Arquivo para abril, 2010

assembléia dos funcionários da FUNPAR / HC / UFPR

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O auditório do 7º andar do Hospital de Clínicas da UFPR recebeu mais de 200 trabalhadores da Fundação da Universidade Federal do Paraná (FUNPAR).

O deputado federal Angelo Vanhoni participou, no dia 27 de abril, da Assembléia dos Funcionários da FUNPAR/HC/UFPR a convite da direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau Público de Curitiba, Região Metropolitana e Litoral do Estado do Paraná (Sinditest). A pauta principal da Assembléia foi discutir o Termo de Conciliação Judicial firmado em 2007, entre a União, o Ministério Público do Trabalho e o Ministério do Planejamento, com o objetivo de  substituir a mão-de-obra terceirizada contratada pelo Funpar e lotada no Hospital de Clínicas da UFPR, até o prazo limite de 31/12/2010.

A preocupação expressa pelo Sinditest/PR é evitar as demissões – tendo em vista ser este um ano eleitoral e, portanto, havendo proibição de concurso público – sem que antes sejam feitas as readequações necessárias para que o Hospital de Clinicas não sofra com a perda do efetivo. Foi aprovado um documento elaborado pelo Sinditest, em conjunto com a Funpar, Reitoria da UFPR e direção-geral do HC, com uma série de reivindicações, dentre as quais que seja solicitado pela Reitoria, em caráter de urgência, ao Ministério do Planejamento um pedido de prorrogação do Termo de Conciliação Judicial e, também, que sejam requeridos estudos sobre a criação de cargos equivalentes aos empregos hoje existentes no HC atualmente ocupados por empregados da FUNPAR.

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Roseli Isidoro, presidente do PT/Curitiba, Angelo Vanhoni e Wilson Messias, presidente do Sinditest/PR.

Vanhoni destacou o importante trabalho desenvolvido pelo Hospital de Clinicas da UFPR, desde a produção do conhecimento a formação dos profissionais da saúde, assim como na excelência do atendimento prestado aos pacientes pelos serviços de transplante de medula óssea, transplante de fígado entre outras especialidades onde o HC é pioneiro, reconhecido nacional e internacionalmente. Reafirmou sua disposição como presidente da Comissão de Educação, em apoiar este conjunto de trabalhadores e ser o porta voz no pedido de audiência pública com o Ministério do Planejamento, além de envolver os demais deputados federais da bancada paranaense nesta justa reivindicação.

Fotos: Arielto Alves

reuniões públicas para discussão do procultura

A primeira reunião pública agendada pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal para receber propostas, sugestões e moções ao Projeto de Lei que institui o Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura, o Procultura, sob relatoria da deputada Alice Portugal (PCdoB/BA), será realizada nesta segunda-feira, 26 de abril, as 19h00, no auditório da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.

Os encontros serão realizados também nas cidades de Salvador, 30 de abril, no auditório da Reitoria da UFBA, 10h00; em Curitiba/PR, 03 de maio, no Teatro do SESC da Esquina, 19h00; em Porto Alegre/RS, 04 de maio, na Assembléia Legislativa, 14h00; em Recife/PE 10/05; no Rio de Janeiro 11/05; em Belém/PA 14/05; em Belo Horizonte/BH 18/05; e em Brasília/DF, com audiência pública para finalização dos trabalhos no dia 24/05.

Link para texto integral do Projeto de Lei 6722/2010, que institui o Procultura.

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Bem vindo(a) ao debate:
Quero agradecer sua presença neste encontro que tem como principal tarefa receber as sugestões para a relatoria do projeto que altera a Lei Rouanet (Lei nº 8.313/1991), sob a responsabilidade da deputada federal Alice Portugal. Na primeira etapa de formulação da proposta, o Ministério da Cultura realizou amplo debate através de consulta pública recebendo mais de duas mil contribuições e muitas delas foram incorporadas ao texto que está sendo agora analisado pelo Congresso. Foi um processo inédito de discussão democrática sobre o papel do Estado no estímulo à produção cultural e à economia da cultura.
A Comissão de Educação e Cultura propôs uma agenda de encontros regionais e uma nova rodada de debates, consolidando assim a democracia e a transparência na reformulação da nossa principal lei de fomento cultural. Há 17 anos, a Lei Rouanet surgiu como instrumento legal para democratizar os recursos da cultura e propiciou a realização de um grande número de projetos. Chegou o momento de revermos estes resultados. O país acena com uma nova perspectiva para a valorização de sua produção simbólica.
Há um entendimento crescente da importância da cultura para o desenvolvimento da sociedade. Nunca em nossa história o governo investiu tanto nesta área. O orçamento destinado ao Ministério da Cultura (MinC) para 2010 teve um aumento de 64% em relação a 2009. O Congresso Nacional aprovou cerca de R$ 2,2 bilhões e temos uma Proposta de Emenda Constitucional que propõe a destinação de 2% do orçamento federal para a cultura. O Pré-sal deve garantir um aporte de recursos ainda maior no futuro. É fundamental que os mecanismos de incentivo sejam revistos, que as atuais distorções da Lei Rouanet não se perpetuem e se adaptem a nova tarefa que a sociedade brasileira chama para si.

Segundo a análise do Ministério, há uma concentração de investimentos no eixo Rio-São Paulo, com pouca distribuição do benefício em nosso amplo território. É preciso garantir formas de regionalização dos recursos. Ficou demostrado que o empresariado vem utilizando pouco a Lei Rouanet e a maior parte dos incentivos são repassados pelas empresas estatais, sem haver instâncias que garantam a transparência dos critérios avaliativos e curatoriais empregados na análise dos projetos. Apenas 20% dos proponentes que tem projetos aprovados conseguem captar os recursos junto às empresas, sendo que o governo federal dá 100% de isenção fiscal! Ou seja, recursos destinados à cultura estão retornando aos cofres públicos na atual forma de funcionamento da Lei Rouanet. É necessário reformá-la! Adequá-la aos novos tempos que o país está vivendo.
Participar do aprimoramento de nossas ferramentas de incentivo à cultura é garantir a afirmação de nossa identidade, e principalmente, da cultura como um direito de cidadania.
Um bom debate à todos!

Angelo Vanhoni – presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal

link para matéria completa da Reunião Pública sobre o Procultura em Curitiba, em 03/05/10

Foto: Gilson Camargo

seminário pac 2 – curitiba/pr – 16/04/10

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A mesa de abertura do seminário foi composta por Orlando Pessuti, governador do Estado do Paraná, Paulo Bernardo, ministro do Planejamento, Miriam Belchior, coordenadora do PAC 2, Luciano Ducci, prefeito de Curitiba, Rodrigo da Rocha Loures, presidente da Federação das Indústrias do Paraná (FIEP), Márcia Lopes, ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Inês Magalhães, secretária nacional de Habitação, Olavo Noleto, sub-chefe de assuntos federativos da Presidência da República. Estiveram presentes diversos prefeitos, deputados federais e estaduais, vereadores e diferentes setores da sociedade civil.

O Seminário PAC 2 aconteceu nesta sexta-feira (dia 16), em Curitiba, no Centro Integrado dos Empresários e Trabalhadores das Indústrias do Paraná (Cietep). A ex-presidente estadual do PT, Gleisi Hoffmann foi a articuladora do seminário no Paraná, que foi o primeiro Estado da Federação a organizar tal evento. O governo federal prevê a aplicação de R$ 955 bilhões através do PAC 2, no período de 2011 a 2014. O ministro Paulo Bernardo e a coordenadora geral do PAC 2, Miriam Belchior, foram os responsáveis pela apresentação do planejamento da segunda fase do programa e divulgaram as formas de dar entrada em projetos que viabilizem recursos para os municípios paranaenses. O PAC 2 vai destinar recursos para as áreas de transporte, moradia, saneamento, energia, água, luz, além da inclusão com mais força das áreas da saúde, educação, cultura e assistência social.

Link para a página do PAC2

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O governador Orlando Pessuti defendeu a articulação do estado com as prefeituras para dinamizar  a implementação do PAC no Paraná. “Não podemos, por forma nenhuma de capricho, perder tempo para apresentar os projetos que o Paraná precisa. O objetivo do presidente Lula é fazer as obras e as nossas secretarias e prefeituras vão responder de acordo.” O governador lembrou do caso do programa Minha Casa, Minha Vida, em que o Governo do Estado descentralizou responsabilidades e ganhou rapidez na execução. “Percebemos que a nossa Cohapar em alguns casos não seria tão rápida quanto algumas prefeituras. Por isso voltamos inclusive a ceder terrenos que já tínhamos pego junto aos prefeitos”, disse. O Paraná atingiu, neste mês, 56% da sua meta no programa, enquanto no Brasil o índice de unidades contratadas é de 41%, de acordo com dados apresentados por Bernardo.

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Entre os projetos planejados e alguns já em andamento que trouxemos para apresentar para vocês, incluídos no PAC 2 para o Paraná, quero destacar a importância do trabalho do governador Orlando Pessuti especialmente em um deles: a ampliação do terminal de passageiros e construção da terceira pista do aeroporto Afonso Pena em São José dos Pinhais, que receberá investimentos de R$ 41,2 milhões e R$ 32,0 milhões, respectivamente.
Paulo Bernardo

Link para apresentação do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo – arquivo Powerpoint

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Paulo Bernardo.

“No final de 2006 o presidente nos convocou para uma reunião para discutir o PAC, ele tinha em mente algo fundamental: o Brasil ficou mais de 20 anos sem ter condições de fazer investimentos públicos e ainda por cima o governo, de certa forma, com seus problemas atrapalhava o destino dos investimentos privados. Isso aconteceu por uma série de fatores: inflação galopante, estados e municípios com dívidas, enfim gastou-se muito tempo para consertar estas coisas. Desde a década de 80 isso aconteceu e chegamos em 2003 com projetos parados, sem recursos. O Governo Lula em 2003 deu inicio a uma nova era de investimentos. Depois da eleição para o segundo mandato, Lula refez o caminho e destacou a importância de se respeitar a responsabilidade fiscal, de manter o equilíbrio das contas e controlar a inflação. Isso tudo, ele nos pediu que fosse feito aliado aos investimentos. Fizemos uma grande articulação que resultou no PAC. Ao ser anunciado em 2007, os recursos iniciais foram de 504 bilhões. Chamamos todos os governadores e os prefeitos de capitais e principais cidades e dissemos: nós vamos colocar dinheiro para saneamento, habitação, resolver as áreas de ocupação, entre outras áreas. Cobramos como contrapartida que eles nos apresentassem projetos e a maioria não tinha. Perfeitamente compreensível, pois, como iriam pensar em projetos sem dinheiro?! Então reabrimos o debate, auxiliamos os estados e municípios para a coisa engrenar.Por este motivo, foi quase um ano consumido para conseguir colocar os projetos em andamento, para fazer com que os estados e municípios entrassem nesta dinâmica de pensar sobre o desenvolvimento com planejamento. Por isso, é que o presidente Lula resolveu lançar o PAC 2. Estamos agora com as prefeituras mais qualificadas, com planejamento, o que dará sustentabilidade com maior segurança nesta segunda fase.

Além dos projetos já previstos no PAC 1 do Paraná, é importante falar que no PAC 2 nós reservamos para infra estrutura social e urbana 195 bilhões de reais, sendo 143 milhões do orçamento e 53 bilhões de financiamento. Para esta fase, aqui em nosso estado, vamos fazer uma seleção de municípios da seguinte forma: serão 36 da região metropolitana de Curitiba ou com até 100 mil habitantes, o segundo grupo corresponde a 14 municípios de 50 a 100 mil habitantes e o último grupo que compreende 399 municípios que tem abaixo de 50 mil habitantes.”

A seguir os projetos incluídos no PAC 2, apresentados pelo Ministro Paulo Bernardo:

- BR-153: construção do trecho de 50,5 km entre Alto do Amparo e o entroncamento da BR-373 (Transbrasiliana). Investimento: R$ 75,5 milhões;

- BR-153: adequação do trecho de 92,6 km entre Paulo Frontin e a divisa PR/SC. Investimento: R$ 185 milhões;

- BR-163: adequação do trecho de 147 km entre Cascavel e Guaíra. Investimento: R$ 280 milhões;

- Ampliação do terminal de passageiros e construção da terceira pista do aeroporto Afonso Pena em São José dos Pinhais. Investimentos: R$ 41,2 milhões e R$ 32,0 milhões respectivamente;

- BR-487: Estrada da Boiadeira, ligação de Porto Camargo a Campo Mourão. Investimento: R$ 327,9 milhões;

- BR-158: Campo Mourão a Palmital. Investimento: R$ 146 milhões;

- Melhoramentos no Canal de Navegação da Hidrovia Rio Paraná. Investimento: R$ 131 milhões;

- Reforma e ampliação do terminal de passageiros do aeroporto de Foz do Iguaçu;

- Trem de alta velocidade entre São Paulo e Curitiba;

- Ferrovia Norte-Sul: Panorama/SP – Chapecó/SC – Porto Alegre-Pelotas-Rio Grande/RS;

- Corredor Ferroviário do Paraná: Dourados-Cascavel;

- Construção do novo silo público graneleiro no Porto de Paranaguá;

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Miriam Belchior.

“Vou na minha apresentação me concentrar em três linhas: qual é o legado do PAC 1? Em linhas gerais o que é o PAC 2? E como é que os prefeitos poderão aderir aos recursos previstos no PAC 2?

Em primeiro lugar lembrar que ao lançar o PAC 1, o presidente Lula se comprometeu em incentivar empreendimentos privados e investimentos públicos voltados para infra estrutura, construir essa infraestrutura necessária para sustentar o crescimento do país, fazer crescer emprego e renda e acelerar o crescimento econômico. Vamos ao que nós já atingimos: o investimento no país, do final de 2006  até 2008,  cresceu em relação ao PIB  de 16,4% para 18, 7%. Nunca havíamos crescido em dois anos 2,3%! Além disso, a participação do investimento público no PIB quase dobrou de 2006 a 2009. Passou de 1,6% para 2,9%. Crescimentos que representaram a retomada do planejamento em infraestrutura do país. Incluímos novos empreendimentos estruturantes como por exemplo a integração do São Francisco e as grandes usinas de energia. E ainda priorizamos investimentos em áreas que estavam abandonadas, como habitação, saneamento e ferrovias. O PAC 1 representou maior parceria entre estados e municípios o que nos fez avançar no problema já destacado pelo ministro Paulo Bernardo. Agora temos projetos sendo apresentados e com qualidade.

Também aumentamos o número de contratações de serviços nas várias cadeias produtivas, atingindo assim a meta de geração de emprego e renda. A média de aumento de emprego no país se concretizam na criação de 627 mil novos postos de trabalho somente nestes três primeiros meses do ano. Para dar um bom exemplo, na construção de rodovias e ferrovias a média de crescimento foi seis vezes maior que outros setores do país. Isso é o PAC!

De outro lado, um outro fator fundamental da alavancada de investimentos é ter recursos para financiamento com melhores condições, aumentando significativamente os recursos para créditos no país. A aprovação de financiamento pelo BNDES nestes três anos cresceu 129%. Se a gente considerar os desembolsos para infraestrutura cresceu 89%, os desembolsos para o PAC cresceram 468%. Este aumento de investimentos nos créditos devemos ao BNDES, a Caixa Econômica e aos outros bancos públicos que seguraram muito a crise.

Estes são alguns dos exemplos dos compromissos do presidente que estão sendo cumpridos. Além destes, em 2007 e 2008 o Brasil cresceu 5% e hoje temos como dado um crescimento já de 8%. O que mostra que este conjunto de medidas foi fundamental para fazer o país crescer.

Para dar continuidade a este projeto de crescimento e melhoria da vida dos brasileiros, vamos agora ao PAC 2 que é nada mais nada menos que legitimar uma política de estado.  O PAC 2  foi lançado para garantir que o pais continue recebendo investimentos, que o crescimento da renda das pessoas seja mantido. E para tudo isso é necessário se ter previsibilidade. Uma prefeitura só pode pensar no que planejar para o município se tiver perspectivas de recursos.

Como é que nós escolhemos os projetos para esta fase? Essencialmente que tenham as seguintes prioridades: projetos estruturantes para o país, que estejam em sintonia com os planos setoriais dos estados,  projetos que alavanquem o desenvolvimento local, que reduzam a desigualdade regional e de renda e que levem em conta a sustentabilidade ambiental. Algo que mais se diferencia nesta fase e que é a grande prioridade é a distribuição de recursos tanto para municípios grandes como aos pequenos – de acordo com a metodologia que adotaremos de divisão por grupos de acordo com o números de habitantes e as demandas. Esta metodologia ainda está sendo discutida e ao ser concluída realizaremos vídeo conferências pela Caixa Econômica às prefeituras para dar explicações sobre os procedimentos que deverão ser adotados para adesão ao PAC 2. Será um processo aberto e totalmente transparente para a definição destes recursos.”

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As seis áreas do PAC 2:

Cidade Melhor – As ações na área de saneamento, prevenção em áreas de risco, mobilidade urbana e pavimentação terão investimento de R$ 57,1 bilhões e a meta é enfrentar os principais desafios das grandes aglomerações urbanas, permitindo melhor qualidade de vida para a população.

Comunidade Cidadã – Prevê Unidades de Pronto Atendimento (UPA), Unidades Básicas de Saúde, creches e pré-escolas, quadras esportivas nas escolas, praças do PAC e Postos de Polícia Comunitária. Serão R$ 23 bilhões para ampliar a presença do Estado nos bairros populares, aumentando a cobertura de serviços.

Minha Casa, Minha Vida – Com verba de R$ 278,2 bilhões, o programa trabalha para a redução do déficit habitacional, dinamizando o setor de construção civil e gerando trabalho e renda.

Água e Luz para Todos – A iniciativa prevê a universalização do acesso à água e à energia elétrica para a população e dispõe de investimento de R$ 30,6 bilhões.

Transportes – A ação destina R$ 104,5 bilhões no período de 2011 a 2014 e R$ 4,5 bilhões após 2014 para rodovias, ferrovias, portos, hidrovias, aeroportos e equipamentos para estradas vicinais. A intenção é consolidar e ampliar a rede logística, garantindo qualidade e segurança.

Energia – Serão R$ 465,5 bilhões de 2011 a 2014 e R$ 627,1 bilhões após 2014, investidos na geração e transmissão de energia elétrica, petróleo e gás natural, indústria naval, combustíveis renováveis, eficiência energética e pesquisa mineral. O objetivo é dar a segurança do suprimento a partir de uma matriz energética baseada em fontes renováveis e limpas, além de desenvolver as descobertas no pré-sal, ampliando a produção.

Fotos: Gilson Camargo

Programa Brasil Nação discute decisões tomadas durante a Conferência Nacional de Educação

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O programa Brasil Nação, apresentado ao vivo nas noites de domingo sob o comando de Beto Almeida, teve como tema as decisões tomadas durante a Conferência Nacional da Educação (Conae), realizada no fim do mês de março, em Brasília. Participaram do programa o deputado federal Angelo Vanhoni, presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal, o presidente do Conselho Estadual da Educação, Romeu Gomes de Miranda, Yvelise Arco-Verde, secretária estadual da Educação do Paraná e o presidente nacional da União Nacional dos Secretários Municipais da Educação, Carlos Eduardo Sanches. O programa será reapresentado na quinta, 15/04, as 21h45.

O estabelecimento de um padrão que assegure a qualidade do ensino no Brasil foi um dos pontos de maior destaque no debate promovido pelo programa Brasil Nação, transmitido pela TV Educativa do Paraná na noite de domingo, dia 11. “O Estado tem que assumir integralmente o seu papel em todos os aspectos relacionados à educação, impedindo o avanço da terceirização”, defendeu a secretária estadual da Educação do Paraná, Yvelise Arco-Verde, uma das participantes do debate. A necessidade de um amadurecimento sobre a forma de encarar a educação pública no Brasil foi defendida pela secretária, que ocupa também a presidência do Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Educação (Consed). “No Brasil, a educação ainda é entendida como uma atividade cultural relacionada à área da benevolência e carece de uma mudança estrutural”.

Segundo ela, o maior destaque da Conae foi o avanço do debate sobre custo aluno e qualidade. “A maior parte da população brasileira foi, historicamente, excluída do processo educacional. Hoje trabalhamos a inclusão promovendo o acesso, a permanência e a qualidade da educação. E temos que definir o que e como aprender. Nenhum avanço será válido se o Estado não assumir que é de sua competência assegurar a qualidade da educação. E isso inclui assumir serviços que vem sendo terceirizados na maior parte do país, como o transporte escolar, a contratação de merendeiras e de funcionários. Há um limite muito tênue nessa área”.

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Os avanços conquistados pela educação brasileira foram destacados pelo deputado federal Angelo Vanhoni. “Este é um ano importante para a educação porque, até dezembro, será votado o novo Plano Nacional da Educação. Segundo ele, as metas da universalização do ensino fundamental e médio devem ser implementadas e há que se promover o acesso da população à universidade. “Hoje praticamente apenas os filhos da elite conseguem entrar na universidade”.

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Vanhoni ressaltou a importância da valorização do profissional da educação como forma de assegurar a qualidade do ensino no Brasil. Ele entende que a profissão vem sendo desvalorizada ao longo das últimas décadas e que é preciso investir em melhores salários e formação continuada. “A educação é por onde a nação se constrói e o salário é um elemento estratégico neste processo”.

O presidente do Conselho Estadual da Educação, Romeu Gomes de Miranda, destacou que a Conae foi ousada ao definir a ampliação do valor dos investimentos para o setor. “Até 2011, deve atingir sete por cento de todo o PIB nacional e até 2014, chegará a dez por cento”. Ele enfatizou que é preciso investir na erradicação do analfabetismo e na ampliação do tempo de permanência do estudante na escola. Ele lembrou que no Brasil, dois terços da população não completaram o ensino fundamental e menos da metade dos jovens entre 14 e 18 anos estão cursando o ensino médio. “Precisamos estabelecer uma matriz nacional, um padrão de qualidade para a educação e incrementar os organismos que tem a função de controlar o uso desses recursos”.

A Lei de Responsabilidade Educacional foi um dos destaques do presidente nacional da Undime, Carlos Eduardo Sanches. “A Lei garantiria que cada centavo fosse efetivamente investido na Educação, porque definiria o papel do gestor junto aos recursos da Educação”, explica. Esta foi uma das propostas presentes no Plano Nacional da Educação resultante da Conae.

Fonte: Portal educacional da SEED
Fotos: Gilson Camargo

sistema nacional de educação – entrevista com andrea caldas, professora da universidade federal do paraná

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Andrea Caldas é professora do Curso de Pedagogia da Universidade Federal do Paraná. Doutora em Economia Política da Educação pela mesma instituição. Foi delegada da Conferência Nacional da Educação.

De que forma ficou definida na CONAE a proposta para a organização do Sistema Nacional de Educação?

O tema central da Conferência foi a organização do Sistema Nacional da Educação. Isso muitos países já fizeram no final do século 19 e início do século 20. Aqui o que se tinha, inclusive definido pela Constituição, é um sistema federal, um estadual, outro municipal e cada um responsável por suas instituições de ensino. Portanto, organizar um sistema nacional é você pensar que todos estes entes tem que estar articulados para oferecer uma educação nacional. Ter uma educação com parâmetros unitários para todo o país, independente das regiões, das esferas administrativas e,  principalmente, independente das condições econômicas. Como em outros países, a idéia é que a educação tenha uma cara nacional. Porque aqui no Brasil temos educações diversas num mesmo município!

Então quais foram os elementos que a Conferência Nacional definiu como importantes para organizar o Sistema Nacional? Em primeiro lugar, o financiamento. Ficou definido o custo aluno-qualidade-inicial  como referência  para todo o ensino no Brasil, seja ele público ou privado. Tratam-se de parâmetros de quanto se deve gastar com um aluno e se diferencia o custo por nível de ensino. Eu digo que isso também serve para as escolas particulares porque pode ser usado como valor de referência para cobrança de mensalidades, por exemplo.

O outro elemento é o elemento de gestão. Pensar como este sistema será gerido, tema que passa irremediavelmente pela democratização dos canais de decisão.  Propusemos e foi aprovado na Conae que a União se incumba do financiamento para toda a educação nacional e não só para a sua esfera como funciona até hoje. E com isso, que seja feito um regime colaborativo afim de ajudar estados e municípios a suprirem seus deficiências de financiamento para a educação básica. Isso já vem acontecendo com a instituição do Fundeb (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica), ou seja, todos tem o dever compartilhado com a educação, salvaguardando, claro, suas atribuições específicas.  Mas, ao transferir, por exemplo, a responsabilidade aos municípios pela educação infantil e o ensino fundamental, devem ser transferidas também condições para que eles possam dar conta desta responsabilidade.

Você poderia citar um exemplo de problema na educação advindo da falta de sinergia entre os poderes?

A municipalização no estado do Paraná é um exemplo bastante concreto do não regime de colaboração. O Estado pressionou para que os municípios assumissem o ensino fundamental e a educação infantil. Na maioria dos casos, os municípios não tinham condições – não só financeiras, mas também do ponto de vista técnico e de apoio, por sua vez, o Estado deixou de ofertar as séries iniciais. Quando a Constituição diz que é dever prioritário arcar com o ensino fundamental, entende-se que não quer dizer que o Estado e a União tem que se desincumbir dessa responsabilidade, mas, que cada ente tenha algumas tarefas como prioridade e não exclusividade.

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Como será gerido o Sistema Nacional? De que forma o tema gestão entrou  nos debates da Conferência?

Além do financiamento, é preciso aprofundar o sistema de gestão. É preciso deixar que a gestão não fique centrada só na figura do MEC e construir a possibilidade de diálogo concreto com fóruns representativos, que incorporem os diferentes segmentos das esferas administrativas e também segmentos da sociedade civil. Como avanço da Conferência,  formaremos o Fórum Nacional da Educação, o órgão que irá acompanhar a elaboração do Plano Nacional da Educação e sua avaliação. Também será o responsável em organizar as próximas conferências. Nesta linha, outra vitória foi institucionalizar no calendário brasileiro a realização, a cada cinco anos, da Conferência Nacional da Educação, e a próxima será para que façamos a avaliação de como foi efetivado o Plano Nacional da Educação, aprovado também pela Conae. Eu considero que o Plano será o projeto político pedagógico que irá articular o Sistema Nacional da Educação.

Foi aprovado também como proposta, que os Conselhos, tanto o nacional como os estaduais e municipais, assumam um papel de elaborador e superar a função muitas vezes de mero apêndice do Executivo. Mas, para isso precisam ser democratizados com composição paritária e representativa do governo e da sociedade civil. Do ponto de vista da gestão das escolas, aprovamos algo que é um grande avanço: a lei que regulamenta a eleição direta em todas as escolas. Ainda é uma questão que enfrenta resistências, pois muitos sistemas fazem por indicação ou outras formas.

Quais são as tarefas pós Conferência Nacional da Educação para o governo, poder legislativo e a sociedade?

Fica como tarefa para os governos agora assumirem o seu papel executivo e compartilhar com a sociedade as decisões. O MEC, a partir do que aprovamos na Conferência, deixa de ser o órgão controlador e passa a ser o articulador para execução do que foi definido. Inclusive nossa proposta é a de que o Conselho Nacional de Educação junto com o Fórum Nacional  assumam a função de coordenação, porque ambos tem em si todas as representações e assim será garantido um processo mais democrático. Porque defendemos isso? Além do avanço democrático, a proteção desta construção histórica que fizemos nesta conferência, para que não fiquemos a mercê das mudanças de governo. Assim, tendo estruturas mais permanentes garantimos que estas propostas constituam verdadeiramente uma política de Estado!

Considero também que há importante tarefa para o Legislativo. Como compromisso do Ministro da Educação ao final da CONAE, definiu-se que as propostas aprovadas serão transformadas em leis e portarias a serem encaminhadas para o Executivo. São vários os temas que dependerão da regulamentação por lei, como o regime de colaboração entre os entes federados, o funcionamento dos conselhos, além de todas as outras questões específicas de outros temas e eixos. E fica a expectativa maior para que o Plano Nacional da Educação seja uma lei democraticamente construída. Eu espero que os parlamentares olhem para todas estas propostas como projetos de Estado, pensando que são para ficar, permanentes, assegurando o futuro da educação .

Entrevista: Ana Carolina Caldas
Fotos: Gilson Camargo

inclusão, diversidade e igualdade – depoimento de Romeu Gomes de Miranda, Presidente do Conselho Estadual de Educação do paraná

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Romeu Gomes de Miranda é formado em Letras. Mestre em Filosofia da Educação pela PUC/SP, atuou como docente na rede pública estadual de ensino e foi diretor pedagógico do Colégio Estadual do Paraná. Por duas vezes foi eleito presidente da APP-Sindicato/ PR (1996-1999) e desde 2007 é presidente do Conselho Estadual de Educação/PR. Foi delegado na Conferência Nacional da Educação. (Foto: Gilson Camargo)

Há tempos que nós, dos Conselhos Estaduais de Educação, reivindicávamos uma política nacional para a área. A constituição de 1988 estabeleceu certa autonomia aos municípios, especialmente no ensino fundamental e isso historicamente manteve as disparidades regionais. Ora, educação é um bem que deve ser de qualidade para todos, independente das condições financeiras dos municípios e isto está devidamente apontado pela Conferência Nacional da Educação ao defender como meta principal o Sistema Nacional de Educação. Ao defendermos o Sistema Nacional, definimos diretrizes comuns, inibindo desigualdades.

No que diz respeito ao acesso, ficou definido pela CONAE que 50% das vagas nas universidades devem ficar com alunos advindos de escolas públicas e dentro deste percentual aprovamos que seja garantido o mesmo também para os negros e os índios. Aqui, na Universidade Federal do Paraná já temos garantia de 20% para os negros.

O Sistema Nacional de Educação, uma vez definido valerá como regra para todo o país, com diretrizes para formação dos professores também voltadas às questões étnico raciais. Mesmo onde há definição clara, como no caso do Paraná, onde existe uma deliberação deste conselho para que as escolas incluam em seus currículos o debate sobre a educação étnico racial, ainda são poucas as que aderem. Esta é uma questão muito mais de convencimento e de formação. As escolas acham que tratam igualmente todos os alunos, mas, na prática, e os dados comprovam, os alunos negros fazem parte de um dos grupos que mais se evadem da escola, geralmente porque não encontram ali um ambiente favorável devido a uma série de questões, como preconceitos, falta de referência nos livros didáticos e na fala do professor, entre outras… a temática não é simples e é preciso repensar essencialmente a formação dos professores.”

educação de jovens e adultos – depoimento de Maria Aparecida Zanetti, professora da Universidade Federal do Paraná

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Maria Aparecida Zanetti é professora no Curso de Pedagogia da UFPR. Especialista em Filosofia da Educação, com mestrado na área de educação de jovens e adultos. De 2003 a 2006 foi chefe do Departamento de Educação de Jovens e Adultos da Secretaria de Educação do Paraná e de 2007 a 2009 integrou a Coordenação Nacional de Educação de Jovens e Adultos do MEC. Atuou como delegada na Conferência Nacional de Educação. (Foto: Gilson Camargo)

“Encarar a Educação de Jovens e Adultos (EJA) como parte e modalidade do sistema educacional é um avanço e uma conquista do governo Lula, mas, ainda está em processo de consolidação. Por este motivo, considero tão importante a realização da Conferência Nacional da Educação (CONAE), que deixou claro para o governo quais são as demandas atuais. E, considero que já temos avanços importantes. Um deles é do ponto de vista do financiamento. Na gestão do Fernando Henrique Cardoso, havia um acordo na Câmara dos Deputados em que a matrícula dos jovens e adultos contaria para fins de repasse do Fundo Nacional do Desenvolvimento do Ensino Fundamental (FUNDEF). Porém, quando foi para sanção do FHC ele vetou isso, alterando a Constituição! Apresentou a emenda constitucional 14 que altera o artigo que dizia que “o ensino fundamental deve ser obrigatório e gratuito inclusive àqueles que não tiveram acesso na idade própria”, com a emenda retirou-se a obrigatoriedade da oferta para jovens e adultos, portanto, não precisava garantir financiamento.  Agora, com o FUNDEB (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica) temos novamente esta garantia. Porém, em muitos estados e municípios acabaram por rifar a EJA. Por que?  Temos os estados disputando mais recursos para o ensino médio e os municípios para educação infantil e pela Educação de Jovens e Adultos ter um custo/aluno barato, acabam eliminando-a na prioridade para ganhar repasse dos recursos.  Então, aprovamos como diretriz na CONAE tratamento isonômico para EJA no financiamento.

O nó desta questão e que ficou muito presente durante os debates é a falta do reconhecimento da demanda do EJA pelos sistemas educacionais. Muitas vezes os programas de alfabetização para adultos ofertados pelos municípios e estados acabam tendo quinze turmas de alfabetização e apenas uma de continuidade da escolarização e que geralmente fica no centro urbano, limitando a participação daqueles que estão nas periferias e na zona rural. Do Censo de 2000, 65 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não tem sequer ensino fundamental completo. Para convencer os gestores a valorizar esta demanda em seus planejamentos, acabo usando um argumento que é o do investimento na formação dos filhos destes adultos. Existe um estudo da UNICEF que comprova que quanto maior a escolaridade dos pais, maior será também a das crianças.

Outra questão muito importante que foi debatida durante a Conferência foi a da delimitação de idade para ser categorizado como “jovens e adultos’. Inicialmente na Lei 5692/71, a idade estava fixada entre 18 e 21 anos. Com a nova LDB, em 1996, num momento em que as políticas neoliberais estavam extremamente fortes, a idade abaixa. No ensino fundamental passa a ser 15 e no ensino médio 18. Isso provocou uma enorme migração de adolescentes para a educação de jovens e adultos. Então, tem todo um movimento de fóruns que militam neste tema, definindo a idade de 18 anos como preferencial para entrada. Por que defendemos isso? Ë preciso compreender que é uma realidade diferenciada e, portanto, a organização deste ensino deve ser também diferenciada.

Sempre uso como exemplo, o aluno caminhoneiro. Por onde ele já circulou nesse país, o que ele conhece de geografia, de hidrografia, de clima, a questão da diversidade cultural… ele passou por lugares que muitas vezes o professor de geografia nunca esteve. Ou seja, na vida do adulto a escola não é o único espaço de aprendizado. Se ela não o é e eu considero assim a historia de vida destes alunos, vou ter que reconhecer no processo de ensino, de aprendizagem, nas estratégias metodológicas, que é possível ter tempos diferentes, possibilitar uma organização individual da vida escolar e também uma organização deste currículo diferente, por exemplo, do que para um adolescente. E quando retiramos estes meninos e meninas de 15 a 17 anos do seu grupo de referência, eu retiro também uma caminhada que possibilitaria a eles adquirir experiência condizente a sua vida. E a EJA não é pensada para adolescentes.

Durante a CONAE aprovamos como diretriz novamente a delimitação em 18 anos no sentido de sinalizar que a escola precisa pensar em dar condições para abrigar este adolescente seja ele trabalhador ou não. Mas fazer a migração para o EJA é fazê-lo regredir. Inclusive existem dados estatísticos que mostram que este grupo de 15 a 17 anos não está em lugar algum – nem no trabalho, nem na escola. Por isso, é preciso repensar, seja do ponto de vista do governo como o da sociedade civil, o que estamos oferecendo a estes adolescentes.”

financiamento da educação pública – depoimento de Andréa Barbosa Gouveia, Professora da Universidade Federal do Paraná

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Andréa Barbosa Gouveia é professora do Curso de Pedagogia da UFPR. Mestra e Doutora pela USP na área de Politicas Educacionais. Foi delegada da Conferência Nacional da Educação. (Foto: Gilson Camargo)

“O financiamento da educação no Brasil tem como grande fonte de recursos a receita de impostos e de certa forma isso define a forma de colaboração entre os entes federados. Os municípios e estados tem que investir 25% da receita de impostos (ICMS, IPVA, entre outros) em educação, manutenção e desenvolvimento do ensino. Já a União tem que gastar 18% da receita. Este é o grosso do financiamento da escola pública. Desde 88, no processo constituinte, lutamos pela garantia que esta  base de recursos seja destinada exclusivamente para a escola pública. Hoje a legislação permite a destinação para, por exemplo, escolas comunitárias, para bolsas de estudos nas instituições privadas, entre outros casos.  Mais recentemente com a aprovação da Lei do FUNDEB, criou-se também a possibilidade das creches conveniadas receberem recursos públicos. Então, fomos para a Conferência com esta como a principal questão, que é de retomar o princípio do recurso público para escola pública. Se em outros momentos da nossa história nós já tínhamos dado como batalha perdida, com a aprovação na CONAE desta diretriz renovamos nossa luta e esperança. Aprovamos com 90% da plenária! Acho que este é um grande ponto, que, claro depende de emenda constitucional, mas, que pode mudar essencialmente a cara do financiamento público da educação.

A outra questão é que mesmo com significativo crescimento dos investimentos em educação nos últimos oito anos e com todos os esforços que o atual governo tem feito, ainda não é o suficiente para a demanda histórica da educação pública. A gente continua alcançando apenas 4,5% do PIB.  Foi aprovado  pelos participantes da CONAE o aumento de investimentos para alcançar 10% do PIB duramte a próxima década. Este é um patamar que com certeza reduzirá a divida histórica do país com a educação pública.

Este dinheiro tem sido redistribuído, desde 98, pela política de fundos entre estados e municípios dentro da lógica do FUNDEF e do FUNDEB. E o Fundeb, que nos diz respeito atualmente, traz avanços importantes no que se refere à proteção de todo o conjunto da educação básica, mas, apresenta algumas travas que não consideram, por exemplo, na hora dos estados repassarem recursos aos municípios, o quanto custa a educação brasileira. Na regra do FUNDEB hoje, há problemas na composição dos reais valores do custo aluno. Aprovamos neste sentido uma rediscussão do conceito do que chamamos de custo aluno-qualidade. A idéia é pensar não a partir do que  já se tem, via de regra a educação brasileira é pensada com uma receita definida e divide isso com o número de alunos e faz o que é possível.  O nosso objetivo é ter um custo aluno inicial, que será calculado com o ideal. Ou seja, quanto custa ter um professor com o piso, reformas de prédios escolares, bibliotecas, alimentação? E aí sim dividimos pelo numero de alunos existente. Este é um importante instrumento para que a sociedade civil possa cobrar investimentos maiores para educação pública de qualidade. De outro lado, os estados e municípios ganham argumento para negociação com o governo federal.

Temos um conjunto de propostas importantes para compor o Plano Nacional da Educação e também para elaboração de legislações complementares. E ai entra o papel do Legislativo. A nossa aprovação de destinar recursos públicos exclusivamente para a escola pública enfrentará resistências no Congresso Nacional, onde a iniciativa privada tem muitos representantes. Então, nossa tarefa agora é organizar nossa ação e subsidiar os parlamentares simpáticos a educação pública no sentido de garantir a aprovação destas propostas.”

educação infantil, formação de professores e piso salarial nacional – depoimento de Maíra Camargo, diretora do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba

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Maíra Camargo é pedagoga da rede municipal de ensino, diretora do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba e conselheira do Conselho Municipal de Educação. Atuou como delegada pelo Paraná na II Conferência Nacional da Educação. (Foto: Gilson Camargo)

“Destaco a lei do Piso Salarial Nacional como um dos grandes debates e avanços durante a Conferência Nacional da Educação. Aqui em Curitiba, por exemplo, ainda não temos a implantação da hora atividade. Ou seja, os nossos professores têm apenas um dia para fazer suas atividades, que a gente chama de hora permanência. Nós do sindicato temos em todas as negociações feitas junto a prefeitura e ao governo do estado, reivindicado que se implante a lei do piso, pois dentro dela está contido o direito a hora atividade. Saímos bem esperançosas quando escutamos o ministro Haddad e o presidente Lula se comprometerem pelo diálogo com governadores e outras instâncias para a implementação do piso.

Ainda no que diz respeito ao atendimento ao ensino básico, uma discussão forte e marcada por polêmica foi sobre a educação à distância na formação de professores. Defendemos que pelo menos a formação inicial seja presencial, abrindo-se exceção para os locais comprovadamente com dificuldade de acesso. Aqui em Curitiba, já vimos muitos cursos para formação de professores serem a distância sem necessidade, simplesmente para baratear o ensino. Mas, acreditamos, por exemplo, que a formação continuada de professores pode ser à distância.

Destaco que a novidade anunciada pelo ministro da Educação Fernando Haddad sobre a obrigatoriedade de ingresso da criança a partir dos 04 anos foi altamente debatida na maioria dos eixos. Importante dizer que para esta questão ainda não há totalmente um consenso, ou pelo menos, há uma preocupação sobre de que forma isso se dará. Por exemplo, nós acreditamos que a proposta é importante, porém, não fica claro ainda se haverá estrutura para atender esta criança. A Conae defendeu que isso fique mais claro, ou que haja garantia de estrutura para este ingresso. O que é esta estrutura? Cadeiras adequadas, instalação de parquinhos, entre outros. Por isso, muitos defenderam que em vez de antecipar a entrada da criança no que caracterizamos como ensino fundamental, priorize-se a ampliação da rede de oferta na educação infantil. Ou seja, se é direito da criança permanecer neste nível, que existam condições para isto acontecer. Por exemplo, a luta nossa aqui em Curitiba é que se ampliem a oferta de vagas em creches. Inclusive o próprio Conselho Municipal de Educação em Curitiba fez um parecer que a família da criança pode optar entre a matrícula no CMEI ou na escola de ensino fundamental.

Para terminar, acredito que esta Conferência foi muito importante no que se refere à participação da sociedade civil. Vimos participando muitas associações de moradores, associações comunitárias, de pais e mestres, ONGs, sindicatos, as entidades de LGBT, entre outros. Isso começou desde o credenciamento, com o sistema de votação que ampliou o número de vagas para estes segmentos, o que demonstrou uma abertura deste governo na forma de pensar a educação de forma colaborativa e de se planejar as diretrizes para o futuro da mesma.”

educação especial – depoimento de Angelina Carmela Romão Mattar Matiskei, Chefe do Departamento de Educação Especial e Inclusão da Secretaria de Estado da Educação do Paraná

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Professora Angelina Mattar é chefe do Departamento de Educação Especial e Inclusão Educacional da Secretaria de Estado da Educação do Paraná e Presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência do Estado do Paraná – COEDE/PR.

“Primeiramente quero destacar a importância da CONAE. Quando você discute com o Brasil inteiro políticas educacionais, coloca a educação em outro patamar, e conversar com vários profissionais de todo o país sobre educação especial foi uma experiência muito enriquecedora. Já fomos para este debate com grandes avanços na área da educação especial, tivemos uma quebra de paradigmas na educação especial a partir de 2003. Desde lá a educação especial deixou de ser terceirizada para fora da rede pública e passou a ser encampada como educação de fato. Na Conferência, nossa principal reivindicação foi a constituição de uma rede de apoio no ensino comum à educação especial. E o que é ter uma rede de apoio? É qualificar os professores para que possam atender estas crianças, é aumentar o número de salas, de recursos multifuncionais e até disponibilizar intérpretes em libras nas escolas. Isso tudo para que as crianças realmente estejam inseridas neste contexto escolar, não fazendo de conta.  Amadurecer a cultura escolar, preparar desde o atendente do portão até o educador e, nesta linha, uma defesa também feita foi o da adequação do transporte escolar. Pois, de nada vai adiantar a instituição estar pronta para receber este aluno se ele não conseguir chegar até a escola. Por isso paralelo a toda adequação pedagógica é preciso adequação de infraestrutura.

É preciso ressaltar também o que ainda não chegou a ser consenso. Eu vou citar um exemplo: as crianças pequenas surdas têm na linguagem brasileira de sinais em libra a sua primeira língua - definida por legislação brasileira – e no português escrito a sua segunda língua. Neste tema há uma certa radicalidade na proposta defendida pelo MEC. Existe uma linha de defesa de não permitir que estas crianças se apropriem primeiro da linguagem de sinais para depois se alfabetizarem, para poderem entender os significados dos signos da língua portuguesa. Nós no Paraná não concordamos com isso, nossas escolas se abrem para a possibilidade de o processo de alfabetização em libras acontecer por primeiro.

Importante ressaltar que aqui no Paraná temos uma tradição na educação especial. Nós atualmente estamos finalizando as parcerias com escolas terceirizadas para fazer a inclusão destes alunos na rede comum. Lembrando que no contraturno estes alunos recebem atendimento especializado. Para este atendimento, muitas escolas que eram chamadas especiais foram transformadas em centros de atendimento. Por exemplo, das 19 escolas conveniadas para surdos, 11 já foram transformados em centros e os alunos inseridos nas escolas públicas.”

Foto: Gilson Camargo




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