Arquivo para julho, 2009

abertas as inscrições para o 2º edital de pontos de cultura – curitiba

Malasartes
As imagens que ilustram esta matéria são de atividades realizadas pela Malasartes Educação Sensível, para crianças de escolas da rede pública,
com apoio da Fundação Cultural de Curitiba, através da Lei Municipal de Incentivo a Cultura e Fundo Municipal de Cultura.

No 1º semestre de 2009, foram selecionados pelo 1º edital de Curitiba, nove Pontos de Cultura que abrangem propostas que vão do hip hop à valorização do folclore. A Associação Malasartes é uma das entidades contempladas. Sua proposta de trabalho, além da experiência de mais de 15 anos na área de arte-educação, é um importante exemplo do que defendeu Gilberto Gil quando lançou esta proposta de incentivo. “No sentido de que toda política cultural não pode deixar nunca de expressar aspectos essenciais da cultura desse mesmo povo. Mas, também, no sentido de que é preciso intervir. Não segundo a cartilha do velho modelo estatizante, mas para clarear caminhos, abrir clareiras, estimular, abrigar. Para fazer uma espécie de “do-in” antropológico, massageando pontos vitais, mas momentaneamente desprezados ou adormecidos do corpo cultural do país. Enfim, para avivar o velho e atiçar o novo.”
Gilberto Gil – discurso de posse como Ministro da Cultura 02/01/2003

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Os arte-educadores que coordenam a Malasartes desenvolvem ações itinerantes em escolas promovendo experiências culturais, intercâmbio de vivências e resgate de manifestações artísticas de tradições populares. Através de antigas histórias, brincadeiras de roda, brinquedos artesanais, cantigas e folguedos, oportuniza-se  a integração entre jovens, crianças e adultos. Segundo Luiz Teixeira, diretor artístico da entidade, “revitalizando iniciativas, desbloqueando canais de expressão, numa acupuntura sócio-cultural é que buscamos ativar junto às escolas públicas e privadas a vivência artístico-cultural, os pontos de expressão adormecidos e levar alternativas para problemas como a monotonia, falta de acesso a novos saberes e a carência na  formação dos professores nesta área.”  O trabalho já desenvolvido pela associação baseia-se na realização de oficinas nas escolas, priorizando os seguintes focos: ludicidade, musicalidade, oralidade, memória oral e gestualidade.

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A Associação Malasartes desenvolverá como Ponto de Cultura o projeto “Aprendiz Semeador – caminho para uma educação sensível”, que tem como principal objetivo estabelecer a intervenção continuada de arte-educação nos espaços escolares do município e, ao final elaborar um documentário que resulte em uma proposta metodológica de arte-educação. As escolas, em áreas de maior vulnerabilidade social,  por onde passará o projeto nos 3 anos de duração do Ponto de Cultura, serão escolhidas conjuntamente com as coordenações das regionais da cidade. “O trabalho continuado pretende ativar a vida criativa nas escolas, formar entre elas o que chamamos de rede expressiva e ativar um só organismo cultural para uma educação sensível.” explica Luiz Teixeira.

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Curitiba está com inscrições abertas até o dia 29 de agosto para o 2º edital para Pontos de Cultura, no convênio estabelecido  entre o Ministério da Cultura e a Fundação Cultural de Curitiba. Todas as iniciativas comunitárias de caráter cultural podem se inscrever. Ao entender a cultura como parte constitutiva da formação do ser humano, o Governo Federal vem apoiando as manifestações culturais existentes no país, potencializando suas atividades e suas produções. Segundo o Ministro da Cultura Juca Ferreira “os Pontos de Cultura são espaços em permanente efervescência, criação e reflexão, e acabam cumprindo funções indispensáveis para o desenvolvimento brasileiro, não só na formação cultural, mas também no fortalecimento da cidadania. Indivíduos mais aptos a criar do que a assimilar, a agir do que a reagir, a compreender do que a entender, são indivíduos também mais aptos a participar de forma efetiva e consciente na história de nossa república. Cabe portanto, ao Estado Brasileiro zelar para que os cidadãos sejam, de um lado, produtores mais ativos da cultura que criam e, de outro, receptores mais críticos da cultura que assimilam.”

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O edital é abrangente quanto às características das manifestações e contempla as mais diversas áreas, agrupadas em nove segmentos: culturas populares (como artesanato, tradição oral, ervas e curas tradicionais e contadores de histórias), grupos étnicos-culturais (culturas indígenas, afro-descendentes, ciganas), patrimônio material (museus, educação patrimonial), audiovisual e radiodifusão (vídeo, cinema, televisão e rádio comunitária), culturas digitais (internet, jogos eletrônicos, desenvolvimento de novas tecnologias), gestão e formação cultural (cursos, oficinas, palestras e seminários de formação), pensamento e memória (livro, leitura, bibliotecas, acervos), expressões artísticas (teatro, dança, música, circo, artes visuais, literatura) e ações transversais (cultura e meio ambiente, cultura e educação, cultura e saúde, cultura e turismo, entre outras).

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O Ponto de Cultura é ação prioritária  do governo federal, integrando atualmente o Programa Cultura Viva, que  já soma mais de 650 pontos espalhados pelo país.  Iniciativas desenvolvidas pela sociedade civil, que firmaram convênio com o Ministério da Cultura (MinC), por meio de seleção por editais públicos, tornam-se Pontos de Cultura  e ficam responsáveis por articular e impulsionar as ações que já existem nas comunidades. Diante do desenvolvimento do Programa, o MinC decidiu criar mecanismos de articulação entre os diversos Pontos , as Redes e os Pontões de Cultura.

Fotos: Guilherme Pupo.

Link para site da Malasartes.
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Adriane Havro e Luis Teixeira, coordenadores da Malasartes, na sede da entidade, implantada com o apoio da Fundação Avina, no bairro Campina do Siqueira, em CuritibaFoto: Gilson Camargo.

Os pontos de cultura selecionados no 1º Edital de Curitiba trazem propostas diferenciadas e são as seguintes:

Quem sou eu? (Afro Globo Fórum Cultural) – resgatar a auto-estima do sentimento africano através de oficinas temáticas de capoeira, teatro e literatura.

Hip Hop no Ponto (Associação dos Quatro Elementos da cultura Hip Hop do Estado do Paraná) – realizar eventos de hip hop para possibilitar a formação e descoberta de novos talentos na cidade.

Arte em Cena (Instituto de Defesa dos Direitos Humanos) Projeto de arte para direitos humanos – tem como finalidade promover a arte cênica para fortalecer a identidade cultural de comunidades, resgatando histórias e valorizando os talentos locais. O projeto irá formar jovens e professores a partir de Núcleos de Teatro Comunitários em duas Regionais: Cajuru e Bairro Novo.

Dançando com os elementos da natureza (Projeto de Danças Artes em Geral) Realização de oficinas com crianças na Regional do Pinheirinho, a partir da transversalidade entre a dança, teatro e música. Tem como objetivo final a realização de um espetáculo anual que tem como tema cada ano um dos elementos da natureza: ar, fogo, água e terra.

Projeto Lentilha (Companhia de Eventos Culturais e Sociais Axecia) A proposta do projeto é trabalhar com dança ( hip hop, axé, dança de salão ) e música ( percussão e discotecagem ) , na Regional da Cic, com uma expectativa de 500 a 700 alunos. O objetivo é criar a COMPANHIA DO ARRASTÃO, que será é a união da dança, música e djs, a exemplo do que é o OLODUM na Bahia.

Passagens literarias – Fundação Sidonio Muralha – O principal objetivo é o incentivo a leitura através da formação de leitores – independente da idade. O trabalho será desenvolvido através de cursos de mediação de leitura para professores e comunidade em geral, palestras com escritores locais e também, justificando o nome do projeto, será realizada toda sexta feira à noite rodas de contação de histórias na rodoferroviária voltado aos passageiros.

Globalização da Cultura – Sociedade Amigos da Ucrânia – divulgar a cultura ucraniana em diversos bairros da cidade através de aulas de dança, musica ucraniana e artesanato (bordado e pessankas).

Caminhos das Indias – Associação de Yoga do Paraná – prática da cultura indiana com 368 horas anuais de aula de dança e yoga, nos bairros Cajuru, Bairro Novo e Matriz

Link para formulários de inscrição no edital Pontos de Cultura da Fundação Cultural de Curitiba/MinC.

Uma característica importante do Programa é  apoiar também ações
culturais já existentes nas comunidades, fortalecendo-as e estimulando
sua continuidade. Para ilustrar a matéria vistamos a sede da Associação
Malazartes, contemplada pelo 1 edital aberto pela prefeitura.  O Ponto
de Cultura fortaleceu e ampliou a ação do coletivo, atuante em Curitiba
há mais de 10 anos. Os arte-educadores que coordenam a Malasartes
desenvolvem ações itinerantes em escolas promovendo experiências
culturais, intercâmbio de vivências e resgate de manifestações
artísticas de tradições populares.

lula assina projeto de lei que cria o vale cultura

“O Governo Federal dá um passo importante ao garantir ao trabalhador instrumentos que viabilizem o acesso à produção artística e cultural. É neste sentido que hoje comemoramos mais este avanço. A assinatura pelo Presidente Lula do projeto que cria o Vale Cultura expressa o respeito que este governo tem para com os homens e mulheres que desenvolvem este país. Sem arte e sem cultura não é possível transformar a sociedade, não é possível torná-la mais solidária, justa e fraterna. É através da cultura que descobrimos quem somos, que nos reconhecemos, que construímos nosso destino, que modelamos o futuro a partir de nossas esperanças. Cultura é mudança de atitude, é mudança de valores, é desenvolvimento da sensibilidade, é garantia de um mundo melhor. Com o Vale Cultura o trabalhador poderá escolher os produtos culturais que despertem a sua sensibilidade, que estejam em sintonia com as suas buscas, que estejam em conformidade com os anseios de sua alma. O Vale Cultura é sem dúvida um avanço da luta dos trabalhadores pela ampliação do exercício da cidadania, na compreensão do acesso à produção cultural como parte constitutiva da vida e como um direito da população.”
Angelo Vanhoni

Link para vídeo da assinatura do referido Projeto de Lei, no globo.com.

Leia abaixo a matéria de 23/07/2009, divulgada pela página do PT nacional.

Novo programa do governo estimula acesso do trabalhador a produtos culturais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva envia nesta quinta-feira (23) ao Congresso Nacional o projeto de lei que cria o Vale-Cultura, primeira política pública governamental voltada para o consumo cultural. A cerimônia de assinatura da mensagem será realizada às 18h, no Teatro Raul Cortez, na Sede da Fecomercio, em São Paulo (SP).

De acordo com o projeto de lei, os trabalhadores poderão adquirir ingressos de cinema, teatro, museu, shows, livros, CDs e DVDs, entre outros produtos culturais, por meio de um cartão magnético. A expectativa do Ministério da Cultura é de que 14 milhões de brasileiros sejam beneficiados com o programa.

Na avaliação do Ministério, a iniciativa poderá ampliar em até R$ 600 milhões por mês ou R$ 7,2 bilhões por ano o consumo cultural no País. Também contribuirá para o fortalecimento da cadeia produtiva do setor, para a geração de trabalho e renda, e para o fomento de ações de responsabilidade social e corporativa das empresas em relação aos seus empregados.

As empresas que declaram Imposto de Renda com base no lucro real poderão aderir ao Vale-Cultura e disponibilizar até R$ 50 por funcionário, ao mês, com direito a deduzir até 1% do Imposto de Renda devido. Os trabalhadores que ganham até cinco salários mínimos arcarão com, no máximo, 10% do valor (R$ 5). Os trabalhadores que ganham mais de cinco salários mínimos poderão receber o Vale-Cultura, desde que garantido o atendimento à totalidade dos empregados que ganham abaixo desse patamar. Para esse contingente de salário mais elevado, o desconto do trabalhador poderá variar de 20% a 90%.

As empresas de outros regimes tributários (lucro presumido, por exemplo) já são beneficiadas com renúncia fiscal. Por isso, poderão aderir ao Vale-Cultura, mas não vão poder deduzir esses valores do Imposto de Renda devido. Todavia, poderão contabilizar o valor investido no Vale-Cultura como despesa operacional, o que terá impacto na redução do imposto devido. Outro incentivo às empresas que aderirem é que não sofrerão incidência de Seguridade Social e nem terão os valores incorporados aos salários.

O Vale-Cultura deverá ser confeccionado e comercializado por empresas operadoras, cadastradas junto ao Ministério da Cultura e autorizadas a produzir e comercializar o benefício. Essas empresas operadoras vão credenciar uma rede de estabelecimentos, já definidos legalmente como operadores de cultura, para receber o Vale-Cultura como forma de pagamento de serviço ou produto cultural.

Como o Vale-Cultura funcionará por meio de cartão magnético, deverão ser credenciados estabelecimentos que possuírem terminal eletrônico. Com esse mecanismo será possível mapear o setor cultural, identificando-se os locais com maior percentual de consumo, o perfil do usuário por região e por faixa salarial, entre outras informações.

Excepcionalmente, será admitido o fornecimento do Vale-Cultura impresso, quando for comprovadamente inviável a adoção do meio magnético.

No Brasil, apenas 14% da população brasileira vai regularmente aos cinemas, 96% não freqüentam museus, 93% nunca foram a uma exposição de arte e 78% nunca assistiram a um espetáculo de dança, de acordo com informações do MinC.

preservação do meio ambiente – lançamento da certificação life – curitiba 17/07/09

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O lançamento do Instituto LIFE e da Certificação LIFE aconteceu no Salão de Atos do Parque Barigui. O evento contou com a presença do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

Diversas medidas vem sendo tomadas pelo governo federal em relação ao meio ambiente e sua preservação. Programas de orientação, controle e fiscalização das atividades extrativistas vem sendo implementados pelo Ministério do Meio Ambiente em todo o território nacional. A crescente exigência do mercado em relação às posturas ambientais das empresas tem se demonstrado como um importante vetor de preservação da biodiversidade. Os mercados de consumo da produção agrícola e pecuária tem cada vez mais se sensibilizado frente ao urgente imperativo de zelar pela natureza e pela saúde do ecossistema e as empresas estão sendo chamadas a demonstrarem posturas efetivas de preservação e reposição dos recursos naturais sob pena de não venderem seus produtos ou não encontrarem colocação no mercado. É nesse sentido que iniciativas como a do Instituto LIFE (Leasting Initiative For Earth)  se inserem dentro das prioridades estratégicas de preservação da biodiversidade e estão recebendo o firme apoio do governo. Os biomas brasileiros necessitam dos empresários como parceiros na preservação do patrimônio natural, e para isso é necessário valorar as riquezas ambientais através do esclarecimento do setor empresarial, para que as ações de depredação incidam inequivocamente em prejuízo econômico. O ministro Carlos Minc fez uma análise conjuntural sobre o tema no lançamento do Instituto LIFE, indicando as diversas frentes de ação do governo e da sociedade em favor da biodiversidade, e destacando o papel do Brasil, no âmbito internacional, na defesa do planeta. Abaixo, após a apresentação do novo instituto, transcrevemos momentos da entrevista coletiva concedida pelo ministro à imprensa paranaense.

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O secretário executivo da Convenção das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica, Ahmed Djoghlaf, reitera o apoio da entidade à Certificação LIFE em depoimento apresentado em vídeo na solenidade oficial em Curitiba. Presentes na mesa, a partir da esquerda: Jose Antonio Andreguetto, secretário municipal do Meio Ambiente, José Álvaro Carneiro, superintendente do Ibama no Paraná, Clovis Borges, presidente do Instituto LIFE, Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente, Luciano Ducci, vice-prefeito de Curitiba, Paulo Bernardo, ministro do Planejamento, Miguel Krigsner, presidente do Conselho de Administração do Boticário, Maria Cecília Wey de Brito, secretária de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente e Lindsley da Silva Rasca Rodrigues, secretário de Estado do Meio Ambiente.

Sob gestão do Instituto LIFE, a Certificação LIFE é um instrumento que mede, qualifica, e reconhece práticas empresariais em favor da biodiversidade. A certificação LIFE incorpora a biodiversidade e valoriza os serviços ecossistêmicos como elementos da gestão empresarial. Ela comtempla uma metodologia inédita e inovadora elaborada a partir de pesquisas em tratados e convenções internacionais, requisitos de outras normatizações e indicadores de iniciativas voluntárias do mercado em favor da saúde do planeta

Entre as ações para conservação da biodiversidade que poderão ser executadas pelas empresas que receberem a Certificação LIFE estão: a implantação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), o apoio à implementação de Unidades de Conservação públicas (parques e reservas biológicas), ações de combate às espécies invasoras ou de proteção de espécies ameaçadas, entre uma grande variedade de possibilidades.

A Certificação LIFE se propõe a avaliar, qualificar e agregar valor às empresas públicas e privadas que desenvolvam ações em favor da conservação da biodiversidade. Para tanto, sua metodologia é constituída pelas seguintes etapas, que contém seus critérios específicos:  legislação, gestão ambiental e ação para a conservação da biodiversidade.

Link para página do Instituto LIFE.

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Carlos Minc falou sobre as políticas públicas do governo federal para proteção da biodiversidade e ressaltou a importância da participação da iniciativa privada na conservação do meio ambiente.

“Bom dia a todas e a todos. Já foi feita a explicação do Instituto Life, quais são os critérios, como é que ele se insere, o que a sociedade ganha, o que as empresas ganham, e porque avança em sustentabilidade, no sentido das empresas assumirem responsabilidades em relação à biodiversidade. Biodiversidade ética não é só algo genérico, mas tem a ver com a água, o ar, a matéria prima, a forma de vida, enfim, tudo. Então, por que o Ministério resolveu apoiar diretamente esta iniciativa? Nós chegamos rapidamente à conclusão. Não se resolve a questâo da perda da biodiversidade e do desmatamento só com açôes de comando e controle. Elas são necessárias, vide a ação recente feita aqui no Paraná junto ao Ibama e à Polícia Federal, talvez uma das ações mais fortes em relação a questão da araucária, o desmatamento da araucária angustifolia, na área Centro Sul, desmatamento de uma riqueza que é o simbolo do Estado, e que está sendo predada. Só nesta regiâo estavam saindo de 30 a 40 caminhões de araucária por dia! Agora estão saindo 5 caminhões por dia, mas temos que falar de novo nisso, senão este número crescerá outra vez.

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Araucária apreendida na Operação Angustifolia exposta no calçadão da rua XV de Novembro, em Curitiba, em junho deste ano.

As pessoas geralmente acham que o problema da preservação está só na Amazônia. Estamos toda a semana na Amazônia, que teve agora o menor índice de desmatamento dos últimos 20 anos. Essas ações são necessárias, mas são insufucientes. Não se resolve um problema estrutural, econômico e social apenas com polícia. Temos que mudar os conceitos, mudar os critérios, mudar os valores. Então, há várias iniciativas nessa área. O Paraná foi precursor numa delas: o ICMS Verde. No Rio de Janeiro nós temos também agora o ICMS Verde. Vários prefeitos eram contra a criação de determinadas unidades de conservação, como recentemente nós criamos no Rio de Janeiro com 38 mil hectares de mata atlântica. Quando o prefeito viu o quanto ia ganhar de recursos para o município com a criação desta unidade, os ônibus, que já estavam saindo com as faixas contra a criação do parque, tiveram suas faixas substituídas por outras com dizeres a favor, isso quando o prefeito soube o quanto o seu municipio ia arrecadar.

Outra idéia importante são as RPPNs – Reservas Particulares de Patrimônio Natural. O proprietário privado se aliando a um esforço que é nacional, preservando uma parte de sua terra, confiando no abatimento de imposto, é algo para a sociedade reconhecer. Afinal este proprietário está fazendo talvez até melhor o que Estado não tem pernas para fazer. Nós temos unidades com áreas de 1 milhão de hectares e, duas, três pessoas apenas, tomando conta. Portanto, valorizar o ICMS Verde é um caminho. Valorizar as RPPNs é outro caminho. Recentemente, no dia 5 de julho, além de criar novas unidades de conservação, várias na Mata Atlântica, o presidente Lula assinou um ato importante de pagamento por serviços ambientais. Isso vai um pouco dentro também desse espirito de estimular as boas práticas ambientais. O que é o pagamento por serviços ambientais? Significa que antes a pessoa cortava e ganhava por que cortava. Agora a pessoa planta e ganha pelo que está plantando, por que está recuperando a mata ciliar ou recuperando um corredor de biodiversidade.

No Rio de Janeiro, eu e o governador Sérgio Cabral, há cerca de dois, três meses atrás, entregamos para 130 agricultores, que replantaram as margens do Guandu e afluentes, cheques de 16 mil, 18 mil e 21 mil reais. Isso por que eles se cadastraram, se comprometeram a recuperar tantos hectares, e foi verificado que eles realmente plantaram as árvores. Em função das áreas onde comprovou-se o plantio, foi pago o serviço ambiental e eles foram chamados de produtores de água. Vejam o nome poético, mas é absolutamnte verdadeiro, porque refazer as matas ciliares significa liberar quantidade e melhorar a qualidade da água.

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Rio Guandu-Japeri/RJ – Foto: Márcia Marques.

Ontem de manhã estive recebendo os 43 prefeitos de municípios da Amazônia, dos municípios que mais desmatam a Amazõnia. Esses 43 municípios desmatam 55 % da Amazônia. Agora, em contraponto a operação Arco de Fogo, de combate aos crimes ambientais, o governo lançou a operação Arco Verde, que é você chegar com crédito, com a piscicultura, a Embrapa possibilitar uma agricultura de alto rendimento e baixo impacto, o Banco do Brasil financiando emprendimentos sustentáveis, o preço mínimo para os produtos extrativistas,  um programa recém lançado que apóia a cadeia dos produtos da eco-biodiversidade. Ou seja, não é só o preço mínimo para a castanha, para a borracha, para o açaí, para o pequí. É entrar com recursos do Fundo da Amazônia para que seja feito localmente o óleo, o shampu, o creme, e ajudar também na comercialização, para que esses produtos cheguem em Manaus, Belém, Recife, Curitiba ou Nova York.

Nós estamos fazendo licitaçôes em áreas e zonas de plano de manejo correto para produção de madeira legal e sustentável. Isso significa que no plano de manejo correto você pode produzir madeira legal, sustentável, sem destruir.  A Finlândia, por exemplo, tem a mesma área florestal que há cem anos, porque realiza manejo florestal com o corte seletivo, retirando apenas 2,5% da área por ano, e dando tempo para ela se restaurar sem prejuízo ao meio ambiente.

Para concluir, por que estamos aqui? É porque achamos que sem o estímulo econômico, sem a iniciativa privada entrando, fica difícil reverter alguns quadros. Vejam o que aconteceu no Pará. Nós fizemos um pacto com a soja. Chamamos os grandes exportadores da soja, de óleos vegetais, cereais e exportadores de grãos. Eles assinaram que não iríam comprar soja de áreas desmatadas da Amazônia depois de 2006. Assinaram os “cabeças” do agro-negócio, exportadores de soja, o governo e várias ONGs importantes, como a Amigos da Terra, o Greenpeace, etc… dez meses depois, ou seja, a um mês atrás nós verificamos a verdade. Nós monitoramos estas áreas, eles monitararam, e as ONGs monitoraram. Resultado, eles cumpriram 96% do acordo. A soja deixou de ser fator de desmatamento na Amazônia! Se eles são bonzinhos? Não. A exportação da soja é que estava condicionada ao fato de não estarem desmatando a Amazônia.

Com a madeira foi a mesma coisa. Assinamos com as exportadoras de madeira o pacto da madeira legal e sustentável. Eles só compram madeira legal. Não é ainda madeira certificada. Isso a gente queria, mas se fosse neste momento não haveria vazão. A gente quer chegar lá. Não é ainda. É, contudo, madeira legal. Ou seja, madeira com origem conhecida, com plano de manejo correto e licenciado, e isso é menos que maneira certificada, porque madeira certificada tem que mostrar que não tem trabalho infantil,  que não tem trabalho escravo, que não joga agrotóxico no rio. A certificação é um além, é uma meta que nós queremos atingir. Ainda estamos lutando abaixo disso, que é a legalização.

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Área desmatada para a criação de pastagens na Amazônia. Foto: Ana Cotta

O setor mais renitente foi o setor da pecuária. Ai entrou a opinião pública, depois as redes de supermercado, o Ministério Público, no Pará dois grandes frigoríficos aderiram, e agora estamos trabalhando no Mato Grosso e Rondônia, que são outros dois Estados complicados para a pecuária na Amazônia, e acredito que vão acabar se enquadrando. Pegando o bom exemplo da soja, um exemplo intermediário da madeira e um exemplo muito mal, mas que agora vamos avançar na rastreabilidade, o da pecuária. Vemos como é importante esse conjunto de medidas: ICMS Verde, valorização das RPPNs, pagamento por serviços ambientais, o Arco Verde para os municípios da Amazônia, o incentivo da pesquisa aplicada. Antes muitas áreas nossas do parque Chico Mendes, no passado Ibama, viam os cientistas numa certa perspectiva, de que estaríam invadindo o parque e tal. Agora o Ibama junto com o CNPQ está lançando um edital no segundo semestre de 4 milhões para pesquisa em conservação. Quanto mais pesquisarmos a biodiversidade, mais poderemos defendê-la. Não podemos pensar o pesquisador como um pirata em potencial.

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Quando soubemos da iniciativa do Instituto Life ficamos entusiasmados. Esse é um tipo de certificação que não existia no mundo e começa a existir no Brasil, aqui em Curitiba! Em 2006 houve a COP 8. O Brasil presidiu a COP 8 de biodiversidade. No ano passado na Alemanha houve a COP9, e ano que vem no Japão, em outubro, vai haver a COP10. Por que nós estamos empenhados nisso? O Brasil atualmente preside o grupo de países mega-biodiversos. São 17 países que tem mais de 70 % da biodiversidade do mundo, e nós queremos que em outubro de 2010 entre em vigor, de forma vinculante internacional, o chamado sistema ABS, que é o acesso e a repartição do uso da biodiversidade. Hoje em dia o laboratório internacional chega aqui, pega uma sementinha, uma folha, uma formiga, leva para a Suíça, para a Bélgica, sintetiza o principio ativo e vende o produto o resto da vida, cobrando direitos, royalties, patentes, etc… nós não recebemos um tostão para ajudar a proteger os nossos laboratórios de biodiversidade, que são os nossos corredores e remunerar de alguma maneira os índios, os quilombolas, os ribeirinhos, as populações tradicionais, que não só protegeram aquela área, como mantiveram, através da memória oral, as vezes secular, que aquela plantinha fazia bem para o pulmão, que aquela outra faz bem para os intestinos, e foi isso que levou o pesquisador do laboratório a ir até lá, pegar aquela semente e levar para sintetizar num laboratório no exterior. Então, a partir de outubro de 2010, eles vão ser obrigados a pagar por algo que era gratuíto, que é o acesso seguro, garantido, fiscalizado e a repartição dos benefícios decorrentes do uso da biodiversidade.

O Brasil tem um posição muito forte em relação a isso. Há meses atrás, eu estive em uma reunião em Siracusa, na Itália, com o G8+5 e quiseram tirar essa obrigação das resoluções. Nós nos recusamos a assinar o termo e tivemos o apoio da China, da Índia, da Alemanha e voltou para o texto a obrigação de em outubro de 2010 incluir a questão da biodiversidade. A gente está atuando em nivel internacional nesta questão. Em nível de Brasil, estamos fazendo corredores de biodiversidade, valorizando a floresta em pé através destes programas. O Brasil nunca teve preço mínimo para o produto florestal. Tinha preço mínimo para o algodão, o café, o açúcar, mas nunca teve preço mínimo para a castanha! Como é que você valoriza isso? Vamos propôr um estimulo na educação botando a castanha na merenda escolar, por exemplo? É também uma forma de valorizar aquele que está pegando a castanha e mantendo a floresta em pé.

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Castanheira. Ao fundo a Floresta Amazônica sendo desmatada. Foto: Ana Cotta

Enquanto houver o discurso heróico de que a floresta presta um grande serviço, mas, não favorecendo o prefeito, o empresário, o agricultor que planta, o preço mínimo, o apoio para toda a rede de produção e distribuição do produto originário, o manejo correto, a valorização da soja que cumpriu a moratória, um olho forte na pecuária que ainda não entrou na linha, não ganharemos a batalha nem do desmatamento da Amazônia, nem do desmatamento da Mata Atlântica.

Agora estamos monitorando todos os biomas brasileiros, não somente a Amazônia. O Ministério do Meio Ambiente não será um samba de uma nota só. A Amazônia é fundamental, mas os outros biomas também são. Nós vamos continuar com a operação angustifolia, que é a mais forte operação de proteção à araucária, mas que não pode ser uma briga de gato e rato, de polícia e bandido. Temos que incorporar esse valor. Por isso a importancia de uma iniciativa como a do Instituto Life, que se organiza e fala que tem um produto, e que esse produto vai valorizar a empresa que não agride a biodiversidade, que incorpora à sua gestão a proteção de áreas de biodiversidade, apoia uma reserva, cria um corredor, banca a conservação da vida selvagem e do nosso bioma.

Hoje aqui em Curitiba está surgindo uma novidade em nível mundial. Uma certificação de biodiversidade que nunca houve. O Ministério apóia firmemente essa iniciativa, porque entende que, não desprezando a fiscalização, ela é insuficiente. Temos que valorizar a boa prática. O Instituto Life cria uma certificação que seguramente será replicada em outros países, mas o Brasil foi pioneiro também nisso. O Brasil tem interesse, preside os paises mega-biodiversos, e estamos orgulhosos de que um grupo de fundações, de ONGs, com o apoio de empresas e de pesquisadores tenham chegado a esta formulação. Nós estimulamos as empresas que queiram se diferenciar no mercado buscando esta certificação.

No mundo inteiro as pessoas querem ampliar as defesas das florestas e dos biomas. Nesse momento surge em Curitiba uma idéia nova: valorizar, agregar à imagem da empresa o fato dela efetivamente ajudar na proteção ambiental. O Ministério sente-se orgulhoso em apoiar esta iniciativa pioneira como a Certificação Life da Biodiversidade. Parabéns!”
Carlos Minc.

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Miguel Krigsner
- presidente do Conselho de Administração de O Boticário falou sobre o papel dos empresários neste processo. O Instituto LIFE é uma instituição do terceiro setor, que reúne inicialmente esforços da Fundação Avina, Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, Posigraf, Positivo Informática e da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem (SPVS).

“Como empresário e também ciente do meu papel enquanto responsável por nosso planeta, tenho comigo que três problemas básicos precisam ser resolvidos: a ganância, a corrupção e a falta de responsabilidade conosco e com o próximo.
Como um problema tão complexo como a defesa do meio ambiente pode ser resolvido? Trata-se de uma questão do fundo mais emocional e existencial do ser humano. Fomos jogados nesse planeta sem saber nosso destino, nosso propósito. A questão ambiental gera ansiedade, sentimento de impotência. É necessário mobilização e acredito que a juventude pode e deve ter um papel de destaque nisso, apesar da apatia atual. Além disso é preciso e acredito que a iniciativa da criação do Instituto Life contribui decisivamente para a conscientização dos empresários.  Precisamos dividir melhor o que o planeta nos dá de graça. Não somos proprietários deste lugar, somos apenas inquilinos e devemos prepará-lo da melhor forma possível par as futuras gerações.”
Miguel Krigsner.

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O ministro Carlos Minc no evento de lançamento do Instituto LIFE, acompanhado pelo deputado federal Angelo Vanhoni e pelo ministro do Planejamento Paulo Bernardo.

O Mandato do Deputado Angelo Vanhoni vem colaborando na divulgação das políticas públicas no país e das iniciativas que contam com o apoio do governo federal. O objetivo é esclarecer o leitor sobre os programas de governo e facilitar a chegada dos benefícios à população. Vanhoni promoveu recentemente um encontro da bancada do partido em Brasília com o objetivo de  reforçar o apoio às questões ambientais no Congresso Nacional. Diante do quadro de extinção das florestas originais com araucárias, o deputado vem se posicionando através de projetos de lei que visam perenizar incentivos à preservação ambiental. Dentre as iniciativas em curso destacam-se o Projeto de Lei 1999/2007, que está tramitando apensado ao projeto de lei do deputado Antonio Palocci na Comissão de Meio Ambiente, o qual visa instituir em âmbito nacional, a recompensa ambiental aos proprietários rurais que preservarem florestas em suas propriedades além dos 20% da “reserva legal”.

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O lançamento do Instituto LIFE aconteceu no Parque Barigui, em Curitiba. O parque, criado em 1972, recebeu o mesmo nome do rio que foi represado para formar um grande lago em seu interior. A cidade adquiriu renome internacional na discussão das questões ambientais, a exemplo da COP8, sediada pelo município em março de 2006.

Fotos: Gilson Camargo

Bom dia a todas e a todos. Já foi feita a explicação do porque do projeto Life, quais sâo os critérios, como é que ele se insere, o que a sociedade ganha, o que as empresas ganham, porque isso avança na sustentabilidade, no sentido das empresas assumirem  responsabilidades  em relação à biodiversidade. Biodiversidade ética não é só algo genérico, mas tem a ver com a agua, ar, matéria prima,tudo,forma de vida. Entâo, porque o ministério resolveu apoiar diretamente  atravé da nossa secretaria nacional de biodiversidade e florestas; está aqui Maria Cecília que é a nossa secretária nacional, Professor Bráulio  então nós vamos realmente já algum tempo acompanhando porque o ministério resolveu apoiar decisivamente essa iniciativa?Nós chegamos rapidamente a conclusão. Você não resolve a questâo da perda da biodiversidade e do desmatamento só com açôes de comando e controle. Elas são necessárias, vide a ação recente que nós fizemos aqui no Paraná junto ao Ibama e a polícia federal, talvez uma das ações mais fortes em relação a questão da araucária, o desmatamento da araucária na area Centro Sul, angustifolia, que tem que ver com o desmatamento de uma riqueza que é o simbolo do estado e que esta sendo predada, só netsta regiao testavam saindo 30 a 40 caminhões por dia de araucária, agora estão saindo 5 caminhoes por dia, mas temos que falar de novo senão cresce outra vez. Isso não teve a repercução toda que deveria ter, mas é importatante. As pessoas acham que o problema está só na Amazônia, a gente está toda a semana na Amazônia, que  teve o menor desmatamento nos últimos 20 anos, mas essas ações são necessárias, mas sâo insufucientes. Você não resolve um problema estrutral, econômico, social com polícia. Você tem que mudar os conceitos, mudar os critérios, mudar os valores. Entao, há várias iniciativas nessa área. Em uma delas o Paraná foi precursor: o icms verde. No Rio de Janeiro nós temos também agora o icms verde, vários prefeitos eram contra a criação de determinadas unidades de conservação, como recentemente nós criamos no Rio de Janeiro com 38 mil hectares de mata atlântica. Quando o prefeito viu quanto ia ganhar de recursos para o município com a criação desta unidade, Os ônibus que já esavam saindo com as faixas contra a criação do parque, ele mandou mudar para faixas a favor, quando soube o quanto o seu municipio ia ganhar.

3º conferência estadual de aquicultura e pesca no paraná – canal da música – 11 e 12 de julho de 2009

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Autoridades e participantes da Conferência Estadual de Aquicultura e Pesca durante execução do hino nacional na abertura do encontro no auditório do Canal da Música, em Curitiba.

A III Conferência Estadual de Aquicultura e Pesca contou com a presença dos Ministros da Pesca, Altemir Gregorin, e do Planejamento, Paulo Bernardo, além de diversas autoridades e líderes de  organizações do setor. A Conferência é uma iniciativa do Ministério da Pesca e Aquicultura e do Conselho Nacional de Aquicultura e Pesca. Este, como outros eventos estaduais realizados em todo o pais, é preparatório para a III Conferência Nacional que acontecerá de 30 de setembro a 2 de outubro de 2009, em Brasília. Ao reunir representantes da classe e interessados em geral estudando o tema “consolidação de uma política de estado para o desenvolvimento sustentável da aquicultura e pesca”, dá continuidade a um processo que pretende ampliar o debate sobre o aperfeiçoamento dos instrumentos da política nacional e da política estadual para o setor no Estado do Paraná. Este encontro tem como objetivo eleger delegados e delegadas e suplentes à conferência nacional, discutir e aprovar relatório com emendas ao documento base em resolucões com vistas a propor políticas setoriais voltadas para ã consolidação da política nacional de aquicultura e pesca, bem como fortalecer e unir os diversos elos integrantes da cadeia produtiva solidificando um setor estruturado e atuante no Estado do Paraná.

Para o setor da pesca artesanal no Paraná, o ministro  Altemir Gregorin, anunciou a liberação de R$ 1 milhão de reais. Os recursos deverão ser investidos na compra de duas fábricas de gelo, três caminhões frigoríficos para transporte de pescado e em cozinhas comunitárias. No Paraná, dos 13 mil trabalhadores que vivem da pesca, cerca de 7 mil são pescadores artesanais. Em todo o estado, há 22 mil aquicultores. A produção local de pescado está estimada em 22 mil toneladas.

Os municípios de Pontal do Paraná e Paranaguá poderão ser os primeiros a receber a implantação de um Centro Integrado da Pesca Artesanal – CIPAR. Serão unidades regionais integradas que proporcionarão aos pescadores uma infra-estrutura mínima da produção até a comercialização do pescado, como fábricas de gelo, óleo diesel, embarque e desembarque (trapiches e rampas), estruturas de beneficiamento e conservação e toda a logística de transporte e comercialização – caminhões e embarcações. O que diferencia o Cipar de outros programas é o investimento na formação dos pescadores.

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O deputado Angelo Vanhoni vem ativamente apoiando a organização do setor na implementação das políticas públicas para aquicultura e pesca.

“Esta reunião de trabalho é também um momento de comemoração. O presidente da república alguns dias atrás, em Itajaí, sancionou duas leis importantes para todos os brasileiros: a criação do Ministério da Pesca, que eleva o setor, antes era uma Secretaría Especial, ao nível de Ministério, valorizando a atividade pesqueira e garantindo recursos diretos do orçamento, e a lei da pesca, a qual assegura direitos a uma categoria fundamental de trabalhadores  que organizam a cadeia produtiva do pescado em todo o território nacional.

Esse fato não é muito conhecido, mas  60 % da produção de pescado no Brasil é oriunda da pesca artesanal.  Sao mais de 6 mil embarcações,  enquanto a pesca industrial conta com perto de 3 mil embarcações. Os pescadores tem um papel importante neste processo de luta para se emancipar, para colocar este produto na sociedade brasileira. A partir da edição da nova lei  as mulheres que ficam trabalhando na rede, que ficam ajudando os seus maridos e seus filhos a irem ao mar de madrugada para buscar o pescado, as mulheres passam a ter o direito daqui para frente como pescadores, com todos os benefícios da profissão.

É preciso ainda dar um passo adiante. Fazer com que o setor da pesca possa ter as mesmas condições que a agricultura familiar tem hoje, para obtenção de crédito e instrumentos que permitam ao aquicultor chegar no Banco do Brasil e conseguir os recursos para comprar uma canoa nova, desenvolver sua atividade, levar seu produto ao mercado, organizar a sua câmara frigorífica e poder congelar o seu produto. Parabéns ao governo Lula! Parabéns ao ministro Gregorin!”
Angelo Vanhoni

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O deputado federal Dr. Rosinha iniciou sua fala dizendo que este era um excelente dia para os peixes, haja visto o grande número de pescadores que ali se encontravam para debater. No espirito comemorativo e bem humorado do encontro, Rosinha  ressaltou  a importância da conferência no processo democrático de estruturação de políticas públicas para a atividade pesqueira.

“As conferências tem toda a liberdade para organizar, discutir e apresentar um programa de trabalho à presidencia da república. Há um canal de participação que nós não podemos negar. As conquistas dependem de cada uma das categorias organizadas, e vocês que estâo organizados sabem disso. É importante vir para a conferência, aprovar um programa de trabalho e continuar lutando para que este trabalho, este programa seja implantado. É um processo  de organização que só tem a contribuir para democratizar ainda mais o país.”
Dr. Rosinha

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Jorge Miguel Samek, presidente da Itaipu, fez uma saudação especial às mulheres neste processo de valorização da atividade pesqueira, ressaltando também o empenho dos governos federal e estadual na organização do setor.

“É um inicio fantástico para enfrentar e explorar o maior latifúndio improdutivo em todo o Brasil, que são exatamente os lagos, os reservatórios, as represas, com a possibilidade imensa de produzir essa proteína da mais alta qualidade que estava jogada aí por décadas e décadas, séculos e séculos, e isso com o tempo se transforma numa política de estado e agora vamos fazer a verdadeira reforma aquática. A reforma aquática esta acontecendo na prática!
Os presidentes anteriores parecem não ter conhecido a atividade pesqueira. O presidente Lula é pescador. Tanto no Alvorada como na Granja de Torto tem Pintado de mais de 20 kilos, Tilápia em quantidade, Piracutanga, Pacú, Dourado, e ele conversa muito com o pessoal da pesca. Tempos atrás ficamos lá pescando num sábado, e a gente estava discutindo exatamente isso. Essa costa do Brasil inteiro de mar, esses reservatórios. Só Itaipu tem uma lâmina de água e um latifúndio de 135 mil hectares! Existe a perspectiva de multiplicar por 10 a produção que tem lá hoje. Mas isso só será possivel com a participação grande do aquicultor, que são vocês. Parabéns a todos e viva o Brasil.”
Jorge Samek

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O ministro do planejamento, Paulo Bernardo, saudou o novo Ministério e descontraiu a platéia contando façanhas de pescador do presidente Lula. Segundo Bernardo, certa vez na Granja do Torto o presidente capturou, com linha e anzol, um Jaú de 88 kilos!

“Para nós este ato que o presidente fez sancionando a Lei da Pesca e a criação do Ministério foi o coroamento de um grande trabalho feito nesse período de quase 7 anos de governo Lula. O presidente quando assumiu criou a Secretaría da Pesca com uma visão de que nós precisaríamos atuar fortemente nesse setor. Uma visão de que um país com o tamanho do Brasil, com o tanto de lagos, lagoas, rios, e esta costa que nós temos, não poderia deixar uma questão como essa de lado.
Estamos muito contentes com a atividade do Ministério. Faz dois anos que no mundo inteiro só se fala em crise. O nosso trabalho é minimizar e diminuir tanto quanto pudermos os efeitos dessa crise sobre a vida do povo brasileiro, sobre o desemprego e sobre a renda do povo, por isso a orientação que o presidente Lula tem nos dado é a de que nós vamos manter todos os investimentos do PAC, nossos programas sociais, os investimentos que estamos fazendo na educação em todo o país, vamos manter atividades como essa dirigidas pelo Ministério da Aquicultura e da Pesca, porque apostamos nisso. Vai dar agora um pequeno resultado, mas muito mais, vai dar um enorme resultado nos proximos 5, 8 ou 10 anos e o Brasil vai ser cada vez mais um país de todos”.
Paulo Bernardo

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Altemir Gregorin, ministro da pesca, fala entusiasmado sobre as novas perspectivas que a lei da pesca traz para os trabalhadores do setor e as possibilidades de atuação do recém criado ministério.

“Hoje é um dia muito especial. Falamos da consolidação de uma política de estado para o desenvolvimento sustantável da aquicultura e da pesca, que nos permita pensar que no futuro teremos peixe para pescar, que teremos o meio ambiente preservado, com uma política de longo prazo e desenvolvimento em seus vários aspectos: econômico, social, cultural e ambiental. Temos aqui uma oportunidade de avaliar o que construímos até agora, elogiar os pontos em que avançamos e apontar os erros, fazer uma avaliaçâo crítica e apresentar propostas. Apontar para novos caminhos e soluções para os problemas. O presidente Lula tem nas conferências um instrumento importante de participação democrática. O Governo Federal respeita as decisões tomadas nas conferências, elas servem de base para as políticas que o governo federal desenvolve nas mais diferentes áreas e não será diferente na pesca e aquicultura.

Nós partimos primeiro de uma base, que é o reconhecimento da importância desta atividade. Ela é importante socialmente e importante econômicamente. Temos mais de 700 mil pescadores em nosso país, 150 mil aquicultores, 6 milhões e meio de empregos gerados a partir dessa atividade, 5 bilhões de Reais de movimento econômico. Mas acima de tudo, é uma atividade com um potencial enorme. 1 milhão de toneladas é uma boa produção, mas é muito pouco diante do que o Brasil pode produzir. Um país com essa dimensão, com a riqueza de recursos hídricos que nós temos, com espécies muito nobres e clima favorável, produz ainda muito pouco nesta área. O Chile, que é muito menor do que o Brasil, produz mais de 2 milhões de toneladas, o Peru 7 milhões, a China produz 48 milhões de toneladas. Então o Brasil pode ser um gigante nessa área, e comos se diz, nós temos um potencial fantástico. o gigante está despertando. Podemos nos transformar num dos maiores produtores mundiais de pescado. e mercado não falta! O povo brasileiro está consumindo mais pescado. Hoje falta peixe para o consumo interno no Brasil.

O deputado Angelo Vanhoni diz que a gente tem que comemorar, e é verdade. É momento de criar os instrumentos para desenvolver e impulsionar essa atividade. O dia 29 foi o Dia do Pescador. Pela primeira vez na história do Brasil um ministro de estado fez um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisáo sobre o dia do pescador, avisando que naquele dia o presidente sancionou duas leis importantes para a pesca no Brasil, que neste pais tem pescador, que a pesca é uma atividade importante e que o Governo Federal está dando todo apoio a esta atividade.

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O Ministério da Pesca vai trazer para o país uma instituição forte, com mais autonomia, mais poder, mais estrutura e com mais recursos para desenvolver a pesca e a aquicultura brasileira. Em 2003 a Secretaría Especial da Pesca tinha um orçamento de 11 milhões de Reais. O orçamento deste ano é de 464 milhões de Reais. Um aumento de mais de 40 vezes! Isso é um sinal de que de fato, o presidente Lula tem a decisão de investir nesse setor. mais que isso, nós conseguimos aprovar, a partir da decisão do presidente Lula, o projeto de lei no congresso nacional sem nenhum voto contra. Num momento de crise, em que existe resistência à criação de novas estruturas, nós conseguimos aprovar o Ministério da Pesca com um acordo de todos os partidos. o que é uma demonstração de que esta causa não é so do governo, ou de um setor, mas uma causa do povo brasileiro e da sociedade brasileira, que quer ver este setor se desenvolver, gerar fruto, gerar emprego, gerar renda, com um alimento tão nobre como é o pescado para o nosso país.

A lei da pesca é outra medida importante. A lei que tínhamos era de 1967, tinha mais de 40 anos e não respondia mais às necessidade do setor. O que a nova lei traz de novo? Ela equipara o pescador e aquicultor ao produtor rural, portanto, todos os benefícios de crédito e de assistência técnica que tem o agricultor, os pescadores e aquicultores também passarão a ter. Essa é uma conquista muito grande. Segundo, cria uma capítulo especial para a aquicultura, que não era nem citada na lei anterior, e cria mecanismos de estímulo e incentivo para a produção aquícola brasileira. Terceiro, introduz a questão da sustentabilidade ambiental, a nova lei trata isso com grande responsabilidade, e, quarto, reconhece as mulheres que trabalham em regime de economia familiar, que descascam o camarão, que ajudam a consertar a rede, o barco, que fazem a comercialização do pescado. A nova lei reconhce as mulheres como trabalhadoras da pesca. Esta era uma antiga reivindicação das mulheres em nosso país que agora passam a ter todos os direitos previdenciários e demais direitos da classe.”
Altemir Gregorin

Fotos: Gilson Camargo

A mesa de abertura da conferência contou com a presença de: Paulo Bernardo, mInistro do Planejamento, Altemir Gregorin, ministro da Pesca, os deputados federais Angelo Vanhoni, Dr. Rosinha e Assis do Couto, o deputado estadual Péricles de Mello, o prefeito de Guaraqueçaba Riad Said, os secretários de estado do Meio-Ambiente, Lindsley da Silva Rasca Rodrigues, de Ciências, Técnologia e Ensino Superior, Lygia Pupatto, da Agricultura Familiar e Abastecimento, Walter Bianchini, a Conselheira Nacional de Aquicultura e Pesca, Josefa Ferreira da Silva, o superintendente da SEAP no Paraná, José Wisniewski, o presidente da Federação das Colônias de Pescadores, Edmir Manoel Ferreira, Luiz Viana, da SEAP/PR, o diretor da Cooperativa de Produção de Peixes do Rio Iguaçu, Paulo Wangler e o diretor-presidente do Instituto Emater, Arnaldo Bandeira.

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Pescador na baía de Paranaguá, em foto de Haroldo Viegas.

19º festival de inverno da ufpr em antonina – abertura oficial e entrevista com lucia mion e guilherme romanelli

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Angelo Vanhoni, acompanhado pelo reitor da Universidade Federal do Paraná, Zaki Akel Sobrinho e pelo prefeito de Antonina, Carlos Augusto Machado, na abertura oficial da 19º edição do festival, no último domingo, dia 12/07.

O litoral do Paraná e sobretudo a cidade de Antonina tem essa caracteristica forte da cultura, da arte, do gosto pelas tradições, além de toda a beleza natural que encontramos na região. No que depender do Governo Federal, do Ministério da Cultura, os próximos anos do Festival de Antonina terão um apoio ainda maior. Desejo a todos um bom festival, que vocês possam fruir as diversas manifestações culturais e os cursos que estão sendo oferecidos, e que a cidade possa receber, como sempre tão bem recebeu, todos os visitantes que aqui estão, os jovens e as pessoas que se interessam pela arte e pela cultura no Estado do Paraná. “

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Público presente na solenidade de abertura, em 12/07/09.

O Festival de Inverno da UFPR, em Antonina, chega a sua 19º edição movimentando anualmente cerca de 50 mil pessoas através de espetáculos, oficinas e atividades culturais diversas.  O mandato do deputado Angelo Vanhoni colaborou na sensibilização de parceiros como a Caixa Econômica Federal, Itaipu e o Ministério da Cultura para que o festival pudesse se realizar. Este é o evento mais importante da cidade depois do carnaval e contribui expressivamente no desenvolvimento cultural da população, ativando a economia local, o comércio, a hotelaria e a gastronomia.
Veja abaixo
imagens dos festivais anteriores na entrevista com Lucia Mion e Guilherme Romanelli, organizadores do festival pela UFPR.

Confira aqui a programação do festival para este ano.
Confira aqui o blog UFPR Cultural.

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Lucinha Mion e Guilherme Romanelli, coordenadora executiva e coordenador geral do XIX Festival de Inverno de Antonina, durante entrevista na sala de ensaios da orquestra da UFPR.

Ana Carolina Caldas: Primeiramente gostaria que vocês contassem um pouco da origem do festival e um pouco da sua história.
Lucia Mion: A idéia do festival teve início na gestão do professor Faraco, com as professoras Marcia Kersten e Marcia Fontoura, quando assumiram a Coordenadoria de Cultura e a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura. A idéia e a inspiração foi o festival de inverno da UFMG, que na época acontecia em Ouro Preto; e a gente achava aquilo muito bacana, tirar a cultura de dentro das quatro paredes da instituição e levá-la para outro lugar, torná-la acessivel a toda uma população e a todas as pessoas que desejassem participar. Então a idéia inicial partiu disso. O primeiro festival foi complicadíssimo porque a gente tinha a idéia, botou a programação no papel, mas, não tinha a equipe, ninguém nunca tinha feito nada disso, então dividimos as funções e cada um correu atrás de pessoas que pudessem dar uma luz, ou até de caminhos que pudessem facilitar. Foi um festival complicado, mas por outro lado foi muito gostoso, porque no momento em que acabou, vimos que tínhamos capacidade, que a gente conseguiria levar aquela idéia adiante, até porque a comunidade de Antonina nos recebeu muito bem. Então ali começou um namoro fantástico, que a cada ano a gente ia crescendo um pouquinho, aumentando, sempre procurando fazer uma avaliação do festival anterior pra preservar a qualidade do evento e aumentá-lo de tamanho na medida em que as nossas pernas pudessem ir suportando, porque a gente tinha que adquirir experiência trabalhando nele. Por volta do sétimo festival de inverno a gente atingiu o limite do seu tamanho, e aí a partir daí viemos trabalhando a cada ano a sua qualidade, mas, os sete primeiros anos foram fundamentais pra se chegar no formato e no tamanho que ele tem hoje. Porque no início a gente usava só o miolo do Centro, a gente foi se espalhando, se espalhando, e a cidade foi deixando a gente se espalhar, e hoje a gente usa a cidade inteira, literalmente.

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Público presente na abertura do V festival, em 1995.

Ana Carolina Caldas: E da origem dele pra hoje, o que vocês conseguiram superar, existe alguma diferença de concepção?
Lucia Mion: Não, de concepção não tem nenhuma diferença gritante. A gente procurou usar aquela idéia inicial sempre, que era a de não fazer um festival invasivo, de sair de Curitiba, levar um festival num caminhão e, ao final tirar de lá e trazer de volta. Desde o primeiro festival a gente sempre teve uma preocupação em deixar coisas, de trabalhar com a comunidade antoninense, achar nichos de demandas deles e trabalhar esses nichos lá, então a gente sempre trabalhou com as crianças, a gente sempre trabalhou com os professores da rede pública de ensino, começamos a trabalhar com a APAE a partir do terceiro ao quarto festival, a desenvolver um trabalho dentro da APAE, tanto com os alunos quanto com os professores, os artesãos. O projeto de cerâmica está presente desde o primeiro festival, e a gente foi só ampliando, sempre procurando se utilizar de coisas que realmente eles pudessem achar dentro da cidade, porque não adiantaria levar um artesanato onde eles tivessem que importar coisas, então procuramos fazer essa pesquisa e estar trabalhando… a banda Filarmônica Antoninese, também presente desde o primeiro festival, hoje é uma das bandas mais premiadas do Brasil, todos os anos a gente leva profissionais que eles mesmos sugerem, aonde eles estão precisando, pra estar aprimorando esses jovens, porque eles têm um trabalho social lindíssimo na banda.

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Oficina prática de big band, com Nailor Proveta, líder da Banda Mantiqueira, em 13/07/09, na sede da Filarmônica Antoninense.

Ana Carolina Caldas: Como foi a escolha de Antonina e como é a relação com a cidade desde a origem até hoje?
Lucia Mion: No começo a gente foi parar lá porque o professor Eduardo Nascimento, que era ligado a equipe do festival, professor da universidade, é antoninense, então ele abriu essas portas lá, e eu não digo só a prefeitura, mas, a comunidade recebeu tão bem o festival e o absorveu, que hoje esse festival nao é só da universidade, é nosso, é da universidade e de Antonina, eu não digo nem da prefeitura de Antonina, porque ele é da cidade, da comunidade. Mas, isso, é claro, foi construído durante o tempo, a gente vai criando vinculos e estreitando os laços. Mas, no início foi através do professor Eduardo Nascimento.

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Luís Melo e Guta Stresser, no III festival, em 1993, durante oficina ministrada pelo ator nos galpões Matarazzo, região portuária de Antonina.

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Ana Carolina Caldas: Fazendo um balanço nesse quesito da extensão, que é importante, é uma das referências importantes da UFPR, o que se pode dizer? O festival é citado inclusive como uma das grandes mostras de extensão…
Lucia Mion: Se não for o maior, é seguramente um dos maiores projetos de extensão da universidade, e é fundamental, porque enquanto extensão ele tem o professor, ele tem o técnico, ele tem o aluno envolvido, e conhecendo uma outra realidade, que é a realidade da comunidade de Antonina. Então essa troca é muito importante, e eu acho que é riquissima para ambos os lados.

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Performance “Cigarra”, no restaurante do Hotel Regency Capela, durante oficina de composição ministrada por Chico Mello, em 1995.

Ana Carolina Caldas: Guilherme, gostaria que voce falasse um pouquinho sobre o festival deste ano.
Guilherme Romanelli: O décimo nono festival é um festival heróico, porque na realidade, não havia nenhuma possibilidade técnica dele acontecer, e isso em virtude de toda uma conjuntura, especialmente um ano de crise, um ano difícil pra todo mundo, e é interessante porque o primeiro lugar onde vai haver um corte eventualmente, em qualquer lugar, infelizmente é na área da cultura. Justamente o que deveria ser uma área que segura uma comunidade, uma sociedade, é a primeira a sofrer cortes, especialmente num ano de crise. Então esse ano foi muito difícil, o festival não tinha viabilidade técnica, e está sendo feito com um esforço muito grande, aí certamente a gente teve o apoio  do Vanhoni, pra desatar nós, tentar encontrar soluções. Isso foi muito interessante, discutir possibilidades e ver o que era possível fazer.

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Hermeto Pascoal no Teatro Municipal de Antonina, 1994.

Ana Carolina Caldas: E este festival, o que tem a se destacar, qual a sua programação?
Guilherme Romanelli: A primeira questão é que a gente sentiu por parte de Antonina uma vontade enorme de fazer todo o esforço possível para que esse festival acontecesse, isso envolveu as várias esferas da sociedade de Antonina, naturalmente também a prefeitura municipal, mas houve um empenho muito grande da comunidade, colocando tudo o que fosse possível à disposição para que o festival nao deixasse de acontecer. Isso eu acho muito importante, porque de alguma forma demonstra o reconhecimento da comunidade que tem a sua visão sobre o festival – o que para nós é motivo de orgulho também – uma visão muito crítica, no bom sentido. É uma populaçào que sabe se posicionar com relação a esse festival, sabe muito bem criticar o festival, tem uma opinião artística muito bem estruturada, sabe criticar quando não gostou de uma apresentação, de um espetáculo, sabe dizer: – “olha, eu não gostei porque eu tenho referência”, porque eles assistiram durante 19 anos uma porção de espetáculos, daqui a pouco 20 anos, acho que a população reconhece o festival como algo que pertence a eles todos e também significa que o festival tem motivos pra acontecer na cidade de Antonina, e isso pra nós é um voto de confiança.

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Vista da baía de Antonina, a partir da Ponta da Pita.

Ana Carolina Caldas: Quantas pessoas estão envolvidas no festival?
Guilherme Romanelli: Entre 40 e 50 mil pessoas, contando o público que participa das oficinas, as pessoas que trabalham no festival e as pessoas que vem ao festival. Um dos pontos centrais é de que é um festival de imersão, você vai lá e tem uma overdose, no bom sentido, de arte e cultura. Porque o sujeito fica lá, ele acorda de manhã e vai pra oficina, e ele tem um espetáculo ao meio dia e meio, depois ele tem uma outra oficina, eventualmente, ou ele tem tempo pra circular, depois disso ele tem um espetáculo as 18:30h, as 20:00h, as 21h e as 22 horas, e depois disso você ainda tem essa vontade de arte e cultura que está muito forte nas pessoas e que depois estrapola. Então depois do show das 21h tem mais uma pessoa tocando violão aqui, outra tocando flauta ali. É uma das raras ocasiões onde durante tantos dias a pessoa vai refletir profundamente sobre o papel da arte e cultura na sua vida. A tal ponto que não existe pessoa que fique neutra em relação ao festival, isso é impossivel.

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Zeca Wachelke, regendo o incrível coral “Vá de Retro”, que andava pra trás nas ruas de Antonina, em 1997.

Ana Carolina Caldas: Para o festival, o que é pensar arte e cultura? O que é a arte e cultura para a formação do ser humano?
Guilherme Romanelli: A primeira coisa é que a arte e a cultura não são acessórios, são essenciais, a nossa propria definição de ser humano é o sujeito artístico, a nossa grande diferenciação em relação aos outros animais é essa capacidade de fazer e apreciar a arte, ressignificar as coisas enquanto arte. Nós somos os únicos que podem ouvir o canto de um passarinho e ver naquilo um trabalho estético, ter um prazer e fruir com aquilo, essa é a primeira coisa; a outra é pensar que faz parte da vida e que é acessivel a todos, isso é uma coisa importante do festival, você vai ter na frente de um espetáculo de dança contemporânea uma pessoa que estudou, que tem nivel superior, que já viajou pra Europa etc e tal, e ao mesmo tempo, ao lado dessa pessoa vai ter um sujeito que é garí, os dois em pé de igualdade vão estar usufruindo daquilo. Por isso a idéia de lutar pela continuidade, até porque é muito raro uma iniciativa no Brasil que tenha 19 anos de edição ininterruptas, a gente nesse ano arriscou perder esse titulo, mas graças a um esforço coletivo muito grande a gente está conseguindo realizar.

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Ruas da cidade durante a oficina de performance e intervenção urbana, em 1997.

Ana Carolina Caldas: Quais são as idéias para o próximo, o vigésimo festival?
Guilherme Romanelli: A primeira coisa em relação ao vigésimo festival, é que todos os projetos que a gente teve nos anos anteriores foram projetos de sonhos, então os projetos eram muito maiores do que de fato aconteceu. A cada ano teve uma dificuldade diferente, e foram várias: teve um ano em que nós tivemos uma greve na universidade, e este ano de 2009 foi um ano realmente atípico, porque além de todas as dificuldades, ainda houve a questão de total ausência de patrocinadores. Para o vigésimo não pretendemos reinventar a roda, pretendemos é poder colocar em prática tudo aquilo que a gente sempre sonhou. Primeiro ter as condições pra começar o festival já em agosto, naturalmente com um bom projeto, bons contatos e tempo pra organizar, esse ano foi realmente um sufoco. Nós podemos ter algumas oficinas que aconteçam ao longo do ano, evidentemente não todas, mas, algumas oficinas centrais, o que já aconteceu, por exemplo, com a Associação dos Artesãos de Antonina, eles cresceram, eles nasceram em torno do festival. Então ter essas oficinas centrais, que possam construir durante setembro, outubro e novembro, e depois fevereiro, março, abril, maio, junho, e que culminem no festival. Também a gente gostaria de ter algumas ações culturais ao longo do ano, alguns espetáculos em Antonina ligados ao festival, a bandeira e a marca ao longo do ano todo e o festival sendo a apoteose deste trabalho. O circo é um sonho antigo e está todos os anos no projeto, mas normalmente não podemos fazer, porque com poucas verbas, é uma área que acaba sendo cortada. E essa idéia da arte circense tem uma peculiaridade, dentro do espaço do circo, porque dentro de uma sala de aula é uma coisa, mas, no espaço do circo, embaixo da lona, aí ela é efetivamente uma arte circense. Vai ser um festival grande, motivo de comemoração, serão 20 anos e a gente vai ter que comemorar bastante e, esperamos, vai ser o festival dos sonhos.

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O ator Rafael Camargo, na performance “Povo de Antonina!”. 1997.

Ana Carolina Caldas: Foi dito que este festival esteve a ponto de não acontecer. Como vocês conseguiram reverter este quadro?
Guilherme Romanelli: O mais importante foi o desespero dele não acontecer. Quando tomamos a decisão técnica de que ele era inviável as pessoas ficaram muito assustadas. Foi talvez a primeira vez em que ele esteve realmente muito próximo de não acontecer. Isso mobilizou as pessoas e todos começaram a refletir sobre o que aconteceria caso não houvesse o festival, e isso é bom, porque significa que não podemos mais parar. Têm duas questões, uma é a tramitação no MinC, nós sabemos que o MinC tem muitas responsabilidades, um volume enorme de análises a serem feitas, e na orientação e no encaminhamento dessas análises o empenho do Vanhoni foi fundamental, porque isso tem que ser acompanhado a partir de Brasília, e realmente fez muita diferença. De outro lado, existem outros participantes que foram sensibilizados, sobretudo os patrocinadores, e isso é um trabalho que normalmente faz parte da atividade parlamentar, que é justamente sensibilizar para uma idéia, neste caso defendendo a idéia da arte e cultura, a difusão e promoção da arte e da cultura. A sensibilização da Itaipu foi  central, é uma empresa estatal, uma empresa binacional e foi essencial na promoção daquilo que é mais sagrado para o ser humano e que seria perdido. O festival tem dois impactos principais, especialmente na comunidade capelista. O impacto direto e o indireto. A cidade tem o festival no seu calendário oficial, isso significa que as escolas constroem o seu calendário em função do festival. Isso indica que existe uma porção enorme de comerciantes, de pessoas que se preparam para receber uma quantidade enorme de visitantes em função do festival, e caso ele não acontecesse teríamos um impacto negativo imprevisível, nós não sabemos o que iria acontecer, mas, seria muito, muito grave. Depois do carnaval esse é o evento mais importante de Antonina. Isto é mais ligado a uma questão direta, objetiva. A segunda questão é que indiretamente a cidade é um raro exemplo no Brasil, uma cidade em que as pessoas têm com naturalidade uma relação com a cultura. Significa dizer que se eu pegar um quarteto de cordas tocando Beethoven, uma obra extremamente introspectiva, e colocá-la no Centro da cidade de Antonina, eu vou ter público, e não apenas um público de curiosos, eu vou ter um público crítico, e isso se construiu ao longo de dezenove anos. Isso não é por acaso, então isso seria uma pena perder, e acho que essa sensibilização é importante. Se a gente analisar porque é que cronicamente, todo ano a gente tem o mesmo problema, descobriremos que é porque algumas pessoas ainda não conseguem entender muito bem qual é a função da arte e pra que ela serve. Ela continua como algo acessório, como algo que ilustra, como algo que é a azeitona da empadinha, a cereja do bolo, essas coisas todas….

Fotos: Gilson Camargo

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Sede da antiga Filarmônica Antoninense, em 1995, em foto de Chico Camargo.

No começo a gente foi parar lá porque o professor Eduardo Nascimento, que era ligado à equipe do festival, professor da universidade, é antoninense, então ele abriu essas portas lá. E eu não digo só a prefeitura, mas a comunidade recebeu tão bem o festival e o absorveu, que hoje esse festival não é só da universidade, é nosso, é da universidade e de Antonina, eu não digo nem da prefeitura de Antonina, porque ele é da cidade, da comunidade. Mas, isso, é claro, foi construído durante o tempo, a gente vai criando vínculos e estreitando os laços. Mas, no início foi através do professor Eduardo Nascimento. No começo a gente foi parar lá porque o professor Eduardo Nascimento, que era ligado à equipe do festival, professor da universidade, é antoninense, então ele abriu essas portas lá. E eu não digo só a prefeitura, mas a comunidade recebeu tão bem o festival e o absorveu, que hoje esse festival não é só da universidade, é nosso, é da universidade e de Antonina, eu não digo nem da prefeitura de Antonina, porque ele é da cidade, da comunidade. Mas, isso, é claro, foi construído durante o tempo, a gente vai criando vínculos e estreitando os laços. Mas, no início foi através do professor Eduardo Nascimento.

mupe – museu de periferia do sitio cercado – reunião 04/07/09

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O encontro do Museu de Periferia (MUPE), no Sítio Cercado, em Curitiba no dia 04 de julho, contou com a presença de artistas e expressões da cultura local. Foi a terceira reunião da comunidade visando a criação de um Ponto de Memória no bairro e, na ocasião apresentaram-se os grupos Ka-naombo, com trabalho de dança inspirado nas tradições afrodescendentes, O Resgate, um grupo de hip-hop gospel e o Grupo de Capoeira Arte Raça.
Em reunião anterior, o grupo solicitou através de abaixo assinado uma oficina de qualificação ao Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), encaminhado pelo mandato do deputado Angelo Vanhoni ao diretor do Departamento de Processos Museais daquele órgão, Mario de Souza Chagas, que confirmou o recebimento da solicitação e pré agendou uma oficina para agosto, a qual ministrará pessoalmente, em data a ser definida.

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O campo da museologia tem avançado muito no Brasil. O país contava com menos de 50 museus na primeira metade do século passado, hoje são mais de 2.400 museus cadastrados oficialmente. O Governo Federal através dos Pontos de Memória tem incentivado o conceito de museu social, onde o direito à memoria se faz presente prioritariamente nas comunidades carentes, como estímulo ao fortalecimento de suas identidades culturais e usufruto da cidadania. A identificação do público com o patrimônio musealizado e sua utilização para gerar estímulos no sentido da conscientização e da ação sobre o real, são hoje mais condizentes com o papel social esperado de um museu.

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Grupo de Capoeira Arte Raça desenvolve trabalho social no Sitio Cercado integrando os jovens através da música e da dança.

Os dois Pontos de Memória em funcionamento no Brasil, o MUF e o Museu da Maré, no Rio de Janeiro, estiveram em contato com a comunidade do Sítio Cercado através da visita das contadoras de histórias Afrolady e Marilene Nunes, em abril deste ano. O encontro, promovido pelo mandato do deputado Angelo Vanhoni em parceria com o Ibram, tinha por objetivo estimular os moradores do bairro a contarem a história da região, identificando seus valores culturais e apropriando-se das características e costumes locais como patrimônio comum na construção de sua identidade.
Programas como os Pontos de Memória são uma frente ativa da política museológica na área social e uma prioridade do novo instituto.

O Rio de Janeiro será a cidade sede da 23ª Conferência Geral do Conselho Internacional de Museus (ICOM), marcada para junho de 2013. Depois da árdua disputa entre Moscou e Milão, o Rio ganhou com 53,2% dos votos apresentados pelos 170 Comitês Nacionais e 30 Comitês Internacionais de Estudos do ICOM. A decisão, tomada na sede da Unesco, demonstra a visibilidade e o papel de liderança que o campo museológico brasileiro vem assumindo no plano internacional.O processo de sensibilização para a criação do MUPE vem contando com o apoio logístico da ACNAP/Casa Brasil, Associação de Moradores Vila Vitória, Associação Nossa Luta e o Pontão de Cultura Soylocoporti. Os moradores já dispõem de um blog na internet para colaborar com textos e documentos referentes ao histórico do bairro.

www.mupe.wordpress.com

No evento do dia 04 de julho fizeram se representar os seguintes grupos e Associações:
- Associação comuitária Vila Vitoria – movimento de mulheres
- Associação de Moradores Nossa Luta
- Associação de Moradores e Amigos do Bairro Novo C
- Conselho Comunitario de Segurança do Sitio Cercado
- Grupo de Capoeira Arte Raça
- Grupo Resgate – (Hip Hop)
- Casa Brasil
- ACNAP – Associação Cultural de Negritude e Ação Popular
- Soylocoporti – Pontão de Cultura

Fotos: Michele Torinelli

Do blog do MUPE

lançamento da frente parlamentar de cultura da assembléia legislativa do estado de santa catarina

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O deputado federal Angelo Vanhoni (PT-PR), integrante da Frente Nacional Parlamentar Mista em Defesa da Cultura e o coordenador da Assessoria Parlamentar do Ministério da Cultura, Paulo Brum Ferreira, participaram do lançamento da nova Frente. À esquerda o deputado estadual Pedro Uczai (PT), que aparece como um dos nomes indicados para assumir a coordenação. O evento aconteceu no Plenarinho Paulo Stuart Wright, da Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina, em 30/06/2009.

A Assembléia Legislativa de Santa Catarina é a primeira do Brasil a criar uma Frente Parlamentar em Defesa da Cultura. O deputado Angelo Vanhoni ressaltou a importância desta iniciativa no âmbito estadual. Mencionou também que um dos principais desafios é a criação de um Sistema Nacional de Cultura que estabeleça critérios para a relação entre a União, Estados e municípios, sobretudo no que diz respeito à avaliação de projetos e destinação de recursos. O deputado citou o exemplo de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, Estados que no ano passado captaram juntos 50% do total de R$ 1,2 bilhões dos recursos disponíveis para a área cultural no país. Iniciativas semelhantes à de Santa Catarina podem ajudar a reverter estas distorções. “entendemos que a cultura é um direito social e fundamental à cidadania. Portanto, é essencial disciplinar melhor os fundos culturais, para que os recursos sejam democratizados e melhor distribuídos”.

Representando o Ministério da Cultura, o coordenador de Assuntos Parlamentares, Paulo Brum Ferreira, elogiou o fato de Santa Catarina “sair na frente” e criar o grupo de trabalho suprapartidário: “a iniciativa dos deputados catarinenses fortalece o trabalho que está sendo feito em âmbito nacional, no sentido de construir uma política cultural articulada em todo o país, com melhor distribuição e aplicação dos recursos”

Para o deputado estadual Pedro Uczai, entre as prioridades da Frente Parlamentar está o envolvimento nas conferências regionais e na Conferência Estadual de Cultura, que antecedem a II Conferência Nacional, de 11 a 14 de março de 2010, em Brasília. Além disso, o grupo pretende participar das discussões da nova Lei Federal de Incentivo à Cultura e do Plano Nacional de Cultura, fortalecer os pontos de cultura no Estado, incentivar a criação de frentes parlamentares nas Câmaras de Vereadores, auxiliar na criação de conselhos locais de cultura, estimular a implantação de políticas do governo federal no Estado e criar um novo marco regulatório para a área cultural em Santa Catarina, com políticas claras e transparentes. Afirmou ainda que uma das atuações da Frente será o apoio e a mobilização para a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 150/2003, em tramitação no Congresso Nacional, que vincula receitas orçamentárias para a área cultural. Pela proposta, a União aplicaria anualmente pelo menos 2% da receita resultante de impostos na preservação do patrimônio cultural, enquanto os Estados investiriam 1,5% e os municípios 1% de sua receita.

A Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cultura do Congresso Nacional tem a responsabilidade de acompanhar a política governamental, incentivar e promover mecanismos de preservação, difusão e democratização da cultura, além de aprimorar a legislação voltada à implementação, fomento e avaliação de políticas públicas referentes à cultura. A Frente foi lançada em outubro de 2007 e conta com a adesão de mais de 400 deputados e 30 senadores, com integrantes de todos os partidos. Surgiu pela ação e idéia de cinco deputados federais historicamente relacionados com a área da cultura: Angelo Vanhoni, José Fernando, Frank Aguiar, Rodrigo Rollemberg e Geraldo Magela, atual presidente.

link para estatuto da frente parlamentar mista em defesa da cultura no congresso nacional
link para matérias publicadas nos sites do MinC, e Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina

Foto: divulgação, mandato deputado Pedro Uczai (PT-SC)

audiência pública sobre o programa minha casa, minha vida – paranaguá / pr – 29/06/09

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Angelo Vanhoni durante audiência pública informativa sobre o programa Minha Casa, Minha Vida. O encontro em Paranaguá reuniu diversos prefeitos dos municípios do litoral paranaense, líderes comunitários e representantes de associações.

“É com grande satisfação que anunciamos este novo programa do governo federal. Um programa que visa reduzir o déficit habitacional no país. O “Minha casa, Minha Vida” inclui as famílias de menor renda, de 1 a 3 salários mínimos nas faixas de financiamento, cria mecanismos como o fundo garantidor e dá acesso também a famílias com restrição cadastral. Faltam mais de 8 milhões de moradias nas áreas urbanas e outro tanto nas áreas rurais no Brasil. Aqui no litoral paranaense temos uma condição precária na praia de Matinhos, em Paranaguá, Antonina, e outras cidades vizinhas. A Caixa Econômica Federal tem assumido um papel de destaque no esforço de reverter este quadro. São 40 bilhões de reais investidos em habitação. Recursos que chegaram através de subsídios e de fontes diretas do tesouro nacional. O Brasil sai da crise mantendo a economia aquecida, motivando a indústria da construção civil, que gera muitos empregos, e propiciando a um número maior de brasileiros melhores condições de habitação.

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O deputado ressaltou a urgência de programas para reverter o déficit habitacional no país e referiu uma série de ações do governo federal que estão trazendo benefícios para as cidades do litoral.

Este encontro na cidade de Paranaguá, com os prefeitos aqui reunidos, tem por objetivo esclarecer as diretrizes do programa “Minha Casa, Minha Vida”, e estreitar o contato das prefeituras municipais, da sociedade organizada e da população com a equipe técnica da Caixa Econômica Federal, para que se informem a respeito dos encaminhamentos necessários. A Caixa será responsável pelo suporte técnico para a implantação do programa em todo o território nacional.

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Estavam presentes à mesa os prefeitos José Baka Filho (Paranaguá), Amilton de Paula (Morretes), Rudisney Gimenes (Pontal do Paraná), Carlos Augusto Machado (Antonina), Eduardo Dalmora (Matinhos), o deputado Estadual Péricles de Mello, Urânia Flores, Jocely Loyola (Gerente do departamento de projetos da Cohapar), Valdo Cavaliet (diretor da UFPR Litoral), Ana Célia Lourenço (União Geral dos Moradores de Curitiba, Região Metropolitana e Litoral), vereador Edson Augusto da Silva (Neco), Wlademir Roberto dos Santos (Superintendente da Caixa Econômica Federal/Setor Paraná) e o deputado federal Angelo Vanhoni.

O governo federal está olhando para o litoral brasileiro. A pesca artesanal ainda não tinha uma legislação que a protegesse. O presidente Lula sancionou a Lei da Pesca agora na sexta feira, em Itajaí, e criou também o Ministério da Pesca. Diversos edifícios e casarões históricos foram tombados recentemente em Paranaguá pelo Iphan, tornando possível a inscrição destas edificações em projetos de restauração e em outras linhas de fomento à cultura e preservação do patrimônio histórico. Está previsto também recurso para o saneamento básico em Antonina, já incluído no PAC. Foram destinados 20 milhões de reais para a engorda da praia de Matinhos, e existe a perspectiva de atrair navios de turistas para atracarem em Paranaguá, alavancando assim a economia local, a produção cultural, o comércio e o turismo.”
Angelo Vanhoni

link para site do projeto Minha Casa, Minha Vida.

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Wlademir Roberto dos Santos, superintendente da Caixa Econômica Federal – Setor Paraná.

“É notório que o déficit habitacional do país é muito grande. O deputado Angelo Vanhoni falou em torno de 8 milhões na área urbana, mas se somados com o déficit na área rural, que é de 7 milhões de casas, temos em nosso país a necessidade de construir 15 milhões de moradias. É muita coisa! O programa “Minha Casa Minha Vida” vem resolver parte deste problema. São 1 milhão de casas que estarão sendo disponibilizadas através deste programa. Nós vamos falar do “Minha Casa, Minha Vida”, mas vamos falar também de outros programas que estão disponíveis para os prefeitos estruturarem os seus projetos de habitação. É necessário que passem primeiro pelo conhecimento das normas do programa para depois fazer a estruturação dos projetos, e aí sim, colocar em prática a construção destas casas.
Foi dito também que o “Minha Casa, Minha Vida” atenderia somente aos municípios com mais de 50 mil habitantes. Se fossemos levar isso ao pé da letra apenas o município de Paranaguá seria contemplado. Mas a grande boa noticia é que tanto a Câmara Federal quanto o Senado já aprovaram a extensão do programa para todos os municípios brasileiros, ou seja, compreendendo também os municípios com até 50 mil habitantes. O presidente Lula deve assinar as deliberações finais no decorrer dos próximos dias e daí passaremos ao período de operacionalização. Significa dizer que o Ministério das Cidades vai normatizar o programa e repassá-lo para que a Caixa o ponha em prática.

O nosso papel é muito claro dentro dos programas habitacionais. Somos responsáveis por dar toda a assistência técnica aos municípios e aos movimentos sociais e entrar com os recursos ou pedido de financiamento através de financiamento direto às famílias interessadas. Basta que as prefeituras, através das suas secretarias de ação social estratifiquem as suas demandas, porque não adianta dizer que a gente quer fazer duzentas, quinhentas, mil casas. Para qual público queremos fazer? Nós temos programas nacionais para todas as faixas de renda, tendo renda formal ou não tendo, seja baixa, média ou alta renda. O que nós precisamos é estratificar e, especificamente no caso do segmento público, o nosso objetivo até então era de atender famílias com renda de até 5 salários mínimos, e agora passamos a atender também famílias que ganham até 10 salários mínimos. Mas o grande público, a grande massa que necessita de habitação é a população que ganha até 3 salários mínimos. Aí está a grande concentração, e estas famílias que ganham de 1 a 2 salários, dificilmente
terão condições de empréstimo chegando a uma agência da Caixa. É fundamental a prefeitura organizar, seja em parceria, no caso do governo do Estado com a Cohapar, seja com os movimentos sociais, com o sindicatos, e aí sim, apresentar o projeto para a Caixa Econômica para que a gente possa orientar, estruturar, e fazer o financiamento.
Gostaria de deixar claro para todos os prefeitos que aqui estão, aos movimentos, às lideranças sociais, que no interesse de cada localidade, fazemos oficinas específicas com os municípios, porque a realidade, embora pareça ser única na questão da necessidade de habitação, tem suas peculiaridades. Existem situações de regulamentação fundiária, outras em que nós temos um grupo que já possui o terreno, outras em que a prefeitura também é dona do terreno e pode doá-lo ou vendê-lo, nós temos construtoras interessadas em atuar em todas as faixas salariais, e este é um motivo de satisfação para nós, porque as construtoras têm demonstrado interesse em financiar habitação para baixa renda, coisa que não vinha se fazendo. Então hoje há um movimento muito grande do setor privado construindo habitação para a população de renda menor. Isso é fundamental para que a gente consiga minimizar o problema habitacional em nosso país. É bom deixar claro que o papel da Caixa é fundamental porque é um banco público, voltado para o interesse social, mas nós também temos um outro envolvimento do setor financeiro onde se começa a levar financiamento para uma família de renda média ou média baixa , com isso a gente espera resolver boa parte do nosso déficit habitacional.
Nos colocamos novamente, prefeitos, à disposição. Nós temos uma equipe de assistência técnica, engenheiros, arquitetos, técnicos sociais, técnicos de habitação e podemos agendar para ver o caso específico do seu município, nós já conversamos aqui em Paranaguá no gabinete do prefeito Baka, vários prefeitos aqui já têm algumas situações, as quais conversaremos, e também para os movimentos que aqui estão, gostaria de lembrar que o “Minha Casa, Minha Vida” liberou o financiamento não apenas para as áreas urbanas, mas também para os agricultores familiares, para os pescadores e para os quilombolas. Ou seja, nós temos condições também de resolver parte da necessidade de habitação na área rural. Coisa que não havia em outros governos. Nós jamais havíamos financiado habitação para quem mora na área rural. Então é um fator extremamente positivo que a gente consiga não apenas resolver as questões urbanas, mas também fixar o homem no campo, minimizando os problemas nas grandes cidades.”
Wlademir Roberto dos Santos

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Célio Américo Alves Izidoro, técnico social da gerência de desenvolvimento urbano da Caixa Econômica Federal, explicou em detalhes o funcionamento do programa e lembrou das diretrizes estabelecidas pela Política Nacional de Habitação em 2003.

“A nossa função é apoiar os municípios, os Estados, as entidades, os movimentos sociais, os sindicatos, as cooperativas e associações na redução do problema de habitação. Todo essse programa foi pensado e calcado na Política Nacional de Habitação, que surgiu em 2003 com a criação do Ministério das Cidades. O desenho dele vem seguindo o conteúdo do que foi discutido na Política Nacional de Habitação, e um dos grandes pilares desta política é o subsídio. Ou seja, todo mundo sabe que muitas familias não tem capacidade financeira para pagar mensalmente uma prestação capaz de produzir uma habitação de qualidade.
A segunda questão que vem da Política Nacional de Habitação é a restrição cadastral. Muitas famílias brasileiras têm esta dificuldade que torna inviável a obtenção de financiamento nas instituições bancárias. Então o governo pensou que mesmo as famílias que têm restrição cadastral deveriam ter um dispositivo que lhes garantisse o acesso aos programas de habitação, especialmente o “Minha Casa, Minha Vida”.
Célio Américo Alves Izidoro

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A reunião aconteceu no auditório da Prefeitura Municipal de Paranaguá, em frente a Praça Eufrásio Correia (Praça dos Leões). A audiência pública foi uma iniciativa do mandato do deputado Angelo Vanhoni coordenada por Roseli Isidoro, vice-presidente do PT / Curitiba.

O programa calcula a estimativa de casas a serem construídas de acordo com o déficit habitacional de cada localidade e mediante a demanda apresentada pelo município. Para o litoral, há uma previsão de 400 casas em Paranaguá e cerca de 50 a 100 para cada um dos demais municípios do litoral.

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Habitações construidas ao longo do Canal do Nhanha, na Vila Portuária, em Paranaguá.

No litoral paranaense ainda encontramos diversas famílias morando em condições precárias de habitação, são áreas de alagadiços e mangues, com problemas de saneamento básico e falta de acesso à infraestrutura.

Fotos: Gilson Camargo




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