais do que 7%. Por isso eu estou achando que será algo em torno de 8.5%. São os 5% que já existem, mais 2% da conta federal contida na proposta do MEC, que talvez chegue a 2.5 %, num processo de pressão, e mais 1% com recursos estaduais e municipais.

O Brasil não tem que investir 7 % ou 10% do PIB para sempre, mas é fundamental investir bastante nessa década para que ao final da próxima, em 2030, o país possa voltar a investir 5% ou 6%. Primeiro porque o PIB do país será muito maior, trabalhando com a idéia de que este investimento provocará, dentre outras coisas, desenvolvimento econômico e portanto um PIB maior e, segundo porque a população em idade escolar está caindo e as demandas educacionais serão menores.

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Blog Vanhoni – Além dos sistemas de avaliação que estão sendo utilizados para o monitoramento da qualidade do ensino nas escolas brasileiras, que perspectivas existem para a elevação dos índices de aprendizagem?

Angelo Souza – Hoje nós temos uma pressão grande na educação infantil, que tem muitas metas e onde certamente haverá muitas emendas, pois há um movimento maior da sociedade organizada nessa discussão do PNE. Precisamos atender a três custos grandes educacionais. Um é o de conquista de investimento, de construção. Hoje nós não temos no Brasil capacidade instalada para atender as crianças, dos 6 aos 14 anos, o dia inteiro na escola. Se o governo dissesse “quem quiser ficar na escola o dia inteiro pode”, nós não conseguiriamos sequer atender 10% destas crianças. Temos então um custo de instalação, de construção do prédio, contratação de professor, que é elevado. Tem o custo de manutenção que na verdade é até maior, porque a manutenção é muito mais longa, porém, de impacto imediato ele é menor. Mas o custo mais dificil de dimensionar é o terceiro que é o da qualidade. Você já tem escola, já tem professor, tem a vaga para aluno e a questão agora é fazer o aluno aprender. Nós já temos, por exemplo, escola no Brasil para atender todas as crianças do ensino fundamental. Isso não ocorre ainda na pré escola e no ensino médio. Então o problema hoje no ensino fundamental não é a escola, é a aprendizagem.

Que tipo de investimento tem que ser esse para fazer o aluno aprender? É um investimento que não é só direto, ele tem que ser no professor, às vezes na família, ou seja na lacuna que existe no que alguns pesquisadores, como José Francisco Soares, chamam de nível sócio econômico ou nível sócio cultural familiar. Ele chega a calcular, este pesquisador, que quase metade do rendimento escolar do aluno não é derivado da escola. No Brasil o efeito escola é um dos mais altos do mundo porque quando você tem uma condição de pobreza, de miséria muito elevada, o nível de impacto da escola aumenta muito. Isso porque quanto mais capacidade cultural e econômica tenha a família menos ela depende da escola.

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Blog Vanhoni – Como esta sendo prospectada a questão salarial dos professores no PNE?

Angelo Souza – Há 3 metas que são vinculadas à valorização profissional. Formação incial, formação continuada e salário. É importante que o plano tenha destacado isso porque o governo federal assim enxerga que não haverá melhoria da qualidade da educação sem valorização profissional. A proposta neste sentido é interessante e tem reverberação direta com a questão de financiamento. O texto propõe que ao cabo de 10 anos não tenhamos professores sem formação em nível superior. Também propõe que metade dos professores da educação básica tenham curso de pós graduação. Isso já existe de alguma forma no Brasil e é fruto mais das conquistas sindicais contempladas nos planos de carreira do que como política nacional.

O problema para algumas pessoas que tem criticado o texto e há muitas emendas relacionadas a isso é: quem deve dar essa formação e quem é responsável por ela? O Brasil é um país continental e não temos universidades públicas em toda a vastidão territorial brasileira. Hoje o setor público de ensino superior não dá conta de formar todos esses professores. Assim, há uma estratégia que sugere que parte dessa formação seja feita pela rede pública de ensino à distância.

Um dado sério e importante que alguns criticos apontam é que nós já temos no Brasil 4 milhões de professores formados. Na educação básica há 1 milhão e 900 mil professores. Precisamos de 2 milhões e meio. Nos falta pouco mais do que meio milhão. Mas já existem no Brasil 4 milhões de pessoas formadas, licenciadas! Então, além de garantir a formação a pergunta é: por que este profissional não está dando aula?

Ai vem a questão do salário. Não é só isso, mas é também. Parte do problema está nas condições de trabalho que o profissional de educação encontra. Hoje o MEC propõe em dez anos fazer com que o salário medio de um professor para uma jornada de 40 horas seja equivalente ao salário médio de um profissional com o mesmo nível de formação para uma jornada equivalente. Isto é, que um professor ganhe o equivalente a um economista ou um engenheiro assalariado.

Hoje o salário médio de um professor na educação básica para uma jornada de 40 horas é de 1.700 reais. O de um economista é de 2.800 reais. O professor ganha 1.000 reais a menos que um assemelhado seu. Isso conforme dados do MEC. Se multiplicarmos estes 1.000 reais pelos 2 milhões e meio de professores necessários, isso da mais ou menos 33 bilhões de reais por ano. É 1% do PIB brasileiro.

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Blog Vanhoni - O ensino médio e tecnológico tem sido destacado entre as prioridades do governo federal nos útlimos anos. Como isto está sendo contemplado no PNE? Qual o ideário que tem prevalecido: O de uma tecnologia libertária com vistas ao desenvolvimento de uma autonomia nacional neste setor ou uma atualização nas tecnologias corporativas subservientes aos interesses da indústria internacional e a proteção de marcas e patentes?

Angelo Souza – São três tendências. A do MEC, que é uma posição intermediaria, a do Sistema S e do capital privado e a dos publicistas ou dos criticos ao PNE ou ainda aos críticos à ausência de uma explicitação de uma responsablidade pública maior com o ensino médio e tecnológico. O MEC usou a seguinte estratégia em todo o plano: evitar a dicotomia público-privada, todas as dicotomias, se possível. Porque ao apresentar a dicotomia abre-se a porta, segundo o MEC, para surgirem emendas em defesa do segmento privado, que é um lobby poderoso, e que pode tanto impedir a meta neste formato quanto alavancar o seu proprio projeto.

Eles propõem no ensino médio e tecnológico simplesmente a dobra das matriculas existentes. É na minha opinião a meta mais frágil de todo o plano. O próprio MEC admitiu que isto é insuficiente. Se a Dilma cumprir o que prometeu na campanha em relação aos Institutos Federais de Educação Tecnológica só isto já dá conta da meta, e sabendo que o ensino médio profissional federal é pequeno. O MEC está apostando também num outro projeto importante, afora o PNE, que é o Pronatec, é uma espécie de ProUni do ensino médio, mais específicamente do profissional tecnológico, que é o Sistema S e as escolas privadas ofertarem vagas gratuidas para a população, mas subsidiadas pelo governo federal.

Hoje você vai no SENAI para fazer um curso de técnico em eletrônica ou mecatrônica e você paga. Pode não ser muito, mas paga. Já há um percentual de vagas gratuítas, por pressão do governo federal, pois quem banca o Sistema S são tributos públicos e ele é custeado pela população brasileira. O Ministério perdeu essa luta. Havia como proposta há quatro anos atrás a estatização do sistema S mas que não chegou a se realizar. A idéia do Pronatec é a de criar um meio termo pra isso, é de garantir vagas públicas para a população em geral, para que ela possa fazer um bom curso no Sistema S sem pagar nada, mas que este curso seja custeado pelo governo federal. Hoje a concepção do MEC é essa, mas no PNE ela é ainda muito frágil.

Blog Vanhoni - Qual é a agenda do PNE para a finalização destes trabalhos e encaminhamento do texto para votação?

Angelo Souza – Apesar do volume grande de emendas ao texto, a parte técnica desse trabalho não deve prolongar por demais o calendário de discussão e votação na Câmara. Neste cenário, no final de julho, ou na primeira quinzena de agosto, o relator terá em mãos um pré-texto com a súmula destas emendas, já considerando as concepçôes que emergiram através das audiências públicas realizadas nos estados e também na Câmara Federal. Haverá então um período de duas a três semanas de negociação do texto para em seguida colocá-lo em votação. Isso deve ocorrer, na melhor das hipóteses, em setembro. Como o projeto está sendo analizado por uma Comissão Especial, a princípio ele dispensa votação no Plenário, seguindo diretamente para o Senado e depois encaminhado para sanção presidencial.

Fotos: Gilson Camargo

entrevista para a tv educativa de ponta grossa/pr

Entrevista concedida a Ana Cláudia Gambassi, no Programa Alto Estilo, em Ponta Grossa/PR, por ocasião da realização dos debates sobre o Plano Nacional de Educação.

Ana Gambassi – Deputado, a ideia é terminar o relatorio do PNE nos próximos dias?

Angelo Vanhoni – “Nós recebemos o projeto no final do ano passado e a Câmara dos Deputados decidiu constituir uma Comissão Especial para analizar este projeto. A votação será feita por esta Comissão que tem 25 deputados. Ele teria que passar normalmente por outras Comissões mas diante da importância do projeto o regimento prevê esta possibilidade. Estamos realizando Audiências Públicas e debates em todo o Brasil. O Projeto de Lei trata do Plano Decenal da Educação em todo o país, agora a Constituição prevê que o Plano de Educação seja decenal e nele dever constar o percentual do PIB a ser alocado como recurso para o cumprimento das metas educacionais.”

Angelo Vanhoni – “Para você ter uma ideia, nós gastamos em educação no Brasil hoje, somando todos os Estados, Municípios e a União, em torno de 180 bilhões de reais por ano. Isso dá 5% do PIB. O governo brasileiro mandou o projeto do PNE estipulando que 7% do PIB devem ser gastos com a educação até 2020. O debate com a sociedade está em torno deste diagnóstico e a respeito de quanto será necessário para que o Brasil enfrente os problemas educacionais nos próximos 10 anos. Tem algumas entidades educacionais dizendo que 7% não será suficiente e defendem um percentual de 10% do PIB. Este é um ponto de muito polêmica e debate, diante dos desafios e de uma dívida que o Brasil tem com a educação ainda, pois nós precisamos incluir no sistema educacional as crianças de 4 a 6 anos, ampliar a educação integral, fazer as escolas profissionalizantes no ensino médio, ampliar as matrículas também no ensino superior que é um grande funil, poucos jovens conseguem entrar na universidade porque há poucas vagas.”

Ana Gambassi – “Falavamos sobre a valorização dos professores, do magistério e das diferenças salariais, esse acaba sendo também um grande desafio para se pensar a educação no Brasil?”

Angelo Vanhoni – “Para melhorar a qualidade da educação, alem da valorização do magistério, através de carreira, piso salarial, formação continuada, o professor tem que ter um desenvolvimento intelectual permanente enquanto está no exercício da sua profissão, tem que ter condições de se aperfeiçoar continuamente. O enfoque sobre o conhecimento muda e as técnicas para favorecer a aprendizagem também evoluem. Há um investimento na formação dos professores que precisa ser feito em todo o território nacional. Pra você ter uma idéia da gravidade do problema, nós temos professores em diversos estados que ainda não concluíram o ensino médio, e outro grave problema da educação no Brasil é que nossas crianças não estão conseguindo ler e realizar as operações mais simples da matemática.

Nos últimos anos o Ministério da Educação construíu um sistema de avaliação da produção intelectual das crianças no Brasil inteiro. Hoje podemos acompanhar a qualidade da educação em matemática e português em nossas escolas. Esse exame é praticado em todos os países desenvolvidos do mundo. Agora temos uma ferramenta para desenvolver um diagnóstico e planejar ações para melhorar a qualidade da educação.”

apresentação do plano nacional setorial de museus na comissão de educação e cultura da câmara federal

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Abertura da Sessão da
Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal (CEC) de 10/05/2011. Da esquerda para a direita: deputado Angelo Vanhoni, deputada Fátima Bezerra, presidente da CEC e José do Nascimento Junior, presidente do Instituto Brasileiro de Museus.

Por iniciativa do deputado Angelo Vanhoni a Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal realizou nesta terça-feira, 10/5, Audiência Pública para apresentação do Plano Nacional Setorial de Museus (PNSM), que vai integrar o Plano Nacional de Cultura e estabelecer a agenda política do setor museal para os próximos 10 anos. O presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), José do Nascimento Junior, discorreu sobre as principais pautas que precisam ser debatidas junto ao legislativo ainda este ano e salientou a importância do estabelecimento de um marco legal definindo o que é serviço público de natureza cultural, para diferencia-ló de outros serviços públicos prestados pelo estado e melhor atender as demandas específicas e particularidades do setor cultural.

O PNSM é resultado de ampla discussão entre profissionais do campo museal. Suas diretrizes foram elaboradas e aprovadas na 4a edição do Fórum Nacional de Museus, que aconteceu em Brasília, entre os dias 12 e 17 de julho de 2010. Antes disso, porém, foram realizadas plenárias estaduais que mobilizaram representantes da área museológica, da sociedade civil e do poder público.

Entre as principais metas do PNSM estão a ampliação do número de museus nos municípios. Atualmente, 21% dos municípios brasileiros possuem pelo menos um museu. A meta é chegar a 50% dos municípios com museu nos próximos dez anos. Além disso, o PNSM prevê o aumento de orçamento do setor para 6% do orçamento finalístico do Ministério da Cultura.

No final da reunião José do Nascimento Junior convidou os presentes a participarem da Semana Nacional de Museus, promovida pelo Ibram, que  acontece anualmente em celebração ao Dia Internacional dos Museus, 18 de maio. Neste ano, a 9ª Semana Nacional de Museus ocorrerá entre os dias 16 e 22 de maio, quando instituições museológicas de todo o país promoverão eventos em torno do tema “Museu e Memória democrática”. A Semana conta com a adesão dos museus e outros lugares de memórias como: arquivos, bibliotecas, casas de cultura, redes sociais, galerias, etc… Em 2011, participam da celebração 1.006 instituições, que realizarão cerca de 3.080 eventos em mais de 500 cidades de todo o país.

Confira as principais pautas do setor museal junto à Câmara dos Deputados para o ano de 2011:

- Projeto de Leis e Diretrizes da Cultura
- O Plano de Carreira da Cultura
- Trabalhar os Planos Setoriais em relação ao Plano Nacional de cultura
- Estabelecer no campo dos museus a questão da LDO e da LOA
- A reestrutração do Ibram que se encontra no Ministério do Planejamento
- Nomeação de funcionários que fizeram concurso público
- Ampliação orçamentária do Ibram
- Marco legal definindo o que é serviço público de natureza cultural
- Discussão sobre a terceirização dos serviços culturais
- Pec 575 de 2008 que etabelece o patrimônio museológico com garantias constitucionais
- Relação do Plano Nacional de Educação com os museus como espaços educativos
- A lei 8666 adaptada à realidade cultural
-A instalação da CPI sobre o tráfico de bens culturais
- A questão do legado cultural da Copa e da Olimpíada
- Convenção da preservação e difusão do patrimônio museológico com vistas ao estabelecimento de um marco legal internacional

Assista a íntegra dos vídeos da Audiência Pública de 10/05/2011 na Página da Câmara Federal

Link para o texto integral do Plano Nacional Setorial de Museus

entrevista com angelo vanhoni – gazeta do povo, 02/05/11

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O deputado Angelo Vanhoni acompanhou o ciclo de debates do 30ª Fórum Paranense em Defesa da Escola Pública, realizado pela APP Sindicato no último final de semana (29 e 30/04), em Curitiba (imagem acima). Em entrevista concedida ao jornalista Gabriel Azevedo, o relator da Comissão Especial que analisará o PNE discorreu sobre os pontos mais polêmicos do projeto e antecipou algumas das agendas estabelecidas pela Comissão Especial.

Seminários Regionais da Comissão Especial do Plano Nacional de Educação:
16/05 – Fortaleza/CE – Assembléia Legislativa
20/05 – Rio de Janeiro/RJ
23/05 – São Luiz/MA
27/05 – Boa Vista/RR
03/06 – São Paulo/SP
06/06 – Curitiba/PR – Assembléia Legislativa
09/06 – Salvador/BA
10/06 – Belo Horizonte/MG
13/06 – Recife/PE (a confirmar)
17/06 – Campo Grande/MS
20/06 – Vitória/ES
15/07 – Florianópolis/SC

Audiências Públicas convocadas para a Câmara dos Deputados:
11/05 Audiência Pública – Qualidade da Educação
18/05 Audiência Pública – Expansão e Universalização do Ensino
25/05 Audiência Pública – Financiamento da Educação

Audiência Pública – Gestão Democrática (a definir)
Audiência Pública – Valorização dos Profissionais da Educação (a definir)

Leia a íntegra da matéria publicada pela Gazeta do Povo, em 02/05/11.

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Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

Gazeta: A discussão sobre o Plano Nacional de Educação não tem se pautado apenas na questão financeira. Qual é a importância do diagnóstico do MEC?

Vanhoni: Precisamos mapear as demandas para descobrir aonde chegamos no ensino básico, médio, superior e na educação infantil. É hora de diagnosticar as necessidades de expansão, de construção de escolas, salas de aula, de contratação de professores, taxas de evasão escolar. Este levantamento precisa ser o mais claro possível, tanto para a Câmara, quanto para a sociedade. A partir dele é que poderemos tomar decisões, inclusive sobre as finanças. Temos obrigação de definir o índice de investimento no PIB.

Gazeta: Quais são os maiores desafios que o PNE se propõe a enfrentar?

Vanhoni: O primeiro é a educação infantil. Perto de 3 milhões de crianças estão fora dessa etapa. Nos últimos anos, ficou evidente para os gestores que quanto mais cedo a criança ingressar na escola, melhor o resultado. Precisamos preparar os professores das redes municipais para absorver essa demanda e ofertar uma educação de qualidade. É uma meta prevista dentro do PNE e acredito que o Brasil tem condições de cumpri-la. O ensino médio também é um desafio. As taxas de evasão oscilam de 30% a 40%, o que é um problema grave. Além de construção de escolas e contratação de professores, o PNE prevê investimentos no ensino profissionalizante. Há um esforço para que, pelo menos, 50% a 60% dos jovens entre 14 e 17 anos terminem o ensino médio daqui a dez anos, frequentando escolas profissionalizantes em todo o território nacional. Outro grande desafio é o ensino superior. O Brasil tem 40 milhões de pessoas nessa etapa, mas apenas 5 milhões estão na faculdade, sendo que apenas 1,8 milhão em instituições públicas. O estado está ausente. Temos de construir universidades, ofertar vagas noturnas, contratar professores, formar mestres e doutores.

Gazeta: Existem pontos polêmicos do plano que podem ser alvo de emendas no Congresso Na­­cional?

Vanhoni: Calculo que serão mais de 300 emendas. O assunto que mais será discutido, acredito, não será o diagnóstico e nem as metas, mas o índice do PIB destinado à educação. Não será uma discussão fácil. A sociedade reunida em entidades já postulou um índice de 10% do PIB. O Executivo enviou uma mensagem estipulando 7%. Analisando o diagnóstico e de olho em meta por meta do PNE, vamos ter de chegar a um índice que possa garantir o avanço significativo da educação brasileira. Não tenho dúvida de que o índice financeiro vai ser a grande discussão, até porque envolve prefeitos, governadores, União e sociedade, enfim, aqueles que querem uma educação universalizada e de qualidade.

Gazeta: O senhor acredita que o plano deverá ser votado ainda neste ano?

Vanhoni: Terminado o prazo de apresentação de emendas, em junho, nós deveremos seguir com as audiências públicas pelo país até o início de julho. A minha intenção é que no mês de agosto estejamos com o relatório pronto para ser votado na comissão. E votado na comissão, ele é terminativo. Segue para o Senado. Se o Senado fizer algumas alterações, volta. Se não fizer, segue para sanção. Por isso, já estamos articulando com os senadores algumas emendas, modificações para incorporar ao texto. Isso para que a tramitação seja a mais breve possível, para que o valor esteja previsto no orçamento do ano que vem.




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