Arquivo para dezembro, 2009

teia da memória – dia nacional do museólogo – instalação do 1º conselho consultivo do instituto brasileiro de museus – salvador / ba – 16 a 19/12/09

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Detalhe de grafite realizado pelo artistia plástico ACME (MUF – Rio de Janeiro) no jardim do Palácio da Aclamação. Salvador / BA.

O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) realizou o 1º Encontro Teia da Memória, no Palácio da Aclamação, em Salvador – BA, nos dias 16 e 17 de dezembro de 2009. O encontro teve por objetivo promover a troca de experiências entre as iniciativas comunitárias e construir coletivamente as diretrizes que nortearão as ações do Ibram para o fortalecimento dos Pontos de Memória em 2010. Representantes de 12 capitais brasileiras estiveram presentes: Brasília, Belém, Fortaleza, Recife, Maceió, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.

Em Curitiba, o processo de instalação de um Ponto de Memória no bairro Sítio Cercado vem sendo articulado desde abril de 2009 com o apoio deste mandato. O MUPE – Museu de Periferia do Sítio Cercado – está desenvolvendo projeto de pesquisa sobre a representação visual do bairro através de desenhos de alunos do ensino fundamental em parceria com a Escola Guilherme Lacerda Braga Sobrinho (CAIC).

José Alves Afonso Filho (Zuca), Simone Raia, Vera Lúcia de Paula Paixão e Jaime Tadeu da Silva, moradores do Sítio Cercado e membros do MUPE,  participaram do encontro em Salvador a convite do Ibram e da Organização dos Estados Ibero-americanos.

Conheça mais sobre o Museu de Periferia do Sítio Cercado no blog do MUPE

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A museóloga bahiana e doutora em educação Maria Celi Teixeira Moura Santos fez o discurso de abertura da cerimônia. Presentes à mesa, da esquerda para a direita: Marcio Meirelles, secretário de Estado de Cultura da Bahia, José do Nascimento Junior, presidente do Instituto Brasileiro de Museus e Daniel Rangel, diretor de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia.

A instalação do 1º Conselho do Patrimônio Museológico ocorreu no dia 18 de dezembro, dia nacional do museólogo, no Salão nobre do Palácio da Aclamação, em Salvador. Foram empossados como conselheiros representantes do Conselho Internacional de Museus (Icom), Associação Brasileira de Museus (ABM), Conselho Federal de Museologia (COFEM), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Fundação Nacional de Artes (Funarte), Comitê Brasileiro de História da Arte (Cbha), Fundação Cultural Palmares (FCP) e Fundação Nacional do Índio (Funai), além de treze representantes da sociedade civil de notório conhecimento nos campos de atuação do Ibram.

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Criado sob decreto nº 6.845/ 7 de maio de 2009, o conselho tem como principais atribuições apoiar a formulação de políticas públicas para os museus, de forma democrática e permante; examinar, apreciar, opinar sobre questões relacionadas à consolidação e desenvolviemento do patrimônio cultural musealizado e de propostas de diretrizes, normas e procedimentos técnicos administrativos do Ibram, de abrangência nacional.

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A solenidade de instalação do 1º Conselho do Patrimônio Museológico contou com a participação de representantes da Organização dos Estados Ibero-americanos – OEI, do Ministério da Justiça e do Ministério da Cultura.

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Detalhe do mobiliário em estilo Luís XV do Salão Nobre do Palácio da Aclamação. O “Palacete dos Moraes”, antigo nome do edifício localizado na Praça da Aclamação sob o nº 211, foi residência oficial dos governadores baianos por 55 anos, até 1967. O palácio exibe uma fachada em estilo neoclássico. Interiormente é decorado com painéis emoldurados, guirlandas, laços e medalhões, pintados por Prisciliano Silva.

Os museólogos passaram a ter um dia próprio para comemoração, 18 de dezembro, por meio de um decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 31 de maio de 2004. A escolha da data se deve a regulamentação da profissão de museólogo pela lei nº 7.287 de 18 de dezembro de 1984, que completou 25 anos em 2009.

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O Governador da Bahia, Jaques Wagner, durante o evento no MAM, anunciou o projeto de criação do Instituto de Museus da Bahia (IBAM).

No dia 18 a noite as atividades continuaram no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), em Salvador, com lançamento do Programa Ibram de Fomento aos Museus – 2010 e das publicações: Subsídios para a Criação de Museus Municipais, Musas: Revista Brasileira de Museus e Museologia, e A Imaginação Museal, de Mário Chagas, diretor do Departamento de Processos Museais do Ibram.

Foram apresentados também os resultados dos dois primeiros editais de museus do Estado: o de Apoio a Propostas de Formação Artística e o de Patrimônio e Preservação, Dinamização e Difusão de Acervos Pertencentes a Instituições Museais Privadas e Comunitárias no Estado da Bahia, que ofereceram investimentos de mais de R$ 1 milhão. Serão contemplados 32 projetos, em cinco categorias.

Fotos: Octavio Camargo

visita do ministro da cultura da ucrânia à igreja de são miguel arcanjo – mallet / pr

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O ministro da Cultura da Ucrânia, Vasyl Vovkun e Larysa Myronenko, cônsul da Ucrânia em Curitiba, durante a solenidade de recepção na Igreja de São Miguel Arcanjo, em Mallet.

O ministro da Cultura da Ucrânia, Vasyl Vovkun, esteve em Mallet (PR), no sábado, 12/12/2009, para conhecer a Igreja de São Miguel Arcanjo, um dos marcos da imigração ucraniana no Brasil do final do século XIX. O Paraná foi o estado que mais recebeu imigrantes ucranianos no país, estimados hoje em 400 mil pessoas.

È a primeira vez, após a independência da Ucrãnia em 1991, que um representante de estado da cultura ucraniana vem ao Paraná visitar estas comunidades. A Igreja de São Miguel Arcanjo em Mallet preserva os cantos e a liturgia em língua ucraniana. Há cidades no Paraná, como Prudentópolis, que tem 70 % de sua população de origem ucraniana. Em percentuais menores, Irati, Palmeira, Ponta Grossa e Curitiba, também receberam um grande número de imigrantes. A presença eslava no Paraná está impressa na identidade cultural do estado, nas palavras que transitam em portugues e ucraniano nas cidades do interior, na modelagem dos sotaques, no gosto pelo bordado e cultivo de flores, nas cores das casas, nas técnicas agrícolas e na engenharia e arquitetura, a exemplo da igreja de São Miguel Arcanjo, que foi construída com madeira de encaixe, como símbolo de uma cultura e como local de reunião e preservação de conhecimento.

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O coro de crianças da comunidade de Mallet cantou os hinos nacionais da Ucrânia e do Brasil e canções tradicionais ucranianas em celebração à presença do ministro.

Em recente visita do presidente Lula à Ucrãnia, uma série de acordos de cooperação foram assinados entre os dois países incluíndo as áreas da cultura e da educação. Acordos diplomáticos estão sendo realizados para facilitação de vistos e cogita-se também a abertura de um vôo direto entre Rio de janeiro e Kiev. Um evento de comemoração dos 120 anos da imigração ucraniana está sendo preparado para 2012, que acontecerá simultaneamente no Brasil e na Ucrania, e deve gerar também diversas possibilidades de intercâmbio.

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O deputado Angelo Vanhoni falou sobre as iniciativas do governo federal na preservação do patrimônio histórico da imigração eslava no Paraná e das contribuições dos ucranianos na formação de nossa identidade cultural.

É uma satisfação ministro, tê-lo aqui em nosso estado pela primeira vez, onde vivem grande parte dos imigrantes ucranianos e dos descendentes daqueles que chegaram no Brasil há mais de cem anos. A fé do povo ucraniano, materializada aqui nesta igreja, exerceu uma influência determinante na preservação da língua, dos costumes e da cultura ucraína, que muito contribuíu para o desenvolvimento do nosso estado e hoje faz parte de nossa identidade cultural. O governo brasileiro vem reconhecendo cada vez mais a importância da imigração eslava em nossa formação. Diversas edificações e igrejas no sul do Brasil estão sendo inventariadas pelo IPHAN e algumas já deram início às obras de restauro.

Nós brasileiros somos uma mistura de diversos povos e temos na diversidade cultural nosso maior patrimônio. Justamente na forma como esse convívio se deu aqui,  como fator de aproximação, onde o diferente é olhado com desejo e admiração, onde existe troca e amizade, diferentes povos buscando o convívio e não o isolamento e a intolerância. Esse é o sentimento da brasilidade. Valorizar as diferenças e apoiar a preservação da cultura ucraniana no estado do Paraná significa apoiar as manifestações tipicamente brasileiras, que constituem a nossa identidade. Por isso quando eu for a Ucrânia me sentirei em casa, e o senhor, tenho certeza, está sentindo-se em casa, porque aqui é também um pedaço da Ucrânia.

Angelo Vanhoni

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Vasyl Vovkun presenteou a comunidade de Mallet  com a coletânea poética Kobzar, de Tarás Chevtchenko (*1814+1861), considerado poeta fundador da literatura ucraniana moderna. A obra é um dos simbolos nacionais da luta pela liberdade do seu povo. Como poeta, Chevtchenko exerceu uma influência incomparável na história da Ucrânia e dos imigrantes ucranianos pelo mundo, que através de seus versos preservaram a sua língua natal e o sonho de uma Ucrânia independente e soberana.

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Testamento – “Zapovit”

Quando eu morrer, me enterrem
na minha amada Ucrânia
seja meu túmulo uma colina
na planície extensa
para que os campos, as estepes infinitas,
a costa sonora do Dniepre,
meus olhos possam ver,
meus ouvidos ouvir.

Quando o Dniepre entregar ao mar
de azul profundo
o sangue dos invasores…
deixarei estas colinas,
estes campos férteis,
para me encontrar com Deus
na abóboda celeste,
e só então rezarei…
mas até este dia chegar
eu nada sei sobre Deus

Enterrem-me, e levantem-se.
quebrem as pesadas algemas
e reguem com o sangue dos tiranos
a liberdade conquistada.
E na nova família,
na família livre,
com suaves palavras, doces palavras,
lembrem-se também de mim.

Tarás Chevtchenko , 25 Dezembro 1845, Pereiaslav.

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A Igreja de São Miguel Arcanjo está sendo restaurada pelo Instituto Arquibrasil, com o apoio do IPHAN e patrocínio da Caixa Econômica Federal. A conclusão das obras de restauro esta prevista para o primeiro semestre de 2010.

Fotos: Gilson Camargo

visita do ministro da cultura da ucrânia à sociedade ucraniana do brasil – curitiba

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Vasyl Vovkun foi recebido na sede da Sociedade Ucraniana do Brasil com pão, sal e música, conforme a antiga tradição dos imigrantes em sinal de boas vindas.

O Ministro da Cultura da Ucrânia, Vasyl Vovkun esteve no Paraná, logo após a recente visita do presidente Lula à Ucrânia no início de dezembro. Em sua passagem por Curitiba conversou com representantes do governo do estado e da prefeitura com o objetivo de ampliar as relações culturais e as possibilidades de intercâmbio entre os dois países. Em sua visita à Sociedade Ucraniana do Brasil, Vovkun discursou sobre a disposição do governo ucraniano em fortalecer o diálogo com as comunidades de imigrantes ao redor do mundo e sobre os acordos que estão sendo firmados nesta direção entre os governos dos dois países.

Um grande evento comemorativo dos 120 anos da imigração ucraniana no Brasil está sendo preparado para acontecer nos dois países em 2011. A participação de Curitiba já está confirmada. A presença do Ministro na cidade possibilitou também a elaboração de convênios com a Cinemateca e outros equipamentos da prefeitura. Com a Secretaria Estadual de Cultura, foi proposta a itineração da exposição do pintor paranaense Miguel Bakun para Kiev, em 2010, dentre outras iniciativas.

A previsão para as comemorações é de realizar atividades em todos os municípios com presença Ucraniana. O ministro Vasyl Vovkun encontrou-se com os prefeitos de Irati, Sérgio Stoklos, de Paranaguá, José Baka Filho, de Prudentópolis, Gilvan Pizanno, de Maringá, Silvio Barros e de Foz de Iguaçu, Paulo Mac Donald.

A programação será organizada pela Comissão Especial constituída pela Representação Central Ucraniano Brasileira – RCUB, onde participam as sociedades civis e religosas representativas da comunidade ucraniana brasileira. Os Governos da Ucrânia e do Brasil também constituirão comissões com essa finalidade.

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Vovkun discursou em ucraniano e teve sua fala traduzida simultaneamente para o português por Volovynyr Lacomov, embaixadar da Ucrânia no Brasil. Presentes na mesa, da esquerda para a direita: Vitório Sorotiuk, presidente da Representação Central Ucraniano Brasileira, Angelo Vanhoni, Vasyl Vovkun, ministro de Cultura da Ucrânia, e ainda,  Mariano Chaikowski e Jorge Rybka, consules Honorários, Roberto Oresten, presidente da Sociedade Ucraniana do Brasil, Paulo Michalizen, presidente da Sociedade Poltava, Jairo Nascimento, vice Presidente da Sociedade dos Amigos da Cultura Ucraniana e Larysa Myronenko, cônsul da Ucrânia em Curitiba.

“A pátria e o sangue nos fazem irmãos e a Ucrânia está onde está uma família ucraniana. As comunidades de imigrantes ucranianos aqui no Brasil, que geração após geração, vem preservando os costumes, a tradição e a língua ucraniana, são um depoimento da força e da identidade da nossa cultura e exemplo para o mundo da legitimidade e justiça de nossa independência política e soberania.  Estamos trabalhando  fortemente para incentivar as tradições culturais em nosso próprio país e ao redor do mundo, em todos os lugares onde a cultura ucraniana se faz presente. Uma das primeiras medidas que realizei como ministro foi baixar um decreto para que todos os filmes exibidos no país fossem ao menos legendados em ucraniano, porque lutamos ainda para garantir o ensino obrigatório da língua ucraniana nas escolas. Outra medida foi retirar dos espaços públicos de nossas cidades os monumentos e símbolos que celebravam o regime bolchevique durante o período em que a Ucrânia esteve anexada à União Soviética, buscando resgatar a verdade da nossa história e o sofrimento do nosso povo,  a exemplo de Holomodor, que ficou praticamente silenciado nestes anos todos no quis diz respeito às suas verdadeiras proporções.

Há duas semanas atrás aconteceu o encontro entre os presidentes da Ucrânia e do Brasil em Kiev. Deste diálogo sairam resoluções que fortalecem o intercâmbio entre nós. Eu e o ministro da Cultura do Brasil, assinamos um acordo de cooperação que prevê várias atividades na área da cultura. Uma delas, que já está sendo articulada, é uma mostra de Miguel Bakun em Kiev com informações sobre sua vida, e quero levar a exposição também para o Museu Ucraniano de Washington. Entre os acordos diplomáticos, está prevista a liberação de vistos para ucranianos e brasileiros poderem se visitar sem trâmites burocráticos. Há também uma grande possibilidade de abertura de um vôo direto do Rio de Janeiro para Kiev, facilitando assim o acesso e diminuindo o tempo de vôo entre os dois países.

Com a Ucrânia independente, numa nova conjuntura internacional, temos ainda dificuldades e passamos por problemas políticos. Quando lembramos da grande fome, o Holodomor, que dizimou nosso povo em 1932, temos que refletir também sobre o momento atual, sobre as tensões e dificuldades da Ucrânia nos dia de hoje e reafirmar a nossa luta pela liberdade. Lembrar do caminho que percorremos para chegar até aqui e do sacrífíco do povo ucraniano neste processo de recuperação da sua independência”

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“Há uma infinidade de imigrantes ucranianos pelo mundo. Existem instituições e organismos que se dedicam à preservação da tradição e dos costumes ucranianos. O nosso governo quer ajudar a equipar estas instituições e fortalecer este trabalho.
Quero agradecer pelo que vocês fizeram pela Ucrânia e lembrá-los da importância que isso tem para nós, que lá permanecemos, nos dias de hoje. Através das igrejas, dos costumes, da língua, vocês preservaram a alma ucraniana. Muito obrigado! “

Vasyl Vovkun

Após a fala do ministro, o público assistiu a uma apresentação especial do grupo de música e dança ucraniano Pokuttia, que veio ao Brasil participar do festival de Dança de Maringá. Veja nas imagens abaixo alguns momentos da performance do grupo  na Sociedade Ucraniana do Brasil.

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O traje ucraniano apresenta um certo estilo de roupa: cobertura de cabeça, calçados, acessórios e jóias. A partir do final do século 19 e começo do século 20 os trajes passaram a se distinguir em 17 variações regionais.

Um elemento fundamental é o bordado. Cores vibrantes são caracteristicas nacionais da roupa ucraniana, envolvendo o trabalho de tecelões, alfaiates, bordadeiras e joalheiros. Os conjuntos revelam a luxuosa opulência da vestimenta dos nobres, assim como a modesta, e não menos elaborada, roupa dos camponeses.

link para descrição dos trajes típicos ucranianos e caracteristicas de cada região na página do grupo Poltava

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Os bordados ucranianos formam cintilantes mosaicos preservados pelas tradições familiares. As cores tem conteúdo simbólico. O vermelho é o amor e o preto a tristeza. Na antiguidade foram usados como talismãs contra a morte, a dor e os ferimentos. Bordava-se o peito das camisas, as mangas e os punhos. O bordado ucraniano tem profundas raizes nos hábitos agrários e é representado sobretudo por motivos geométricos que conservam características bizantinas, cada qual com as sutilezas das diferentes regiões ucranianas. Através disso temos representações de vários temas como o nascimento e a morte, a vida na terra e o universo.

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A arte de bordar chegou a Europa vinda da Ásia Central, a começar pela Ucrânia, via “caminho da seda” e muito antes do início da era cristã os povos que habitavam a Ucrânia já usavam os bordados que foram evoluindo até as formas atuais, datando do século 7 D.C. Existem três diferentes tipos de aplicação de bordado: O religioso, vestimentas de sacerdotes e de uso nas igrejas, o dos ritos folclóricos “rushnyky”, toalhas rituais, e o dos trajes, camisas, blusas, e lenços.

São três também os principais estilos dos bordados ucranianos, que divergem nos motivos e cores: O do Norte da Ucrânia, onde as figuras geométricas são preservadas há séculos, o da Ucrânia central, Leste e Sul, onde predominam as figuras de plantas e flores e os da Ucrânia ocidental, onde há um processo de transição das figuras geométricas a motivos de flores.

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Fotos: Gilson Camargo

acordos de cooperação internacional – ministro da cultura da ucrânia em visita à cinemateca de curitiba – 11/12/2009

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Ao centro na imagem, o cineasta paranaense Guto Pasko e Vasyl Vovkun, ministro da cultura da Ucrânia.

O Ministro da Cultura da Ucrânia, Vasyl Vovkun, durante sua agenda em Curitiba assistiu ao documentário “Made in Ucrânia”, na Cinemateca. Produzido e dirigido pelo cineasta paranaense Guto Pasko. O filme faz um resgate histórico da imigração ucraniana no Estado do Paraná, desde a chegada dos primeiros imigrantes há 120 anos até os dias de hoje, mostrando como estes imigrantes mantiveram vivas todas as suas tradições e costumes, tais como a língua, o folclore, a religiosidade, os cantos, artesanato e arquitetura, influenciando diretamente a cultura paranaense e brasileira.

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Da esquerda para a direita: Solange Stecz, diretora da Cinemateca, Guto Pasko, Volovynyr Lacomov, embaixador da Ucrania no Brasil, Larysa Myronenko, consul da Ucrânia no Brasil, Vitório Sorotiuk e o ministro Vasyl Vovkun.

Em 2011, os dois países comemorarão os 120 anos da imigração ucraniana no Brasil. No encontro, na Cinemateca de Curitiba o ministro sinalizou positivamente para inserir no acordo bilateral das comemorações a realização da Mostra de Cinema “Brasil – Ucrânia”. Segundo Guto Pasko, “a idéia será fazer um intercâmbio de filmes. Mostra de cinema ucraniano a ser realizada aqui e filmes que abordem a imigração ucraniana no Brasil deverão ser exibidos na Ucrânia.”

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Fachada da Cinemateca, na rua Carlos Cavalcanti, 1147.

Toda a programação dos 120 anos será organizada pela Comissão Especial constituída pela Representação Central Ucraniano Brasileira – RCUB, onde participam todas as sociedades civis e religiosas representativas da comunidade ucraniana brasileira. Os Governos da Ucrânia e do Brasil também constituirão comissões com esse fim. Algumas atividades já vêm sendo definidas com alguns municípios do estado. O Ministro Vasyl Vovkun abordou o tema nos encontros que teve com os prefeitos de Irati Sérgio Stoklos, de Paranaguá José Baka Filho, de Prudentópolis Gilvan Pizanno, de Maringá Silvio Barros e com o prefeito de Foz de Iguaçu Paulo Mac Donald.

Fotos: Gilson Camargo

inauguração do monumento em memória das vítimas do holodomor – parque tingui – curitiba

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O Ministro da Cultura da Ucrânia, Vasyl Vovkun, inaugurou monumento em homenagem às vítimas de Holodomor nesta sexta feira, 11/12/2009, no Memorial Ucraniano do Parque Tingui, em Curitiba. A grande fome que dizimou a população da Ucrânia, integrada à URSS nos anos de 1932 e 1933, está sendo reconhecida como genocídio por diversos países do mundo. Holodomor significa morte pela fome, ou ainda “moryty holodom”, morte induzida através da fome.

link para Holodomor na Wikipedia

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Interior do Memorial Ucraniano no Parque Tingu.

A solenidade iniciou-se no interior do Memorial, réplica da igreja centenária de São Miguel Arcanjo, em Mallet. Estavam presentes na cerimônia religiosa Dom Efraim Krevey, Bispo Emérito da Igreja Greco-católica, o Arcebispo Dom Geremias Ferens da Igreja Ortodoxa e o Padre Edson Boilo.

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Vasyl Vovkun, ministro da cultura da Ucrânia.

Entre os pontos firmados pelo presidente Lula em recente visita a Ucrânia está o reconhecimento do Holodomor como genocídio. O fato foi referendado pela Câmara Federal em setembro passado na aprovação de proposição do deputado paranaense Angelo Vanhoni.

Nos anos de 1932/33, milhares de ucranianos morreram de fome durante o processo de coletivização forçada pelo regime de Stálin. Segundo estimativas atuais do governo ucraniano, o numero de vítimas pode chegar a 10 milhões de pessoas. O episódio permanceu em silêncio durante o governo soviético. Após a independencia da Ucrânia, em 1991, censos e documentos do período passaram a ser revistos. ”A inauguração do momumento mantém viva a memória das vítimas desta tragédia”, afirmou Vitório Sorotiuk, presidente da Representação Central Ucraniana no Paraná.

Por seus indícios a Grande Fome de 1932-1933 é considerada pela Convenção da ONU para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio, de 9 de dezembro de 1948, como um crime de genocídio do povo ucraniano e seu reconhecimento já foi realizado por diversos parlamentos do mundo: Estados Unidos, Canadá, Estônia, Argentina, Austrália, Itália, Hungria, Lituânia, Geórgia e Polônia. Mais do que um ato de solidariedade tardio com o povo ucraniano, é uma manifestação forte em favor da liberdade e contra toda e qualquer tirania.
Angelo Vanhoni

link para requerimento Holodomor na Comissão de Direitos Humanos do Congresso Nacional
link para requerimento Holodomor na Comissão de Educação do Congresso Nacional

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Dona Ana Niedzieluk, residente em Curitiba a mais de 60 anos, nasceu em 1920 na Ucrãnia e imigrou para o Brasil em 1947.  Ela é uma das testemunhas da fome de 1932, tendo sobrevivido também à II guerra mundial trabalhando na Alemanha no período de 1942-1945.

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Membros da comunidade ucraniana, integrantes de grupos folclóricos, líderes religiosos e autoridades em frente à replica da Igreja de São Miguel Arcanjo, no Parque Tinguí. Entre os presentes estavam o Embaixador da Ucrania no Brasil Volovynyr Lacomov, o presidente da Representação Central Ucraniano Brasileira Vitório Sorotiuk, o ministro da Cultura, Vasyl Vovkun, e a Consul Larysa Myronenko.

Fotos: Gilson Camargo

capacitação e atualização profissional – comissão de educação e cultura aprova inclusão de benefícios para técnicos do setor audiovisual no pronac

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Imagens históricas do cineasta Glauber Rocha passando orientações de enquadramento e captação de áudio
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A Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal aprovou o Projeto de Lei 5660/09, do Senado, que inclui no Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) os projetos de atualização e aprimoramento profissional para áreas técnicas do audiovisual, como operação de câmera e técnica de som.

Angelo Vanhoni, relator do projeto, apresentou parecer favorável a aprovação. Ele lembra que um dos objetivos do Pronac é o incentivo à formação artística e cultural mediante a concessão de bolsas de estudo, pesquisa e trabalho, no Brasil ou no exterior, a autores, artistas e técnicos, brasileiros ou estrangeiros residentes no Brasil.

“O projeto amplia os objetivos do Pronac. O renascimento do cinema nacional, a partir dos anos 90, não veio acompanhado do necessário investimento na formação e qualificação dos técnicos do setor audiovisual. A importação de novas tecnologias exige uma crescente especialização dessa mão-de-obra. Mesmo sabendo do esforço do atual governo para corrigir distorções e equívocos da Lei Rouanet, o projeto merece aprovação já que contempla a atualização e capacitação dos profissionais da atividade cinematográfica.

Praticamente, toda a cadeia produtiva do cinema tem sido contemplada com recursos concedidos aos projetos compatíveis com os objetivos do PRONAC e com os incentivos fiscais captados graças aos benefícios facultados pela Lei Rouanet. Entretanto, a capacitação e a atualização profissional das várias funções exigidas pela atividade cinematográfica permanecem a descoberto - dos operadores de câmera e eletricistas, aos técnicos de som, entre outros. O volume de recursos provenientes do PRONAC para o atendimento de projetos nessa área tem sido historicamente muito reduzido”
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De iniciativa do ex-senador Roberto Saturnino – RJ, a proposta permite que projetos de atualização e aprimoramento profissional captem recursos no âmbito da Lei Rouanet, que estabelece o benefício da dedução do Imposto de Renda para as doações e patrocínios de incentivo à cultura. O projeto tramita em caráter conclusivo e segue para as comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição, Justiça e Cidadania.

Link para o projeto de Roberto Saturnino

pesquisa, registro e inventário do patrimônio cultural brasileiro – teatro de bonecos

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Renato Perré,
presidente da ABTB (Associação Brasileira de Teatro de Bonecos), entregou ao deputado Angelo Vanhoni, em nome dos integrantes do III Abrace o Boneco Brasil, em Curitiba, os resultados dos encontros para registro do Teatro de Bonecos Popular do Nordeste, que aconteceram com recursos de emenda parlamentar de sua autoria, e duas novas propostas a serem levadas para o Câmara Federal: A instituição do Dia Nacional do Teatro de Bonecos e uma nova emenda orçamentária para implantação dos Centros de Referência de Teatro de Bonecos nas cinco regiões do país.

Curitiba sediou o III Abrace o Boneco Brasil, do dia 30 de novembro a 06 de dezembro, reunindo artistas do teatro de bonecos de todo o país. Além da troca de experiências, apresentações culturais, o encontro propiciou momentos de debate e reflexão sobre a valorização do Teatro de Bonecos como patrimônio cultural brasileiro. No dia 04 de dezembro, aconteceu o debate no Teatro de Bonecos Dr. Botica, sobre Registro do Teatro de Bonecos Popular do Nordeste: Mamulengo, Babau, João Redondo e Cassimiro.

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Claudia Vasquez, técnica do Departamento de Patrimônio Imaterial do IPHAN, explicou como acontece o registro de um bem cultural como patrimônio – desde o pedido pela comunidade até a pesquisa, registro e o inventário. Enfatizou que todo o processo de registro e criação de um projeto de salvaguarda, como no caso do Teatro de Bonecos, é feito pela base social, ou seja, com a concordância dos envolvidos no processo e principalmente com o envolvimento da comunidade. Em maio de 2009, o IPHAN acatou o pedido proposto pela Associação Brasileira de Teatro de Bonecos – ABTB,  em realizar  o Registro do Teatro de Bonecos Popular do Nordeste como patrimônio cultural do Brasil, levando à  criação de um plano de salvaguarda desta expressão cultural. A primeira etapa de registro já foi concluída através da realização de dois encontros dos mestres brincantes da Paraíba e do Rio Grande do Norte.

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Os resultados desta primeira fase foram apresentados através de imagens e dos relatos das pesquisadoras Amanda Viana (PB), e Maria das Graças Cavalcanti (RN).

O III Abrace o Boneco Brasil é uma iniciativa da Associação Brasileira de Teatro de Bonecos em parceria com a Associação Paranaense de Teatro de Bonecos e apoio cultural das seguintes instituições: Funarte/Minc, Fundação Cultural de Curitiba, Secretaria de Estado da Cultura do Paraná e Universidade Federal do Paraná.

link para a página abraceoboneco.blogspot.com
link para a página do projeto mamulengopatrimonio

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Bonecos artesanais da tradição bonequeira do Nordeste – acervo Renato Perré.

Fotos: Gilson Camargo

ampliação dos acervos dos museus federais – políticas de estímulo à doação de obras de arte via incentivo fiscal

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José do Nascimento Junior, presidente do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM).

No Brasil, doar e receber obras de arte não é uma questão simples, tampouco é problema específico apenas de um museu. Como as regras e as políticas de aquisição de obras para instituições ainda se firmam no país, os museus, sem verba para a compra de peças artísticas, têm de esperar a boa vontade de colecionadores ou dos próprios artistas que queiram doar suas obras.

Ontem pela manhã, 03/12/2209, o ministro da Cultura, Juca Ferreira se reuniu com diretores de instituições nacionais e representantes do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) tendo como tema a política de aquisição de acervos. Trata-se de uma continuidade das discussões sobre a questão, alavancada ainda, pelo episódio do incêndio de obras de Hélio Oiticica (1937-1980) e de seu pai, o fotógrafo José Oiticica Filho (1906-1964), ocorrido em outubro na casa da família dos criadores no Rio – as peças deveriam estar em uma instituição, mas, como familiares podem ceder as criações aos aparatos museológicos?

“Desde 2003 há um edital do Ministério da Cultura de modernização de museus, que permite aquisição de obras, mas, poucas instituições o utilizam porque, primeiro necessitam da qualificação das reservas técnicas. Nossa intenção é que tenhamos um edital específico de R$ 10 milhões para aquisição de acervo, via Petrobrás ou Ministério”.
José do Nascimento Junior

Outra proposta de estímulo à doação/cessão é o projeto de lei do deputado Angelo Vanhoni (PT-PR) de dedução do valor de obras de arte doadas a muses federais em até 6% do Imposto de Renda devido e o anteprojeto de Michel Etlin, da Associação Nacional das Entidades Culturais Não-Lucrativas, também de incentivo fiscal para patrimônio de herança – e pode-se citar ainda os editais da Caixa Econômica Federal e da Funarte, ambos da esfera federal. “Governos estaduais e municipais também têm de adquirir” diz Nascimento.

link para a íntegra da matéria publicada pelo jornal O Estado de São Paulo, em 03/12/09

Foto: Gilson Camargo

2º conferência estadual de cultura do paraná – campo mourão

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A solenidade de abertura contou com apresentações artísticas de expressões culturais da cidade, dentre elas a do Corpo de Ballet Municipal da FUNDACAM – Fundação Cultural de Campo Mourão.

A II Conferência Estadual de Cultura do Paraná foi realizada em Campo Mourão, no dia 27 de novembro de 2009. Mais de 200 municípios participaram do debate através de delegados eleitos nas etapas anteriores, concluídas em outubro, demonstrando a grande mobilização ocorrida no estado do Paraná na discussão das políticas públicas de cultura. Durante o encontro, após as falas expositivas de autoridades e representantes do Ministério, foram eleitos 28 delegados, sendo 19 da sociedade civil e 9 do poder governamental, para representarem o Paraná, entre os dias 11 e 14 de março de 2010, em Brasília, na Conferência Nacional de Cultura.

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Amani Spachinski de Oliveira, membro da Academia Mouraoense de Letras, Vera Lucia da Silva Zanatta, prefeita do município de Terra Boa, a secretária de Estado da Cultura, Vera Maria Haj Mussi Augusto, Zeca Dirceu, prefeito de Cruzeiro do Oeste e vice-presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMPR), o prefeito municipal Nelson Tureck, a diretora-presidente da Fundacam, Sonia Singer, a vice-prefeita de Campo Mourão, Regina Dubay e o vereador Edoel Rocha, durante a execução do Hino do Estado do Paraná.

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A Secretária Municipal de Cultura, Sonia Singer deu as boas vindas aos participantes da Conferência e destacou a importância dos investimentos em cultura, tendo em vista o patamar alcançado por Campo Mourão nas pesquisas realizadas pelo IBGE.

Nós temos uma grande responsabilidade hoje aqui: a de elencar propostas do Paraná para a II Conferência Nacional de Cultura. Temos que ajudar este país a arredondar a roda da cultura, que até então tem vindo muito quadrada, e por isso precisamos muito das políticas públicas, precisamos que elas sejam implantadas em nível nacional. Nós temos uma realidade aqui em Campo Mourão bastante diferente de muitas outras cidades paranaenses. Temos, para com a gestão de cultura, o respeito e o carinho de todas as administrações que por aqui já passaram. Temos o compromisso de dar continuidade às políticas culturais, de manter a estrutura e o corpo técnico e dar condições aos artistas de produzirem. Tanto que a escolha do município para sediar a Conferência se deve muito a esta visão diferenciada e aos índices positivos alcançados pela cidade nos dados publicados pelo IBGE. Temos hoje, segundo estas pesquisas, o terceiro melhor índice de gestão cultural do país, o segundo melhor em gestão democrática e o primeiro no índice de cultura do Estado do Paraná. Aqui a população participa nas decisões da cidade. Temos o Conselho de Cultura, o Conselho de Patrimônio e o Fórum de Cultura funcionando. Mas é preciso ainda trabalhar muito, apresentar resultados consistentes e continuar crescendo na cultura, ajudando a cidade a se desenvolver. Desejo uma ótima Conferência a todos!
Sônia Singer

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A conferência contou com 414 participantes, sendo: 287 delegados eleitos nas etapas municipais, 34 observadores, 16 convidados, 36 autoridades, 11 componentes da Secretaria Estadual de Cultura e 30 membros da equipe da Fundacam.

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Durante a abertura da conferência, o deputado Angelo Vanhoni falou sobre a importância da cultura para o desenvolvimento do ser humano e da sociedade.

Bom dia à todos. Esta Conferência conclui uma etapa importante dos debates em nosso estado e nos prepara para participarmos da II Conferência Nacional de Cultura, em março de 2010, em Brasília. Diversos municípios e regiões reuniram produtores culturais, empresários ligados à cultura, gestores públicos, diretores de teatro, artistas e pessoas relacionadas às mais diferentes áreas: ao folclore, ao cinema, poesia, a literatura e à preservação do patrimônio histórico. Para nós é um momento de muita alegria. Destacamos o empenho que as diversas secretarias municipais tiveram, o apoio da secretaria estadual de cultura e o acompanhamento dos facilitadores do Ministério, para que este processo se realizasse.

O Ministério da Cultura brasileiro tem apenas 15 anos de existência e uma boa parte dos nossos municípios ainda não possui um setor com atuação dedicada a área da cultura. Muitos, infelizmente, acreditam que a cultura é um apêndice, ou da secretaria de esporte, ou da secretaria da educação e assim trabalham como se fossem um pequeno departamento, subordinado às outras áreas. Isso faz parte de um processo de tomada de consciência de nossa sociedade e dos gestores públicos das prefeituras que se relacionam diretamente com a maior parte da população.

Nós temos, de uma forma geral no Brasil, uma percepção ainda equivocada da importância da cultura para o ser humano e para o desenvolvimento da sociedade. Já sabemos, por exemplo, reconhecer a importância da educação, que transmite o conhecimento através da razão e sabemos que o ser humano sem educação não tem condições de evoluir, sobretudo nos tempos modernos, onde educação e conhecimento estão diretamente ligados à capacidade de produção dos indivíduos, que precisam renovar seus saberes em função de um mercado em contínua transformação. O desenvolvimento da educação é fundamental para a inserção no mundo do trabalho, para que cada um tenha condições de produzir, de ser independente e de se colocar na vida como um ser autônomo. Essa consciência nós já adquirimos. Porém, no âmbito da cultura, ainda estamos dando os primeiros passos. Somos uma sociedade complexa, cheia de contradições, que está começando a se desenvolver recentemente, que é marcada por uma exclusão social monumental e por uma elite que domina a riqueza do país há muitos anos. Neste ponto que chegamos, após vários avanços em outros setores da nossa sociedade, precisamos romper com a visão da cultura tratada como simples entretenimento, como adereço e em última análise, como algo supérfluo. Num país como o nosso em que as carências culturais são tão prementes, frente as dificuldades sociais, fica difícil tematizar e esclarecer aos nossos representes públicos que a previsão de recursos orçamentários para a cultura, para o desenvolvimento efetivo das políticas culturais em nosso país é tão importante quanto acabar com a fome.

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Para mim, o grande avanço que tivemos no governo Lula foi o de entender a cultura como um direito sócial, além de começar a estabelecer uma política cultural de estado. Uma visão que contempla o direito de todos os cidadãos de usufruírem dos bens culturais que o Brasil e a sociedade constroem cotidianamente e também o direito de cada indivíduo de se expressar culturalmente, afirmando seus valores com liberdade, superando assim a visão de cultura como entretenimento. Não é um dinheiro para o artista ir apresentar seu trabalho, não é apenas isso. Isto é o final do processo. Estamos falando da dignidade de cada tradição, de cada grupo social que constitui a nossa identidade enquanto nação. A verdadeira política pública de cultura, a que queremos para o Brasil, é aquela que integra a estrutura de governo, as suas três esferas, em uma grande rede, para que os recursos do governo federal possam ser aplicados nos estados e nos municípios, de forma distributiva e descentralizada, fomentando a vida cultural do nosso povo não apenas nos centros mais desenvolvidos econômicamente, mas em todo o território nacional. Cultura forma, cultura constrói a vida e o cidadão nos seus valores simbólicos. Boa conferência para vocês.
Angelo Vanhoni

Link para palestra de Angelo Vanhoni sobre as políticas culturais que estão sendo debatidas no Congresso Nacional
Link para palestra de Rejane Nóbrega sobre os eixos temáticos da Conferência Nacional de Cultura

campomourao_foto_gilsoncamargo2009novembro17Representando o Ministério da Cultura, Américo Córdula – Secretário de Diversidade Cultural, enfatizou  a importância de algumas diretizes básicas a serem discutidas pelos grupos.

Nós, do Ministério, queremos democratizar a cultura com as pautas colocadas no Congresso Nacional, dando acesso, por exemplo, através do Vale Cultura, aos bens culturais e aumentando o fomento com a aprovação da PEC 150, lembrando que 2% é o mínimo necessário para trazermos dignidade para a cultura deste país. Nós temos que caminhar atrás da sensibilização dos demais municípios sobre a importância da cultura. Portanto, esta Conferência vem como reflexão estratégica para que possamos implementar as propostas que estão sendo votadas no Congresso, e todas saíram da I Conferência em 2005. Agora é importante destacar que a articulação para esta segunda vem em uma nova realidade e aproveito para destacar a importância do trabalho da Rejane Nóbrega, articuladora pelo MINC das conferências municipais no estado do Paraná.

Qual é a nossa preocupação? Tenho observado nas últimas conferências que algumas diretrizes que estão sendo colocadas pelos delegados são temas que já foram debatidos na I conferência e muitas delas já foram atendidas. O que nós precisamos agora é estabelecer estratégias de implementação destas ferramentas, nos apropriarmos do que já existe. Pensar por exemplo o que o Plano Nacional de Cultura preconiza? O que a Reforma da Rouanet diz? O que é o Sistema Nacional de Cultura?

Os delegados que sairão aqui do Paraná tem que ter em mente que vão levar as diretrizes do estado. Portanto, é preciso se conscientizar de que não são diretrizes apenas do seu segmento. Os delegados têm que estar capacitados para, lá em Brasília, saberem defender os interesses do Paraná,  representando todos os segmentos artístico-culturais.
Américo Córdula

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Tela do artista mouraoense Silvio Rocha, em exposição na Biblioteca Municipal Egydio Martello, retratando a história do povo Xetá, indígenas nativos da região, com fotos dos últimos descendentes e pinturas.

Os índios Xetá foram a última etnia do Paraná a entrar em contato com a sociedade nacional. As evidências de sua presença na região já eram registradas pelas frentes de colonização desde o final da década de 1940, mas, seu primeiro contato oficial aconteceu em 6 de dezembro de 1954, na Serra dos Dourados, região noroeste do estado.

A maioria dos Xetá morreu, em menos de uma década, por causa da selvagem colonização do território em que viviam. Poucos sobreviveram. A maioria destes foram crianças literalmente arrancadas de seus pais e criadas por familiares dos fazendeiros que invadiram suas terras ou por funcionários do antigo Serviço de Proteção ao Índio.

No dia 11 de junho de 2007, morreu, aos 60 anos, Tukanambá José Paraná, um dos sobreviventes do massacre Xetá. Agora, restam apenas seis sobreviventes conhecidos. Hoje, eles têm descendentes e juntos somam cerca de noventa pessoas, mas, eles vivem separados. Moram em cidades ou em terras dos povos Kaingang e Guarani. Os sobreviventes estão envelhecendo e dois já faleceram. Por isso, regularizar a terra do povo Xetá é cada vez mais urgente. Há mais de uma década, Tuka, como ele era conhecido, juntamente com Tikuein Mã – falecido no final de 2005 – lideravam seu povo na luta pela reconquista de sua terra. A morte de Tuka foi mais um duro golpe aos Xetá. Os sobreviventes do massacre deste povo têm, agora, importante papel de manter seus descendentes em contato.

“Eu entendo tudo quando o Tikuein Mã, o Tuca e o Kuein falam. Eu tenho vergonha de falar e não falo porque estou sozinha, mas, se eu tivesse com quem prosear na nossa língua para não esquecer o que ainda me lembro eu seria muito feliz. Não se conversa só, não é mesmo? É preciso outra pessoa que proseie como nós, não é?”

(trechos de depoimento retirado da dissertação de mestrado “Sobreviventes do Extermínio: Uma Etnografia das Narrativas e Lembranças da Sociedade Xetá”, de Carmen Lucia da Silva – Universidade Federal de Santa Catarina -  Florianópolis, 1998).

Fotos: Gilson Camargo




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