Arquivo para abril, 2009

ato inaugural das obras de restauro da igreja de são miguel arcanjo – mallet – pr

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O início das obras de restauração da Igreja de São Miguel Arcanjo em Mallet é um marco na valorização da presença eslava na região Centro Sul do Paraná e da diversidade cultural brasileira, exemplo de convívio harmônico entre poves e etnias. O Ministro da Cultura Juca Ferreira esteve presente no ato inaugural nesta terça-feira, 28 de abril, e depois seguiu viagem para Irati, onde visitou as obras do Centro Cultural Denise Stoklos e se reuniu com prefeitos da região. Em Prudentópolis o ministro visitou a igreja de São Josafat.

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Interior da igreja São Miguel Arcanjo em Mallet durante a solenidade realizada pelo Bispo Dom Daniel Kozlinski.

“A cultura de um povo é a voz aqui dentro que diz que somos diferentes uns dos outros e esta é a possibilidade de nos reconhecermos em nossa essência. Aqui temos um exemplo de resistência cultural de um povo. A presença do Ministério da Cultura garante a perpetuação dos bens simbólicos e o respeito à tradição. O restauro da Igreja São Miguel Arcanjo é a nossa celebração pela memória, é o Brasil olhando e agradecendo a presença do povo eslavo na constituição da história do país!”
Angelo Vanhoni

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A arquitetura das capelas expressa a religião ortodoxa ucraniana. No lugar de torres com cruzes voltadas para o alto estão as cúpulas,  os ícones e as pinturas típicas desta tradição. Outra característica das capelas ucranianas é a construção em madeira de araucária, que era material farto no Paraná do início do século XX.

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O inventário de edificações da imigração polonesa e ucraniana do Centro Sul do Paraná está sendo realizado por iniciativa do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN. A área de abrangência do inventário inclúi 22 municipios do Estado: Palmeira, São João do Triunfo, São Mateus do Sul, Antônio Olinto, Paula Freitas, Paulo Frontin, Mallet, Rio Azul, Rebouças, Irati, Fernandes Pinheiro, Teixeira Soares, Imbituva, Guamiranga, Prudentópolis, Ipiranga, Ivaí, Reserva, Cruz Machado, Porto Vitória, União da Vitória e General Carneiro. Com isso, foram realizados trabalhos de prospecção visando a identificação e reconhecimento de residências, imóveis comerciais e industriais, igrejas de rito latino, igrejas de rito ucraniano e ortodoxo, cemitérios, escolas e clubes recreativos, totalizando 148 imóveis identificados e 108 inventariados.

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No Paraná, a maioria dos imigrantes ucranianos chegaram a partir de 1895. Estima-se que foram mais de 10 mil famílias que formaram comunidades em Curitiba e no interior do estado.

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Grupos tradicionais poloneses também estiveram presentes na solenidade. O Paraná é o estado com maiores influências da cultura polonesa no Brasil. Muitos descendentes falam o idioma polonês como língua materna. Um grande número de imigrantes estabeleceram-se no país entre 1869 e 1920. Estima-se que 60.000 poloneses vieram para o Brasil nesta época e estabeleceram-se em Curitiba e no interior do estado. Com um número estimado em mais de 1,8 milhão descendentes no Brasil, os poloneses se tornaram uma grande influência na cultura brasileira.

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Juca Ferreira – ministro da Cultura, Angelo Vanhoni, Vera Mussi – secretária de Cultura do Paraná, Luiz Fernando de Almeida – diretor do IPHAN, Vitório Sorotiuk – presidente da Representação Central Ucraniana Brasileira, e Larysa Myronenko – cônsul da Ucrânia em Curitiba.

O encontro entre o Ministro da Cultura e a Cônsul da Ucrânia em Curitba assinalam a perspectiva de dinamização do intercâmbio cultural entre os dois países.

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“O Brasil é um país multicultural e precisamos assumir e valorizar a diversidade como nosso maior patrimônio cultural. O convívio harmonioso entre povos que elegem as suas diferenças como fator de atração, aproximação e respeito é uma característica de nossa sociedade. A preservação das tradições dos povos que emigraram para o Brasil tem um grande significado para nossa memória. A Igreja de Mallet é um símbolo deste processo. Além da força da religiosidade e da beleza de sua arquitetura é um local de perpetuação dos valores culturais do povo eslavo. A restauração da igreja de Mallet é uma garantia para as gerações futuras da celebração e da permanência dos valores simbólicos da cultura eslava no país.”
Juca Ferreira – Ministro da Cultura

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A igreja, construída a partir de 1889 e inaugurada em 1903, está localizada na Serra do Tigre. A base de sustentação do imóvel são troncos encaixados e recobertos de madeira. As paredes são triplas, onde a madeira foi encaixada com pouco uso de pregos. Apresenta ainda, no interior, pinturas com imagens de São Nicolau, Nossa Senhora e São José. Além de ser uma obra feita com madeira de araucária, tipicamente paranaense, a cultura é preservada na igreja por meio da religiosidade e da vida social que a rodeia, com suas tradições, ensino da língua e atividades de folclore. O trabalho de restauro será coordenado pelo Instituto Arquibrasil, com o apoio do IPHAN e patrocínio da Caixa Econômica Federal.

Fotos: Gilson Camargo

ministério da cultura e governo do estado assinam acordo para 70 novos pontos de cultura para o paraná

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O Ministério da Cultura celebrou junto ao Governo do Estado do Paraná termo de convênio para a instalação de 70 Pontos de Cultura, além de investimentos do Programa Mais Cultura. Os novos Pontos de Cultura conveniados serão direcionados através de edital pelas Secretarias de Cultura e Secretaria de Ciência e Tecnologia do Paraná. A cerimônia de assinatura ocorreu durante a Escola de Governo desta terça-feira, 28 de abril, no Museu Oscar Niemeyer, e contou com a presença do governador Roberto Requião, do ministro da cultura, Juca Ferreira, do diretor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Luiz Fernando de Almeida, da secretária de Articulação Institucional do Minc e coordenadora nacional do Mais Cultura, Silvana Meireles, da secretária de Cultura, Vera Mussi, e do deputado federal Ângelo Vanhoni.

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Juca Ferreira lembrou que o programa Mais Cultura é considerado pelo presidente Lula um dos mais importantes de seu governo. “Não basta incluir economicamente, aumentando o poder aquisitivo dos menos aquinhoados da sociedade. É preciso incluir culturalmente também, disponibilizar condições para que estas pessoas possam se integrar plenamente na sociedade. O que nós vamos assinar hoje é um termo de cooperação que dá conta desse conjunto amplo de ações.”

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Luiz Fernando Almeida, Silvana Meirelles, Juca Ferreira, Roberto Requião e Orlando Pessuti.

Em 2008, o investimento no Mais Cultura foi de 180 milhões de reais. 25 estados e diversos municípios no país já aderiram ao programa. A participação do Paraná neste convênio de Pontos de Cultura é de R$ 1.5 milhão de reais e a do MinC de R$ 3 milhões. O edital para a implantação dos novos Pontos de Cultura deverá ser lançado ainda este ano e prevê a destinação de R$ 180 mil para cada unidade. Deste total, R$ 120 mil são provenientes do orçamento do MinC e R$ 60 mil são a contrapartida do governo do estado. O acordo de cooperação assinado demanda do Estado do Paraná a criação de 2 novas instâncias: uma unidade de gestão dos convênios dentro da Secretaria de Estado de Cultura e um  comitê de Avaliação e Monitoramento. Este Comitê deverá ser instituído por decreto do governador, devendo ser paritário, com representação do governo e da sociedade.

link para mapa dos Pontos de Cultura no Brasil

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“Os Pontos de Cultura representam uma grande revolução em nosso país. Apontam para nós uma nova forma de olhar para os valores, a memória e a essência do povo brasileiro. Atualmente são mais de 600 pontos de cultura espalhados por todo o Brasil, cumprindo seu papel de revelar e fortalecer iniciativas já existentes, e principalmente o de incentivar, preservar e promover a diversidade cultural brasileira.
O Governo do Paraná ao assinar o termo de convênio para instalação dos Pontos de Cultura avança e fortalece a política cultural do Estado, e valoriza o que de mais genuíno existe como identidade de um povo: sua expressão cultural.  Em todos os cantos do Paraná, há quem esteja criando e re-criando sua forma de se relacionar com o mundo. Cultura é a forma de diálogo, por exemplo, das comunidades tradicionais com a sociedade como um todo, é também a perspectiva inclusiva aos nossos jovens como agentes de mudança para o bem maior da nossa nação. É a alegria do teatro, do circo, das danças e das pinturas. A perpetuação dos valores e tradição dos imigrantes que construíram a história do Paraná é também parte deste mosaico cultural. Assim também é o Fandango, manifestação artística que vem do nosso litoral e que muita gente ainda não conhece. Os bonecos, o carnaval, o artesanato, a música erudita e a popular, e tantas outras manifestações artístico-culturais paranaenses que, com o incentivo do governo federal e agora do governo estadual iniciarão nova fase de desenvolvimento de todo este potencial. Assim, cumpriremos nosso objetivo de valorizar a todos aqueles que dão vida à alma do nosso país.”

Ângelo Vanhoni.

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Assinam o documento: João Luiz Silva Ferreira, Roberto Requião de Mello e Silva, Vera Maria Haj Mussi Augusto, Lygia Lumina Pupatto, Orlando Pessuti e Angelo Vanhoni.

Fotos: Gilson Camargo

bairro sítio cercado – curitiba – intercâmbio cultural com o museu da maré e museu de favela do rio de janeiro – troca de experiências, itineração de contadores de histórias das comunidades e incentivo a leitura

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Na sexta-feira 17/04, moradores do bairro Sítio Cercado, em Curitiba, puderam ouvir histórias das comunidades da Maré e dos morros do Pavão, Pavãozinho e Cantagalo, do Rio de Janeiro.
A contadora de histórias Marilene Nunes e a cantora e compositora Afrolady falaram sobre os caminhos percorridos e os procedimentos que possibilitaram a criação do Museu da Maré e do MUF (Museu de Favela), instituições pioneiras no Brasil na preservação de memória das comunidades. Completando o intercâmbio proposto por este mandato, em parceria com a Associação Cultural e Artística Iliadahomero e IPHAN, estes dois museus no Rio de janeiro receberão este mês, nos dias 24 e 29, o ator Richard Rebelo para apresentação do Canto XVI da Ilíada. O objetivo é amadurecer esta troca de experiências e incentivar em Curitiba, assim como nas comunidades do Rio, a instituição de Pontos de Memória – projeto idealizado e desenvolvido pelo
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN.
O evento no Sítio Cercado foi sediado pela Associação Cultural de Negritude e Ação Popular dos Agentes de Pastorais de Negros – ACNAP / Casa Brasil.

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Marilene Nunes narrou contos publicados em livro pelo Museu da Maré e descreveu a trajetória que possibilitou a criação desta instituição em sua comunidade no Rio de Janeiro.

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Afrolady, cantora, compositora e sócia fundadora do MUF, trouxe suas experiências musicais e improvisos com o rap.

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A apresentação do coral Jubequinho, formado por jovens artistas do Sítio Cercado regidos por Sebastião Roberto Cardoso, propiciou um momento de troca cultural entre os visitantes cariocas e os moradores do bairro. O encontro foi gravado e transmitido em reportagem do programa Enfoque pela TV Educativa do Paraná.

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Os Pontos de Memória tem por concepção reconstruir a memória social e coletiva a partir do cidadão, de suas origens e valores, além de criar condições para que as comunidades se transformem em protagonistas de sua própria história.

- “Se pensarmos que 90% dos museus no mundo foram criados a partir de 1946, a tarefa de refletir e ampliar a relação com essa instituição cultural chamada museu é muito recente… na nossa sociedade contemporânea museus particulares ou públicos devem ser espaços privilegiados da res pública. Pensá-los sob este prisma significa também compreendê-los como lugar de direito e cidadania, como lugar de inclusão cultural, resistência e combate a toda ordem de preconceitos, sejam eles religiosos, raciais, sexuais ou sociais. Um museu não é destinado apenas aos príncipes e suas coleções, aos curadores, aos especialistas e suas ilustrações, aos detentores do poder econômico ou aos diretores de instituições. O museu destina-se aos cidadãos e faz parte da sua função social o exercício do direito à memória, à história e à educação”
José do Nascimento Junior – diretor do Departamento de Museus e Centros Culturais do IPHAN.

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A reunião contou com a presença de representantes de associações e moradores do bairro.
Nas imagens acima: José Afonso Filho, Fátima e Jaime Thadeu da Silva.

Fotos: Kraw Penas

sítio cercado – curitiba – imagem panorâmica

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Na primeira metade do século XX, Laurindo Ferreira de Andrade adquiriu 180 alqueires de terra e instalou-se em uma região cercada de rios por todos os lados na região Sul de Curitiba. Esta localidade servia de pouso para tropas de gado pela facilidade de passagem e por ser cercada pelas águas.
Na década de 1940 seu Laurindo dividiu as terras com a família, onde cultivavam feijão, arroz, milho e hortaliças. Na década de 1960 a propriedade foi vendida a terceiros que iniciaram os loteamentos. Em 1992 ainda existia ali um grande vazio urbano que servia ao plantio de grama quando a prefeitura implementou dentro de sua área o Bairro Novo, um enorme loteamento com 12 mil lotes e área para mais 25 mil apartamentos. O Bairro Novo completou 17 anos em 22 de março de 2009 e nele já residem aproximadamente 60 mil pessoas.
Bairro de maior densidade populacional da cidade, o Sítio Cercado situa-se a 13 km do centro da capital, e abriga aproximadamente 120 mil habitantes em seus 11,2 km quadrados.

DELIMITAÇÃO DO BAIRRO CONFORME O DECRETO 774/1975
Ponto inicial na confluência do Arroio Cercado e o Ribeirão dos Padilhas. Segue pelo Ribeirão dos Padilhas, Rua Eduardo Pinto da Rocha, Estrada do Ganchinho, Rua Nicola Pellanda, Divisa Sul da Vila Santo Antonio, Arroio Cercado, até o ponto inicial.

Fontes: Ippuc e Wikipedia
Foto: Gilson Camargo

museu de favela (muf) – pavão, pavãozinho e cantagalo – rio de janeiro – memória e cidadania

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Graffiti de Acme – Carlos Esquivel Gomes da Silva – no morro do Pavãozinho.

O MUF tem por característica estabelecer itinerários possibilitando a visitação dos morros do Pavão, Pavãozinho e Cantagalo. Como “Museu de Percurso” a instituição propicia um contato com o cotidiano dos moradores tornando visíveis seus valores culturais. O patrimônio arquitetônico da favela é incomensurável e de relevância histórica mundial. Fruto do trabalho dos moradores que ali construíram as suas casas durante décadas, a favela inova em técnicas de edificação antecipando conceitos de reaproveitamento de materiais que podem encerrar grandes lições para a arquitetura contemporânea. No percurso indicado pelo museu encontram-se trabalhos de artes visuais e grafitagem.

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“O Rio de Janeiro oferece ao turista suas belezas naturais e pontos turísticos reconhecidos internacionalmente, e em meio a tudo isso, fazem parte do cenário as favelas, consideradas por muitos como guetos, associadas só a violencia e a miséria. Contudo, aos olhos de seus moradores e de seus visitantes, são locais com uma riqueza histórica e cultural a ser descoberta por aqueles que nunca se permitiram conhecê-la de perto.”
Rita de Cássia, diretora de Patrimônio do MUF e moradora do Cantagalo.

Link para vídeo de apresentação do MUF no Youtube.

Contatos para visitação:
muf.rio@gmail.com
21 – 2267 6374

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A exposição inaugural do MUF apresenta imagens e relatos dos moradores mais antigos da região. Esta metodologia de valorização da memória da comunidade através de um acervo de depoimentos vivos permitiu a identificação de um relevante potencial museológico: as pessoas que ali residem, suas atividades, valores de vida, desejos e esperanças. A intenção do MUF é de que estas mostras ganhem espaço em outros locais da cidade, levando a produção e a história da comunidade a um maior número de pessoas. Foram entrevistados 14 dos moradores mais antigos e, agora ilustres pelas histórias que contam da favela. As entrevistas foram feitas, gravadas, transcritas e fotografadas. A montagem foi realizada pela produtora teatral Bia Lessa, que é parceira do Museu de Favela desde o nascimento da idéia. A exposição vai itinerar pela cidade do Rio de Janeiro durante 10 meses, passando pelo Museu da República, Museu da Maré, Museu Histórico Nacional e Museu do Folclore.

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Mario Chagas –
coordenador do Departamento de Museus e Centros Culturais do IPHAN.

“Da modernidade ao mundo contemporâneo, os museus são reconhecidos por seu poder de produzir metamorfoses de significados e funções, por sua aptidão para a adaptação aos condicionamentos históricos e sociais e por sua vocação para a mediação cultural. Durante longo tempo os museus serviram para preservar os registros de memória das classes mais abastadas. Na atualidade um fenômeno novo já pode ser observado. O museu esta passando por um processo de democratização, de ressignificação e de apropriação cultural. Não se trata de democratizar o acesso aos museus já constituídos, mas sim de democratizar o próprio museu compreendido como tecnologia, como ferramenta de trabalho para uma relação nova e criativa com o passado, o presente e o futuro.(…) acionados pelos movimentos socias como mediadores entre tempos distintos, grupos sociais distintos e experiencias distintas, os museus se apresentam como práticas comprometidas com a vida, com o presente, com o cotidiano e com a transformação social”

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Nas instalações do BISU – Base de Inserção Social e Urbana, sede para reuniões e escritório do Museu de Favela, foi proposto o intercâmbio cultural entre artistas vinculados ao MUF / RJ para apresentação na ACNAP / Casa Brasil, em Curitiba, no Bairro Sitio Cercado. A mediação deste intercâmbio esta sendo promovida pelo IPHAN em parceria com a Associação Cultural e Artistica Iliadahomero como perspectiva de itineração do acervo vivo do museu e troca de experiências na preservação da memória de comunidades e incentivo a leitura.

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O MUF é coordenado pelos seus 15 sócios fundadores. Seu Conselho está em formação e, até agora, conta com mais de 20 entidades.

Link para vídeo de apresentação do MUF no Youtube.

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Entidades Conselheiras: Academia de Boxe Nobre Arte, Academia de Dança Stilo, Acme Grafitti, AfroReggae, Associação de comerciantes, Associação de Moradores de Cantagalo. Associação de Moradores de Pavão – Pavãozinho, Artistas Plásticos, Corpo Movimento, Corte Arte, Favela Surf Club, G.R.E.S. Alegria da Zona Sul. Grupo de artezãos do Pavão Pavãozinho, Grupo de Teatro Libertando os Cativos, Harmonicanto Musica e Cidadania, Capela Nossa Senhora da Anunciação _ Pavão (Irmã Maria josé), Capela Nossa Senhora de Fátima – Cantagalo (Padre Ramos), igreja Evangélica Assembléia de Deus (Pastor Paulo Solimar), Pão e Vida, Rádio Comunitária Panorama, Rio Arte Popular, Solar Meninos de Luz, Rádio Comunitária Caiçaras, Rádio Comunitária Novas Ondas, Dançando Para Não Dançar.

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MUF – Museu de Favela. Contato: muf.rio@gmail.com – telefone/fax  (21) 2267 6374

Fotos: Gilson Camargo.

museu da maré – rio de janeiro – memória e cidadania

museudamare_foto_gilsoncamargo_20_03_09aNo galpão principal uma palafita reconstruida de acordo com os modelos da época.

O Museu da Maré, inaugurado em 2006, é o primeiro museu em favela do Brasil. Seu acervo, em construção permanente, é formado por fotografias, documentos escritos, objetos do cotidiano, objetos históricos, e pelos contadores de histórias da Maré e outros membros da comunidade que divulgam a cultura local. O projeto se tornou possível através das parcerias realizadas entre a Rede Memória do Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré – CEASM e o Ministério da Cultura – MinC.
O Museu da Maré foi contemplado com a Ordem do Mérito Cultural, a mais alta comenda da cultura brasileira concedida a pessoas e instituições que se sobressaem nesta área.

link para texto “DA MEMÓRIA AO MUSEU: A EXPERIÊNCIA DA FAVELA DA MARÉ”, de Antônio Carlos Pinto Vieira – diretor do CEASM – no arquivo público do Rio de Janeiro.

museudamare_foto_gilsoncamargo_20_03_09lA Maré antigamente era uma comunidade de palafitas – toda a região era permeada pela água e foi sendo aterrada em sucessivos tempos. Vista parcial do complexo da Maré, em imagem de 1971.

museudamare_foto_gilsoncamargo_20_03_09iVista atual da Maré a partir do CEASM . Março 2009.

Na concepção de José do Nascimento Júnior, diretor do Departamento de Museus e Centros Culturais do IPHAN, o Museu da Maré representa um marco nas novas práticas museológicas brasileiras. “O conjunto das políticas públicas de cultura tem sido percebido como fator preponderante de desenvolvimento econômico e de inclusão social, o que implica o reconhecimento da Cultura como área estratégica para o desenvolvimento do país. Devemos avançar para uma reflexão geral acerca do papel do Estado, que, mantendo-se afastado do “dirigismo cultural” e da interferência no processo criativo, deve assumir plenamente seu papel no planejamento e no fomento da produção de cultura, na preservação e valorização do patrimônio cultural do país e na estruturação da economia da cultura, considerando sempre em primeiro plano o interesse público e o respeito à diversidade cultural (…) ainda não se viu qualquer Estado de bem estar social que não seja indutor de políticas públicas comprometidas com a ampliação do acesso a bens e serviços públicos, com uma estrutura compativel à dimensão e com as tarefas que garantam esses direitos. É nesse sentido que o Museu da Maré se coloca, transformando a instituição museu em ferramenta de inclusão da comunidade na cidade e apresentando ao conjunto da população a sua narrativa sobre quem são esses moradores, suas trajetórias de vida e como enxergam a cidade. É um espaço de convivência convidativo e que simultaneamente reflete o cidadão e o instiga a refletir sobre a sua história e da sua comunidade. Somente neste sentido podemos falar em políticas públicas que dialoguem com as diversidades e não reforcem as desigualdades.”

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A exposição permanente é dividida em doze tempos não-cronológicos, onde uma sala conta a história dos emigrantes, outra refere-se à infância dos moradores e uma terceira recorda episódios da resistência social das comunidades.

“Tempo do medo. Quais são os nossos medos? No tempo do medo havia tábua podre, criança caindo na água, ventanias, tempestades, ratos, remoções… no tempo do medo existe a bala perdida, a violência, a morte bruta… os medos que nos assombram podem nos paralisar tanto quanto nos motivar a lutar pela transformação da realidade. Tempo da criança. Bola de gude, bate-beg, bambolê, pião. Amarelinha, caracol, garrafão. Pipa, roda, corda, rua, cabra-cega, esconde-esconde, passa-anel. Também passa o tempo mesmo contra a nossa vontade. Agora, criança na rua é ruim, e a brincadeira onde fica?… Tempo da água. Mangues, ilhas, biodiversidade marinha. Piquenique, areal, banho de mar. Redes, barcos, pesca, sustento. Festa de S. Pedro, N. Sª dos Navegantes, procissão. Balanças d’água, rola-rola, bacias, latas na cabeça, varais. Aterros, fábricas, poluição… E o futuro? Tempo da casa, do aconchego e da segurança. Para muitos que chegaram depois, só restaram o mar e o mangue. Antes da casa foi necessário construir o chão. Casa de madeira sobre as palafitas. Depois vieram o aterro, o tijolo e a laje. Em mutirão vão surgindo novas casas. Outras, o governo construiu: Centro de Habitação Provisória, casas coloridas, telhas de amianto, apartamentos duplex de tijolinhos vermelhos… Tempo da casa, do aconchego… E a segurança? Tempo da migração. Muitos chegaram no pau de arara. Outros vieram numa terceira do Ita. Rodoviária, lugar do desembarque de quem ainda chega. Lugar de um novo começo. Ingá de Bacamarte, Codó, Sapé. Campina Grande, Serra Branca, Ipu. Cachoeira Alegre, São Fidelis, Ubá… tantas cidades e pessoas. Saudades, expectativas, esperanças, memórias. Diferentes tempos que aqui se encontram. Tempo da feira. Tempo de sons, sabores, cores e cheiros. Um dia aqui, outro ali, cada dia uma feira, cada dia um lugar diferente. Tempo de acordar antes do sol, trabalhar duro pra ganhar o pão. Caixotes, barracas, lotes, balanças… e aquele jeito especial de cativar: – Ei, freguesa! Tá bom e barato, vai levar?! Este é sobretudo o tempo da negociação. Como falar de feira sem lembrar de uma boa pechincha?… tempos da feira, fé e festa. Música, alegria e devoção. Tempos de encontrar o Transcendente, o outro e a si mesmo. Tempos da ginga e da dança, do silêncio e da oração. Tempos de expressar nossa cultura, feita de mistura e troca, carregada de paixão e vida. Tempos de resistência. Aqui, resistir sempre foi preciso: Resistir à força da maré, à ação da polícia, às ameaças de remoção. Os moradores se organizaram em associações, lideranças surgiram, muitas conquistas foram alcançadas. Mas o tempo da resistência não acabou. Violência, preconceito, discriminação. Aqui, resistir sempre é preciso.

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Uma caixa com projéteis coletados pelos moradores da comunidade traz um expressivo testemunho da violência na região.

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“Um pequeno barraco de madeira sustentado por estacas. Ícone de uma paisagem resistente no presente, imagem simbólica do passado, âncora da lembrança. Sua cor é azul. Não o azul monótono e frio das paredes lisas. É um azul de muitos sóis roubado da cor das águas, do céu e da vida. Mutável conforme a luminosidade dos dias, os anúncios de tempestade, os fluxos do mar e os dramas da existência. Uma pequena varanda é o que sobrou do mundo exterior. Portas que abrem em duas, primeiro para olhar quem chega, depois para convidar a entrar. Por dentro a vida é rosa. Num único comodo se inscreve a vida. Aqui os objetos falam. na parede a lamparina, velhas fotos retocadas, um calendário antigo, quadros, muitos quadros, o sagrado coração, São Jorge, o Menino Jesus de Praga, Nossa Senhora da Conceição, todos acima da velha cama. No guarda roupas vestidos de chita, saias, blusas, calças e camisas usadas com suas marcas e cheiros. Sobre o guarda roupas há malas de couro e papelão, malas surradas, corroídas por inúmeras viagens, depósitos de lembranças denunciando que quem vive ali esta sempre de passagem. Há um criado mudo. Duas gavetas que podem ser abertas. Por aqui os objetos dialogam, podem ser tocados e ao abrir se encontra mais vida. Grampos de cabelo, bijuterias descoradas pelo tempo, orações a muito tempo recitadas, dinheiro que não compra nada além de memórias. E uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.”
Trecho da narração de Marilene Nunes no video “Museu da Maré”.

O DVD “Museu da Maré, memorias e (re) existencia” pode ser acessado integralmente na internet.
clique aqui para assistir ou fazer o download

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Fotos: Gilson Camargo.

alteração da lei rouanet – primeiro debate – curitiba – teatro fernanda montenegro – 07 de abril de 2009

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Mais de quatrocentas pessoas compareceram ao debate sobre o Projeto de Alteração da lei Rouanet, realizado no Teatro Fernanda Montenegro, no dia 07 de abril, em Curitiba.
Após as considerações iniciais dos encarregados pela administração da Cultura em Curitiba e no Paraná, Célio Turino e Roberto Nascimento, representando o Ministério da Cultura, expuseram as principais linhas de encaminhamento da discussão sobre a lei Rouanet e responderam as perguntas dos presentes. Quinze pessoas se inscreveram para falar. O debate foi mediado por Marcelo Miguel, editor do Jornal Quixote. O áudio original deste encontro está integralmente disponível no Estudio Livre (www.estudiolivre.org) para transcrição completa do seu conteúdo. Para acessar os arquivos de áudio clique nos links:

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A mesa inicial foi composta por Jonny Stica (vereador), Péricles de Mello (deputado estadual), Zaki Akel (reitor da UFPR), Célio Turino (secretário  de Programas e Projetos Culturais – MinC), Roberto Nascimento (secretário de Incentivo e Fomento Nacional – MinC), Ângelo Vanhoni (deputado federal – PR), Paulino Viapiana (presidente da Fundação Cultural de Curitiba),  Regina Iório (coordenadora de Incentivo a Cultura da SEEC) e Avani Tortato Slomp Rodrigues (presidente da Associação Comercial do Paraná).

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A sociedade brasileira ainda não entendeu a centralidade da Cultura nas políticas públicas no país. Muito menos da importância da arte, da criação e da invenção no desenvolvimento do espírito de coletividade e do bem estar social. Esta observação vale para qualquer período histórico do governo, sem distinção ideológica. A Cultura no Brasil ainda não teve o espaço que deveria como um direito público do cidadão. O Ministério da Cultura está fazendo um esforço enorme para que esta barreira seja rompida. O debate sobre a lei Rouanet que acontecerá no país inteiro este ano, abre uma discussão pública com a sociedade. A Cultura está ligada à noção fundamental de formação do ser humano, de construção da sua identidade, do reconhecimento do seu entorno. É através da cultura que descobrimos quem somos, que construímos nosso destino, que modelamos o futuro a partir de nossas esperanças. Cultura é mudanca de atitude, é mudança de valores, é desenvolvimento da sensibilidade. Não é um acessório, não é um adorno do espírito, não é um entretenimento casual, faz parte constitutiva do processo de formação dos jovens na construção de uma sociedade rica, criativa e alegre.
Um passo fundamental na implementação das políticas culturais consiste na mudança da Constituição brasileira, garantindo 2% da verba da União para a Cultura. Hoje este percentual é de apenas 0.8% do orçamento. É preciso garantir ainda 1.5% para os estados e 1% no mínimo para os municípios, além de aprovar um sistema de cultura em todo o território nacional, onde cada município possa receber verba da União, possa receber verba do Estado, tenha um fundo, e que este fundo possa irrigar as manifestações culturais do município em parceria com as linhas e programas que estão acontecendo na nação. Devemos antecipar o planejamento da Cultura para os próximos 10 anos, que é como todo programa para um país deve ser pensado, decenalmente no mínimo. Assim é na Educação e em outras áreas para as quais há um plano de metas. Temos que fazer o mesmo na Cultura, em toda a sua diversidade setorial, nas suas variadas formas de expressão, nos seus múltiplos suportes de manifestação. Temos que ter uma biblioteca em cada município, temos que ter um programa nacional de leitura, temos que fomentar o teatro, porque o teatro é leitura, é interpretação, é pensamento sobre si, é pensamento sobre a sociedade, é reflexão, é crítica, é arte. Estas matérias estão tramitando este ano. A comissão encarregada de mudar a Constituição está sendo montada e as propostas de alteração poderão ir a voto ainda este ano. O debate sobre a lei Rouanet veio em boa hora, vai fazer a sociedade brasileira acordar. Seremos instigadores deste debate, onde serão aprovadas leis importantes que vão estruturar a nação para garantir políticas públicas permanentes para a Cultura.

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“Um passo fundamental na implementação das políticas culturais consiste na mudança da Constituição brasileira garantindo 2% da verba da União para a Cultura. Hoje este percentual é de apenas 0.8% do orçamento.” Angelo Vanhonideputado federal

pre_acp_foto_gilsoncamargo_07_04_09curitibaAvani Tortato Slomp Rodrigues.

“Um debate como este é de extrema importância, não só por discutir a lei, mas também no sentido de conscientizar o setor empresarial de que é possivel direcionar um tributo que teria que ser recolhido pelo fisco e saber onde ele será aplicado. Os empresários não participam mais do fomento, não porque eles não queiram, mas porque não conhecem os mecanismos da lei” - Avani Tortato Slomp Rodrigues. Presidente da Associação Comercial do Paraná.

seec_foto_gilsoncamargo_07_04_09curitibaRegina Iório.

“Acho muito oportuna a abertura desta discussão pelo governo federal e demais instâncias de poder, mas principalmente pela sociedade civil e pela classe artística. Espero que este mesmo debate esteja aberto também no momento da regulamentação da lei. Estamos ansiosos para que esta lei seja aprovada, inclusive porque ela vai trazer os parâmetros necessários para o encaminhamento de um novo Conselho Estadual de Cultura, que discutirá, dentre outros assuntos, a criação de um novo Fundo de Cultura para o Paraná.” Regina Iório – Coordenadora de Incentivo à Cultura da SEEC/PR.

paulinoviapiana_foto_gilsoncamargo_07_04_09curitibaPaulino Viapiana.

“Recebemos com satisfação esta proposta de mudanças na Lei Rouanet. Em 2005 nós fizemos a revisão da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, fizemos debates como este, muito produtivos, que resultaram numa lei mais atualizada e mais eficiente. Somos totalmente a favor de qualquer atualização das ferramentas de incentivo à cultura.”Paulino Viapiana. Presidente da Fundação Cultural de Curitiba.

periclesdemello_foto_gilsoncamargo_07_04_09curitibaPéricles de Mello.

“Na comissão de Educação e Cultura da Assembléia estamos terminando um projeto de ICMS cultural semelhante ao ICMS ecológico para preservação do patrimônio material e imaterial do Paraná, os municípios que tiverem conselhos de cultura e que investirem na preservação do patrimônio receberão mais recursos na distribuição do ICMS do Estado. Nós estamos também apresentando uma emenda constitucional, para garantir 1%, no mínimo, do orçamento do Estado para a Cultura.” - Péricles Holleben de Mello. Deputado Estadual. Presidente da Comissão de Educação e Cultura da Assembléia Legislativa do Paraná.

johnnystica_foto_gilsoncamargo_07_04_09curitibaJonny Stica.

“A cultura é fundamental para a nossa população, e não pode ser uma sobra, uma verba a mais, tem que ser um direito da população. Deixamos à disposição de todos nosso mandato na Câmara Municipal para que a gente possa também criar lá um fórum de debate permanente sobre o tema.” - Jonny Stica. Vereador – Curitiba / PR.

foto_gilsoncamargo_07_04_09curitibaZaki Akel entrega a Célio Turino e Roberto Nascimento cópias do projeto de revitalização do edifício histórico da UFPR.

“A Universidade Federal tem sido ao longo de seus 96 anos de história protagonista da área cultural do Estado do Paraná. Uma protagonista muito importante formando gerações de professores, de pesquisadores, de profissionais que atuam nesta área. Mantendo seus grupos artísticos a duras penas, e também colaborando com os nossos museus. E nesta direção, aproveitando uma janela de oportunidade que o deputado Ângelo Vanhoni nos abriu, para trazer e encaminhar formalmente ao nosso ministro da cultura através de seus secretários nacionais uma solicitação da nossa universidade. A idéia é que nós possamos criar um corredor de cultura ligando o edifício histórico na praça Santos Andrade ao conjunto da Reitoria, e que este conjunto se transforme numa área cultural. Que o nosso prédio histórico, que é símbolo da cidade de Curitiba, possa se transformar num museu vivo, num espaço cultural com salas de espetáculos, com espaços para os grupos artísticos fazerem os seus ensaios, transbordando a arte e a cultura para toda a população daquele entorno e ligando também ao conjunto da Reitoria.” - Zaki Akel. Reitor da Universidade Federal do Paraná.

celioturino_robertonascimento_angelovanhoni_foto_gilsoncamargo_07_04_09curitiba1Célio Turino.

“Esse processo de mudança da lei envolve um conjunto de modificações. Por vezes confundimos a lei Rouanet com um dos mecanismos dela que é o mecenato, que é a renúncia fiscal. Na verdade esta lei envolve uma série de outros aspectos e agora a mudança proposta pelo Ministério da Cultura, que é resultado de um processo de ampla reflexão, tem um tripé de alteração. O primeiro deles é o da composição do orçamento público da cultura, como bem falou o deputado Angelo Vanhoni, a cultura tem um papel estratégico. Ela deveria ser percebida em qualquer lugar do mundo enquanto uma fronteira nacional. Como é a defesa das fronteiras físicas do país. A cultura é a fronteira que está na nossa mente, na nossa alma. Ela faz com que nos percebamos enquanto brasileiros. A construção desta brasilidade de uma forma mais ampla faz com que a gente migre pelo mundo afora e continue sendo brasileiro, e assim se garante o processo de defesa da nação. Mas ela ainda carece de meios e incentivos para que a política se transforme numa ação prática. Para isso é necessário ampliar o orçamento. O orçamento público. O orçamento com investimento direto. Recurso público tem que ser acessado também de uma forma pública, a partir de critérios públicos, via editais públicos. Então, a primeira grande alteração que gostaríamos que vocês atentassem é a planificação e o fortalecimento do Fundo Nacional de Cultura. É por ele, por exemplo, que toda a rede de pontos de cultura que o governo implantou desde 2004 pode se estrutrar. Hoje são mais de 1000 pontos de cultura no Brasil, em breve serão 2000 pontos de cultura, e o recurso chega via edital público e convênios com os estados. Nós ainda não tínhamos fechado convênio com o estado do Paraná, mas em breve teremos a efetivação disso, e aí novamente, graças a uma intervenção direta do deputado Angelo Vanhoni. Temos convênio já firmado com a prefeitura da Curitiba. Houve um edital para a seleção de pontos de cultura. Foram 30 pontos de cultura. Em breve haverá um novo edital que deve ser lançado para complementar esses 30 pontos. Isso é recurso do Fundo Nacional de Cultura. Na mudança da lei, o que se pretende fazer? A composição de fundos setoriais de cultura. Hoje existe o fundo setorial do áudiovisual, mas não há fundo específico para livro e leitura, para cultura, para cidadania, diversidade e identidade. Não há um fundo específico também para memória e patrimônio. Estes novos fundos vão compor o fundo de cultura, além de um fundo geral de equalização para projetos mais variados. E como seria o processo de seleção de projetos pelo Fundo Nacional de Cultura? Por comissões paritárias. O Ministério da Cultura e a sociedade a partir de critérios públicos. Nunca a entrada do critério público deve envolver uma interferência no conteúdo da criação. Sempre que o Estado quis interferir na criação teve maus resultados, mas também lembrem-se de que há uma grande interferência na criação a partir dos ditames de mercado. Imaginem se uma pessoa fosse contemplada com uma bolsa pelo CNPQ ou pela CAPS. Ela vai, manda um projeto de doutorado no exterior, daí ela recebe uma carta na qual está autorizada a procurar um patrocinador para financiar a sua bolsa de estudos! Seria a mesma relação. É assim que funciona hoje porque o único meio de transferência de recursos é esse . O que se dá é uma autorização para que as pessoas busquem a captação. Aí se estabelece uma distorção, onde o artista, o criador primeiro, passa a maior parte do tempo indo atrás da captação ou repassando isso para um terceiro e criando dificuldades neste processo. Para que vocês tenham uma idéia, na lei da forma que está redigida, 45 % dos recursos vão para a atividade meio. Para a elaboração, administração, comunicação e 10% para participação. Sobra para a cadeia produtiva da cultura 55%  do valor total.” - Célio Turino. Secretário  de Programas e Projetos Culturais – MinC

foto_gilsoncamargo_07_04_09curitiba1Célio Turino e Roberto Nascimento.

“O Ministério inteiro e todos os seus dirigentes, estão, neste momento, em caravanas pelo Brasil dialogando com todos os pontos e todos os coletivos para poder avançar nesse debate e na consolidação de uma proposta de um projeto de lei efetivo. É totalmente legítimo que o Ministério como gestor de uma lei, de um mecanismo importante e vultuoso como é a lei Rouanet, a partir de um diagnóstico e dos próprios problemas identificados na gestão desse mecanismo estruture uma proposta que persiga melhorias. Poderíamos estar sistematizando um projeto de lei e estar encaminhando diretamente ao Congresso, mas desde o início nos comprometemos a colocar em consulta pública e assim está acontecendo de maneira que as pessoas podem acessar estas informações, ler e debater. Já soube que houve uma reunião aqui no final de semana para debater com pelo menos uma parte desse coletivo. O deputado Ângelo Vanhoni foi muito feliz na intervenção dele na abertura dos trabalhos, aqui colocando, com muita precisão, todos os aspectos estratégicos que a cultura tem em qualquer nação. E eu diria que com um certo destaque para a nossa nação, dada a riqueza e a diversidade cultural no território brasileiro. É um momento em que realmente o ministério se coloca como um grande provocador para a reflexão. Muitos conceitos precisam ser revistos e repensados. Desde que o ministro Gil chegou ao Ministério da Cultura, este mecanismo expandiu tremendamente. O orçamento cresceu e a renúncia fiscal cresceu. O ministério está apostando em expandir e ampliar recursos para a cultura, que é a nossa principal missão. No entanto quanto maior o volume de recursos, maiores são as distorções, maiores os problemas que surgem e se evidenciam, e, no mínimo seria responsável que o ministério diante desse diagnóstico se manifestasse e apresentasse uma proposta alternativa. A lei tem 18 anos, ela foi concebida num momento completamente distinto do que vivemos hoje. Ela foi responsável pela produção de um ambiente completamente diferenciado daquele que havia na época de sua criação. Hoje nós temos o campo cultural profissionalizado, formalizado, muito mais organizado e com um número enorme de realizações de ações culturais. Na secretaria pela qual sou responsável cuidamos de 18 mil processos ativos a cada ano, incluindo emendas parlamentares, fundo nacional de cultura e renúncia fiscal. A lei 8313, popularmente conhecida como lei Rouanet criou um dispositivo conhecido popularmente que é o mecenato, como se esta mesma lei fosse capaz de produzir mecenato. Em qualquer lugar do mundo, quem faz mecenato o faz com seu próprio dinheiro, e não com renúncia fiscal de um tributo federal . Precisamos ter muito claro isso. Além do que, é preciso pensar se o que o artista brasileiro precisa hoje é de um mecenas. Na minha avaliação não. O que o artista precisa é de política pública. Nós temos que garantir através de política pública o financiamento e fomento da cultura no país.” - Roberto Nascimento. Secretário de Incentivo e Fomento Nacional – MinC

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O Ministério da Cultura está divulgando o desenvolvimento do debate em página na internet. Clique para acessar as notícias e informações no blog Reforma da Lei Rouanet – MinC.

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A imprensa local esteve presente no encontro dando visibilidade ao acontecimento e conclamando a sociedade a participar. Ao final do debate, artistas e produtores instituíram o Fórum Paranaense de discussão sobre a Lei Rouanet. A primeira reunião será realizada no mês de maio.  O objetivo inicial é constituir grupos de trabalho para as diferentes áreas de mudanças previstas na lei.

Fotos: Gilson Camargo

alteração da lei rouanet – um convite ao debate – curitiba – beto batata – 04 de abril de 2009

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No último sábado (04) reuniram-se no Espaço Cultural Beto Batata, em Curitiba, cerca de 70 artistas e produtores para iniciar o debate sobre o projeto de alteração da Lei Rouanet. Foram mais de duas horas de conversas, críticas e reflexões. Definir política pública de cultura, controle social das verbas que compõem a Rouanet, regionalização dos recursos, regulamentação dos fundos municipais, estaduais e  setoriais, divulgação para conscientização dos empresários sobre os mecanismos da lei, e articulação das três esferas governamentais através do sistema nacional de cultura, foram algumas das reflexões e propostas apresentadas. Ao final da reunião, decidiu-se pela instituição de um Fórum de Discussão sobre o projeto de alteração da Lei Rouanet. O Fórum começará a funcionar após o próximo debate que acontece nesta terça feira (07) com a presença de representantes do Ministério da Cultura, às 19 horas no Teatro Fernanda Montenegro (Shopping Novo Batel) – Rua Coronel Dulcídio, 517.

Cinquenta e sete pessoas assinaram a lista de presenças, trinta e uma entidades estiveram representadas, doze participantes pediram a palavra durante os debates e fizeram suas considerações e sugestões. Foram eles:

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Renato Perré –
Bonequeiro – Presidente da Associação Brasileira de Teatro de Bonecos – Forum de Cultura Popular.
site da Associação Brasileira de Teatro de Bonecos
site do projeto Mamulengo Patrimônio
site do Teatro Filhos da Lua

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Paulo Munhoz
Cineasta – Associação de Video e Cinema do Paraná (AVEC)
blog da AVEC
paulo munhoz na wikipedia
site do longa metragem BRichos

“Precisamos de um SISTEMA NACIONAL DE CULTURA que seja um programa de Estado, e não de governo, ou seja, que tenha uma vida de longo prazo, não sujeito a interpéries e que oriente municípios, estados e a federação dentro de um marco de procedimentos.” - Paulo Munhoz

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Manoel J. de Souza Neto – Forum Permanente de Música do Paraná.
blog do FPM
matéria sobre o acervo de Manoel Neto no site Overmundo

“O mecenato subsidiado é uma pratica que não ensina ao empresário o valor do investimento na cultura. Na formação de um estado nação, o investimento em cultura e educação deveria ser obrigação de todos. Neste, o real benefício seria o desenvolvimento humano. Em um projeto neo-liberal, onde através da (dês)regulação de mercados, o estado mínimo transfere todas as decisões ao mercado, a sociedade além de não ser prestigiada, não participa do processo decisório. O mecenato na Lei Rouanet é um projeto que premia o empresariado, que lucra em imagem com o dinheiro público, gerando um triplo dano a sociedade. Primeiro nos impostos abatidos do governo e no geral aplicados em produtos de baixo valor cultural; Segundo na transferência de decisão de quem receberá recursos da cultura para os departamentos de marketing das empresas; Terceiro no ônus social e regional, criado através da acumulação de recursos nas grandes produções e nos maiores centros urbanos. Em um estado social justo, o mecenato oriundo do capital privado deveria ocorrer de forma espontânea, já os recursos do estado deveriam ser aplicados diretamente. Diferenciar a indústria cultural e o mercado da cultura, que é outra coisa! A nova lei de incentivo a cultura precisa prestigiar a todos os atores sociais espaço para a tomada de decisões, alem da regionalização das verbas e da criação dos fundos setoriais. Já a consciência geral, essa ainda vai demorar…” - Manoel Neto

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Marco Antônio “Amarelo” Konopacki – Coletivo Soylocoporti

site da organização Soylocoporti

“Quem faz cultura é a sociedade civil. Cabe ao Estado dar condições financiando as diversas expressões e iniciativas. O Programa Mais Cultura, principalmente através da ação do Cultura Viva com os Pontos de Cultura, está demonstrando que esse é um modelo que dá certo e que é viável para a realidade brasileira. A verdadeira cultura brasileira está florescendo com esses programas. Agora nos vale perguntar: Será que devemos confiar que a iniciativa privada irá realmente fomentar o contra-hegemônico quando estas pautam o fortalecimento do hegemônico?” – Marco Antônio Konopacki

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Isidoro Diniz – Produtor cultural.
site da Izidoro Diniz Produções

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Ricardo Trento – Produtor cultural – Unicultura
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site da Trento Comunicação Integrada

“A Lei Rouanet na modalidade mecenato é muito democrática. A intenção do proponente é respeitada. Não se julga o mérito do projeto e sim sua viabilidade técnica. Todos tem seus projetos aprovados. Independe onde vivem – se num grande centro ou numa pequena cidadezinha. Com o mecenato todos tem a mesma oportunidade de conseguir patrocínio cultural como empresário. A diferença é que como empresário a linguagem e a apresentação deve ser mais apurada. Não está em jogo a estética do projeto e sim o alcance que a proposta possa alcançar. Afinal tem-se o nome da empresa estampada na linha de frente. Acredito que se o artista estiver vinculado a uma boa produtora, que tenha um trabalho de conscientização para uma mudança de perspectiva de investimento social e que saiba mostrar com números os resultados obtidos é claro que haverá maior probabilidade de sucesso. Continuo a acreditar que deva existir o mecenato no moldes da Lei Rouanet em seu artigo 18 com 100% de isenção e faixas de dedução para o artigo 26. Antes de ser uma verba pública estes 4% de renuncia fiscal ela é verba da empresa; por isso ser chamado de mecenato. Pois estes 4% só serão dinheiro público quando do pagamento do imposto. Antes disto é dinheiro da empresa que sai do seu fluxo de caixa. Então ela tem todo o direito de discutir qual será a melhor aplicação destes recursos. Pois o marketing vai discutir com o proponente como, onde quando executar o projeto. Mas o marketing não irá redesenhar o projeto. Se ele o fizer o produtor tem a opção de declinar da proposta e contar pra todos que aquela empresa esta tentando desvirtuar seu projeto. Outro ponto importante é que mesmo que a verba destinada para o mecenato dentro da empresa, este recurso será para um projeto cultural aprovado pelo ministério. E que põe em igualdade todos os projetos sem mérito ou nota. O conhecimento para uma boa elaboração esta a disposição de todos, basta pesquisar, estudar, dar-se a oportunidade de aprender.” - Ricardo Trento.

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Marila Velloso – Fórum de Dança de Curitiba.
blog do Forum de Dança de Curitiba

“Interessa-nos discutir a Lei Rouanet ou qualquer outro mecanismo na medida em que esses estiverem atrelados a uma reflexão e a elaboração de mecanismos que prevêem continuidade. Necessitamos da elaboração de Políticas Públicas para a Área da Cultura e da Dança e a legitimação das mesmas. Senão, como garantir o exercício e continuidade de qualquer que seja o mecanismo construído democraticamente?  E a democratização pressupõe que a esfera pública reflita o que se dá na realidade do ponto de vista dos direitos sociais e, também, do político-econômico.  Assim, entende-se importante que a legitimação de mecanismos, portanto, inviabilize os discursos e ações norteados pelo protecionismo; pela centralização das ações e recursos; pelo autoritarismo nas relações que incluem o prestígio e o “IBOPE” como moeda de valor para as escolhas; pela política de cima para baixo que se baseia no anseio ou desejo de um ou de outro; ou na necessidade “eterna” de convencimento sobre a importância de uma diretriz, na área cultural ou artística, etc. E por isso a importância da instituição do Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura.
Aproveito para considerar a importância dos Fundos de Cultura. São mecanismos mais democráticos do que as Leis de Incentivo (mesmo sendo baseados na mesma Lei do Mecenato como no caso do Município de Curitiba) por abarcarem as diretrizes e demandas levantadas pelo Estado assim como as demandas levantadas pelos representantes da sociedade e órgãos de classe e não, como no caso da Lei Rouanet em nível federal, dependerem do gosto ou entendimento de um “mercado” ditado pelo alargamento dos interesses econômicos do “privado”.
Nesse sentido a urgência do reposicionamento na função do Estado e de suas políticas para a Área da Cultura, incluindo a Lei Rouanet, ainda que se reflita, em sendo verba pública, que não há apenas os produtores culturais e os setores de marketing cultural das empresas privadas co-existindo no mercado. E então a pergunta: há estudo e parâmetros que definam e justifiquem o porque determinada porcentagem de recursos é direcionada para uma determinada Lei ou Fundo? E dentro desses mecanismos é importante refletir sobre o estabelecimento de critérios para a distribuição de cotas e recursos.
Quanto ao Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura:
Que sejam estipulados parâmetros e critérios para definir a distribuição dos recursos entre os Fundos Setoriais explicitados na Seção I,  Art. 8o., e entre as áreas elencadas no Fundo Setorial das Artes. E que estes não sejam apenas baseados nas demandas mais conhecidas ou existentes e sim, também, na necessidade de estimular outras demandas e considerar as demandas emergentes em cada área artística para que essas possam ser potencializadas a partir de suas realidades e não apenas mantidas correndo o risco de serem encolhidas.
Lei Rouanet: que haja dispositivo que impossibilite a concorrência na captação entre um produtor cultural e uma instituição pública de Estado. O que tem ocorrido no Paraná, nas verbas de empresas como Copel e Sanepar que se destinam para apenas um equipamento / área artística do Estado, a exemplo do Museu Oscar Niemeyer. Modo de atuação que demonstra autoritarismo e a falta de diretrizes democráticas para o uso dos fundos públicos.” –
Marila Velloso

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Marcelo Miguel – Associação Cultural Quixote
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site da Quixote Art & Eventos

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Marcia Moraes – Produtora – Movimento Teatro de Grupo.
blog do Movimento Teatro de Grupo

“Como representante do Movimento de Teatro de Grupo de Curitiba, manifesto nossa posição em relação à proposta de reformulação da Lei Rouanet: por acreditarmos que apenas o Fundo Nacional de Cultura é um mecanismo capaz de instituir uma política pública de estado, propomos que seu formato seja seriamente discutido e aprimorado para uma atuação verdadeiramente democrática.
Ao nos debruçarmos sobre os artigos que tratam do FNC, levantamos as seguintes questões:
1 – Qual é a previsão de tempo para essa proposta de lei estar aprovada e entrar em vigor?
2- Do orçamento geral da cultura, qual será a porcentagem destinada ao FNC?
3 – O que foi feito com a proposta da Lei Premio do Teatro Brasileiro apresentada pela Redemoinho ao governo federal? O governo a considerou para fazer esta revisão de lei? Como? Ela ainda está em pauta no governo? Se sim, para formulação de uma nova lei? Quando isso aconteceria? Por que essa formulação já não incluiu os debates e propostas feitas a partir dela?
4 – A CNIC – Comissão Nacional de Incentivo à Cultura tem uma grande importância e um grande poder de decisão dentro desta nova proposta. Como os seus integrantes serão escolhidos e por quanto tempo eles permanecem na comissão? Qual o poder da sociedade nessa decisão e como ele se configura praticamente?
5 – Segundo o art.5, da seção II do capítulo I, compete à CNIC o poder de separação dos recursos do Profic, e o Fundo Setorial das Artes que se divide entre Teatro, Dança, Circo, Música e Artes Visuais terá entre 10% e 30% do orçamento dedicado ao FNC, como se refere o art.17 da seção II do capítulo II.
Este Fundo Setorial está enquadrado nas mesmas cifras dos fundos setorias dedicados ao livro e a leitura ou patrimônio e memória. Por acreditarmos que o Fundo Setorial das Artes é mais abrangente, e é o foco principal desta lei, defendemos uma garantia de maior porcentagem dentro do FNC para este Fundo Setorial específico. Isso é possível? Qual é a opinião do Minc sobre esse tópico?
6-Dando continuidade a questão acima, quais foram os critérios adotados para a divisão das categorias e programações específicas que integram o FNC? a saber:
I – Fundo Setorial das Artes, para apoiar, dentre outras, o Teatro, o Circo, a Dança, as Artes Visuais e a Música;
II – Fundo Setorial da Cidadania, Identidade e Diversidade Cultural;
III – Fundo Setorial da Memória e Patrimônio Cultural Brasileiro;
IV – Fundo Setorial do Livro e Leitura; e
V – Fundo Global de Equalização
7- E ainda tratando deste tópico, quais serão os critérios adotados pela CNIC para destinação da verba (entre 10 e 30%) para cada fundo setorial?
8- Solicitamos uma explicação quanto a operação que se configura como a segunda modalidade de aplicação dos recursos do FNC “equalização de encargos financeiros e constituição de fundos de aval nas operações de crédito”? Qual é o funcionamento prático dela? Também preponderantemente por editais?
9 – Porque o aparecimento, no primeiro parágrafo do art.11 da seção II do capítulo II, da palavra preponderantemente quando se refere à maneira que o os recursos não reembolsáveis serão aplicados? Porque não inteiramente por meio de editais públicos? E se não for totalmente por editais públicos, qual seria a outra forma de divisão deste dinheiro? Qual é a política aplicada nesta outra maneira de divisão que garanta que ela não seja protencionista ou antidemocrática?
10 – Quando na lei cita-se que “os recursos do FNC deverão considerar a participação da unidade da federação na distribuição total dos recursos federais para à cultura”, (parágrafo 2 art15 seção II capítulo II) ele se refere ao montante arrecadado pelo estado ou o montante que o estado concretamente investe e gasta em cultura?
11 – Como citado no art 16 da seção II do capítulo II, o governo estimulará a criação de conselhos estaduais e municipais de cultura. Que poder eles terão em relação à CNIC? Como eles serão formados? E qual é a real abertura da CNIC e do governo para decisões e propostas destes conselhos? Ou concretamente em quais ações eles terão real força ou espaço para interferir? Como fica o caso dos governos dos estados ou municípios que não tem interesse pela cultura (como o Governo do Paraná, que não tem um fundo estadual ou um conselho estadual de cultura em funcionamento e que além do discurso nada faz)?
12 – Porque o FNC financia até oitenta por cento dos projetos sem fins lucrativos e não cem por cento? Porque deixar a decisão dos cem por cento na mão da CNIC e não deixar este direito garantido para todos os projetos sem fins lucrativos na própria lei?” - Marcia Moraes

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Oswaldo Aranha – Compositor e pesquisador musical – Fórum de Entidades Culturais.

“Questiono o o Art.16, pois o acho muito muito frouxo, pois só teremos democratização do uso da verba pública para a cultura, quando a liberação estiver condicionada à existência de Conselho de Cultura, tanto para os estados como para os municípios. Na lei fala-se de estimular a formação de conselhos. Temos que defender regulamentação.” - Oswaldo Aranha.

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Andressa Ignácio da Silva – Fórum Paranaense da Juventude Negra.

“A lei Rouanet tem como objetivo contribuir e facilitar o acesso de todos às fontes de cultura e a produção cultural, bem como favorecer projetos que atendam às necessidades da produção cultural e aos interesses da coletividade. Sendo assim é fundamental que com a possibilidade de debates públicos sobre o novo texto da Lei Rouanet seja pautada a necessidade de que esta lei possa contemplar o maior numero de segmentos sociais possíveis. Não podemos esquecer que a produção artística e cultural é um importante espaço de expressão, de legitimação de discursos podendo ser um espaço de  combate ao preconceito e ao racismo. Nesse sentido acredito ser fundamental que se estabeleçam mecanismos de favorecimento a produção de novos grupos sociais historicamente excluídos não só do acesso a arte (como consumidores/publico), como do acesso a recursos para o custeio de suas produções; como é o caso da população negra.
O Fórum Paranaense de Juventude Negra tem como principal diretriz o empoderamento da juventude negra do estado do Paraná, sendo para tal processo fundamental o acesso a financiamentos da produção cultural desta juventude que demonstra grande criatividade esbarrando na maioria das vezes em problemas para o financiamento de seus projetos, assim como nas dificuldades de enquadrar seus projetos nos requisitos da lei.”
- Andressa Ignácio da Silva

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Marcos Cordioli – Professor universitário e produtor de cinema.
site do longa metragem O Sal da Terra
site do longa metragem BRichos

“Eu proporia ao fórum que será constituído, que além do tratamento dos temas com maior destaque, organizasse Grupos de Trabalho ocupados com aspectos relevantes, mas que correm o risco de ficarem relegados à planos inferiores. Eu citaria como exemplo: um GT de estudo sobre o processo de apresentação de projetos visando a constituição de dispositivos de democratização e universalização do acesso aos mecanismos da nova lei. Eu justifico esta proposição com o seguinte argumento: o processo de apresentação de projetos é considerado complexo, exigindo dos proponentes um elevado “grau de iniciação”, isto faz com que muitos segmentos tenham dificuldade ou, até mesmo, fiquem impossibilitados de apresentação de projetos. Um GT poderia propor fórmulas que pudessem reduzir as dificuldades dos processos de apresentação de projetos e, assim, ampliar a democratização e a universalização do acesso aos mecanismos da nova lei.” – Marcos Cordiolli

Presentes na reunião:  Sindicato dos Arquitetos do Paraná, Associação de Artistas Plásticos do Paraná (APAP), Central Única das Favelas (CUFA), Fórum de Dança de Curitiba, Associação Cultural Quixote, Fórum de Entidades Culturais, Sindicato dos Músicos, Museu de Arte da UFPR (MUSA), Agência FazeroQ Soluções Culturais, Jornal de Comunicação da UFPR, Gabinete Vereador Jonny Stica, Juventude do PT de Curitiba, Centro Cultural de Pinhais, Festival do Paraná de Cinema, Curso de Artes Cênicas da UFPR, Agência Unicultura, Associação Cultural e Artística Ilíadahomero, Fórum de Música do Paraná, Movimento Teatro de Grupo de Curitiba, Grupo Arte da Comédia, Agência Nix Image, Grupo Orelha do Livro, Coletivo SoyLocoporti, Associação de Vídeo e Cinema do Paraná (AVEC), Fórum da Juventude Negra do Paraná, Grupo Reciclante, PrasBandas – Mostra Itinerante de Arte Curitibana, Fórum de Cultura Popular do Paraná, Associação Brasileira de Bonecos, Secretaria Municipal de Cultura de Antonina / PR e Secretaria de Cultura de Pinhais / PR.

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Vivemos na área cultural um momento importante: o debate sobre a alteração da Lei Rouanet. Instrumento de fomento à cultura que há 17 anos surgiu para propiciar formas mais democráticas de investimento à esta área. Até hoje um grande número de projetos artístico-culturais recebeu investimentos, porém ao longo do tempo este dispositivo legal também apresentou problemas, que ora se colocam como desafios à esta mudança. Mas devemos ir além da discussão sobre a lei, pois, o Brasil carece de uma medida urgente que dobre os investimentos para o desenvolvimento cultural. Está mais do que na hora de compreender o acesso à cultura como direito fundamental do ser humano. A hora é esta, vamos ao debate!
Geralmente o que se entende por Lei Rouanet? O dispositivo legal que permite que empresas transfiram uma porcentagem daquilo que pagariam em imposto de renda, para projetos culturais. Porém, há limites nesta definição. Pois, muitas vezes costuma-se de forma equivocada se referir somente ao mecanismo do mecenato subsidiado (aquele onde o proponente de um projeto cultural tem que obrigatoriamente correr atrás de patrocínios junto à iniciativa privada), como sendo o único instrumento criado por esta legislação. A mesma Lei, no entanto, foi responsável pela criação do Fundo Nacional de Cultura (FNC), instrumento amplamente utilizado para a destinação de recursos e verbas à programas e ações do Ministério da Cultura (MinC), assim como, para muitos outros projetos da sociedade. No entanto, o repasse ainda acontece de forma muito tímida.
A nova proposta prevê o fortalecimento dos mecanismos de Fundo para suprir as lacunas deixadas pelo atual sistema do mecenato. Não podemos deixar de considerar uma série de distorções que foram identificadas neste sistema desde o seu início em 1995, pois apesar da Lei Rouanet ter injetado pouco mais de R$ 8 bilhões em ações e projetos culturais, avaliam-se hoje muitas desigualdades no seu uso. A começar pela questão da distribuição regional, uma vez que os estados da região Sudeste, por exemplo, concentraram nos últimos anos mais de 80% de todos os recursos obtidos através da Lei Rouanet, enquanto a Região Norte mal conseguiu atingir a marca de 1%. Outra distorção está no fato de que alguns proponentes conseguem viabilizar a captação de recursos de forma mais constante, enquanto para outros – aqueles que não tem visibilidade na mídia, por exemplo – a tarefa sempre fica mais complicada. Em 2007, 3% dos proponentes arrecadaram 50% de todos os recursos captados.
No projeto de lei apresentado pelo MinC, chamado provisoriamente de Nova Lei de Fomento, a criação dos Fundos Setoriais, específicos para o atendimento da demanda de cada uma das áreas, prevê que os recursos sejam permanentes e repassados diretamente aos artistas e produtores culturais. Também uma das inovações trazidas pela proposta é a possibilidade da criação de Fundos Municipais e Estaduais em composição com recursos oriundos do Fundo Nacional. No entanto, respeitando a participação da sociedade, pois nenhum município ou Estado que não tenha constituído seus Conselhos de Cultura poderá receber estes recursos. Reforçando essa idéia, destaco que a nova lei já manifesta no seu artigo primeiro o reconhecimento do Tratado de Diversidade Cultural da UNESCO e a sua conseqüente adequação ao Sistema Nacional de Cultura, que entre muitos dos seus princípios estabelece a necessidade de participação da sociedade através de órgãos gestores e colegiados.
De outro lado, um dos desafios que deve acompanhar este processo de alteração da lei, é torná-la mais conhecida. No que diz respeito ao mecenato, por exemplo, a maioria dos patrocínios vem das estatais. Portanto, é preciso que defendamos maior publicidade e uma campanha de conscientização junto ao empresariado sobre a importância na contribuição para o fomento da cultura. Em síntese, é preciso dobrar o investimento da iniciativa privada, mas também assegurar permanentemente os recursos das estatais.
Para finalizar, saliento que o momento deve ser uma oportunidade para que os vários setores da sociedade se unam em torno de algo que é pano de fundo neste debate: Atualmente o Brasil destina 0,8% do orçamento para o setor cultural. Nossa luta precisa ser radical no sentido de dobrar estes investimentos. E já há uma boa noticia neste sentido: neste dia 31 de março foi instalada no Congresso Federal a Comissão especial criada para analisar a Proposta de emenda à Constituição(PEC) que propõe elevar o patamar do orçamento da Cultura para 2% das receitas de impostos do país.
Aproveito para convidar a todos para que esta reflexão continue. Venha participar do próximo debate sobre a Lei Rouanet, em Curitiba, com a presença de representantes do MinC.
Será nesta terça feira, dia 07 de abril, as 19 horas, no Teatro Fernanda Montenegro.
Angelo Vanhoni.

Fotos: Gilson Camargo

link para o blog Reforma da Lei Rouanet – MinC




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