2º conferência estadual de cultura do paraná – campo mourão

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A solenidade de abertura contou com apresentações artísticas de expressões culturais da cidade, dentre elas a do Corpo de Ballet Municipal da FUNDACAM – Fundação Cultural de Campo Mourão.

A II Conferência Estadual de Cultura do Paraná foi realizada em Campo Mourão, no dia 27 de novembro de 2009. Mais de 200 municípios participaram do debate através de delegados eleitos nas etapas anteriores, concluídas em outubro, demonstrando a grande mobilização ocorrida no estado do Paraná na discussão das políticas públicas de cultura. Durante o encontro, após as falas expositivas de autoridades e representantes do Ministério, foram eleitos 28 delegados, sendo 19 da sociedade civil e 9 do poder governamental, para representarem o Paraná, entre os dias 11 e 14 de março de 2010, em Brasília, na Conferência Nacional de Cultura.

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Amani Spachinski de Oliveira, membro da Academia Mouraoense de Letras, Vera Lucia da Silva Zanatta, prefeita do município de Terra Boa, a secretária de Estado da Cultura, Vera Maria Haj Mussi Augusto, Zeca Dirceu, prefeito de Cruzeiro do Oeste e vice-presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMPR), o prefeito municipal Nelson Tureck, a diretora-presidente da Fundacam, Sonia Singer, a vice-prefeita de Campo Mourão, Regina Dubay e o vereador Edoel Rocha, durante a execução do Hino do Estado do Paraná.

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A Secretária Municipal de Cultura, Sonia Singer deu as boas vindas aos participantes da Conferência e destacou a importância dos investimentos em cultura, tendo em vista o patamar alcançado por Campo Mourão nas pesquisas realizadas pelo IBGE.

Nós temos uma grande responsabilidade hoje aqui: a de elencar propostas do Paraná para a II Conferência Nacional de Cultura. Temos que ajudar este país a arredondar a roda da cultura, que até então tem vindo muito quadrada, e por isso precisamos muito das políticas públicas, precisamos que elas sejam implantadas em nível nacional. Nós temos uma realidade aqui em Campo Mourão bastante diferente de muitas outras cidades paranaenses. Temos, para com a gestão de cultura, o respeito e o carinho de todas as administrações que por aqui já passaram. Temos o compromisso de dar continuidade às políticas culturais, de manter a estrutura e o corpo técnico e dar condições aos artistas de produzirem. Tanto que a escolha do município para sediar a Conferência se deve muito a esta visão diferenciada e aos índices positivos alcançados pela cidade nos dados publicados pelo IBGE. Temos hoje, segundo estas pesquisas, o terceiro melhor índice de gestão cultural do país, o segundo melhor em gestão democrática e o primeiro no índice de cultura do Estado do Paraná. Aqui a população participa nas decisões da cidade. Temos o Conselho de Cultura, o Conselho de Patrimônio e o Fórum de Cultura funcionando. Mas é preciso ainda trabalhar muito, apresentar resultados consistentes e continuar crescendo na cultura, ajudando a cidade a se desenvolver. Desejo uma ótima Conferência a todos!
Sônia Singer

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A conferência contou com 414 participantes, sendo: 287 delegados eleitos nas etapas municipais, 34 observadores, 16 convidados, 36 autoridades, 11 componentes da Secretaria Estadual de Cultura e 30 membros da equipe da Fundacam.

 

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Durante a abertura da conferência, o deputado Angelo Vanhoni falou sobre a importância da cultura para o desenvolvimento do ser humano e da sociedade.

Bom dia à todos. Esta Conferência conclui uma etapa importante dos debates em nosso estado e nos prepara para participarmos da II Conferência Nacional de Cultura, em março de 2010, em Brasília. Diversos municípios e regiões reuniram produtores culturais, empresários ligados à cultura, gestores públicos, diretores de teatro, artistas e pessoas relacionadas às mais diferentes áreas: ao folclore, ao cinema, poesia, a literatura e à preservação do patrimônio histórico. Para nós é um momento de muita alegria. Destacamos o empenho que as diversas secretarias municipais tiveram, o apoio da secretaria estadual de cultura e o acompanhamento dos facilitadores do Ministério, para que este processo se realizasse.

O Ministério da Cultura brasileiro tem apenas 15 anos de existência e uma boa parte dos nossos municípios ainda não possui um setor com atuação dedicada a área da cultura. Muitos, infelizmente, acreditam que a cultura é um apêndice, ou da secretaria de esporte, ou da secretaria da educação e assim trabalham como se fossem um pequeno departamento, subordinado às outras áreas. Isso faz parte de um processo de tomada de consciência de nossa sociedade e dos gestores públicos das prefeituras que se relacionam diretamente com a maior parte da população.

Nós temos, de uma forma geral no Brasil, uma percepção ainda equivocada da importância da cultura para o ser humano e para o desenvolvimento da sociedade. Já sabemos, por exemplo, reconhecer a importância da educação, que transmite o conhecimento através da razão e sabemos que o ser humano sem educação não tem condições de evoluir, sobretudo nos tempos modernos, onde educação e conhecimento estão diretamente ligados à capacidade de produção dos indivíduos, que precisam renovar seus saberes em função de um mercado em contínua transformação. O desenvolvimento da educação é fundamental para a inserção no mundo do trabalho, para que cada um tenha condições de produzir, de ser independente e de se colocar na vida como um ser autônomo. Essa consciência nós já adquirimos. Porém, no âmbito da cultura, ainda estamos dando os primeiros passos. Somos uma sociedade complexa, cheia de contradições, que está começando a se desenvolver recentemente, que é marcada por uma exclusão social monumental e por uma elite que domina a riqueza do país há muitos anos. Neste ponto que chegamos, após vários avanços em outros setores da nossa sociedade, precisamos romper com a visão da cultura tratada como simples entretenimento, como adereço e em última análise, como algo supérfluo. Num país como o nosso em que as carências culturais são tão prementes, frente as dificuldades sociais, fica difícil tematizar e esclarecer aos nossos representes públicos que a previsão de recursos orçamentários para a cultura, para o desenvolvimento efetivo das políticas culturais em nosso país é tão importante quanto acabar com a fome.

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Para mim, o grande avanço que tivemos no governo Lula foi o de entender a cultura como um direito sócial, além de começar a estabelecer uma política cultural de estado. Uma visão que contempla o direito de todos os cidadãos de usufruírem dos bens culturais que o Brasil e a sociedade constroem cotidianamente e também o direito de cada indivíduo de se expressar culturalmente, afirmando seus valores com liberdade, superando assim a visão de cultura como entretenimento. Não é um dinheiro para o artista ir apresentar seu trabalho, não é apenas isso. Isto é o final do processo. Estamos falando da dignidade de cada tradição, de cada grupo social que constitui a nossa identidade enquanto nação. A verdadeira política pública de cultura, a que queremos para o Brasil, é aquela que integra a estrutura de governo, as suas três esferas, em uma grande rede, para que os recursos do governo federal possam ser aplicados nos estados e nos municípios, de forma distributiva e descentralizada, fomentando a vida cultural do nosso povo não apenas nos centros mais desenvolvidos econômicamente, mas em todo o território nacional. Cultura forma, cultura constrói a vida e o cidadão nos seus valores simbólicos. Boa conferência para vocês.
Angelo Vanhoni

Link para palestra de Angelo Vanhoni sobre as políticas culturais que estão sendo debatidas no Congresso Nacional
Link para palestra de Rejane Nóbrega sobre os eixos temáticos da Conferência Nacional de Cultura

campomourao_foto_gilsoncamargo2009novembro17Representando o Ministério da Cultura, Américo Córdula – Secretário de Diversidade Cultural, enfatizou  a importância de algumas diretizes básicas a serem discutidas pelos grupos.

Nós, do Ministério, queremos democratizar a cultura com as pautas colocadas no Congresso Nacional, dando acesso, por exemplo, através do Vale Cultura, aos bens culturais e aumentando o fomento com a aprovação da PEC 150, lembrando que 2% é o mínimo necessário para trazermos dignidade para a cultura deste país. Nós temos que caminhar atrás da sensibilização dos demais municípios sobre a importância da cultura. Portanto, esta Conferência vem como reflexão estratégica para que possamos implementar as propostas que estão sendo votadas no Congresso, e todas saíram da I Conferência em 2005. Agora é importante destacar que a articulação para esta segunda vem em uma nova realidade e aproveito para destacar a importância do trabalho da Rejane Nóbrega, articuladora pelo MINC das conferências municipais no estado do Paraná.

Qual é a nossa preocupação? Tenho observado nas últimas conferências que algumas diretrizes que estão sendo colocadas pelos delegados são temas que já foram debatidos na I conferência e muitas delas já foram atendidas. O que nós precisamos agora é estabelecer estratégias de implementação destas ferramentas, nos apropriarmos do que já existe. Pensar por exemplo o que o Plano Nacional de Cultura preconiza? O que a Reforma da Rouanet diz? O que é o Sistema Nacional de Cultura?

Os delegados que sairão aqui do Paraná tem que ter em mente que vão levar as diretrizes do estado. Portanto, é preciso se conscientizar de que não são diretrizes apenas do seu segmento. Os delegados têm que estar capacitados para, lá em Brasília, saberem defender os interesses do Paraná,  representando todos os segmentos artístico-culturais.
Américo Córdula

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Tela do artista mouraoense Silvio Rocha, em exposição na Biblioteca Municipal Egydio Martello, retratando a história do povo Xetá, indígenas nativos da região, com fotos dos últimos descendentes e pinturas.

Os índios Xetá foram a última etnia do Paraná a entrar em contato com a sociedade nacional. As evidências de sua presença na região já eram registradas pelas frentes de colonização desde o final da década de 1940, mas, seu primeiro contato oficial aconteceu em 6 de dezembro de 1954, na Serra dos Dourados, região noroeste do estado.

A maioria dos Xetá morreu, em menos de uma década, por causa da selvagem colonização do território em que viviam. Poucos sobreviveram. A maioria destes foram crianças literalmente arrancadas de seus pais e criadas por familiares dos fazendeiros que invadiram suas terras ou por funcionários do antigo Serviço de Proteção ao Índio.

No dia 11 de junho de 2007, morreu, aos 60 anos, Tukanambá José Paraná, um dos sobreviventes do massacre Xetá. Agora, restam apenas seis sobreviventes conhecidos. Hoje, eles têm descendentes e juntos somam cerca de noventa pessoas, mas, eles vivem separados. Moram em cidades ou em terras dos povos Kaingang e Guarani. Os sobreviventes estão envelhecendo e dois já faleceram. Por isso, regularizar a terra do povo Xetá é cada vez mais urgente. Há mais de uma década, Tuka, como ele era conhecido, juntamente com Tikuein Mã – falecido no final de 2005 – lideravam seu povo na luta pela reconquista de sua terra. A morte de Tuka foi mais um duro golpe aos Xetá. Os sobreviventes do massacre deste povo têm, agora, importante papel de manter seus descendentes em contato.

“Eu entendo tudo quando o Tikuein Mã, o Tuca e o Kuein falam. Eu tenho vergonha de falar e não falo porque estou sozinha, mas, se eu tivesse com quem prosear na nossa língua para não esquecer o que ainda me lembro eu seria muito feliz. Não se conversa só, não é mesmo? É preciso outra pessoa que proseie como nós, não é?”

(trechos de depoimento retirado da dissertação de mestrado “Sobreviventes do Extermínio: Uma Etnografia das Narrativas e Lembranças da Sociedade Xetá”, de Carmen Lucia da Silva – Universidade Federal de Santa Catarina –  Florianópolis, 1998).

Fotos: Gilson Camargo

1 Comentário

  1. 26 de setembro de 2011

    Prezados Senhores,

    No período de 16 setembro a 05 de outubro acontecerão as incrições para o 2º. FESTPAR – Festival de Teatro de Paranaguá.
    Diferente da edição anterior, este ano o festival será realizado a nível Estadual, o que trará a nossa cidade artistas de todos os cantos do Paraná, fazendo com que a participação dos grupos nos proporcione dias inesquecíveis onde o talento será mostrado das mais variadas formas de expressão.
    Os grupos inscritos concorrerão a 08 categorias: melhor ator e atriz, melhor ator e atriz coadjuvante, melhor cenário, melhor sonoplastia, melhor diretor e melhor espetáculo. O prêmio de melhor espetáculo será entregue para os três primeiros colocados. Além de troféu, os vencedores desta categoria receberão uma premiação em dinheiro, sendo R$ 1.000,00 para o primeiro colocado, R$ 500,00 para o segundo e R$ 250,00 para o terceiro.
    As apresentações do festival acontecerão no período de 26 a 30 de outubro. Além das apresentações dos grupos concorrentes, o festival oferecerá ao público oficinas de aprimoramento profissional, contações de histórias itinerantes e apresentações de espetáculos de rua.
    Os interessados em realizar suas inscrições deverão seguir atentamente o regulamento do evento que se encontra disponível no site da Fundação Municipal de Cultura: http://www.fumcul.com.br, no espaço do FESTPAR. Para mais informações os mesmo pedem entrar em contato através do número 3420-2929, com o departamento de Ação Cultural da FUMCUL.
    Sua presença abrilhantara nosso evento.

    Nossos protestos de estima e consideração.
    Olga Maria e Castro
    Presidente interina da FUMCUL
    Diretora de Ação Cultural

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  1. By Campo Mourão sedia a II CEC do Paraná » Conferência Nacional de Cultura on 4 de dezembro de 2009 at 17:10

    […] A cobertura completa pode ser lida no blog de Angelo Vanhoni. […]

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  4. By acervo de publicações do blog at Angelo Vanhoni on 29 de setembro de 2010 at 19:03

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