conferência municipal de educação de curitiba 2015

DSC_3805O relator do PNE, Angelo Vanhoni; a secretária municipal de Educação de Curitiba, Roberlayne Borges Roballo; e Maria Aparecida da Silva, vice presidente do Conselho Municipal de Educação, durante palestra de abertura do evento.

“Bom dia a todas as professoras e professores. Bom dia a todos os profissionais de educação e aos pais aqui presentes.

Desde que nós aprovamos o Plano Nacional de Educação e a presidente o sancionou, ficou evidente a necessidade de que nós aprofundassemos no corpo da lei o funcionamento sistêmico da educação nacional. Durante muitos anos o Brasil tratou a educação de maneira fragmentada, segmentada. Então, como prevê a constituição, os municípios são responsáveis pela educação infantil e ensino fundamental, os estados são responsáveis pelo ensino médio e a União responsável pelo ensino superior. São estas as principais atribuições dos entes da federação no campo da educação.

Mas, há um movimento no Brasil nesses últimos 10, 15 anos, suprapartidário, no sentido de mudar o papel do Estado em relação à educação. Isto é, olhar a educação não somente sob o viés do município, do estado ou da União, que parecem ser tão distantes. O Brasil enquanto Estado, independentemente de ser cidade ou unidade da federação, tem que se preocupar em elaborar programas de forma sistêmica para garantir uma educação de qualidade para todas as crianças, desde 0 a 3 anos até o término da sua idade escolar, que a princípio seria aos 24 anos de idade, quando o jovem completa o ensino de nível superior no nosso país.

Então, um conjunto de coisas foram acontecendo neste período. Primeiramente foi aprovado o Fundeb, que é um fundo que transcende os estados, os municípios e a União porque ele se preocupa com a educação infantil, a educação especial e o desenvolvimento do ensino médio, e o Governo Federal tem a obrigatoriedade de colocar 10% do valor deste fundo, que até 2013 estava na ordem de 95 bilhões de reais, com a União aplicando perto de 10 bilhões de reais como verba suplementar para todos os municípios e estados do Brasil.”

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“Nós avançamos muito a partir de quando o Ministério da Educação percebeu isso e instituiu o Plano de Ações Articuladas (PAR), que todos os professores e secretários aqui conhecem, em que o Governo Federal deixou de aplicar dinheiro apenas nas universidades. O dinheiro do MEC há 15 anos atrás era composto de 20 bilhões de reais, sendo que 80% desse dinheiro ía para as universidades federais do Brasil e 20% era espalhado para socorrer o ensino básico em nosso país. Passados 15 anos a soma de recursos quintuplicou. Hoje nós temos aí 110 bilhões de reais e 53% desse dinheiro é repassado para os estados e municípios. Então, a União começou a se preocupar com o desenvolvimento da educação em nível infantil, em nível do ensino fundamental.

E vejam que melhorou bastante, porque há 10, 15 anos atrás não tinha ninguém no MEC responsável exclusivamente pela educação infantil. A população sofria porque as pessoas da classe trabalhadora, que é 90% do povo do nosso pais, não tinham espaço público para colocar as suas crianças de 0 a 3 anos. Quem tinha isso eram os filhos da classe média, que já tinha descoberto como a escola pública nos países desenvolvidos estava organizada e entendido que o desenvolvimento do ser humano começa, do ponto de visto educativo já a partir de 0 a 3 anos, e que de 4 a 5 anos ele deve ser olhado do ponto de vista pedagógico. E não como era no Brasil de até 15 anos atrás, formado sob o ponto de vista da assistência social, em que nós precisávamos de creche apenas para as mães deixarem as crianças em um local seguro para ir trabalhar. Nós precisamos de locais de acolhimento seguros, mas sob a ótica da educação, porque a criança nesta idade tem um enorme potencial de desenvolvimento das suas capacidades cognitivas, das suas múltiplas linguagens, que vai ter uma importância fundamental depois quando ela entrar no ensino fundamental e no processo de alfabetização.

O MEC fez uma pesquisa que orientou nosso trabalho na elaboração do Plano Nacional de Educação com crianças que entraram na creche e tiveram assistência de 0 a 3 anos e com crianças que não entraram na escolinha de educação infantil, traçando qual era o perfil de desenvolvimento delas a partir do ensino fundamental. Pergunto a vocês, pais, professores e profissionais: quem vocês acham que se alfabetizou e se desenvolveu com mais celeridade? É evidente que foram as crianças que tiveram acolhimento e proposta educativa de 0 a 3 e de 4 a 5 anos.”

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“Esta percepção de que é um direito do ser humano ter um espaço educativo já a partir dessa idade nós começamos a avançar somente a partir de 2009, quando nós mudamos a Constituição e colocamos uma obrigatoriedade, com meta de que até 2016 todas as crianças a partir dos 4 anos de idade tenham educação obrigatória no Brasil. A obrigatoriedade constitucional era de 6 a 14 anos, e nós a estendemos, baixando para 4 e ampliando até os 17 anos, incluindo o ensino médio também nesta obrigatoriedade, porque tem muita evasão no ensino médio, tem graves problemas no ensino médio, então nós tratamos de garantir isso na Constituição, para que o Estado brasileiro seja obrigado a dar uma educação de qualidade também para os jovens de 15 a 17 anos.

A educação deve ser olhada como um todo, e o plano municipal deve olhar também a questão do ensino médio, deve olhar também a oferta de ensino superior público na cidade de Curitiba, e deve olhar também a educação do ponto de vista da cultura. Mas o ensino infantil e o ensino fundamental são a base para a gente realizar grandes mudanças na educação do nosso país.

Até há 15 anos atrás, além da carência de vagas, as prefeituras não tinham nenhuma preocupação pedagógica maior consolidada em relação à educação infantil. Nós encontrávamos as melhores experiências pedagógicas de prática de ensino infantil aqui na nossa cidade – como de resto nas maiores cidades do Brasil – sobretudo para os filhos da classe média. Então, as escolas particulares tinham lá uma sofisticada preparação, tanto do ponto de vista da formação dos professores, quanto do ambiente em que as crianças estavam vivendo e das práticas pedagógicas.”

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“Hoje já se avançou bastante, a esfera pública já se apropriou de uma porção dessas conquistas, mas era limitado, muito limitado. A maioria dos filhos dos trabalhadores ainda dependia de creche, e ainda se precisava trabalhar muito do ponto de vista da formação dos professores para que a educação de todas as crianças da cidade de Curitiba pudesse ter um padrão sofisticado do ponto de vista das teorias de aprendizagem, enriquecidos pela nossa experiência cotidiana de curitibanos, com nossas particularidades culturais.

Na Universidade Federal do Paraná, há vinte anos atrás tinha pouquíssima gente com alguma especialização sobre educação infantil. Vejam, a maior universidade, uma das mais antigas do Brasil, a maior do Paraná, tinha apenas uma professora estudando exclusivamente a educação infantil.

Na Europa a educação de 4 a 5 anos já está universalizada. Eu tive a oportunidade de conhecer, na época em que eu era deputado estadual, dois estados da Italia: Emilia Romagna e Toscana. E fui conhecer quatro escolas de educação infantil. As escolas são parecidas com as nossas, mas estão mais consolidadas, a estrutura delas é melhor, pois eles estão investindo há mais de 50 anos em educação infantil, e nós estamos começando agora. Há um abismo muito grande entre nós entendermos o que é direito para as crianças do ponto de vista da formação e o que os europeus já conquistaram.”

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“A estrutura da escola é um pouco diferente. Sempre tem um espaço para o desenvolvimento da cultura, da musica, da dança, da arte, do teatro, do estímulo a leitura. Toda semana tem uma ou duas atividades de estímulo a leitura para as crianças, com estorinhas, com teatrinho dentro da escola. Em cada escola tem uma cozinha, a merenda escolar é feita pelas próprias professoras e pelas crianças, pelos alunos que ajudam a cortar os alimentos, etc… e tem um espaço externo para uma horta, onde geralmente são plantados os legumes e as hortaliças que são utilizadas nas merendas das crianças.

Mas o que mais me saltou aos olhos é o prestigio que a sociedade italiana dá para a estrutura da educação do ponto de vista da valorização do magistério. As professoras da educação infantil todas com nível superior, 80% delas com pós graduação e mais da metade com doutorado. E é importante que se diga, o que ganha uma professora com doutorado dando aula na educação infantil de uma cidade de 50 mil habitantes não é tão diferente do que ganha um professor doutor dando aula em uma universidade na Italia.

A educação infantil tem um status na sociedade italiana, e na Europa de maneira geral, que no Brasil não tem. Nós ainda tratamos a educação infantil como se fosse apenas “cuidar de crianças”. Para nós é como se educação de verdade fosse só um professor de ensino superior em frente a um quadro negro com giz, e as pessoas se preparando para o mundo do trabalho tão somente. Quem tem prestígio na sociedade brasileira é a educação de nível superior, porque nós destratamos o ensino médio, nós não damos a ele a devida atenção, 50% dos jovens abandonam o ensino médio brasileiro!”

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“Vai ali para o Boqueirão, vai ali no Sítio Cercado. Vejam a juventude com 17, 18 anos de idade. Ela está pronta. Está querendo viver a vida. Não quer mais ficar sob a égide do pai, da mãe ou da família. Ele ama, ele está namorando, ele pensa em casar, ele pensa em ter casa, ele pensa em ter uma profissão, ele quer dar conta da sua vida, porque é assim que acontece nessa idade. E ele não tem perspectiva nenhuma, porque a educação do ensino médio não prepara ele nem para a vida e nem para o mundo do trabalho.

Na Alemanha, que é o país mais desenvolvido da Europa, 70% da juventude nessa idade sai de uma boa escola profissionalizante de ensino integral, onde ele tem internet, tem cinema, tem teatro, tem música, tem um ambiente cultural que diz respeito à vida da juventude, mas ele sai com uma profissão e se quiser ganhar a vida como técnico a sociedade o prestigia tanto quanto a um profissional de nível superior. Já no Brasil o ensino técnico ainda é visto como sendo de menor qualidade.

O Brasil tem 11 milhões de crianças de 0 a 3 anos fora da escola. Hoje nós temos apenas 2 milhões de matriculados e nós queremos incluir essas crianças, pelo menos 5,4 milhões nos próximos 10 anos, dentre as quais tem um percentual que é daqui da nossa cidade. E nós calculamos no PNE os custos para atendimento às crianças de 0 a 3 anos não em cima do salário de atendente e auxiliar, mas com salário de professor, de um profissional de magistério, porque nós entendemos que essas crianças merecem cuidados especiais, com especialização dos professores, e deve ter um ponto de vista pedagógico. Pelo menos pela ótica pública nós temos que defender isso e lutar para que isso aconteça.”

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“Vocês sabem que a nossa realidade é díspar e é muito difícil. Há 10 anos atrás o Rio de Janeiro, um dos estados mais ricos do Brasil não pagava o piso. Mas, não o piso dos professores, não pagava o salário mínimo nacional para metade do magistério do Rio de Janeiro!

Nós estamos mudando o nosso país de diversas formas, dentre elas quando a gente aprovou a Lei do Piso Nacional dos Professores. Para garantir pelo menos o instrumento jurídico para que cada sindicato, cada setor da sociedade, cada unidade da federação possa fazer a luta para que os professores tenham um padrão de vencimento e para que a gente possa recuperar o prestígio da educação nesse país. E nós só vamos fazer isso se nos próximos anos nós conseguirmos traduzir esse prestígio e essa valorização nas condições de salário dos professores.

Para que a gente possa olhar para os jovens que estão fazendo vestibular ou o ENEM agora ou daqui há 10 anos, e que tem talento na matemática, na quimica, na física, na geografia, que gostam das crianças, que se preocupam com educação e dizer o seguinte: puxa, tem 25% dos que estão fazendo vestibular que querem ser professores. E sabem por que? Porque hoje não tem nem 2%. O garoto que gosta de quimica, de física, de matemática, prefere fazer um vestibular de engenharia, qualquer curso de exatas, ou até mesmo trabalhar em um banco, que é um trabalho, repetitivo, maçante, desculpe a expressão, mas que ganha mais no piso do que os professores. Então, se o Brasil quer mudar de verdade só há um caminho a seguir, e neste plano, esta lei que nós aprovamos aponta para este caminho. É um caminho de mais educação e mais futuro para o nosso povo. Este é o caminho que a gente tem que trilhar para distribuir mais valores para a sociedade brasileira.”

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“O plano municipal que vocês estão discutindo e elaborando tem que atender as demandas do município, mas ele deve ir além. Do ponto de vista da educação ele tem que se preocupar com as questões que dizem respeito à formação do povo curitibano como um todo. O plano municipal deve ser uma alavanca jurídica que impulsione a Prefeitura, a gestão da capital a ser sempre protagonista das reivindicações sobre a educação com o estado e com a União. A gestão pública da capital tem que ser a guardiã das necessidades da educação. Ela tem que, de alguma forma apontar no plano para a busca dessa realização.

Para concluir, o que é que nós queremos com uma criança de 0 a 3, e de 4 a 5 anos na escolinha? Pra que isso tudo? Primeiro porque nós ocidentais temos a convicção de que através da cultura e do conhecimento a gente se realiza do ponto de vista espiritual e a gente cria a condição fundamental para se realizar do ponto de vista material. O cidadão ganha capacidade para exercer uma profissão, para se colocar na vida com autonomia, não depender do pai, não depender da mãe, não depender do Estado, passa a ter segurança interior. E nós queremos que no Brasil inteiro seja assim.

Além disso, a educação tem que ser de qualidade. O professor do interior do Maranhão tem que ganhar a mesma coisa que o professor de Curitiba, de Porto Alegre, de São Paulo. A escola tem que ter a mesma estrutura de biblioteca, de atendimento às crianças. Nós queremos um padrão nacional de educação. Pode ter dinheiro para isso? Pode. Por isso nós aprovamos os 10% do PIB para a educação.”

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“Por isso nós aprovamos uma lei no Congresso Nacional que a gente tem que cuidar pra não mudarem, que é a Lei do Pré-sal. Nós descobrimos uma reserva de petróleo que outros povos não descobriram nos últimos 20 anos, que está embaixo do mar e já está sendo explorada. Nós produzimos hoje 2 milhões de barris de petróleo por dia e daqui há 15 anos nós vamos estar produzindo 5,5 milhões de barris por dia. Em 15 anos nós vamos mais que dobrar a produção de petróleo.

E saibam que até ontem os royalties do petróleo íam para o governo e o governo fazia o que queria com esse dinheiro. Se quisesse fazer rua, fazia rua, se quisesse fazer ponte fazia ponte. Agora a Presidência da República não vai mais poder fazer o que quiser com esse dinheiro, porque nós destinamos 75% dos royalties do petróleo para a Educação e 25% para a Saúde. Tem um preceito constitucional garantindo este dinheiro para a Educação. E pode vir perto de 250 bilhões de reais nos próximos 15 anos para a Educação em todo o território nacional.

Isso significa que se Curitiba não tiver o dinheiro no orçamento através da arrecadação do IPTU, do ISS, da transferência do ICMS e das outras taxas, se Curitiba não tiver dinheiro para garantir o padrão mínimo que a gente está estabelecendo aqui neste plano, com metas de educação integral, valorização do magistério, se Curitiba com toda a sua riqueza não tiver o recurso suficiente pra atingir estas metas, a União vai ter que suprir a cidade de Curitiba, assim como outras, através deste fundo criado pela Lei do Pré-sal.”

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“Então, nós sabemos onde queremos chegar, nós agora temos um instrumento jurídico com estratégias de pensamento de como fazer essa caminhada e nós temos a possibilidade de ter os recursos para realizar esta bela caminhada do conhecimento para todos os homens e mulheres em idade escolar no nosso país nos próximos 10 anos. Por isso vocês estão de parabéns!

Eu vim ontem de uma reunião como essa em União da Vitória com 700 professores da região. Na segunda feira estivemos em Cornélio Procópio e região com 750 professores. As assembleias municipais estão sendo assim no Paraná inteiro. Os professores municipais e estaduais estão se reunindo e discutindo os planos. Porque daqui há 6 meses a transferência de recursos de verbas voluntárias do Governo Federal vai ser calculada em cima destas projeções.

Curitiba fez o plano? Qual é a estratégia? Qual é o projeto de desenvolvimento? Como a cidade se propõe a resolver as dificuldades das crianças nos próximos 10 anos? Vai precisar construir mais 10 escolas ou mais 50 escolas? Terão prioridade as cidades que apresentaram o seu diagnóstico e o seu projeto para que o Ministério da Educação possa se programar em relação aos recursos para se implementar o que foi proposto.”

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“Daqui há 4 anos eu quero voltar aqui para a gente fazer um balanço da metade de vigência deste plano. Para a gente saber o que nós conseguimos mudar do ponto de vista da educação integral, da proposta pedagógica, da aprendizagem das crianças, da valorização do magistério. Estamos crescendo ou não estamos crescendo?

Vocês todos sabem como está a valorização do magistério hoje. Nós fizemos um estudo com a CNTE pesquisando quanto ganha um arquiteto, um médico, um dentista, de salário inicial no Brasil inteiro. Em valores atuais o salário médio de um profissional com nível superior é próximo de 4 mil reais. Então, o salário médio de ingresso dos profissionais de educação tem que ser equivalente, equiparado ao dos outros profissionais com nível superior.

Eu acho que estamos dando um passo importante para valorizar a educação no Brasil, para que os jovens desejem ser professores da escola pública em Curitiba, no Paraná, no Maranhão, no Piauí. E assim a gente vai mudar o nosso país. Com educação, conhecimento e cultura. Muito obrigado.”

DSC_3757Durante a abertura dos trabalhos da conferência, representantes das entidades de classe, pais e professores apresentaram reivindicações contra o PL da terceirização (4330/2004), em favor do cumprimento da hora atividade, e exigindo a abertura imediata de concursos públicos para contratação de profissionais de educação.

Fotografia e editoração: Gilson Camargo

construindo os planos municipais de educação – visita a união da vitória/pr

A Secretaria Municipal de Educação de União da Vitória apresentou, no Cine Ópera, na sexta-feira (15/05), a proposta para o Plano Municipal de Educação elaborado ao longo do ano de 2014 e 2015, atendendo ao requisito proposto no Plano Nacional de Educação (PNE). A atividade contou com a presença do relator do PNE na Câmara Federal, Angelo Vanhoni, de autoridades locais, regionais, sindicatos e representantes de classe, além dos professores e servidores do município.

Para um auditório lotado, o prefeito Pedro Ivo Ilkiv relatou as ações desenvolvidas e salientou a importância da educação, bem como o reconhecimento e a valorização profissional. “É área prioritária em nossa gestão. Estamos investindo em novas escolas, contratando profissionais e trabalhando para dar aos professores todas as condições necessárias para que desenvolvam suas aulas com qualidade”.

Em sua palestra Vanhoni apresentou dados sobre a educação no país. Os números demonstram a necessidade de investimentos, tanto em infraestrutura quanto na valorização profissional. “Fizemos uma lei que estabelece o piso nacional no Brasil, temos condições de matricular todas as crianças no ensino fundamental, mas falta encontrarmos soluções efetivas quanto à educação infantil, até 5 anos”.

Leia abaixo as perguntas realizadas pelos participantes durante o encontro.

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Bom dia Vanhoni, é sempre muito bom te ouvir. Represento a Secretaria Municipal de São Mateus do Sul e acredito que a grande preocupação, tanto minha quanto da grande maioria dos professores e secretários que aqui estão é em relação à escola em tempo integral.

No nosso município nós colocamos a porcentagem de 50% das escolas em tempo integral até o final do plano, conforme sugere o plano nacional. Nós temos em nossa cidade, assim como acontece em grande parte da região, escolas em dualidade com o Estado, é uma situação bem complicada – porque graças a deus nós temos um grande número de crianças jovens nas escolas – e a grande preocupação é essa: será que teremos nesses 10 anos um investimento grande o suficiente do Governo Federal para que nós possamos ampliar as estruturas físicas das nossas escolas e, principalmente, para a construção de novas escolas?

Eu também me preocupo com o plano estadual, porque no plano estadual foi colocado 65% das escolas em tempo integral, então será que nós vamos ter como realizar? Porque 10 anos passam rápido né… pela burocracia que é, enfim… principalmente a questão da construção, o volume de verbas do Governo Federal, embora vindo, ainda assim é muito inferior ao que realmente nós necessitamos. É isso. Obrigada.

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Bom dia. Falar sobre a importância dos professores e o atendimento às crianças é muito importante, mas, aqui nós temos vários auxiliares de educação, zeladores, cozinheiras, inclusive eu sou zeladora de uma escola municipal. Então, eu gostaria de saber sua opinião também sobre a valorização do profissional auxiliar da educação.

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Bom dia. Além de ser professora da rede municipal eu trabalho na UNESPAR, na comissão do vestibular. Todos os nossos cursos são de licenciatura, a grande maioria dos professores aqui presentes devem ser formados pela antiga FAFIUV, hoje UNESPAR, e quando a gente sai para divulgar o vestibular é bastante triste. Aquilo que o senhor falou a respeito da falta de interesse dos alunos do ensino médio nos cursos de licenciatura a gente confirma aqui no dia a dia da divulgação.

Quando você chega numa sala do ensino médio e diz que todos os nossos cursos são de licenciatura o aluno já abaixa a cabeça, dois ou três no máximo numa turma é que demonstram interesse. E depois, lá no corredor, vem alguém de cabeça baixa dizer assim: “olha eu tenho interesse num curso de licenciatura”, porque ele tem até vergonha de falar isso na frente dos outros alunos.

Então, a minha não é uma pergunta, é só uma colocação a respeito do seu comentário, pra dizer que isso acontece muito aqui na nossa cidade.

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Essa fala da professora é bem interessante porque eu sou uma das professoras formadas pela FAFIUV e, infelizmente, historicamente a FAFIUV não tem o hábito de formar protagonistas, pelo excesso de conservadorismo no seu ensino. Então, quando você sai de lá você não sabe de nada, você vai pra escola e aí você toma contato com a realidade do que é a escola.

Agora tem os PIBIDs (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência) que trabalham nas escolas, mas na minha época, quando eu me formei em 1987, você saía de lá sabendo como dar aula, como ensinar Língua Portuguesa, que é o meu caso, mas não aprendia nada sobre o papel político do professor, porque o professor tem um papel de protagonista, de ensinar a tomar atitudes, e isso não é ensinado na faculdade, é ensinado também pelas leituras que você faz, pelos ambientes que você frequenta.

Então, não é uma responsabilidade só da faculdade, mas eu acho que existe uma coisa muito grande a ser conquistada nas licenciaturas, que é uma mudança na forma de ensinar. Muito obrigada.

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Bom dia. Minha pergunta é com relação a leitura, porque eu também sou uma apaixonada pela leitura e quero me posicionar com relação à biblioteca. A nossa biblioteca aqui da cidade é frustrante! Então, eu gostaria saber se há investimento, se tem possibilidade de se fornecer isso também. Como a Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba, que é um referencial, se aqui também haveria a possibilidade de trazer recursos para melhorar a nossa biblioteca.

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“Nesta cartilha estão as 20 metas do Plano Nacional de Educação. Na parte verde temos a situação do Paraná e as metas que propusemos em proporção às do PNE, nesta parte mais clara está a situação atual e na parte mais escura está a meta de quanto que a gente quer chegar – link para sugestão para o Plano Estadual de Educação do Paraná.

O Paraná tem 564 mil crianças e só tem 160 mil frequentando uma escolinha. São mais de 300 mil crianças de 0 a 3 anos que vão ficar de fora da escola, sem educação infantil. E são estas as crianças que vão ter mais dificuldade para se alfabetizar, que vão se alfabetizar aos 9, aos 10 anos. Nós queremos pelo menos 50% dessas crianças na escola até 2024. É um desafio para nós, não é fácil realizar isso. Envolve estrutura, programa e formação de profissionais dentro de uma perspectiva educacional. Mas, o dinheiro para construir escolas não é o maior problema, representa 9% do custo da educação. O grande problema está em a gente garantir o dinheiro para ter professor qualificado, auxiliar com formação para cuidar das crianças na educação infantil, na educação especial.

Sobre a questão dos auxiliares, o plano nacional prevê que seja descrito nos planos municipais o plano de carreira para os profissionais de educação. Há um capítulo com estratégias para isso, inclusive incentivando a titulação e a formação continuada. O que estamos garantindo para o professor no magistério nós desdobramos também para o profissional da educação, e isso deve ser tema debatido também nos planos municipais.

Quanto ao estímulo para a licenciatura, isso passa por duas questões: uma é a valorização do magistério. Experimente pagar um salário inicial de 4 mil reais para os professores e você vai ver se um grande número de jovens que estão hoje no ensino médio não vai querer ser professor. Ele vai pensar, poxa, eu sou bom em matemática, eu gosto de fazer contas, eu vou fazer uma licenciatura e vou ser professor. Porque é uma profissão nobre, eu posso me realizar e posso garantir minha existência. Façamos isso pra gente ver se não muda! E o outro ponto é a formação nas universidades; os professores muitas vezes saem das universidades sem o mínimo de didática, sem condições de compreender a realidade da escola e o universo cultural dos alunos. Não tem diálogo. Então, na base curricular das universidades tem que haver uma mudança muito grande, para que os novos professores tenham uma melhor e mais completa formação.

Por fim, uma boa iniciativa nesta questão do livro é criar oficinas de incentivo a leitura nas empresas, nas fábricas e em outros locais de trabalho – e o MEC tem programas para isso. Esta ideia complementa a questão das bibliotecas porque leva o interesse pelo livro para os locais onde as pessoas estão vivendo, e a biblioteca fica sendo a retaguarda do acervo. Assim você cria uma corrente de leitores que naturalmente exigirá melhores condições de estrutura e circulação.

Dito isso eu deixo a vocês um abraço. Parabéns pelo encontro que vocês estão realizando. A gente está aqui para ajudar.”

Fonte: http://uniaodavitoria.pr.gov.br/noticias/uniao-da-vitoria-apresenta-plano-municipal-da-educacao-para-sociedade/
Fotos: Gilson Camargo

professores do paraná continuam na luta

DSC_1946Manifestação em Curitiba mobilizou mais de 20 mil pessoas e pediu justiça quanto ao massacre do dia 29 de abril.

Na manhã de hoje (05/05), o Brasil viu a força e a proporção que a greve dos educadores no Paraná tomou. O Ato Nacional organizado pela APP-Sindicato que saiu da Praça 19 de Dezembro e seguiu em marcha até o Centro Cívico de Curitiba, reuniu mais de 20 mil pessoas.

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O ato foi realizado em repúdio à violência com a qual o governo do estado tratou os(as) educadores(as), que no dia 29 de abril tentavam participar da sessão da Assembleia Legislativa do Paraná. Naquele dia estava em votação o PL 252/2015 que propõe o confisco da poupança previdenciária do funcionalismo estadual, através de mudanças na Parana Previdência, e que foi aprovado por 31 votos a 20.

4aParticiparam do ato várias categorias de servidores do Paraná e de outros estados, centrais sindicais e movimentos sociais.

Um momento marcante foi quando representantes do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sindute-MG) leram uma carta de apoio aos trabalhadores da educação do Paraná. Na carta eles relembram os 112 dias de greve dos educadores mineiros em que também sentiram na pele a truculência da PM e a importância daquele movimento para a unidade do movimento no Estado. Ainda  motivaram para que aqui, no Paraná, os servidores sigam fortes: “Vocês, tem a educação como trabalho, sem dúvida muito aprenderam e muito ensinaram naquele dia. A vida é assim mesmo: quando se ensina também se aprende; quando caímos é que podemos nos levantar”.

Votação do PL 252/2015

Votos favoráveis ao PL do governo

Alexandre Curi (PMDB)
Alexandre Guimarães (PSC)
André Bueno (PDT)
Artagão Jr. (PMDB)
Bernardo Ribas Carli (PSDB)
Claudia Pereira (PSC)
Cobra Repórter (PSC)
Cristina Silvestri (PPS)
Dr. Batista (PMN)
Elio Rusch (DEM)
Evandro Jr. (PSDB)
Felipe Francischini (SD)
Fernando Scanavaca (PDT)
Francisco Bührer (PSDB)
Guto Silva (PSC)
Hussein Bakri (PSC)
Jonas Guimarães (PMDB)
Luiz Carlos Martins (PSD)
Luiz Claudio Romanelli (PMDB)
Marcio Nunes (PSC)
Maria Victoria (PP)
Mauro Moraes (PSDB)
Missionário Ricardo Arruda (PSC)
Nelson Justus (DEM)
Paulo Litro (PSDB)
Pedro Lupion (DEM)
Plauto Miró (DEM)

Votos contrários ao PL do governo

Adelino Ribeiro (PSL)
Ademir Bier (PMDB)
Anibelli Neto (PMDB)
Chico Brasileiro (PSD)
Evandro Araújo (PSC)
Gilberto Ribeiro (PSB)
Gilson de Souza (PSC)
Marcio Pacheco (PPL)
Marcio Pauliki (PDT)
Nelson Luersen (PDT)
Nereu Moura (PMDB)
Ney Leprevost (PSD)
Palozi (PSC)
Pastor Edson Praczyk (PRB)
Péricles de Mello (PT)
Professor Lemos (PT)
Rasca Rodrigues (PV)
Requião Filho (PMDB)
Tadeu Veneri (PT)
Tercílio Turini (PPS)

Não votaram

Cantora Mara Lima (PSDB)
Paranhos (PSC)
Ademar Traiano (PSDB) – como presidente, só vota em caso de empate

Já na Praça Nossa Senhora da Salete, foi realizada uma mística, em que educadores(as) colocaram rosas brancas nas grades da Alep pedindo mais respeito e menos violência. Também tingiram de tinta vermelha as águas do chafariz em frente ao Palácio Iguaçu e entoaram, em um só coro, o hino nacional.

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Após a caminhada realizada pela manhã, mais de 10 mil professores e funcionários de escolas participaram da assembleia geral da categoria, no Estádio Durival Britto, a Vila Capanema, em Curitiba. Foram apresentadas as análises das conjunturas nacional e estadual e, em seguida, a maioria presente decidiu pela continuação da greve por tempo indeterminado. A indignação tomava conta dos presentes, especialmente em vista da aprovação do projeto de lei 252/2015 e dos massacres do último dia 29.

O relator do Plano Nacional de Educação, Angelo Vanhoni também esteve na Vila Capanema. Em sua fala, o ex-parlamentar parabenizou a categoria pelo exemplo dado ao país. “O povo quando se une é maior do que qualquer violência. E esta foi a aula dada por vocês para todo o Brasil”.

Fonte: http://www.appsindicato.org.br/Include/Paginas/noticia.aspx?id=11310
Fotos: Gilson Camargo

29/04/2015 – o paraná em luto

Os fatos ocorridos contra os servidores públicos e professores no dia de ontem (29/04/2015) não deixaram apenas os curitibanos e os paranaenses escandalizados, mas, o mundo inteiro assistiu perplexo a estas imagens de selvageria. É preciso repensar os problemas da vida social, é preciso repensar as práticas políticas, isso não pode mais voltar a acontecer. Estamos ultrapassando todos os limites da imaginação, e o pior, da imaginação perversa.

É lamentável que o governador se sinta tranquilo em assistir as cenas que ele proporcionou e que mostra como os professores foram tratados. Este governador precisa entender que é justo que todo o funcionalismo público e todo cidadão tenha receio e dúvidas a respeito do projeto que estava sendo votado.

Os professores tinham todo o direito de protestar, os professores tinham toda a razão em se manifestar por uma causa que é justa, que é legítima, que diz respeito ao medo de que suas aposentadorias não sejam garantidas – afinal de contas esse é um direito constitucional praticado no nosso país – e estavam protestando não apenas em nome da educação, mas em nome de todo o serviço público prestado pelo Estado ao povo paranaense.

O governador não poderia ter agido da forma como agiu e premeditou a ação, pois tres dias antes da votação a Assembleia Legislativa já estava cercada, com mais de mil policiais e o Batalhão de Choque armados em frente a sua sede, no Centro Cívico. Assembleia esta que deveria ser um espaço de acolhimento, de recebimento do contraditório, de discussão a respeito dos problemas e da vida do nosso estado.

Infelizmente nós estamos tendo que aperfeiçoar a democracia através da dura luta e da mobilização do nosso povo.

Angelo Vanhoni

Leia mais sobre o massacre contra os servidores e manifestantes no Centro Cívico, em Curitiba/PR, em 29/04/15.

http://www.gazetadopovo.com.br/vida-publica/base-governista-ignora-batalha-campal-e-aprova-lei-da-previdencia-d15cdzrbokqzkzwm16mya59rw

http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,confronto-entre-pm-e-professores-no-pr-deixa-cerca-de-200-feridos,1678429

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/04/30/anistia-diz-que-richa-e-pm-precisam-se-responsabilizar-por-repressao-no-pr.htm

http://oglobo.globo.com/brasil/manifestacao-de-professores-em-curitiba-tem-confronto-com-pm-bombas-agressao-16013020

http://globotv.globo.com/rede-globo/bom-dia-brasil/v/protesto-de-professores-em-curitiba-termina-em-tumulto/4145321/

http://www.cartacapital.com.br/blogs/parlatorio/violencia-da-pm-deixa-mais-de-cem-feridos-no-parana-6622.html

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/04/29/politica/1430337175_476628.html

http://www.nytimes.com/aponline/2015/04/29/world/americas/ap-lt-brazil-teachers-violence.html

construindo os planos municipais de educação – visita a guarapuava/pr

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O relator do Plano Nacional de Educação (PNE), Angelo Vanhoni, esteve na Unicentro, em Guarapuava/PR, no dia 10/04, participando dos eventos “Guarapuava Construindo o Plano Municipal de Educação”, realizado pela Secretaria Municipal de Educação, com a presença de profissionais de educação de todos os níveis e segmentos; e no “Seminário Regional da Secretaria de Assuntos Municipais da APP-Sindicato”, voltado à formação dos núcleos sindicais, secretários municipais e representantes das comissões organizadoras dos Planos Municipais de Educação (PMEs), ampliando o debate sobre a elaboração dos mesmos.

Vanhoni falou sobre as conquistas garantidas na nova legislação, ressaltando os desafios e a adequação das metas do PNE às realidades regionais de cada município.

Clique e conheça as 20 metas previstas pelo PNE e seus números adequados à realidade do Estado do Paraná.

“Estamos aqui discutindo o Plano Municipal de Educação porque há uma previsão legal do Plano Nacional sancionado pela presidenta Dilma em junho de 2014 estipulando o prazo de um ano para que os estados e os municípios tenham seus planos realizados, para que o Brasil possa pensar a educação de maneira sistêmica em todo o país.

A realidade local é o que vocês vão discutir, pois vocês a conhecem. O que eu pretendo trazer aqui hoje são alguns números, algumas reflexões e alguns dados sobre a educação no Brasil como um todo, para que possamos comparar a proximidade ou a diferença da realidade aqui do Paraná, da cidade de Ipiranga ou de Guarapuava, pois o resto do Brasil tem tais problemas, iguais ou parecidos com os nossos daqui, nesse imenso país.”

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“Nós somos 200 milhões de brasileiros. Desses 200 milhões, todo dia acordam de manhã e vão para dentro da escola no Norte, no Nordeste, aqui no Paraná, no Brasil inteiro 50 milhões de alunos. Não é pouca gente! E na educação infantil por exemplo – de 0 a 3 anos – nós temos 11 milhões de crianças no Brasil, e nós queremos colocar 5 milhões de crianças na escola nos próximos 10 anos, porque só temos 2 milhões de crianças, hoje, frequentando alguma creche. São poucas as creches comunitárias e são muito poucas as creches públicas no nosso país. Porque o Brasil, ao longo desses últimos 100 anos nunca teve uma política pública para a educação infantil. Está começando a desenvolver agora nos últimos 10, 15 anos o que é uma realidade na Europa há mais de 50 anos.

Então, um aspecto é universalizar, colocando para dentro quem está de fora, e outra questão é a proposta pedagógica. Em países desenvolvidos, na Itália, na Inglaterra, existe proposta pedagógica para crianças de 0 a 3 anos, e para as crianças de 4 e 5 anos. Enquanto a proposta pedagógica desenvolvida por nós até agora é incipiente, tem pouco acúmulo, tem pouca experiência do ponto de vista público. E vejam, nós estamos falando de uma proposta pedagógica para 11 milhões de crianças de 0 a 3 anos e aproximadamente 6 milhões de crianças de 4 e 5 anos!

Outra coisa ainda é a formação continuada do professor, a valorização financeira da profissão, plano de cargos e salários, etc…”

“… eu falo isso porque o desafio do Brasil na educação é monumental! Desses 50 milhões de brasileiros que estão frequentando a escola, a grande falta ocorre em duas modalidades: no ensino infantil, de 0 a 5 anos, e no ensino superior, onde o nosso problema é gravíssimo! Temos hoje 7 milhões frequentando uma faculdade, mas nós temos 42 milhões de jovens de 18 a 24 anos no Brasil.

Temos 9 milhões de jovens de 15 a 17 anos matriculados no ensino médio e 1 milhão e 400 mil se formam todo ano. Mas, destes 1 milhão e 400 mil que se formam anualmente no ensino médio, apenas a metade sai com compreensão de matemática suficiente para entrar na faculdade. Então, isso poderá ser um problema mais para a frente, não é?

Nós temos um problema na base porque o país nunca se dedicou à base, e nós temos um grande desafio no ensino médio e no ensino superior. No ensino superior o desafio é ainda maior porque, do ponto de vista público, dos 7 milhões de matriculados apenas 1,5 milhão estão numa universidade pública. É muito pouco para 150 anos de educação no Brasil! A Argentina tem 36% dos jovens matriculados no ensino superior, o Chile tem 38%, os Estados Unidos, a França e a Inglaterra tem 60% dos jovens de 18 a 24 anos de idade matriculados no ensino superior.

Minha opinião sobre o Plano Nacional e os Planos Estaduais e Municipais que vão orientar a educação nos próximos 10 anos é a de que existem duas questões cruciais. Ampliar o ensino superior público, expandir a educação infantil, enfrentar o problema do ensino médio, todas essas medidas de inclusão são fundamentais, mas nós temos que enfrentar o problema da qualidade da educação. A nossa criançada tem que terminar a série conhecendo muito bem os conteúdos daquela série, daquela etapa, mas, além de estar conhecendo elas tem que estar com vontade de continuar estudando. Para isso precisamos de um esforço monumental envolvendo os prefeitos, governadores e o presidente da República na direção da educação integral, avançar na educação integral.”

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“Na Europa inteira, mesmo em Portugal ou na Grécia, que são países mais pobres e que estão passando por dificuldades, os pais deixam as crianças na escola as 7, 8 horas da manhã e vão buscar as 5 horas da tarde. Tem tempo para o professor organizar uma grade curricular, fazer um reforço do ponto de vista dos conteúdos e desenvolver nas crianças a parte da emoção, do coração, que faz parte do ser humano e que nós aqui no Brasil estamos trabalhando de forma errada.

Nós não desenvolvemos a parte cultural das nossas crianças, a parte artística. Não tem aula de musica, não tem aula de teatro, não tem dança. Nós estamos formando a criançada apenas para o mundo do trabalho e não para o mundo dos valores, para o mundo da cultura. Por isso o sujeito cresce e depois não sabe fazer juízo de valor sobre o que é certo e o que é errado. E isso a gente aprende não apenas com o que está escrito no quadro negro, a gente aprende com vivência, aprende com valores, com uma junção da razão com as questões mais profundas da alma, da valorização do que é ser humano. Então nós temos que mudar, com educação integral, com esse espaço maior que a LDB já prevê que a gente institua no Brasil, que outros povos no resto mundo perseguiram e que nós aqui, renitentemente insistimos em não fazer.

Muitos prefeitos pelo Brasil afora tem feito educação integral, mas para que isso dê resultado o professor tem que ser valorizado, o professor tem que ser respeitado, e essa é a outra questão fundamental. Se em 10 anos nós dobrarmos o piso dos professores e equipararmos o seu salário ao de profissional de mesmo nível – isso quer dizer que o professor com nível superior iniciará a carreira recebendo o mesmo salário de um profissional com igual graduação de outra área, em engenharia por exemplo. Se vocês que são professores, e nós da sociedade civil que temos a compreensão de que a educação é a principal ferramenta de mudança para se construir uma vida melhor, se a gente não exigir isso, não vamos esperar que o Congresso Nacional, que a Câmara de Vereadores ou o presidente da República o façam.

Espero ter contribuído com o debate trazendo uma visão mais geral na intenção de, ao mesmo tempo, ajudar a elaborar depois o Plano Estadual de Educação. Agradeço o convite. Obrigado.”

1Vista do Parque do Lago, em Guarapuava.

Fotos: Gilson Camargo

renato janine ribeiro, ministro da educação

1174911_697387520276047_1982956791_nFoto: Paulo Quintas / Ed. Globo.

O professor de ética e filosofia política, Renato Janine Ribeiro, em sua contribuição para a melhoria da educação brasileira encontrará alguns desafios fundamentais à frente do Ministério da Educação: a inclusão social buscando a universalização da educação infantil, o enfrentamento de modo decidido aos problemas do ensino médio, a expansão do ensino superior, a melhoria na qualidade da educação, e o cumprimento dos prazos de implementação das 20 metas do Plano Nacional da Educação (PNE) aprovado em 2014 e válido por dez anos; o que exigirá esforço, articulação e entendimento entre a União, Estados e municípios.

Em recente entrevista concedida ao jornalista Alberto Dines, no programa Observatório da Imprensa, Ribeiro defendeu a expansão de conceitos tradicionais do ensino à era da informação, adotando elementos da área de cultura e sem as limitações tradicionais da relação professor-aluno. “Acredito na educação como libertação. Não é apenas uma transmissão de conteúdos, uma padronização das pessoas”.

Desejamos ao novo ministro sucesso em sua missão. É com educação que a gente muda o Brasil.

13 de março de 2015, todos na rua pela democracia

Estiveram reunidos nesta sexta-feira ensolarada, 13 de março, na Praça Santos Andrade, em Curitiba/PR, lideranças sindicais de diversas categorias, bancários, petroleiros, professores, jornalistas, estudantes, simpatizantes e lideranças partidárias num ato em defesa da democracia, da Petrobras, dos direitos dos trabalhadores, da reforma política com constituinte e da continuidade dos programas sociais de emancipação do povo brasileiro realizadas pelos governos Lula e Dilma. As conquistas foram muitas nos últimos 12 anos.

O Brasil hoje atravessa um momento muito importante. Há uma crise política instaurada no Congresso Nacional, no relacionamento do Congresso Nacional com o Poder Executivo. Há uma Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga um dos casos de corrupção mais profundos da nossa história porque atinge a principal empresa de desenvolvimento econômico do nosso país, que é a Petrobras. O Partido dos Trabalhadores tem pessoas envolvidas nesse processo, assim como também estão envolvidas pessoas de outros partidos da base aliada e de setores conservadores, setores daqueles que fazem oposição ao governo do PT desde antes do governo Lula, que fazem oposição à política que combina desenvolvimento econômico com distribuição de renda; que trouxe milhares de trabalhadores para a formalidade, que fez com que a Petrobras descobrisse uma reserva fabulosa de petróleo que é o Pré-sal e adotasse um processo de desenvolvimento sobretudo sob a égide da Petrobras, não compactuando com a venda destas reservas para os interesses das grandes multinacionais, que eram os interesses que estavam colocados há muito tempo no Congresso Nacional. São interesses conflitantes e que estão no seio da oposição ao nosso governo.

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Aqueles que defendem a democracia tem que saber dialogar com a população no sentido de ser firmes, defendendo a apuração da corrupção do nosso país, mas serem firmes também na defesa e na manutenção das conquistas obtidas nos últimos 12 anos, ajudando a realizar as correções necessárias, mas mantendo a essência do programa deste governo, que é beneficiar o conjunto da população com geração de emprego, elevação do salário mínimo, política social para as mulheres, política para a juventude e investimento em educação, não permitindo que apenas o mercado decida quem deve trabalhar e quem pode estudar num país tão marcado pela exclusão social como é o Brasil.

Porque sob o manto do combate a corrupção, que todos defendemos, há uma oposição tentando iludir setores da população para impor uma derrota ao governo da presidente Dilma, mas, os interesses que estão por detrás disso é que devem ser esclarecidos e debatidos com a sociedade brasileira.

Temos o dever nesse momento de abrir o coração e com a maior transparência ir às ruas, ir ao encontro da sociedade. Aceitar com paciência as críticas que estão sendo feitas em relação à corrupção na Petrobras, mas a partir disso abrir o debate sobre os rumos do país e o que significa este governo em contraposição a outros governos que querem vender a Petrobras, que querem fazer com que o processo educacional seja aquele onde a lógica do mercado para a educação privada ganhe terreno no nosso país.

Enfim, nós precisamos estar atentos a tudo isso e só vamos ajudar o governo a tomar as as atitudes que devem ser tomadas se estivermos nas ruas, juntos com a população.

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Fotos: Gilson Camargo

reunião com prefeitos das cidades históricas do paraná

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Por iniciativa da Prefeitura da Lapa, prefeitos de diversas cidades paranaenses se reuniram no Theatro São João, na quinta-feira (05/03), e foram convidados para unir forças, criar novos projetos e buscar a formulação de políticas públicas que destinem verbas para a preservação histórica e cultural.

Estiveram presente prefeitos e representantes das cidades de Antonina, Castro, Guaratuba, Irati, Rio Negro e Tijucas do Sul, além de representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), da Coordenação do Patrimônio Cultural do Estado do Paraná, da Fundação Cultural de Curitiba e do gabinete da vice-governadora do Paraná. Todos assumiram o compromisso de dar continuidade ao debate e formular propostas que contribuam para a preservação e conservação do patrimônio histórico e cultural das cidades do Paraná.

“Os municípios, os estados e o país, precisam de novas políticas públicas para a preservação do patrimônio histórico e cultural”, esta frase do ex-deputado federal Angelo Vanhoni resume um pouco do que foi debatido no encontro.

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Nós brasileiros, diferentemente de outros povos, não temos ainda essa noção de memória, de patrimônio histórico estruturada como valor na nossa consciência coletiva. Daí a revolução a ser feita com políticas publicas ao introduzir o direito à cidadania cultural, à memória, ao estudo de bens patrimoniais, para que a gente possa resgatar um direito e exercer a construção de uma cidadania plena.

As políticas de patrimônio histórico no nosso país são passivas, elas praticamente inexistem porque não tem dinheiro, não se alocam recursos. É só olhar em volta. Não é apenas o governo atual, isso tem acontecido em todos os governos. E em todas as esferas. Em nível municipal, estadual, e no governo federal é a mesmíssima coisa!

Recursos para fazer política de preservação? Vamos dizer assim, apenas como um exemplo de proporção: é como se tivessemos 100 mil quando precisaríamos de 5 milhões! E aí, se nós não temos dinheiro e o Brasil não prioriza uma política de memória, não é apenas a memória física que está em jogo, porque a memória do patrimônio físico está diretamente ligada à memória do patrimônio imaterial, que está diretamente ligada à constituição da individualidade e ao exercício da cidadania.

É importante registrar que o governo federal criou há alguns anos um bom programa chamado Projeto Monumenta, que a presidente Dilma desdobrou recentemente no PAC Cidades Históricas. Então, pela primeira vez houve um olhar de que precisamos ter uma política para as cidades históricas do nosso país. O dinheiro é pouquíssimo, dá pra fazer pouca coisa, mas diante do que não tinha antes a gente tem que comemorar. Só que essa comemoração não pode ser indutora de a gente ficar satisfeito, porque falta recurso mesmo.

Se você não tem, do ponto de vista democrático, a concepção de que na formação da cidadania, na formação do ser humano, no processo educacional e cultural é fundamental que a criança se construa, se consolide com a capacidade de se referenciar individual e coletivamente na sua identidade, você não vai criar cidadãos com capacidade de pensar, de agir sobre a sociedade, sobre a vida e sobre si mesmos.

Daí a importância da educação para a preservação da memória, a importância da educação artística. Para que o teatro seja valorizado, para que as pessoas conheçam a experiência dos músicos daqui da Lapa do século passado, saibam que aqui houve pessoas que escreveram peças musicais e que contribuíram para a formação musical do estado do Paraná. Conheçam a poesia que foi publicada, os valores daqui da comunidade. Isso vale para cada cidade, para cada bairro, para cada lugar.

Para isso nós temos que ter um conjunto de políticas que se sobreponham, que possam construir aquilo que a gente sabe que é verdadeiramente o desenvolvimento da mente humana e das potencialidades de cada um. E o Brasil ainda está tateando nestas políticas públicas de construção de memória. Por isso a importância deste encontro. Isso tem valor para ontem, para amanhã e para qualquer tempo.

Hoje, modernamente, com a hiperconexão e a crescente dependência dos aparatos tecnológicos, a educação aponta para um desafio ainda maior: a criança deve ter contato com a vida da cidade. As escolas e os currículos escolares deveriam utilizar a cidade. Eu vou usar como exemplo a Lapa e Guaratuba, que estão aqui presentes.

Em Guaratuba, por exemplo, as crianças podem ser levadas pela escola municipal lá onde tem a colônia de pesca. Então, elas vão conhecer como é o barco, como é a rede, como é que a mulher faz a rede, como é que os pescadores saem, quanto ganham com aquilo, como é que trabalham, como voltam da pesca. As crianças vão ter contato com a vida da cidade e a partir daquela experiência elas podem criar os conteúdos educacionais que dizem respeito ao seu desenvolvimento. Ali você pode aprender a matemática, pode aprender a geografia, a história, pode aprender uma porção de matérias ligadas àquela atividade produtiva.

Aqui na Lapa tem uma boa produção agrícola. Então as crianças não vão ficar apenas na pequena horta da escola. Elas podem ir lá na roça, presenciar e aprender o plantio do feijão, a colheita do milho, como se faz o milho virar fubá, ao mesmo tempo em que podem conhecer a fábrica de automóveis em Curitiba. As crianças terão assim a escola como palco para o desenvolvimento de determinados conteúdos e a cidade como ambiente de vida, de trabalho, como espaço de construção de conhecimento, fazendo com que desde o início deem valor para a calçada, para a limpeza, para a vida em cidadania. Tudo isso se desenvolve e se apreende no espaço cívico da cidade!

Como é que eu vou dar valor ao Theatro São João se a minha cultura e a minha vida cotidiana não passam mais pelo Theatro São João?

Angelo Vanhoni

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Fotos: Gilson Camargo

plano estadual de educação do paraná

Com o Plano Nacional de Educação aprovado, Lei 13.005 de 25 de Junho de 2014, agora o Brasil depende da elaboração e da adequação dos Planos dos 26 estados, do Distrito Federal e dos 5.570 municípios, pois a legislação prevê um ano a partir da aprovação do PNE para a elaboração dos Planos Estaduais de Educação (PEEs) e Planos Municipais de Educação (PMEs).

A Constituição Federal, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e o novo PNE, estipulam que as metas nacionais, especialmente aquelas que dizem respeito às etapas obrigatórias da educação nacional, são responsabilidades conjuntas da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. Portanto, os Planos Estaduais e os Planos Municipais de Educação precisam ser imediatamente produzidos, debatidos e aprovados em sintonia com o PNE.

Aqui apresentamos uma sugestão para o Plano Estadual de Educação do Paraná. Os dados utilizados para este estudo foram baseados nas fontes do MEC, INEP, IBGE, PNAD, UNESCO, CAPES e IPARDES dos anos de 2013 e 2014.

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servidores públicos, alunos e professores se mobilizam contra pacote de medidas do governo do estado do paraná

DSC_2665web650Alunos do ensino médio do Colégio Estadual do Paraná protestam em frente ao Palácio Iguaçu, em 10/02/2015.

Após dois dias de ocupação da Assembleia Legislativa pelos servidores estaduais o governo do Paraná cedeu à pressão popular e retirou da pauta da casa o pacote de “medidas de austeridade” que cortava benefícios do funcionalismo e ameaçava a Paranáprevidência.

O pacote enviado pelo governo, que seria votado a toque de caixa na semana que antecede o carnaval, contingenciava para o pagamento de despesas do governo R$ 8 bilhões do Fundo Previdenciário criado há mais de uma década para garantir a autonomia no pagamento das aposentadorias do funcionalismo público – mais de 90 mil funcionários, sendo 65 mil deles docentes – além de suprimir outros benefícios.

Leia a íntegra do ‘pacotaço’:
Projeto de Lei Complementar 06/2015
Projeto de Lei 60/2015

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O dia 12 de fevereiro de 2015 ficou marcado como uma data histórica na luta pelos direitos dos trabalhadores do Paraná. Mais de 10 mil pessoas participaram da mobilização em frente a ALEP. A tentativa de votação, realizada em sessão improvisada numa sala no edifício anexo (o plenário da casa já estava ocupado pelos servidores desde o dia 10), foi interrompida pelo clamor dos milhares de manifestantes que enfrentaram a polícia, balas de borracha, sprays de pimenta, e ocuparam o prédio exigindo a retirada do projeto.

Os deputados da base de apoio ao governo chegaram na Assembleia para votar dentro de um ônibus da Tropa de Choque (imagem acima) e entraram no prédio pelas portas dos fundos. Capitaneada pelo secretário estadual de segurança, a própria polícia cortou com alicates a cerca lateral do edifício para abrir passagem aos parlamentares.

A ocupação do prédio pelos servidores durante a reunião destinada a votar o “tratoraço” é um claro demonstrativo do quanto o governo do Paraná tem agido em desacordo com a vontade popular.

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Professores e funcionários das universidades estaduais Unespar, Unicentro, UEL, FAP e EMBAP, também estão em greve. A categoria continua mobilizada com professores e servidores públicos acampados na Praça Nossa Senhora de Salete.

A adesão à greve dos professores no Paraná era completa já na quarta-feira (11). Em Curitiba apenas uma escola estadual funcionou, ainda assim parcialmente, todas as demais instituições de ensino mantidas pelo governo estadual estavam sem aulas, com professores, funcionários e até mesmo alunos mobilizados.

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Apesar do confronto com a PM no momento da ocupação a mobilização teve caráter pacífico e respeitoso para com as autoridades. Professores e manifestantes ofereceram flores aos policiais, fazendo frente aos escudos, capacetes e armas do Batalhão de Choque.

A manifestação dos professores aumentou com a participação de representantes de outros segmentos da sociedade. As medidas afetariam também os servidores da saúde, do Detran e do judiciário estadual. Familiares de policiais militares juntaram-se aos manifestantes, uma vez que as medidas do governo trariam impacto sobre diversas categorias.

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Os deputados estaduais da oposição entraram com um mandado de segurança na tarde de quarta feira (10/02) no Tribunal de Justiça do Estado do Paraná pedindo a suspensão da tramitação dos dois projetos de lei em regime de Comissão Geral como queria o governo. Os parlamentares argumentam que a votação dos projetos em Comissão Geral é ilegal, já que o debate é uma prerrogativa parlamentar garantida pela Constituição Federal.

O documento foi assinado pelos deputados Ademir Bier (PMDB), Antonio Anibelli Neto (PMDB), Chico Brasileiro (PSD), Gilberto Ribeiro (PSB), Márcio Pacheco (PPL), Márcio Pauliki (PDT), Nelson Luersen (PDT), Nereu Moura (PMDB), Ney Leprevost (PSD), Péricles de Mello (PT), Professor Lemos (PT), Rasca Rodrigues (PV), Requião Filho (PMDB), e Tadeu Veneri (PT).

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Apesar do esforço dos deputados da oposição na ALEP, a votação não teria sido interrompida sem o apoio popular e a ampla mobilização realizada pelos servidores públicos e professores. A notícia de que a sessão havia sido encerrada foi trazida pelo deputado estadual Professor Lemos (PT), que articulou, juntamente com outros deputados, a resistência ao pacote de medidas do governo dentro da ALEP.

Fotos: Gilson Camargo

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Servidores públicos lutando por seus direitos em frente a Assembleia Legislativa do Paraná. 12/02/15. Foto: Leandro Taques

plano nacional de educação é sancionado pela presidente dilma rousseff

A presidente Dilma Rousseff sancionou sem vetos o Plano Nacional de Educação, nesta quinta-feira (26/06).

Após três anos e meio de tramitação no Congresso Nacional, o Projeto de Lei que instituiu o PNE foi um dos mais debatidos na história legislativa do país. A minuta encaminhada ao Congresso pelo Governo em dezembro de 2010 contou com a relatoria do deputado Angelo Vanhoni na Comissão Especial da Câmara Federal e recebeu o maior número de emendas à um único projeto de lei, superado apenas pela Constituinte, que estabeleceu um novo texto para a Constituição Brasileira em 1988.

O Plano Nacional de Educação é o maior marco legislativo do país para o setor educacional, pois além de conter as 20 Metas e Estratégias que irão orientar as políticas educacionais no país até 2024, estabelece um patamar de investimento mínimo no setor de 10% do PIB em 10 anos, praticamente dobrando o investimento atual.

Começa hoje, portanto, a maior revolução do ensino público da história da república brasileira, da creche à formação de doutores, com a valorização efetiva do nosso magistério. O PNE cria todas as condições para a erradicação do analfabetismo, a valorização da carreira docente e o aumento de vagas no ensino superior, na educação técnica e na pós-graduação, além de promover a gestão democrática do ensino público.

Mandato Deputado Federal Angelo Vanhoni

O momento não poderia ser mais favorável para uma lei com tantos desdobramentos positivos. A hora é agora para instituirmos uma escola na qual os alunos tenham todas as condições de concluir cada ciclo de ensino na idade certa, uma escola onde ensinar e estudar seja um prazer. O PNE é o reconhecimento de que só o caminho da educação de qualidade e universal nos levará ao pleno desenvolvimento.

Angelo Vanhoni

(mais…)

educação infantil – ministro da educação anuncia recursos para a construção de 14 novos cmeis em curitiba

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Curitiba vai construir mais 14 Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs). Os recursos para as obras virão do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (R$ 14,3 milhões) e do município, que entrará com contrapartida de R$ 16,3 milhões. Somadas essas unidades com as 10 já incluídas na parceria com o governo federal, serão abertas 4.150 novas vagas para crianças de 0 a 5 anos.

O anúncio ocorreu nesta sexta-feira (27), em cerimônia na Prefeitura, com a presença do prefeito Gustavo Fruet, do ministro da Educação, José Henrique Paim, e da vice-prefeita e secretária municipal do Trabalho e Emprego, Mirian Gonçalves.

Também foi anunciado o repasse de dez novos ônibus para reforçar a frota do Sistema Integrado de Transporte para o Ensino Especial (Sites), que atende estudantes com necessidades especiais, e novos mobiliários escolares para CMEIs e escolas municipais.

“É o maior pacote de investimentos em educação infantil da história de Curitiba”, disse o prefeito Gustavo Fruet. Ele destacou que a liberação dos recursos representa o reconhecimento do governo federal ao esforço da administração municipal para apresentar projetos qualificados e adequados às normas exigidas. “O mérito é da equipe de profissionais da educação municipal, que trabalhou intensamente e de forma articulada com Ippuc e Secretaria Municipal de Obras”, disse Fruet.

As novas creches, como são popularmente conhecidos os CMEIs, serão construídos em bairros das regionais Pinheirinho, CIC, Boqueirão, Bairro Novo, Cajuru e Portão, onde há maior concentração de demanda por vagas. Os recursos vão financiar as unidades Parque Industrial, São João, Rio Negro, Rio Bonito IV, Ganchinho, São Luiz, Vila Nori, Cerro Azul, União Ferroviário I, União Ferroviário II, Ilha Do Mel, Hortênsias B, Jardim Ludovica, e Novo Mundo.

A licitação das novas unidades deve ocorrer ainda este ano e a previsão é que as obras comecem no primeiro trimestre de 2015.

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Com essas 14 unidades, chega a 24 o número de CMEIs com recursos já assegurados pela parceria entre Prefeitura de Curitiba e o governo federal, por meio do programa Proinfancia PAC 2. O investimento nas 24 unidades é superior a R$ 51 milhões, sendo 50% financiados pelo governo federal e o restante pelo município.

“A meta número 1 do novo Plano Nacional de Educação, sancionado nesta quinta-feira pela presidenta Dilma Rousseff é melhorar o atendimento da educação infantil em todo o País”, disse o ministro José Henrique Paim.

Segundo o ministro, o governo federal aguardava há muito tempo que Curitiba apresentasse os projetos necessários para a liberação de recursos para a constrição de novos CMEIs. “Vamos construir 6 mil novas escolas em todo o País e Curitiba fez, a partir de 2013, o esforço necessário para ter acesso aos recursos”, disse Paim.

Segundo ele, diante do empenho e agilidade da equipe da Prefeitura, o governo federal assumiu o compromisso de liberar, até o fim deste ano, recursos para a construção de mais 22 CMEIs.

Atualmente oito CMEIs estão em fase adiantada de construção em bairros das regionais do Pinheirinho, Portão, Bairro Novo, CIC, Boqueirão e Cajuru. São os CMEIS Fazenda Boqueirão II, Rio Bonito, Timbori, Diadema II, Jardim Futurama, Moradias Serra Do Mar, Portão II e Xapinhal Bairro Novo.

00149433webCMEI Diadema II em obras, em 20/05/2014. Foto: Luiz Costa/SMCS.

Duas unidades aguardam a liberação de documentos para iniciar a construção. Para estas unidades o governo federal repassou R$ 740 mil para serem investidos na compra de mobiliários específicos para atender as crianças pequenas, de 0 a 5 anos.

“Não basta apenas construir, precisamos equipar bem nossos CMEIs, de forma que as crianças tenham conforto e boas condições para desenvolver as atividades”, disse o prefeito Gustavo Fruet.

A secretária municipal da Educação, Roberlayne Borges Roballo, ressaltou que com as 24 unidades serão abertas 4.150 novas vagas. “Essas novas vagas vão se somar às 5.306 já abertas na educação infantil desde o início do ano em turmas de pré-escola nas escolas. Com isso, a atual administração terá ampliado em 9.456 o número de vagas para o atendimento na educação infantil, em apenas um ano” disse Roberlayne.

O planejamento da Prefeitura de Curitiba prevê que até 2016 sejam construídos no mínimo 46 CMEIs, com recursos federais. Destes, 24 unidades já contam com recursos assegurados. Outros 22, conforme anunciados pelo ministro devem ter recursos aprovados até o fim deste ano.

O programa ProInfância – PAC 2 é um programa que garante parte dos recursos para a construção de novas unidades de educação infantil. O restante é proveniente do orçamento municipal. O programa prevê um modelo de projeto arquitetônico padrão para todo o país. Porém, equipes das secretarias municipais de Educação, Obras Públicas e Ippuc conseguiram a aprovação de um modelo próprio de projeto adequado às características pedagógicas do trabalho desenvolvido nos CMEIs e às condições climáticas de Curitiba.

Durante a cerimônia também foi anunciado o repasse de 28 mil kits de móveis escolares. São carteiras e cadeiras para estudantes e móveis para professores. O investimento para troca do mobiliário, que será feita no início do segundo semestre, será de R$ 4 milhões. Serão substituídos prioritariamente os móveis das escolas mais antigas da rede municipal.

Estiveram presentes na cerimônia de repasse de recursos o presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Romeo Caputo; a senadora Gleisi Hoffmann; o deputado federal Dr. Rosinha; os vereadores Paulo Salamuni, Geovane Fernandes, Pedro Paulo, Luiz Felipe, Professora Josete, Luis Inácio, Jonny Stica, Toninho da Farmácia e pastor Valdemir Soares, além de secretários municipais e profissionais da educação municipal.

Fonte: Prefeitura Municipal de Curitiba.
Fotos: Gilson Camargo.

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Nós estamos vivendo um momento muito importante porque tivemos a sanção sem vetos da presidenta Dilma do Plano Nacional de Educação, relatado na Câmara pelo deputado paranaense Angelo Vanhoni. Este plano aponta para os destinos da educação no Brasil nos próximos 10 anos. Ele tem um formato que permite à sociedade acompanhar o texto meta por meta, que são 20, com as estratégias a elas associadas, e eu diria que uma das principais metas deste plano, e não por acaso, é a meta 1, que é por onde se começa tudo, que é a de melhorar o atendimento à educação infantil, tanto na creche quanto na pré escola. É uma meta bastante ousada porque precisamos em 10 anos ter um atendimento de 50% das crianças de 0 a 3 na creche, e um atendimento universal, até 2016, na pré escola.

É um esforço muito grande que o país vai ter que fazer pela frente. Eu costumo dizer que a educação infantil é onde nós temos a raiz da desigualdade no Brasil. Tudo começa pela educação infantil. Se nós conseguirmos ampliar o atendimento na educação infantil nós vamos conseguir fazer com que o país melhore muito no desafio que o PNE está colocando, e que é fundamental, que é a qualidade da educação. Se nós conseguirmos dar um atendimento às famílias mais pobres na educação infantil, nós vamos fazer com que independente da origem social destas crianças elas tenham as mesmas oportunidades.

Nós sabemos que uma criança que frequenta o CMEI terá mais chance de concluir a educação básica, terá um desempenho educacional melhor e terá uma nova perspectiva do ponto de vista da educação profissional e também do ponto de vista da educação superior. Por isso é fundamental, é crucial para o país que o governo invista na educação infantil.

José Henrique Paim, ministro da Educação

relatado por vanhoni, plano nacional de educação é aprovado integralmente no congresso nacional

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O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (3/6) o Plano Nacional de Educação (PNE), garantindo, entre outras metas, o investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na Educação. Com a votação concluída, encerrou-se a última etapa de tramitação no Congresso Nacional. Agora, o PNE segue para sanção da presidenta Dilma Rousseff, para entrar em vigor.

Na semana passada, o plenário já havia aprovado o texto-base do PNE, relatado pelo deputado federal Angelo Vanhoni. Hoje, foram derrubados os dois destaques que restavam, mantendo o projeto que foi aprovado na Comissão Especial da Câmara criada para apreciar o PNE.

O Plano Nacional de Educação fixa um conjunto de 20 metas para transformar, de fato, a Educação em um bem público e direito inalienável da cidadania no Brasil. Ao todo, são 253 estratégias para o país alcançar, nos próximos dez anos, as 20 metas estabelecidas pelo PNE.

Dentre os objetivos do PNE, destacam-se: erradicação do analfabetismo; universalização do acesso ao ensino básico; qualificação do ensino médio e profissionalizante; mais matrículas no ensino superior; mais vagas de 0 a 3 anos; valorização dos trabalhadores em educação; equiparação salarial dos educadores com profissionais de formação equivalente; gestão democrática pública e a criação do custo-aluno-qualidade, para referência nacional.

“O PNE inaugura um novo ciclo para a Educação, ao preparar as futuras gerações para construir a sociedade do conhecimento que queremos no Brasil. Uma sociedade mais humana e socialmente preocupada, que tenha na Educação, na inovação e na tecnologia as bases de seu desenvolvimento. Com o PNE, vamos consolidar uma política de Estado para a Educação nos próximos 10 anos. Vamos garantir a Educação integral para pelo menos um terço dos alunos do ensino fundamental. Vamos melhorar as condições dos professores equiparando a remuneração à de outros profissionais com a mesma formação”, afirma Vanhoni.

Conquista histórica para o país, o PNE foi concebido pelo Governo Federal a partir da CONAE (Conferência Nacional de Educação), em 2010. Em todo o processo de debate, o PNE contou com grande participação popular e dos movimentos sociais ligados à Educação. Foram mais de 60 audiências públicas realizadas no Congresso Nacional, além dos debates feitos nas mais diversas cidades de todo o país.

Fotos: JBatista / Ag. Câmara

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Saiba quais são as metas previstas no Plano Nacional de Educação:

1 – Creche (0 a 3 anos) e Pré-Escola (4 a 5 anos)

Universalizar, até 2016, a educação infantil na pré-escola para as crianças de quatro a cinco anos de idade, e ampliar a oferta de educação infantil em creches de forma a atender, no mínimo, 50% das crianças de até 3 anos até o final da vigência deste PNE.

2 – Ensino Fundamental

Universalizar o ensino fundamental de 9 (nove) anos para toda a população de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos e garantir que pelo menos 95% (noventa e cinco por cento) dos alunos concluam essa etapa na idade recomendada, até o último ano de vigência deste PNE.

3 – Ensino Médio

Universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população de 15 (quinze) a 17 (dezessete) anos e elevar, até o final do período de vigência deste PNE, a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85% (oitenta e cinco por cento).

4 – Educação Especial

Universalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 (dezessete) anos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, o acesso à educação básica e ao atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino, com a garantia de sistema educacional inclusivo,  de salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados.

5 – Alfabetização

Alfabetizar todas as crianças, no máximo, até o final do 3º (terceiro) ano do ensino fundamental.

6 – Educação em Tempo Integral

Oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento) dos(as) alunos(as) da educação básica.

7 – IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica)

Fomentar a qualidade da educação básica em todas as etapas e modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem de modo a atingir as seguintes médias nacionais para o Ideb:

Situação atual:
Anos iniciais do ensino fundamental   5,0
Anos finais do ensino fundamental      4,1
Ensino médio                                       3,7
2015:
Anos iniciais do ensino fundamental   5,2
Anos finais do ensino fundamental      4,7
Ensino médio                                       4,3
2017:
Anos iniciais do ensino fundamental   5,5
Anos finais do ensino fundamental      5,0
Ensino médio                                       4,7
2019: 
Anos iniciais do ensino fundamental   5,7
Anos finais do ensino fundamental      5,2
Ensino médio                                       5,0
2021:
Anos iniciais do ensino fundamental   6,0
Anos finais do ensino fundamental      5,5
Ensino médio                                       5,2

8 – EJA – Combate à desigualdade

Elevar a escolaridade média da população de 18 (dezoito) a 29 (vinte e nove) anos, de modo a alcançar, no mínimo, 12 (doze) anos de estudo no último ano de vigência deste Plano, para as populações do campo, da região de menor escolaridade no País e dos 25% (vinte e cinco por cento) mais pobres, e igualar a escolaridade média entre negros e não negros declarados à Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

9 – EJA – Analfabetismo absoluto e funcional

Elevar a taxa de alfabetização da população com 15 (quinze) anos ou mais para 93,5% (noventa e três inteiros e cinco décimos por cento) até 2015 e, até o final da vigência deste PNE, erradicar o analfabetismo absoluto e reduzir em 50% (cinquenta por cento) a taxa de analfabetismo funcional.

10 – EJA – Profissionalização

Oferecer, no mínimo, 25% (vinte e cinco por cento) das matrículas de educação de jovens e adultos, nos ensinos fundamental e médio, na forma integrada à educação profissional.

11 – Educação Profissional

Triplicar  as matrículas da educação profissional técnica de nível médio, assegurando a qualidade da oferta e pelo menos 50% (cinquenta por cento) da expansão no segmento público.

12 – Ensino Superior – Acesso

Elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% (cinquenta por cento) e a taxa líquida para 33% (trinta e três por cento) da população de 18 (dezoito) a 24 (vinte e quatro) anos, assegurada a qualidade da oferta e expansão para, pelo menos, 40% (quarenta por cento) das novas matrículas, no segmento público.

13 – Ensino Superior – Titulação Docente

Elevar a qualidade da educação superior e ampliar a proporção de mestres e doutores do corpo docente em efetivo exercício no conjunto do sistema de educação superior para 75% (setenta e cinco por cento), sendo, do total, no mínimo, 35% (trinta e cinco por cento) doutores.

14 – Formação de Mestres e Doutores

Elevar gradualmente o número de matrículas na pós-graduação stricto sensu, de modo a atingir a titulação anual de 60.000 (sessenta mil) mestres e 25.000 (vinte e cinco mil) doutores.

15 – Formação de professores (nível superior)

Garantir, em regime de colaboração entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, no prazo de 1 (um) ano de vigência deste PNE, política nacional de formação dos profissionais da educação de que tratam os incisos I, II e III do caput do art. 61 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, assegurando que todos os professores e as professoras da educação básica possuam formação específica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam.

16 – Formação de professores (nível Pós-Graduação)

Formar, em nível de pós-graduação, 50% (cinquenta por cento) dos professores da educação básica, até o último ano de vigência deste PNE, e garantir a todos os(as) profissionais da educação básica formação continuada em sua área de atuação, considerando as necessidades, demandas e contextualizações dos sistemas de ensino.

17 – Salário Docente

Valorizar os(as) profissionais do magistério das redes públicas de educação básica de forma a equiparar seu rendimento médio ao dos(as) demais profissionais com escolaridade equivalente, até o final do sexto ano de vigência deste PNE.

18 – Planos de Carreira

Assegurar, no prazo de 2 (dois) anos, a existência de planos de carreira para os(as) profissionais da educação básica e superior pública de todos os sistemas de ensino e, para o plano de carreira dos(as) profissionais da educação básica pública, tomar como referência o piso salarial nacional profissional, definido em lei federal, nos termos do inciso VIII do art. 206 da Constituição Federal.

19 – Gestão democrática

Garantir, em leis específicas aprovadas no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, a efetivação da gestão democrática na educação básica e superior pública, informada pela prevalência de decisões colegiadas nos órgãos dos sistemas de ensino e nas instituições de educação, e forma de acesso às funções de direção que conjuguem mérito e desempenho à participação das comunidades escolar e acadêmica, observada a autonomia federativa e das universidades.

20 – Financiamento da Educação

Ampliar o investimento público em educação pública de forma a atingir, no mínimo, o patamar de 7% (sete por cento) do Produto Interno Bruto – PIB do País no 5º (quinto) ano de vigência desta Lei e, no mínimo, o equivalente a 10% (dez por cento) do PIB ao final do decênio.

semana cultural literária 2014 – curitiba/pr

DSC_1447webPlatéia do Grande Auditório do Teatro Guaíra na abertura da 2ª Semana Cultural Literária, em 26/5/14. Fotos: Gilson Camargo.

Mais de dezoito mil profissionais da rede municipal de ensino de Curitiba e Região Metropolitana participaram da 2ª Semana Cultural Literária promovida pela Prefeitura de Curitiba, que aconteceu de 26 a 31 de maio de 2014 e contou com uma extensa programação cultural. Foram oferecidas 267 atividades e distribuídos 30 mil ingressos para os profissionais da rede, que frequentaram atividades de sua escolha. Além de espetáculos de dança, teatro, música, cinema e circo, a programação incluiu rodas de leitura e debates literários.

Fruto de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Educação e a Fundação Cultural de Curitiba, o evento é orientado por uma diretriz do Plano Nacional de Educação (PNE) que trata da transversalidade entre Educação e Cultura, reconhecendo a importância da cultura na formação escolar e no dia a dia dos alunos e professores. A ideia é criar novas perspectivas de trabalho para os artistas em atividades voltadas ao ensino e estimular o aproveitamento destas atividades no âmbito escolar.

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A programação iniciou com a peça teatral “Pequeno Manual do Cavaleiro Andante”, da Cia dos Palhaços, apresentada no Teatro Guaíra (imagens acima). A Semana Literária contou também com espetáculos que estimulam o jovem na leitura de clássicos como a Ilíada de Homero e de autores paranaenses consagrados como Helena Kolody, dentre outros.

Richard Rebelo. Iliada, Canto 16 - Curitiba, maio 2014.

O Canto XVI da Ilíada na tradução de Odorico Mendes foi apresentado em texto integral pelo ator Richard Rebelo (imagens acima). O espetáculo, com duração de 40 minutos, contou com a presença de 50 alunos da Escola Municipal Professor Erasmo Pilloto, do Bairro Alto. A encenação da obra integral de Homero terá continuidade ao longo do ano no Teatro Londrina, no Memorial de Curitiba, com performances mensais dos diferentes Cantos, possibilitando aos professores trabalhar os temas antecipadamente em sala de aula para maior assimilação dos conteúdos.

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A cerimônia de abertura contou com a presença do deputado federal Angelo Vanhoni, relator do Plano Nacional de Educação; do deputado estadual Péricles de Mello, presidente da Comissão de Cultura da Assembléia Legislativa do Paraná; dos vereadores Paulo Salamuni e Jonny Stica; do presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Marcos Cordiolli; e da secretária municipal de Educação, Roberlayne Borges Roballo.

Vanhoni falou sobre os avanços que o PNE traz para a melhoria da qualidade da educação brasileira, dentre eles a destinação de 10% do PIB nos próximos 10 anos, praticamente dobrando o investimento atual.

Melhorar a qualidade da educação passa, obrigatoriamente, pela formação cultural. Os nossos professores precisam ter acesso à nossa cultura. A Semana da Literatura que estamos fazendo aqui em Curitiba é um exemplo para o resto do Brasil. Nós introduzimos no Plano Nacional de Educação uma transversalidade da área da Cultura com a Educação, que o Marcos Cordiolli nos ajudou a realizar na Câmara Federal, lá em Brasília, e com o apoio da Roberlayne está organizando aqui em Curitiba com sucesso. O Brasil está de olho no que vocês estão fazendo aqui para melhorar a qualidade de educação das nossas crianças.

O presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Marcos Cordiolli, destacou as metas e estratégias do plano que valorizam a interface entre Educação e Cultura, ressaltando que a cidade de Curitiba se antecipa em realizar esta interação através de eventos como a Semana Cultural Literária.

No ano passado quando abrimos a primeira Semana Cultural eu lembrava a vocês que estava voltando à pauta do Congresso Nacional o Plano Nacional de Educação. O PNE vai ser, seguramente, um dos maiores programas de educação do mundo. Em todos os aspectos da educação ele vai promover uma grande revolução, mas eu não me canso de destacar que ele é de longe o melhor programa do mundo na relação entre Cultura e Educação.

Esta discussão foi fomentada pelo deputado Vanhoni, discutida com inúmeras entidades, ganhou uma redação final na Câmara, foi ao Senado praticamente intocado neste aspecto, voltou à Câmara no meio de todas as disputas e o consenso em torno da Cultura com a Educação estava intocado.

Nós aqui em Curitiba já começamos a avançar um pouco nessa linha, em parcerias com a Secretaria de Educação, para irmos previamente produzindo modelos de ação cultural voltados aos professores.

A secretária municipal de Educação, Roberlayne Roballo salientou a importância do incentivo a leitura na formação escolar.

Nós convidamos colegas de municípios das redes de Curitiba e também da Região Metropolitana. É uma forma de demonstrarmos que a cidade abre seus braços para além dessa fronteira imaginária, com as crianças, educadores e gestores participando de um mesmo espetáculo, de um mesmo encontro.

A Semana Cultural se abre com mais de 100 mil vagas para cursos diversos e conta com rodas de leitura, música, teatro, cinema e dança. Novos tempos se fazem. Uma arena de novos conhecimentos e novas sensibilidades.

Ainda nesta semana lançaremos o Caderno Pedagógico de Bibliotecas Escolares para dinamizar o trabalho frente à leitura. Este foi o grande desafio da Semana Cultural: que ela fosse literária, que ela realmente se voltasse às grandes obras, se voltasse aos livros, fazendo uma transposição da literatura em arte.

plenário da câmara aprova plano nacional de educação; destaques serão votados na segunda (2/6)

DSC_3061Relator do projeto, o deputado Angelo Vanhoni convida os professores que estavam nas galerias para acompanhar a votação no plenário e comemorar a aprovação do texto.

O texto-base do Plano Nacional de Educação (PNE) foi aprovado nesta quarta-feira (28/5) no plenário da Câmara dos Deputados, em votação por aclamação e com orientação unânime das lideranças partidárias. Agora, resta apenas a apreciação dos destaques ao PNE, marcada para a próxima segunda-feira (2/6), para que o plano siga para sanção da presidenta, Dilma Rousseff.

O texto, cujo relator é o deputado federal Angelo Vanhoni, estabelece um conjunto de 20 metas para transformar a Educação no Brasil. O PNE (Projeto de Lei nº 8.035/2010) tem como princípio a compreensão de que só a Educação, o conhecimento e a inovação serão capazes de projetar o Brasil no rol de países desenvolvidos, com ampliação da cidadania, a partir da criação de um espaço escolar plural, de valorização das capacidades e potencialidades do ser humano, de respeito às diferenças e de superação dos preconceitos.

Ao todo, o Plano Nacional de Educação foi construído com 20 metas para os próximos 10 anos na área de Educação, estruturadas em 253 estratégias que o Poder Público (União, Estados e Municípios) deve adotar para atingir cada uma das metas.

Os principais objetivos com o cumprimento das metas são: erradicação do analfabetismo; universalização do acesso ao ensino básico; qualificação do ensino médio e profissionalizante; mais matrículas no ensino superior; mais vagas de 0 a 3 anos; valorização dos trabalhadores em educação; equiparação salarial dos educadores com profissionais de formação equivalente; gestão democrática pública e a criação do custo-aluno-qualidade, para referência nacional.

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“Com o PNE, vamos consolidar uma política de Estado para a Educação nos próximos 10 anos. Estamos garantindo a Educação integral para pelo menos um terço dos alunos do ensino fundamental, o que corresponde a 11 milhões de crianças. Estamos melhorando as condições dos profissionais de educação, com remuneração, em cálculos atuais, na casa dos R$ 3.650. A aprovação do Plano Nacional de Educação consolida a concepção de que os motores do nosso desenvolvimento são o conhecimento, a ciência e a tecnologia. A qualidade do nosso ensino será muito diferente do que é hoje”, afirma Vanhoni.

Um dos destaques que serão votados na segunda-feira retira do cálculo dos 10% do Produto Interno Bruto a ser investido em Educação pública os recursos destinados aos programas de expansão da educação profissional, superior e especializada (como ProUni, Pronatec, Fies, Ciência Sem Fronteiras e entidades filantrópicas). O outro destaque suprime do PNE o cálculo do Custo Aluno Qualidade (CAQ), conceito que fixa o investimento mínimo por aluno que cada ente da Federação deverá realizar.

A votação dos destaques é a etapa final do processo legislativo do Plano Nacional de Educação.

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Fotos: Gilson Camargo

seminário “plano nacional de educação e educação em direitos humanos no paraná” – puc/pr

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Na quinta-feira (22/05), o ex-aluno do curso de filosofia da PUC/PR e atual deputado federal, Angelo Vanhoni, retornou ao Campus do Prado Velho, em Curitiba, como Relator do Plano Nacional da Educação (PNE) para ministrar uma palestra sobre este importante Projeto de Lei, que deverá promover uma verdadeira revolução na educação brasileira nos próximos dez anos.

A palestra aconteceu durante seminário realizado pela Pastoral da Universidade Católica, Diretório Central dos Estudantes, Comissão Local de Juventudes, Conselho Municipal de Juventude de Curitiba, Escola de Educação e Humanidade e Núcleo de Direitos Humanos da PUC/PR. E contou coma presença de alunos, professores, ativistas em direitos humanos e membros da Escola de Educação em Direitos Humanos do Paraná.

Projeto de Lei estruturado em torno de vinte metas para enfrentar os principais desafios da educação pública brasileira ao longo da próxima década (da creche à formação de doutores), o PNE propõe como grande diferencial a introdução do custo qualidade-aluno e uma atenção toda especial aos mais de dois milhões e trezentos mil professores da rede pública de todo o Brasil. Além disso, estabelece a obrigação constitucional de financiamento para o cumprimento de cada uma de suas metas.

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Para situar didaticamente o assunto, Vanhoni abriu sua explanação fazendo uma análise da conjuntura sócio-político-econômica na qual se deu a elaboração do Plano — a partir da Conferência Nacional de Educação (CONAE) de 2010 e de suas etapas municipais, intermunicipais e estaduais, que envolveram cerca de quinhentas mil pessoas — e na qual se dará sua aprovação pelo Congresso Nacional e sua sanção pela presidente Dilma Rousseff. Em sua argumentação, listou conquistas históricas dos últimos anos, como o intenso processo da inclusão social, fruto das políticas da renda mínima do Governo Federal e dos aumentos reais do salário mínimo; a descoberta das reservas de petróleo do “Pré-Sal”, cujos royalties serão direcionados para investimentos públicos na educação e na saúde; a expansão do mercado de consumo interno e o fortalecimento do agronegócio nacional; entre outros fatos notórios cuja constatação há que ser feita com justiça histórica, para além das colorações partidárias.

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Em seguida, destacou cinco metas, dentre as vinte que compõem o PNE, que, segundo sua avaliação, devem contribuir especialmente para a evolução da educação pública em nosso país nos próximos dez anos: a Meta 20, que determina a alocação progressiva de 10% do PIB para investimentos na educação pública; a Meta 6, que prevê o aumento das vagas da educação em tempo integral, das atuais 1,1 milhão para 11,3 milhões; a Meta 11, que prevê triplicar o número de matrículas da educação técnica de nível médio, com aumento dos investimentos federais de R$ 2,2 bilhões para R$ 6,2 bilhões anuais; a Meta 4, que cuida da educação especial de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, reconhecendo o importante papel das entidades filantrópicas nesse processo; e, finalmente, a Meta 17, que estabelece, até o sexto ano de vigência do Plano, a equiparação salarial dos profissionais do magistério das redes públicas da educação básica aos demais profissionais com escolaridade equivalente, o que significará um salário médio nacional de R$ 2.795,00.

O Plano Nacional de Educação deverá ser votado nesta quarta-feira (28/05) pelo Plenário da Câmara, em Brasília, seguindo de imediato para sanção presidencial.

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A Educação é o principal meio de transformação da vida e de construção da cidadania. As nações desenvolvidas já fizeram esse percurso. O PNE é nosso primeiro esforço para tratar, com amplitude e profundidade, da educação infantil à formação de doutores. É o reconhecimento de que precisamos trilhar o caminho da melhoria na Educação para sermos, de fato, um país desenvolvido.

Angelo Vanhoni, relator do Plano Nacional de Educação na Câmara Federal.

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O seminário aconteceu no Auditório Tristão de Ataíde, pseudônimo de Alceu Amoroso Lima (1893-1983), filósofo, professor, escritor e crítico literário, que pertenceu à Academia Brasileira de Letras e participou da fundação da PUC/RJ. Convertido ao catolicismo tornou-se um dos mais respeitados pensadores da Igreja. 

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Fotos: Gilson Camargo