
Em visita a cidade de Campo Magro, o deputado Angelo Vanhoni conversou com o prefeito José Pase e reuniu-se com agricultores e moradores da região na Casa do Agricultor. Campo Magro é um dos municípios mais novos da Região Metropolitana de Curitiba e tem como base de sua economia a agricultura familiar orgânica, o artesanato e o turismo rural, fortemente impulsionado por sua natureza exuberante e por atrativos como as Cachoeiras Gêmeas e o Morro da Palha.
Para José Pase, terceiro prefeito do município, há muito por fazer, “existem ainda dificuldades para aumentar a produção e gerar mais empregos. Muita gente acaba indo trabalhar fora da cidade”. Uma das reivindicações da prefeitura para melhorar o acesso ao município é a revitalização do trecho urbano da Estrada do Cerne (PR-090), a 15 km de Curitiba – entre o Contorno Norte e o Centro de Campo Magro.

Ponto forte do município, a agricultura familiar tem recebido investimentos do Governo Federal, como é o exemplo dos projetos desenvolvidos na Casa do Agricultor, na comunidade de Conceição dos Correias. Reunido com os agricultores da região, Vanhoni ficou a par dos projetos, ouviu as reivindicações e se comprometeu em contribuir para o desenvolvimento de Campo Magro. Atualmente existem 18 comunidades rurais, com 1400 famílias que produzem – em sua grande maioria – produtos orgânicos destinados à movimentação da economia local e ao desenvolvimento do turismo rural, além de destinarem parte da sua produção para a merenda escolar do município através dos programas do governo federal: o Compra Direta e o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos). Na Casa do Agricultor há também uma cozinha comunitária para o feitio de pães e armazenamento das verduras trazidas semanalmente pelos agricultores.

Da esquerda para a direita: Sandra Maria Ribas Machado, secretária de Agricultura de Campo Magro, o prefeito José Pase, Angelo Vanhoni, Ana Rita, diretora da Secretaria Municipal de Agricultura e agricultores do municipio durante reunião na comunidade de Conceição dos Correias.
A secretária municipal de Agricultura, Sandra Maria Ribas Machado, explica que “há um esforço da prefeitura para fazer com que todos os agricultores façam a transição para a produção orgânica que, além de ser mais saudável, contribuirá para o desenvolvimento do turismo rural, que é um dos nossos carros chefes.” A aquisição de maquinários, a regularização fundiária e a revitalização da estrada PR-090 foram algumas das reivindicações feitas pelos moradores nesta reunião.

Celso e Rosa Costa, responsáveis pela fabricação semanal de cerca de 200 pães que vão direto para a merenda escolar. Na cozinha comunitária são produzidos também geléias, sucos e mel.
Links para o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e para o Compra Direta – Programas de Desenvolvimento Social do governo federal.

Trecho da Rodovia PR-090 entre Campo Magro e Curitiba.
A Estrada do Cerne foi a principal obra de infraestrutura da década de 1930 no estado. Chamada na época de “a maior rodovia que se construiu no Paraná em todos os tempos”, faz a ligação entre o Sul e o Norte do Estado, de Curitiba a Alvorada do Sul, já na divisa com São Paulo. Durante 20 anos ela foi uma das principais vias de escoamento da produção agrícola paranaense, notadamente o café que, antes era em grande parte exportado pelo Porto de Santos através da Estrada de Ferro Sorocabana, e passou, desde a década de 1940 a movimentar o Porto de Paranaguá.
Os reflexos da via na região e em sua zona de influência foram imediatos. Três grandes empreendimentos industriais foram erguidos ao longo e nas imediações da nova estrada: uma indústria de papel, a exploração em grande escala do carvão paranaense em Figueira e a usina de açúcar em Porecatu, que atraíram o capital e o empresariado paulista sob o estímulo das facilidades criadas pelo interventor Manuel Ribas. O Paraná não só cresceu como celeiro agrícola e maior exportador de café do Brasil, como também se industrializou a passos largos, transformando o Porto de Paranaguá no mais importante do País.
No início dos anos 60, com a abertura da Rodovia do Café, inteiramente asfaltada entre Ponta Grossa e Apucarana, o tráfego mais intenso deixou a Estrada do Cerne, que começou a perder importância econômica, como quase toda a região por ela servida. Além disso, o deslocamento da fronteira agrícola, expandida para o Nordeste e o extremo Oeste provocou o esvaziamento econômico e demográfico da área. Hoje, com a revitalização da estrada, o governo do estado pretende voltar a fortalecer a economia da região.
Fotos: Gilson Camargo
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