antônio nóbrega – saudação da classe artística para a 2º conferência nacional de cultura – teatro nacional, brasília/df, 11/03/10

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“Excelentíssimo sr. presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sra. primeira dama Marisa Letícia, excelentíssimo ministro da Cultura Juca Ferreira, excelentíssima ministra Dilma Rousseff e demais autoridades. Creiam, não estarei cometendo lugar comum ao dizer que me sinto bastante lisonjeado em estar me apresentando hoje aqui na abertura da II Conferência Nacional de Cultura, que tem como mote a liberdade de expressão e o patrimônio cultural do povo brasileiro. Mas, além de lisonjeado, sinto-me bastante motivado. Primeiro de tudo, antes de mais nada, é a primeira vez que me apresento para o presidente Lula, e isto para mim é um motivo de muita honra. Tive uma outra oportunidade de estar ao seu lado quando recebi um prêmio. Na verdade eu lhe convidei para dançar, porém, ele passou a missão para o ministro Gilberto Gil. Segundamente, o meu querido Sergio Mamberti, presidente da Funarte, pediu-me para, em nome da classe artística, proferir uma espécie de boas vindas a todos. Faço isto com muito gosto e não só como artista, mas também como cidadão. Digo isso porque tive a oportunidade de durante o dia ler o texto base da II Conferência Nacional da Cultura, lá escrito por várias mãos, corações e mentes, com redação final do pesquisador Bernardo Novaes e da Marta Machado e fiquei sinceramente entusiasmado com o conteúdo deste documento e das várias questões vitais para o entendimento do papel e função da cultura em uma sociedade como a nossa. Uma delas, em especial me acompanha há muito tempo.

Permitam-me prorrogar esta saudação por mais um parágrafo para falar sobre esta questão que me acompanha esquentando meu juízo e meu corpo. A questão é a seguinte: a nossa cultura apresenta a unidade dentro da sua diversidade, ou a diversidade dentro da sua unidade? Pergunto. E se isso ocorre, o que ela representa ao todo da nossa cultura? À minha maneira vou tentar responder esta questão de uma forma pouco comum para a maioria, mas, bastante comum para mim. Dançando.”

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“Vou dançar uma obra tida como universal, escrita por um compositor que se tivesse nascido no Brasil seria chamado João Sebastião Ribeiro. Ele deu este prazer aos alemães e lá o batizaram com o sugestivo nome de Johann Sebastian Bach. Pois bem, o nosso querido Bach privilegiava muito a música da sua Alemanha natal. Quem já escutou, por exemplo, as suítes, deve ter observado que muitas peças recebem os seguintes nomes: Pavana, Minueto… Estes nomes dizem respeito à dança da época de Bach. Eu vou dançá-la, valendo-me de uma linguagem particular. Não será a clássica, nem a européia, nem a dança flamenca, nem o jazz. Vou chamá-la de uma linguagem brasileira de dança. Há muito tempo que eu venho, praticamente 40 anos, que venho me dedicando à escuta da maneira de dançar do povo brasileiro. E foi reunindo passos, tambor de criola acolá, côco aqui, bumba meu boi ali, que eu fui constituindo um léxico. Depois fui estudando as danças do mundo, as diversas linguagens e comecei a compreender que as danças têm princípios. E estes princípios são as conexões universais. É neste conjunto de formações que eu penso a língua brasileira e aí é onde está incluído o universal e o particular, o regional e o mundial. Esta será a maneira mais plena que escolhi para saudar a todos. Espero que particularmente os artistas aqui presentes, de alguma maneira se sintam representados através desta minha saudação. Finalizando, gostaria de parabenizar o ministro Juca Ferreira, os secretários e todos os funcionários e funcionárias do Ministério pela realização desta bela conferência. Um bom espetáculo!”

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Fotos: Gilson Camargo

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Da esquerda para a direita: Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Jandira Fegali, presidente do Fórum Nacional de Secretários de Cultura das Capitais, Juca Ferreira, ministro da Cultura, Silvana Meireles, secretária de articulação institucional do MinC e coordenadora nacional da Conferência de Cultura, Luiz Inácio Lula da Silva, Paulo Vannuchi, ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, a primeira dama Marisa Leticia, Franklin Martins, ministro da Comunicação Social, a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, Luiz Dulci, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, o ministro do Esporte, Orlando Silva e Luís Antônio Rodrigues, ministro interino da Ciência e Tecnologia.

1 Comentário

  1. Sônia M B Braga
    15 de março de 2010

    Parabéns, Deputado Angelo Vanhoni!
    Seu site está muito bom e nuito bonito também!
    Forte abraço!
    Sônia Braga.

One Trackback

  1. By Credigy Receivables and Steve Stewart | Danca Brasil Samba Show on 15 de março de 2010 at 15:27

    […] Antônio Nóbrega – Carta da classe artística para a 2º Conferência … […]

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