26 anos da central única dos trabalhadores – cut/pr – curitiba – 28/08/09

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Maíra Belotto, Angelo Vanhoni, Roni Barbosa, presidente da CUT/PR, Domingos Oliveira Davide, presidente do SINTRACON/PR e Tadeu Veneri, deputado estadual/PR, durante a comemoração do aniversário de 26 anos da CUT.

Há exatos 26 anos, cerca de cinco mil homens e mulheres, vindos de várias regiões do país, lotavam o galpão da extinta Companhia Cinematográfica Vera Cruz, durante o 1º Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (CONCLAT). O resultado dos debates foi a fundação da Central Única dos Trabalhadores, a CUT.

Para marcar a passagem do aniversário de 26 anos, a instância estadual da Central realizou uma homenagem à entidade e um debate sobre a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas sem diminuição de salários, com o economista e coordenador do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) no Paraná, Cid Cordeiro.

O deputado federal Angelo Vanhoni esteve presente na abertura do evento e falou sobre o contexto histórico no qual a CUT se consolidou em diálogo com os movimentos sociais que aconteceram no mundo nas décadas de 70 e 80 e destacou o papel fundamental que a Central Única dos Trabalhadores ocupa no desenvolvimento da democracia brasileira.

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“Se nós olharmos para o que aconteceu no mundo na década de 70 vamos perceber duas coisas muito interessantes. Em primeiro lugar o movimento sindical no mundo inteiro teve um grande crescimento, sobretudo na Europa com as lutas dos trabalhadores e a greve geral na França. Enquanto isso acontecia houve uma revolução cultural em outras partes do mundo como as caminhadas pela Inglaterra e pelos Estados Unidos. Uma juventude toda entrou em cena para reivindicar mais liberdade, novas atitudes e mudança de comportamento. Houveram mobilizações contra a guerra do Vietnã, pelas liberdades civis nos Estados Unidos, lutas pelos direitos dos negros, pelos direitos das mulheres, pela liberdade sexual, pela possibilidade das pessoas poderem decidir a sua vida do ponto de vista de seus sentimentos, de sua interioridade. Estas iniciativas se entrelaçaram de alguma maneira no finalzinho da década de 60 e no começo da década de 70.

Neste período, no Brasil, a gente vai encontrar um solo muito fértil diante das contradições que o capitalismo impôs ao nosso pais: miséria extrema, ditadura militar, direitos negados à maioria do povo, e aqui uma consciência lúdica do brasileiro que soube se expressar tanto no movimento de contracultura e de liberdade ao qual os jovens eram muito sensíveis, quanto na luta sindical e de organização que os trabalhadores começaram a trilhar. Isso resultou num movimento sindical forte, inovador, que colocou a política e a esquerda do resto do mundo a se debruçar sobre o que estava acontecendo no Brasil. Misturando a tradição dos socialistas de todos os partidos da velha Europa, desde trotskistas, partidos comunistas que tinham organizações no Brasil, com a militância de uma igreja renovada, uma igreja católica sensível aos dramas que sobretudo a América Latina e a Ásia estavam passando. Houve uma vanguarda do movimento de libertação dentro da igreja que culminou com o movimento sindical e com a formação de grandes lideranças. Participavam desde o movimento estudantil, com os matizes da revolução cultural e também da revolução política, como os professores, os trabalhadores do campo, os metalúrgicos e todo um conjunto de setores sociais. Vimos a organização dos trabalhadores defendendo os direitos do ser humano contra o capital, dando por trás disso uma visão de uma sociedade diferente. Quando a gente luta pelos direitos dos trabalhadores por maiores salários nós estamos lutando contra uma sociedade que se organiza em torno do capital para explorar a mão de obra, para explorar a alma e a vida das pessoas.

Há toda uma concepção de ser humano por trás da luta sindical, dos militantes sindicais e a gente conseguiu, de certa maneira, fruto daqueles movimentos, consolidar essa visão daquilo que nós chamamos de Central Única dos Trabalhadores, que tem uma plataforma, um programa de atuação que é muito maior do que apenas a luta material por direitos salariais. Nós soubemos combinar a luta pela emancipação política dos trabalhadores com a auto-organização das classes, a comissão de fábrica, os direitos civis, os direitos das mulheres, ou seja, todo um rol de direitos socialistas está na fundaçao da CUT, e isso não é pouco! É o que a humanidade, os socialistas, aqueles que lutam por uma sociedade diferente propõem para que ela se organize e se construa sobre outras bases que não as do capitalismo. Tudo isso nós consolidamos nesta plataforma que há 26 anos atrás a gente chamou de CUT. Essa é a luta do movimento sindical que conseguimos organizar, e vejam que geração rica é a nossa! Uma geração que presenciou a década de 70 com todas as transformações que aconteceram no mundo. No Brasil nós viemos até o final da decada de 90 consolidando os movimentos sindicais. Falar da CUT é lembrar das lutas dos trabalhadores rurais em nosso Estado e no resto do Brasil. Fazendo greve, pondo pequenos tratores na frente do Banco do Brasil, exigindo crédito do governo para poder plantar, sobretudo os pequenos agricultores. As grandes marchas de homens com chapéu de palha no interior do Brasil. A grande greve dos metalúrgicos no ABC, as grandes greves que a classe média e os bancários fizeram em todo o país. Os professores lutando pelo Plano Nacional de Educação, por uma educação pública e gratuita, porque não tínhamos vagas para os alunos, não tínhamos escolas. Estava consignado na Constituição do país mas não tínhamos salas de aula! A luta dos professores pela qualidade da educação e ao mesmo tempo pela universalização do acesso ao ensino. A luta pela saúde, sobretudo na Zona Leste de São Paulo, que possibiltou, através de uma grande militância nesta área, que o movimento social consignasse o que nós chamamos de SUS, que é o grande sistema que temos hoje de amparo à saúde. Essas lutas são fruto de uma militância do movimento sindical do qual a CUT é a grande expressão.

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A outra grande expressão da década de 2000 para cá e que a nossa geração tem a alegria e a felicidade de presenciar é a transformação política que nós estamos fazendo. Outro filho da década de 80 é o Partido dos Trabalhadores. O PT, depois de um longo processo de lutas em diversas cidades do Brasil e diversos estados, ganhou, há quase 8 anos atrás, a presidência da república. E agora vem fazendo uma grande tansformação no continente. O Brasil está servindo de amparo e de apoio para mudanças políticas no continente americano. Ajuda a Argentina a se consolidar com outro projeto, fruto dessas transformações que aconteceram no Brasil com a eleição do Lula, com a vitória de um partido popular, trazendo todos os partidos e todas as frentes de movimento para integrar as suas visões de como deve ser tratada a agricultura familiar, a luta das mulheres, a luta das crianças em situação de risco. Tudo isso que o movimento sindical consolidou ao longo de 25 anos estão presentes no programa que o presidente Lula , o PT, e diversos partidos vem fazendo em nosso pais. Para nós, comemorar a data de aniversário da CUT se reveste de uma importância muito grande, especialmente para o conjunto dos trabalhadores e para o povo latino americano. Nós reforçamos a luta dos bolivianos, dos peruanos, a luta da esquerda no Uruguai, no Equador, na Nicarágua, em El Salvador, na Venezuela. É um momento de ascensão enquanto o mundo passa por uma crise sem precendentes do capitalismo. De certa maneira a falência das utopias e das polítcas enquanto fenômeno emancipador de toda a sociedade passa por uma crise profunda sobretudo na Europa.

Na América e especialmente na América Latina, nós estamos vivendo um momento riquíssimo, tendo a experiência de governar esse pais e de fazer as transformações necessárias, melhorando o salário mínimo, fazendo a correção acima da inflação, organizando a distribuição de renda, amparando os mais pobres, as 11 milhões de famílias que recebem o bolsa família, a política de geração de renda sobretudo aos mais fracos, aqueles que mais sofreram com o capitalismo no Brasil. Estamos implantando de acordo com as centrais sindicais a revisão das aposentadorias com reajustes acima da inflação, corrigindo as aposentadorias, consolidando mais uma vitória para os trabalhadores. Nosso país teve um aumento de produtividade de mais de 80% nestes últimos 10 ou 15 anos. Temos um governo que está se preocupando não apenas com as conquistas materiais de nosso povo e com a macroeconomia, mas, está se preocupando também com aquilo que é fundamental, que é o alimento da alma, que é a cultura e a produção artística.

Este ano nós vamos realizar duas conferências em âmbito nacional que estão diretamente relacionadas à comissão da qual participo na Camara Federal. Uma é a da Educação. Nesta conferência vamos trabalhar o Plano Nacional de Educação e estabelecer as novas metas, as diretrizes e deveres do Estado em relação a educação para o conjunto do povo brasileiro nos próximos 10 anos. Além disso, vamos fazer a conferência da Cultura. Já na semana que vem, estaremos votando pela criação do primeiro Plano Nacional de Cultura, que vai estabelecer na Constituição de nosso país que a cultura é um direito do povo brasileiro, tanto no que diz respeito aos fomentos para arte e para a produção cultural como na garantia de acesso à fruição dos bens culturais. Estas duas conferências vão ser um marco. A da educação, para fazer um balanço e estabelecer as novas metas, vai ser uma revolução para os próximos 10 anos nesta área.

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São as bases que o governo Lula está colocando, um governo de interesse democrático e popular, entendendo que a educação dos 2 aos 6 anos de idade é  uma responsabilidade do Estado, até a educação de nível superior, na construção de 12 universidades. São um milhão e trezentos mil jovens matriculados no ensino superior só no nosso governo. Estamos também promovendo a profissionalização no ensino médio. Na cultura nós vamos fazer uma proposta e aprovar algo revolucionário. Existem 3 Vales que os trabalhadores recebem em nosso país. Um é o Vale Transporte, outro é o Vale Alimentação e agora, e só um paritido de esquerda pensaria isso, é o Vale Cultura. São 50 Reais para cada trabalhador poder acessar de 3 a 4 peças de teatro por mês, para comprar de 3 a 4 livros por mês ou ir em 5 ou 6 cinemas por mês. As centrais sindicais tem um papel fundamental nisso, um papel de destaque para fazer com que o nosso povo possa ter um aumento, um ganho de consciência, e nós que somos sindicalistas, que temos a visão de organização da sociedade pela base, para que ela possa assumir as suas responsabilidades, para nós, o valor da cultura é fundamental. Sem uma política cultural no país que possa garantir o acesso do conjunto de seu povo ao que a sociedade produz do ponto de vista da cultura, nós não vamos criar uma sociedade diferente. Para isso é necessário falar de valores e valores a gente não ensina só na sala de aula. Valores tem a ver também com espaço lúdico, com a sensibilidade e com a criação. Por isso a transversalidade da educação com a cultura é fundamental numa sociedade moderna, nesta sociedade nova que o Brasil pode apontar para o conjunto da América Latina e para o nosso povo. Então nosso governo é  revolucionário, e revolucionário por dentro. Quando fizemos a opção de que no Brasil poderíamos fazer as mudanças necessárias por dentro, pela via democrática, nós acertamos.

Por isso o PT ganhou o governo, está consolidado, o Lula respaldado pelo povo brasileiro e nós temos condições de eleger o próximo presidente para mais 4 ou 8 anos, continuando as transformações que o Brasil precisa, porque o primeiro passo já foi dado, e aí está o papel da CUT, desse movimento social vigoroso, com as suas relações na sociedade, que para nós serão essenciais no ano que vem. Eu estou muito feliz de estar aqui hoje porque fiz parte dessa geração, como muitos de nós que estamos aqui. O aniversário da CUT simboliza o aniversário de uma grande mudança que estamos fazendo na sociedade brasileira e o mundo marcha numa velocidade espantosa. As transformações que teremos cada vez mais no mundo do trabalho, nas relações pessoais e nas mudanças de nossa consciencia sobre o que nós somos é de uma velocidade cada vez maior! Por isso é muito importante que a gente abra esse debate sobre o Vale Cultura, e junto com o Vale Cultura que a gente possa abrir o debate sobre uma outra conferência importante que tematiza a democratização das comunicações, os veículos de mídia e a internet. Qual o papel desta nova rede de comunciação entre os homens? Nós precisamos oportunizar aos trabalhadores e à sociedade o acesso para que possam manusear estes mecanismos que a internet possibilita de forma livre, para que possam expressar a sua criatividade, a sua inteligência e a sua intelectualidade. Isso diz respeito às comunidades e diz respeito também aos indivíduos, por isso a Conferência de Comunicação. E olha que coisa fantástica! Um país como o nosso, cheio de contradições, com tanta riqueza cultural e um governo realizando Conferência de Cultura, Conferência de Educação, Conferência de Comunicação, permitindo e estimulando que a sociedade participe e se auto-organize. Viva a CUT, viva o PT, viva o Brasil!”

Angelo Vanhoni

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Fotos: Gilson Camargo

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